2015 Reading Challenge

2015 Reading Challenge
Célia has read 0 books toward her goal of 100 books.
hide

Desafios 2015

Estou a Ler

Newsletter

Arquivo

Creative Commons License This blog by Estante de Livros is licensed under a Creative Commons Atribuição-Não a Obras Derivadas 2.5 Portugal License.

Visitas desde 20/07/2007

Arquivo da categoria ‘George R.R. Martin’

[Opinião] O Cavaleiro de Westeros, de George R.R. Martin

Friday, January 30, 2015 Post de Célia

13581302

O Cavaleiro de Westeros – A história com mais destaque no título desta coletânea, naturalmente, é a que decorre no mesmo mundo de “As Crónicas de Gelo e Fogo”, mais precisamente 90 anos antes do início desta conhecida série de livros. Já conhecia o conteúdo desta história, porque li a BD, mas ainda assim a curiosidade era bastante.

 

Dunk é um cavaleiro andante de origens humildes, que se vê privado da companhia do seu velho protetor, pois este morre inesperadamente quando ambos se encontravam a caminho de um torneio. Dunk não desiste de participar, e numa estalagem onde para conhece Egg, um rapaz que se torna seu escudeiro. Dunk luta para conseguir entrar no torneio, quando se vê envolvido num conflito que envolve os Targaryen, na altura a família mais poderosa de Westeros.

 

É a segunda maior história deste livro (75 páginas) e por isso é fácil perceber que o nível de desenvolvimento é considerável. Para quem já conhece As Crónicas de Gelo e Fogo, é um regresso ao mundo e ao estilo a que George R.R. Martin já nos habituou: personagens bem desenvolvidas, cativantes, e uma história bem contada. Dei por mim a consultar árvores genealógicas para perceber a relação dos Targaryen nesta história com os outros que já conhecemos, e isso só pode ser bom sinal, porque me embrenhei verdadeiramente na história.

 

A única coisa que me aborreceu ligeiramente foi a descrição das várias lutas no torneio, mas isso foi porque este tipo de combates não me entusiasma. O enredo também não terá tido tanto impacto em mim por já lhe conhecer uma revelação-chave, mas é ainda assim uma excelente história lateral ao mundo que George R.R. Martin tornou famoso e que quase de certeza agradará aos seus fãs. 

 

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante

 

 

Outros contos nesta coletânea:

 

Post geral sobre a coletânea: 


13581302

Antes de comentar o conto propriamente dito, um pequeno aparte: O Cavaleiro de Westeros & Outras Histórias é composto por 10 contos que George R.R. Martin publicou dentro dos géneros do fantástico e da ficção científica. Até agora, quando li antologias ou coletâneas de contos, e sempre que decidi comentá-los individualmente, tenho optado por fazê-lo num mesmo post (ou quando muito em dois, como fiz para a outra coletânea de contos de George R.R. Martin (GRRM) que comentei por aqui). Desta vez, decidi escolher a metodologia de “um conto, um post“, que é tudo menos original, mas que penso trazer alguns benefícios: em primeiro lugar, torna os posts menos densos e mais focados, permitindo um maior destaque a cada um dos contos individualmente, que num texto mais longo correriam o risco de ficar meio perdidos; depois porque evita os tais posts quilométricos que tenho a impressão que mais ninguém, para além de mim, lê; por fim, esta opção permitirá um maior número de posts e, consequentemente, aumenta a probabilidade de chegarem aqui todos os dias e terem algo novo para ler. 

 


 

As Solitárias Canções de Laren Dorr – A introdução a este conto, a primeira história de fantasia que GRRM viu publicada, em 1976, é uma recapitulação da história do autor com este género e da explicação dos motivos pelos quais, no início da carreira, escrevia maioritariamente ficção científica. Bastante interessante. Quanto ao conto propriamente dito, é o mais curto do livro, a par de Flormordentes, e fala sobre a ocasião em que Sharra, uma mulher que viaja entre mundos através de portais, vai parar ao mundo onde reside o solitário Laren Dorr. Mais tarde, durante as conversas entre os dois, ficamos a saber que Sharra vagueia de mundo em mundo à procura do seu amor perdido e que Laren Dorr está há milhares de anos “preso” no mundo onde se encontra, um castigo por ter desafiado os Sete, uma espécie de deuses com o poder de definirem o destino destes “humanos”.

 

É uma bela história, extremamente evocativa e bem escrita, que consegue construir um mundo credível num espaço de palavras relativamente curto. A melancolia está sempre presente, tanto a nível de desenvolvimento do enredo como a nível de escrita, e a sensação de destino traçado é algo que acompanha sempre o desenrolar da história. Sem dúvida, um bom conto, que inicia esta coletânea da melhor forma. Para o caso de terem interesse, o conto pode ser lido online, em inglês, aqui.

 

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante

 

Outros contos nesta coletânea:

Post geral sobre a coletânea: 


15852329Autor: George R.R. Martin, Ben Avery (adaptação), Mike S. Miller (ilustrador), Mike Crowell (ilustrador)
Título Original: The Hedge Knight (2003-2004)
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 176
ISBN: 9789896374563
Tradutor: Jorge Candeias

Sinopse: O continente de Westeros é o cenário onde se desenrola a saga de George R. R. Martin, as Crónicas de Gelo e Fogo. O Cavaleiro de Westeros decorre cerca de cem anos antes do início do primeiro livro das Crónicas, no tempo do rei Daeron, com o reino em paz e a dinastia Targaryen no auge do seu poder. Quando a vida de um cavaleiro termina, a sua morte pode ser o começo de uma nova vida para o seu escudeiro. Intitulando-se de “Sor Duncan, o Alto”, o jovem Dunk parte em busca de fama e glória no torneio de Vaufreixo, mas também sonha em prestar juramento como cavaleiro dos Sete Reinos. No caminho, encontra um rapaz misterioso que está determinado em ajudá-lo na sua demanda. Infelizmente para Dunk, o mundo pode não estar preparado para um cavaleiro que mantém a sua honra. E os seus métodos cavalheirescos podem vir a ser a sua ruína…
Uma história fascinante sobre honra, violência e amizade, pela mão do grande mestre da literatura fantástica: George R. R. Martin.

 

Opinião: Hesitei antes de partir para esta banda desenhada porque estava na dúvida se deveria ler primeiro a novela, incluída na coletânea “O Cavaleiro de Westeros & Outras Histórias“. Mas depois decidi optar primeiro pela BD, porque as poucas que li até hoje que adaptam obras literárias, li sempre com conhecimento prévio da história, o que, querendo-se ou não, acaba por condicionar a apreciação final. Portanto, fui para esta leitura sabendo apenas que a história aqui adaptada decorre cerca de 100 anos antes dos acontecimentos das “Crónicas de Gelo e Fogo”, e decidida a apreciar o livro simplesmente pelo que é. Este volume junta num só os seis números nos quais a história foi adaptada.

 

Dunk cresceu num bairro pobre de Porto Real até ter sido tomado como escudeiro por um cavaleiro andante, Sor Arlan. Quando a história se inicia, Sor Arlan acaba de falecer e Dunk hesita sobre que rumo deverá tomar. Decide rumar a Vaudofreixo, onde irá decorrer um torneio que vê como uma boa oportunidade para se tornar cavaleiro e conseguir prestígio. Quando para numa estalagem a meio do caminho, encontra um rapaz peculiar que se oferece para ser seu escudeiro. Depois de alguma hesitação, Dunk acaba por aceitar, já no perímetro do torneio. O evento revela-se um desfile dos melhores cavaleiros da época e também da família Targaryen, que governava Westeros à época, e Dunk acaba por mostrar o seu valor.

 

Foi tão bom regressar a Westeros. Acho que isso é o maior elogio que posso fazer a esta adaptação. Senti a voz do autor nos diálogos e, acima de tudo, no tom da história. Gostei de conhecer a diversidade da família Targaryen, com personalidades vincadas, algumas irascíveis, outras bondosas. Das ilustrações, gostei bastante também: penso que conseguem captar bem a essência das personagens e dar sensação de dinâmica aos acontecimentos da história. É uma história sobre amizade, coragem e a força que o ser humano tem para ultrapassar as dificuldades.

 

É um livro que recomendo a leitores já fãs de George R.R. Martin e que estejam com saudades de Westeros. Mas também é uma boa opção para quem não conheça o autor, goste de BD e queira perceber se as histórias de George R.R. Martin serão do seu agrado. E agora fiquei com muita curiosidade para ler o texto propriamente dito.

 

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante


16061320

Autor: George R.R. Martin
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 384
ISBN: 9789896374617
Tradutores: Jorge Colaço e Luís Santos

Sinopse: George R. R. Martin, autor de As Crónicas de Gelo e Fogo, regressa com algumas das suas melhores histórias de sempre. 

Uma criança do inverno cria uma relação especial com um dragão. Uma nave espacial ruma no espaço em busca de uma mítica raça, mas estará o mistério na própria raça ou na estranha nave em que navegam? Uma velha torre de cinzas serve como refúgio para um homem destroçado. Um escritor cria um universo de personagens, e cada uma delas vive no mundo que ele lhes determinou. Um milionário convoca os seus antigos colegas para um confronto de xadrez com revelações inesperadas. Um homem adora comer mas odeia ser gordo, conseguirá a provação do tratamento do macaco ajudá-lo a definir prioridades? A vida sexual de um manipulador de cadáveres pode ser relativamente perfeita, mas não quando se acredita no amor. 

Dez histórias multipremiadas que exploram temas universais, de leitura indispensável para os fãs do autor e para todos os que desejam conhecer o verdadeiro potencial da literatura fantástica.

 

Opinião: Cá esta (finalmente) a segunda e última parte da minha análise a esta coletânea de contos, noveletas e novelas da autoria de George R.R. Martin. A primeira parte pode ser lida aqui.

 

6 – Nightflyers (1980)
Nightflyers é a maior história desde livro, ocupando quase 100 páginas. Foi adaptado para o cinema em 1987, apesar de parecer que o filme não é lá grande coisa. Mas a história é, ou pelo menos eu achei. Como o próprio autor afirma na introdução, trata-se de um híbrido FC/horror, que tem como protagonistas a nave espacial Nightflyer e os seus tripulantes. Karoly d’Branin sempre sentiu um grande fascínio pelos volcryn, uma lenda que vagueia no universo e sobre a qual pouco se sabe. É com o intuito de tentar encontrá-los que contrata os serviços da nave Nightflyer e leva consigo uma tripulação polivalente, para retirar o máximo desse possível encontro. No entanto, quando a viagem se inicia, coisas estranhas começam a acontecer: por exemplo, o dono da nave, Royd Eris, vive isolado numa parte da nave e só aparece aos seus “convidados” sob a forma de holograma. À medida que a viagem decorre, a estranheza aumenta, bem como a curiosidade do leitor por descobrir o que a provoca. Acho que é uma história muito bem conseguida, a nível de caracterização de personagens (e são bastantes) e no que respeita à tensão que os vários acontecimentos vão provocando. Houve ali um ou dois aspetos do enredo em que tive mais dificuldade em acreditar, mas mesmo assim gostei bastante. – 4/5

 

7 – O Tratamento do Macaco (1983)
Mais um conto com elementos de horror. O protagonista é Kenny Dorchester, um homem obeso. Gosta de (quase) toda a comida e parece que nunca é demais. Mas por vezes surge-lhe o desejo de viver outros amores para além daquele que devota à comida, e nessas alturas tenta fazer dietas que, de um modo ou outro, acabam por não resultar. Um dia, encontra um conhecido de um grupo de ajuda que frequentou, que está muito mais magro. Kenny apressa-se a perguntar-lhe como conseguiu, e o homem dá-lhe a morada do local onde fazem o tratamento do macaco. Este tratamento consiste em andar com um macaco às costas, que impede o portador de ingerir comida, ficando com ela para si. Tudo muito estranho, e mais estranho ainda se torna quando Kenny percebe que mais ninguém vê o macaco. Eu não consegui evitar lembrar-me do Martin e do famigerado King Kong que ele afirmou várias vezes ter às costas antes de terminar A Dance With Dragons. Gostei deste conto, apesar de ter praticamente adivinhado o desenlace da história e de ter achado que um gordo não é um protagonista suficientemente aterrorizante.  - 3/5

 

8 – Variações Falaciosas (1980)
Dez anos depois de terem terminado a faculdade, um grupo de ex-colegas que jogavam xadrez em grupo volta a encontrar-se na casa de um deles. Peter, E.C. e Steve rumam a casa de Bunnish, o único dos quatro que teve sucesso na carreira, tendo-se tornado milionário. Mas Bunnish não consegue esquecer o torneio de xadrez que o grupo perdeu por causa dele, e procura vingança pela forma como foi tratado. Adorei este conto do início ao fim, e tornou-se o meu favorito da coletânea. Apesar de incluir um nível considerável de xadrez (torna-se bastante técnico a certa altura), cativou-me pelas personagens interessantes, pelos elementos de viagens no tempo e pelo desenrolar e desfecho invulgar desta história. Muito bom. – 5/5

 

9 – A Flor de Vidro (1986) 
Achei esta história tão confusa que nem sei bem como resumi-la. É contada na primeira pessoa por Cyrain, uma mulher com longa vida, que assume neste momento o corpo de uma espécie de criança. A visita de um ciborgue, que parece saído de uma lenda, fá-la sentir que tem finalmente um oponente à altura para o jogo da mente, no qual é exímia. Não gostei. Achei o texto demasiado confuso e as personagens demasiado difusas e vagas. Nunca consegui realmente “entrar” nesta história, pelo que foi o que menos gostei neste livro. – 1/5

 

10 – Retratos dos Seus Filhos (1986)
Após uma discussão com a filha artista, o escritor Richard Cantling começa a receber em casa retratos bastante vívidos de personagens de livros seus. Como se não bastasse, essas personagens ganham vida e interagem com Richard, deixando-o sem perceber se a filha está a tentar vingar-se dele (por motivos que ficamos a conhecer no final) ou se, realmente, está a acontecer alguma espécie de “magia”. Este é, na minha opinião, a história desta coletânea mais difícil de definir em termos de género e o próprio Martin se recusa a fazê-lo na introdução. Eu considero-a um retrato psicológico das personagens que a protagonizam, que inclui alguns elementos que podem ou não ser considerados fantásticos. Gostei da escrita, mas do desenvolvimento da história nem por isso. – 3/5

 

De um modo geral, foi uma boa leitura. Inclui histórias de que gostei bastante, outras nem por isso e boa parte delas foram assim-assim. Todas as histórias estão, de um modo geral, bem escritas e cativou-me o facto de não existir muito infodump, apesar de a maioria delas apresentar mundos novos e inventados; ainda assim, as contextualizações são bastante suficientes. As introduções no início das histórias são elucidativas e acrescentam valor ao texto em si; a capa do livro, e mesmo o título, é que “enganam” um pouco quanto ao conteúdo do livro: a maioria das histórias são dentro da ficção científica/horror e só mesmo a história que dá título ao livro é que contém elementos da fantasia mais tradicional. Das pesquisas que fiz, percebi que o livro original contém várias secções temáticas e que há histórias dentro da mesma secção que estão incluídas nesta coletânea e em O Cavaleiro de Westeros & Outras Histórias, pelo que fiquei a pensar se não teria sido mais benéfico ler essa publicação primeiro. Independentemente disso,  recomendo este livro a fãs do autor que desejem ir além das suas famosas Crónicas de Gelo e Fogo.

 

Classificação da coletânea: 3/5 – Gostei


16061320

Autor: George R.R. Martin
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 384
ISBN: 9789896374617
Tradutores: Jorge Colaço e Luís Santos

Sinopse: George R. R. Martin, autor de As Crónicas de Gelo e Fogo, regressa com algumas das suas melhores histórias de sempre. 

Uma criança do inverno cria uma relação especial com um dragão. Uma nave espacial ruma no espaço em busca de uma mítica raça, mas estará o mistério na própria raça ou na estranha nave em que navegam? Uma velha torre de cinzas serve como refúgio para um homem destroçado. Um escritor cria um universo de personagens, e cada uma delas vive no mundo que ele lhes determinou. Um milionário convoca os seus antigos colegas para um confronto de xadrez com revelações inesperadas. Um homem adora comer mas odeia ser gordo, conseguirá a provação do tratamento do macaco ajudá-lo a definir prioridades? A vida sexual de um manipulador de cadáveres pode ser relativamente perfeita, mas não quando se acredita no amor. 

Dez histórias multipremiadas que exploram temas universais, de leitura indispensável para os fãs do autor e para todos os que desejam conhecer o verdadeiro potencial da literatura fantástica.

 

Opinião: “O Dragão de Inverno & Outras Histórias” é o segundo livro de contos de George R.R. Martin publicado em Portugal (o primeiro foi “O Cavaleiros de Westeros & Outras Histórias”, que o autor veio apresentar quando esteve cá em Abril de 2012). Reúne vários contos que o autor escreveu a partir dos anos 1970, dentro dos géneros fantasia, ficção científica e horror. O livro é composto por 10 contos, que irei comentar individualmente. Só num post ficaria demasiado grande, por isso decidi dividir em dois. No segundo post, farei as considerações gerais sobre o livro como um todo.

 

1 – Esta Torre de Cinzas (1974)
Num mundo distante e largamente inexplorado, um homem vive isolado numa torre decrépita, que adivinha ter sido outrora o posto avançado de uma civilização perdida. Johnny isolou-se do mundo naquela torre para conseguir esquecer o facto de o seu grande amor, Crystal, o ter trocado pelo seu amigo Gerry. E vive, assim, uma vida de eremita, contactando com o resto do mundo apenas através de Korbec, que lhe traz mantimentos em troca do desejado veneno das aranhas-dos-sonhos, que Johnny obtém nas suas incursões pela floresta. Quando Crystal e Gerry o visitam, Johnny vê regressar a sua mágoa e os três vivem uma curta aventura, na qual Johnny vê a oportunidade para provar a Crystal o quanto ainda gosta dela.

Gostei deste conto, em especial da capacidade do autor em criar um mundo fictício plausível em poucas páginas, com detalhes interessantes. Bem escrita e focando-se no tema da solidão e do desgosto no amor (que o autor bem conhecia quando a escreveu), não foi uma história que me cativasse por completo. Mas ainda assim gostei. – 3/5

 

2 – E Sete Vezes Nunca Mateis um Homem (1975)
A história aqui relatada decorre no mesmo mundo presente no conto anterior, apesar de o planeta ser diferente (desta vez, estamos em Corlos). Nesse planeta, os Anjos de Aço, que fazem parte de um culto religioso/militar, tentam exerminar os Jaenshi, um povo não humano e antigo de Corlos, que adora umas estranhas pirâmides de pedra. Perante esta situação, o comerciante Arik neKrol tenta instigar os Jaenshi a lutarem pela sua sobrevivência. Foi a primeira história escrita por George R.R. Martin nomeada para um prémio Hugo (que não venceu). Apesar de ter achado interessante pelas reflexões que instiga relativamente à imposição de crenças e modos de vida de uns povos face a outros, fiquei um pouco indiferente às personagens e ao desenrolar do enredo. - 3/5

 

3 – O Dragão do Inverno (1980)
Apesar de nada no texto o confirmar, nem ter havido nenhuma afirmação de Martin nesse sentido, a verdade é que este conto tem um contexto faz lembrar Westeros, pelos aspetos medievais, pela existência de dragões e, acima de tudo, pela atração pelo inverno, pelo frio, pelo gelo, que os leitores das “Crónicas” facilmente reconhecerão. “O Dragão do Inverno” é um conto em tom mais juvenil/infantil (foi inclusiva republicado em 2006 com ilustrações) que conta a história da pequena Adara, que nasceu no inverno, que anseia pela chegada desta estação e que se sente atraída por tudo o que é frio. Às tantas, conhece o indomável dragão de gelo, que em vez de cuspir fogo cospe gelo e que aterroriza todos aqueles que se atravessam no seu caminho. É uma história de amizade, bem desenvolvida tendo em conta as restrições de tamanho e que realça a faceta de bom contador de histórias do autor. - 4/5

 

4 – O Homem da Casa-da-Carne (1976) 
De todas as mentiras cintilantes e cruéis que nos dizem, a mais cruel é aquela a que chamam amor.” – Esta frase, a última do conto, resume bem os acontecimentos que relata. Para uma história que fala de amor, ou melhor, dos desgostos e ilusões que pode produzir, o background escolhido não deixa de ser surpreendente. Trager, o protagonista trabalha numa mina do planeta Skrakky como manuseador de cadáveres, cujos cérebros originais foram removidos para dar lugar a cérebros artificiais que lhes permitem ficar “vivos” e trabalhar. Mas estes cadáveres são também utilizados em bordéis – as casas-da-carne – onde manipuladores os controlam para responder a estímulos sexuais. Trager sente-se solitário e recorre amiúde a estes bordéis, apesar  de continuar a ter a esperança de um dia encontrar o verdadeiro amor.

É uma história que fala sobre a procura do amor, de uma forma bastante juvenil e inocente num cenário, digamos, nojento. Aborreci-me um bocado com a busca do amor por parte de Targer, mas achei as premissas do conto – mesmo com os cadáveres – relativamente interessantes. – 2/5

 

5 – Recordando Melody (1981)
Mais uma história com elementos de horror. Ted é um advogado que, um dia, vê à sua porta Melody, uma antiga companheira de quarto da faculdade. Uma rapariga complicada, mentalmente desequilibrada, que ameaça virar a vida de Ted do avesso. Lê-se bem, o final tem um twist interessante, mas não achei um conto especialmente memorável. - 3/5

 

Parte 2