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Arquivo da categoria ‘Haruki Murakami’

Kafka à Beira-Mar

Wednesday, January 19, 2011 Post de Célia

Autor: Haruki Murakami
Título Original: Umibe no Kafuka (2002) – traduzido do inglês
Editora: Casa das Letras
Páginas: 589
ISBN: 9789724616469
Tradutor: Maria João Lourenço

Sinopse
Kafka à Beira-Mar narra as aventuras (e desventuras) de duas estranhas personagens, cujas vidas, correndo lado a lado ao longo do romance, acabarão por revelar-se repletas de enigmas e carregadas de mistério. São elas Kafka Tamura, que foge de casa aos 15 anos, perseguido pela sombra da negra profecia que um dia lhe foi lançada pelo pai, e de Nakata, um homem já idoso que nunca recupera de um estranho acidente de que foi vítima quando jovem, que tem dedicado boa parte da sua vida a uma causa – procurar gatos desaparecidos.
Neste romance os gatos conversam com pessoas, do céu cai peixe, um chulo faz-se acompanhar de uma prostituta que cita Hegel e uma floresta abriga soldados que não sabem o que é envelhecer desde os dias da Segunda Guerra Mundial. Assiste-se, ainda, a uma morte brutal, só que tanto a identidade da vítima como a do assassino permanecerão um mistério.
Trata-se, no caso, de uma clássica (e extravagante) história de demanda e, simultaneamente, de uma arrojada exploração de tabus, só possível graças ao enorme talento de um dos maiores contadores de histórias do nosso tempo.

Opinião
Depois de ter lido há muito tempo “Sputnik, meu amor“, essa belíssima história de amor, fiquei ainda mais curioso para conhecer mais a fundo a obra de Haruki Murakami. Após a leitura do romance “Kafka à Beira-Mar“, aquele que é reconhecido mundialmente por ser um dos mais famosos e premiados romances de Murakami, apenas me questiono o porquê de ter esperado tanto tempo para voltar a ler uma obra do autor japonês.

Na verdade, quando entramos no mundo literário de Murakami, ele cativa-nos e envolve-nos de tal forma que deixa-nos uma vontade de lá não sair, ou de voltar o mais rápido possível, tal é a sua escrita encantatória e tão agradável para o leitor. Apesar dos livros serem grossos, e neste caso são 589 páginas, há um prazer imenso em não largar as suas histórias o mais rapidamente.

O livro narra, intercaladamente, as vidas de Kafka Tamura, a personagem que vai ganhando importância ao longo do romance ao ponto de se tornar na principal e que está no centro da acção de toda a obra – um adolescente de 15 anos que foge de casa, apaixonado por livros e curioso em conhecer a vida fora do seu mundo – , e também de Nakata, um estranho, e ao mesmo tempo fascinante, homem cujas qualidades são um pouco fora do comum das pessoas normais, como por exemplo, ser capaz de perceber e falar com os animais, mais principalmente com gatos ou então perceber quando irá ocorrer uma coisa inesquecível.

O livro tem o seu quê de policial intercalado com alguns momentos de fantasia, nunca fugindo da realidade do mundo. A história vai-se subdividindo em sub-histórias, vamos percorrendo labirintos, tentando desvendar os enigmas que a história nos vai deixando sempre ansiosos por encontrar a luz ao fundo do túnel.

Por último, tenho que dizer que adorei o final, um final aberto, esperançoso, e que com a mensagem bonita de, apesar da melancolia e da tristeza que uma vida pode ter, haver sempre uma esperança em que tudo possa melhorar. Não me posso esquecer de também elogiar o excelente trabalho da tradutora, Maria João Lourenço que conseguiu captar a mensagem que Murakami tentou transmitir, assim como procurou ensinar ao leitor mais alguma coisa da cultura japonesa. – Ricardo

5/5 – Adorei


Sputnik, meu amor

Tuesday, May 20, 2008 Post de Célia
“Na primavera dos seus vinte e dois anos, Sumire apaixonou-se pela primeira vez na vida. Foi um amor intenso como um tornado abatendo-se sobre uma vasta planície -, capaz de arrasar tudo à sua passagem, atirando com todas as coisas ao ar no seu turbilhão, fazendo-as em pequenos pedaços, esmagando-as por completo. Com uma violência que nem por um momento dava sinal de abrandar, o tornado soprou através dos oceanos, arrasando sem misericórdia o templo de Angkor Vat, reduzindo a cinzas a selva indiana, tigres e tudo, para depois em pleno deserto pérsico, dar lugar a uma tempestade capaz de sepultar sobre um mar de areia toda uma exótica cidade fortificada. Em suma, um amor de proporções verdadeiramente monumentais. A pessoa por quem Sumire se apaixonou, além de ser casada, tinha mais dezasseis anos do que ela. E, devo acrescentar, era uma mulher. Foi a partir daqui que tudo começou, e foi a partir daqui que (quase) tudo acabou.”


“Sputnik, meu amor” é o segundo livro que leio de Haruki Murakami (o primeiro foi “Kafka à Beira-Mar“. Mais uma vez, o autor presenteia-nos com a sua prosa simples (não no sentido de básica), singular e viciante. Não consigo classificar concretamente o tipo de história perante a qual nos encontramos, mas posso dizer que contém uma análise profunda das personagens, dos seus sentimentos, do que as move, em conjunto com alguns elementos de fantasia. A solidão é um elemento presente frequentemente, e, como é hábito do autor, a história encontra-se frequentemente pontuada por metáforas, que a mim, em particular, me agradam bastante.
O que me agradou bastante também foi este livro, pelo sentimento geral, mas principalmente pela escrita envolvente e singular. Adorei. – Célia M.

7/10


Kafka à Beira Mar

Monday, September 24, 2007 Post de Célia
“Sou livre. Fecho os olhos e penso com toda a minha força na minha nova condição, ainda que não esteja bem certo do que significa. Tudo o que sei é que estou completamente sozinho. Desterrado numa terra desconhecida, como um explorador solitário sem bússola nem mapa.”

Kafka à Beira-Mar é um livro que descreve, em paralelo, a vida de um rapaz de 15 anos que foge de casa e a vida de um idoso que nunca recuperou por completo de um misterioso acidente que ocorreu quando era jovem. Ao longo do livro, acompanhamos as aventuras e desventuras destas duas personagens únicas e adivinhamos que algo as une. É um livro feito de coincidências, personagens peculiares, gatos que falam e peixe que chove do céu. Situações estranhas que, também estranhamente, encaixam.
A escrita é muito boa e mais simples do que esperava à partida. Haruki Murakami tem o dom de nos fazer pensar no sentido das suas palavras. E tem o bom gosto de, aqui e ali ao longo da história, introduzir elementos de cultura geral bastante interessantes, seja através dos diálogos entre as personagens, seja através de determinados acontecimentos.
A verdade é que a estranheza da história se entranha. Identificamo-nos com a busca pessoal que as personagens principais empreendem e com o que elas sentem ao longo do caminho. Há coisas que não chegamos a compreender, mas julgo que é aí que reside muito do encanto desta história.
Tenho pena de ter pedido este livro emprestado, pelo simples facto que é um livro que merece estar em qualquer estante. Simplesmente adorei e tenho a certeza que hei-de ler mais deste autor.
Uma nota muito positiva também pelas notas da tradutora que vamos encontrando ao longo do livro e que ajudam o leitor e perceber um pouco mais do que é a cultura japonesa. – Célia M.