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Arquivo da categoria ‘George R.R. Martin’

15852329Autor: George R.R. Martin, Ben Avery (adaptação), Mike S. Miller (ilustrador), Mike Crowell (ilustrador)
Título Original: The Hedge Knight (2003-2004)
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 176
ISBN: 9789896374563
Tradutor: Jorge Candeias

Sinopse: O continente de Westeros é o cenário onde se desenrola a saga de George R. R. Martin, as Crónicas de Gelo e Fogo. O Cavaleiro de Westeros decorre cerca de cem anos antes do início do primeiro livro das Crónicas, no tempo do rei Daeron, com o reino em paz e a dinastia Targaryen no auge do seu poder. Quando a vida de um cavaleiro termina, a sua morte pode ser o começo de uma nova vida para o seu escudeiro. Intitulando-se de “Sor Duncan, o Alto”, o jovem Dunk parte em busca de fama e glória no torneio de Vaufreixo, mas também sonha em prestar juramento como cavaleiro dos Sete Reinos. No caminho, encontra um rapaz misterioso que está determinado em ajudá-lo na sua demanda. Infelizmente para Dunk, o mundo pode não estar preparado para um cavaleiro que mantém a sua honra. E os seus métodos cavalheirescos podem vir a ser a sua ruína…
Uma história fascinante sobre honra, violência e amizade, pela mão do grande mestre da literatura fantástica: George R. R. Martin.

 

Opinião: Hesitei antes de partir para esta banda desenhada porque estava na dúvida se deveria ler primeiro a novela, incluída na coletânea “O Cavaleiro de Westeros & Outras Histórias“. Mas depois decidi optar primeiro pela BD, porque as poucas que li até hoje que adaptam obras literárias, li sempre com conhecimento prévio da história, o que, querendo-se ou não, acaba por condicionar a apreciação final. Portanto, fui para esta leitura sabendo apenas que a história aqui adaptada decorre cerca de 100 anos antes dos acontecimentos das “Crónicas de Gelo e Fogo”, e decidida a apreciar o livro simplesmente pelo que é. Este volume junta num só os seis números nos quais a história foi adaptada.

 

Dunk cresceu num bairro pobre de Porto Real até ter sido tomado como escudeiro por um cavaleiro andante, Sor Arlan. Quando a história se inicia, Sor Arlan acaba de falecer e Dunk hesita sobre que rumo deverá tomar. Decide rumar a Vaudofreixo, onde irá decorrer um torneio que vê como uma boa oportunidade para se tornar cavaleiro e conseguir prestígio. Quando para numa estalagem a meio do caminho, encontra um rapaz peculiar que se oferece para ser seu escudeiro. Depois de alguma hesitação, Dunk acaba por aceitar, já no perímetro do torneio. O evento revela-se um desfile dos melhores cavaleiros da época e também da família Targaryen, que governava Westeros à época, e Dunk acaba por mostrar o seu valor.

 

Foi tão bom regressar a Westeros. Acho que isso é o maior elogio que posso fazer a esta adaptação. Senti a voz do autor nos diálogos e, acima de tudo, no tom da história. Gostei de conhecer a diversidade da família Targaryen, com personalidades vincadas, algumas irascíveis, outras bondosas. Das ilustrações, gostei bastante também: penso que conseguem captar bem a essência das personagens e dar sensação de dinâmica aos acontecimentos da história. É uma história sobre amizade, coragem e a força que o ser humano tem para ultrapassar as dificuldades.

 

É um livro que recomendo a leitores já fãs de George R.R. Martin e que estejam com saudades de Westeros. Mas também é uma boa opção para quem não conheça o autor, goste de BD e queira perceber se as histórias de George R.R. Martin serão do seu agrado. E agora fiquei com muita curiosidade para ler o texto propriamente dito.

 

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante


16061320

Autor: George R.R. Martin
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 384
ISBN: 9789896374617
Tradutores: Jorge Colaço e Luís Santos

Sinopse: George R. R. Martin, autor de As Crónicas de Gelo e Fogo, regressa com algumas das suas melhores histórias de sempre. 

Uma criança do inverno cria uma relação especial com um dragão. Uma nave espacial ruma no espaço em busca de uma mítica raça, mas estará o mistério na própria raça ou na estranha nave em que navegam? Uma velha torre de cinzas serve como refúgio para um homem destroçado. Um escritor cria um universo de personagens, e cada uma delas vive no mundo que ele lhes determinou. Um milionário convoca os seus antigos colegas para um confronto de xadrez com revelações inesperadas. Um homem adora comer mas odeia ser gordo, conseguirá a provação do tratamento do macaco ajudá-lo a definir prioridades? A vida sexual de um manipulador de cadáveres pode ser relativamente perfeita, mas não quando se acredita no amor. 

Dez histórias multipremiadas que exploram temas universais, de leitura indispensável para os fãs do autor e para todos os que desejam conhecer o verdadeiro potencial da literatura fantástica.

 

Opinião: Cá esta (finalmente) a segunda e última parte da minha análise a esta coletânea de contos, noveletas e novelas da autoria de George R.R. Martin. A primeira parte pode ser lida aqui.

 

6 – Nightflyers (1980)
Nightflyers é a maior história desde livro, ocupando quase 100 páginas. Foi adaptado para o cinema em 1987, apesar de parecer que o filme não é lá grande coisa. Mas a história é, ou pelo menos eu achei. Como o próprio autor afirma na introdução, trata-se de um híbrido FC/horror, que tem como protagonistas a nave espacial Nightflyer e os seus tripulantes. Karoly d’Branin sempre sentiu um grande fascínio pelos volcryn, uma lenda que vagueia no universo e sobre a qual pouco se sabe. É com o intuito de tentar encontrá-los que contrata os serviços da nave Nightflyer e leva consigo uma tripulação polivalente, para retirar o máximo desse possível encontro. No entanto, quando a viagem se inicia, coisas estranhas começam a acontecer: por exemplo, o dono da nave, Royd Eris, vive isolado numa parte da nave e só aparece aos seus “convidados” sob a forma de holograma. À medida que a viagem decorre, a estranheza aumenta, bem como a curiosidade do leitor por descobrir o que a provoca. Acho que é uma história muito bem conseguida, a nível de caracterização de personagens (e são bastantes) e no que respeita à tensão que os vários acontecimentos vão provocando. Houve ali um ou dois aspetos do enredo em que tive mais dificuldade em acreditar, mas mesmo assim gostei bastante. – 4/5

 

7 – O Tratamento do Macaco (1983)
Mais um conto com elementos de horror. O protagonista é Kenny Dorchester, um homem obeso. Gosta de (quase) toda a comida e parece que nunca é demais. Mas por vezes surge-lhe o desejo de viver outros amores para além daquele que devota à comida, e nessas alturas tenta fazer dietas que, de um modo ou outro, acabam por não resultar. Um dia, encontra um conhecido de um grupo de ajuda que frequentou, que está muito mais magro. Kenny apressa-se a perguntar-lhe como conseguiu, e o homem dá-lhe a morada do local onde fazem o tratamento do macaco. Este tratamento consiste em andar com um macaco às costas, que impede o portador de ingerir comida, ficando com ela para si. Tudo muito estranho, e mais estranho ainda se torna quando Kenny percebe que mais ninguém vê o macaco. Eu não consegui evitar lembrar-me do Martin e do famigerado King Kong que ele afirmou várias vezes ter às costas antes de terminar A Dance With Dragons. Gostei deste conto, apesar de ter praticamente adivinhado o desenlace da história e de ter achado que um gordo não é um protagonista suficientemente aterrorizante.  - 3/5

 

8 – Variações Falaciosas (1980)
Dez anos depois de terem terminado a faculdade, um grupo de ex-colegas que jogavam xadrez em grupo volta a encontrar-se na casa de um deles. Peter, E.C. e Steve rumam a casa de Bunnish, o único dos quatro que teve sucesso na carreira, tendo-se tornado milionário. Mas Bunnish não consegue esquecer o torneio de xadrez que o grupo perdeu por causa dele, e procura vingança pela forma como foi tratado. Adorei este conto do início ao fim, e tornou-se o meu favorito da coletânea. Apesar de incluir um nível considerável de xadrez (torna-se bastante técnico a certa altura), cativou-me pelas personagens interessantes, pelos elementos de viagens no tempo e pelo desenrolar e desfecho invulgar desta história. Muito bom. – 5/5

 

9 – A Flor de Vidro (1986) 
Achei esta história tão confusa que nem sei bem como resumi-la. É contada na primeira pessoa por Cyrain, uma mulher com longa vida, que assume neste momento o corpo de uma espécie de criança. A visita de um ciborgue, que parece saído de uma lenda, fá-la sentir que tem finalmente um oponente à altura para o jogo da mente, no qual é exímia. Não gostei. Achei o texto demasiado confuso e as personagens demasiado difusas e vagas. Nunca consegui realmente “entrar” nesta história, pelo que foi o que menos gostei neste livro. – 1/5

 

10 – Retratos dos Seus Filhos (1986)
Após uma discussão com a filha artista, o escritor Richard Cantling começa a receber em casa retratos bastante vívidos de personagens de livros seus. Como se não bastasse, essas personagens ganham vida e interagem com Richard, deixando-o sem perceber se a filha está a tentar vingar-se dele (por motivos que ficamos a conhecer no final) ou se, realmente, está a acontecer alguma espécie de “magia”. Este é, na minha opinião, a história desta coletânea mais difícil de definir em termos de género e o próprio Martin se recusa a fazê-lo na introdução. Eu considero-a um retrato psicológico das personagens que a protagonizam, que inclui alguns elementos que podem ou não ser considerados fantásticos. Gostei da escrita, mas do desenvolvimento da história nem por isso. – 3/5

 

De um modo geral, foi uma boa leitura. Inclui histórias de que gostei bastante, outras nem por isso e boa parte delas foram assim-assim. Todas as histórias estão, de um modo geral, bem escritas e cativou-me o facto de não existir muito infodump, apesar de a maioria delas apresentar mundos novos e inventados; ainda assim, as contextualizações são bastante suficientes. As introduções no início das histórias são elucidativas e acrescentam valor ao texto em si; a capa do livro, e mesmo o título, é que “enganam” um pouco quanto ao conteúdo do livro: a maioria das histórias são dentro da ficção científica/horror e só mesmo a história que dá título ao livro é que contém elementos da fantasia mais tradicional. Das pesquisas que fiz, percebi que o livro original contém várias secções temáticas e que há histórias dentro da mesma secção que estão incluídas nesta coletânea e em O Cavaleiro de Westeros & Outras Histórias, pelo que fiquei a pensar se não teria sido mais benéfico ler essa publicação primeiro. Independentemente disso,  recomendo este livro a fãs do autor que desejem ir além das suas famosas Crónicas de Gelo e Fogo.

 

Classificação da coletânea: 3/5 – Gostei


16061320

Autor: George R.R. Martin
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 384
ISBN: 9789896374617
Tradutores: Jorge Colaço e Luís Santos

Sinopse: George R. R. Martin, autor de As Crónicas de Gelo e Fogo, regressa com algumas das suas melhores histórias de sempre. 

Uma criança do inverno cria uma relação especial com um dragão. Uma nave espacial ruma no espaço em busca de uma mítica raça, mas estará o mistério na própria raça ou na estranha nave em que navegam? Uma velha torre de cinzas serve como refúgio para um homem destroçado. Um escritor cria um universo de personagens, e cada uma delas vive no mundo que ele lhes determinou. Um milionário convoca os seus antigos colegas para um confronto de xadrez com revelações inesperadas. Um homem adora comer mas odeia ser gordo, conseguirá a provação do tratamento do macaco ajudá-lo a definir prioridades? A vida sexual de um manipulador de cadáveres pode ser relativamente perfeita, mas não quando se acredita no amor. 

Dez histórias multipremiadas que exploram temas universais, de leitura indispensável para os fãs do autor e para todos os que desejam conhecer o verdadeiro potencial da literatura fantástica.

 

Opinião: “O Dragão de Inverno & Outras Histórias” é o segundo livro de contos de George R.R. Martin publicado em Portugal (o primeiro foi “O Cavaleiros de Westeros & Outras Histórias”, que o autor veio apresentar quando esteve cá em Abril de 2012). Reúne vários contos que o autor escreveu a partir dos anos 1970, dentro dos géneros fantasia, ficção científica e horror. O livro é composto por 10 contos, que irei comentar individualmente. Só num post ficaria demasiado grande, por isso decidi dividir em dois. No segundo post, farei as considerações gerais sobre o livro como um todo.

 

1 – Esta Torre de Cinzas (1974)
Num mundo distante e largamente inexplorado, um homem vive isolado numa torre decrépita, que adivinha ter sido outrora o posto avançado de uma civilização perdida. Johnny isolou-se do mundo naquela torre para conseguir esquecer o facto de o seu grande amor, Crystal, o ter trocado pelo seu amigo Gerry. E vive, assim, uma vida de eremita, contactando com o resto do mundo apenas através de Korbec, que lhe traz mantimentos em troca do desejado veneno das aranhas-dos-sonhos, que Johnny obtém nas suas incursões pela floresta. Quando Crystal e Gerry o visitam, Johnny vê regressar a sua mágoa e os três vivem uma curta aventura, na qual Johnny vê a oportunidade para provar a Crystal o quanto ainda gosta dela.

Gostei deste conto, em especial da capacidade do autor em criar um mundo fictício plausível em poucas páginas, com detalhes interessantes. Bem escrita e focando-se no tema da solidão e do desgosto no amor (que o autor bem conhecia quando a escreveu), não foi uma história que me cativasse por completo. Mas ainda assim gostei. – 3/5

 

2 – E Sete Vezes Nunca Mateis um Homem (1975)
A história aqui relatada decorre no mesmo mundo presente no conto anterior, apesar de o planeta ser diferente (desta vez, estamos em Corlos). Nesse planeta, os Anjos de Aço, que fazem parte de um culto religioso/militar, tentam exerminar os Jaenshi, um povo não humano e antigo de Corlos, que adora umas estranhas pirâmides de pedra. Perante esta situação, o comerciante Arik neKrol tenta instigar os Jaenshi a lutarem pela sua sobrevivência. Foi a primeira história escrita por George R.R. Martin nomeada para um prémio Hugo (que não venceu). Apesar de ter achado interessante pelas reflexões que instiga relativamente à imposição de crenças e modos de vida de uns povos face a outros, fiquei um pouco indiferente às personagens e ao desenrolar do enredo. - 3/5

 

3 – O Dragão do Inverno (1980)
Apesar de nada no texto o confirmar, nem ter havido nenhuma afirmação de Martin nesse sentido, a verdade é que este conto tem um contexto faz lembrar Westeros, pelos aspetos medievais, pela existência de dragões e, acima de tudo, pela atração pelo inverno, pelo frio, pelo gelo, que os leitores das “Crónicas” facilmente reconhecerão. “O Dragão do Inverno” é um conto em tom mais juvenil/infantil (foi inclusiva republicado em 2006 com ilustrações) que conta a história da pequena Adara, que nasceu no inverno, que anseia pela chegada desta estação e que se sente atraída por tudo o que é frio. Às tantas, conhece o indomável dragão de gelo, que em vez de cuspir fogo cospe gelo e que aterroriza todos aqueles que se atravessam no seu caminho. É uma história de amizade, bem desenvolvida tendo em conta as restrições de tamanho e que realça a faceta de bom contador de histórias do autor. - 4/5

 

4 – O Homem da Casa-da-Carne (1976) 
De todas as mentiras cintilantes e cruéis que nos dizem, a mais cruel é aquela a que chamam amor.” – Esta frase, a última do conto, resume bem os acontecimentos que relata. Para uma história que fala de amor, ou melhor, dos desgostos e ilusões que pode produzir, o background escolhido não deixa de ser surpreendente. Trager, o protagonista trabalha numa mina do planeta Skrakky como manuseador de cadáveres, cujos cérebros originais foram removidos para dar lugar a cérebros artificiais que lhes permitem ficar “vivos” e trabalhar. Mas estes cadáveres são também utilizados em bordéis – as casas-da-carne – onde manipuladores os controlam para responder a estímulos sexuais. Trager sente-se solitário e recorre amiúde a estes bordéis, apesar  de continuar a ter a esperança de um dia encontrar o verdadeiro amor.

É uma história que fala sobre a procura do amor, de uma forma bastante juvenil e inocente num cenário, digamos, nojento. Aborreci-me um bocado com a busca do amor por parte de Targer, mas achei as premissas do conto – mesmo com os cadáveres – relativamente interessantes. – 2/5

 

5 – Recordando Melody (1981)
Mais uma história com elementos de horror. Ted é um advogado que, um dia, vê à sua porta Melody, uma antiga companheira de quarto da faculdade. Uma rapariga complicada, mentalmente desequilibrada, que ameaça virar a vida de Ted do avesso. Lê-se bem, o final tem um twist interessante, mas não achei um conto especialmente memorável. - 3/5

 

Parte 2

 


[Opinião] A Dance With Dragons, de George R.R. Martin

Monday, July 25, 2011 Post de Célia

Autor: George R.R. Martin
Editora: Bantam
Série: Chronicles of Ice and Fire #5
Páginas: 1016
ISBN: 9780553801477

Sinopse: In the aftermath of a colossal battle, Daenerys Targaryen rules with her three dragons as queen of a city built on dust and death. But Daenerys has thousands of enemies, and many have set out to find her. Fleeing from Westeros with a price on his head, Tyrion Lannister, too, is making his way east–with new allies who may not be the ragtag band they seem. And in the frozen north, Jon Snow confronts creatures from beyond the Wall of ice and stone, and powerful foes from within the Night’s Watch. In a time of rising restlessness, the tides of destiny and politics lead a grand cast of outlaws and priests, soldiers and skinchangers, nobles and slaves, to the greatest dance of all.

 

Aviso prévio: Esta opinião não contém spoilers

Opinião: Este foi, sem dúvida, o livro mais aguardado por mim nos últimos tempos, não só porque adoro o mundo e as personagens criadas por George R.R. Martin, mas porque o 4.º volume tinha deixado de lado algumas das personagens principais da história e favoritas dos fãs, mais notavelmente Jon Snow, Daenerys Targaryen e Tyrion Lannister. Por fim, já tinham decorrido 6 anos desde a publicação do último volume da série, A Feast for Crows – apesar de o tempo de espera de quem leu as edições portuguesas à medida que foram saindo ter sido bem menor.

 

Por causa da ausência de algumas personagens no 4.º volume, foi necessário voltar atrás no tempo para percebermos qual o rumo que tinham tomado. Deste modo, A Dance With Dragons sobrepõe-se temporalmente a A Feast for Crows nos primeiros dois terços do livro, fazendo com que algumas das situações que tínhamos presenciado no volume anterior sejam aqui recuperadas pela perspetiva de outras personagens, o que acaba por funcionar bem.

 

Como disse, as minhas expetativas eram enormes, especialmente por poder voltar a ler capítulos centrados na minha personagem preferida da história, Jon Snow, e quanto a isso posso dizer que não fiquei desiludida. De resto, aguardava com curiosidade alguns encontros entre personagens e pelo desenlace de outras situações que tinham ficado em suspenso no volume anterior. Aqui já não posso dizer que tenha ficado completamente satisfeita. A minha sensação é que este livro se trata essencialmente do adensar do enredo (ainda mais) em vez do início da sua resolução. É verdade que há algumas revelações (uma, em particular, que muda muita coisa) e desenvolvimentos importantes, mas parece-me que foram mais as coisas que ficaram por resolver e as novas situações que abrem todo um leque de novas possibilidades.

 

Foram vários os momentos empolgantes e que valeram realmente a pena, mas outros houve em que a história pareceu arrastar-se em demasia. A narrativa parece, por vezes, um pouco dispersa, pelo multiplicar de pontos de vista e por alguma falta de pontos de ligação entre eles. A grande maioria dos pontos de vista tem um interesse moderado a alto, mas houve ali dois ou três que, muito sinceramente, nunca me cativaram. A escrita, essa, continua ao nível a que Martin já nos habituou.

 

Acho que o melhor livro desta série continua a ser, sem dúvidas, o terceiro – A Storm of Swords (5.º e 6.º volumes nas edições portuguesas). Este quinto volume, apesar de, na minha opinião, ser melhor que o anterior, vai buscar um pouco do seu ritmo mais lento e é só um pouco mais empolgante em termos de desenvolvimentos do enredo. Supostamente, a série terá um total de 7 livros, mas tendo em conta a quantidade de situações por resolver não me espantava nada se chegasse aos 8.

 

De forma resumida, foi uma leitura bastante aguardada e que, de um modo geral, foi recompensadora apesar de não ter correspondido por completo às minhas expetativas que, diga-se, eram bastante elevadas. Ainda assim, penso que irá agradar bastante aos fãs da saga. A 9 de Setembro, é publicada a primeira metade deste livro em português, com o título A Dança dos Dragões, cuja capa já foi revelada. 

 

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante


[Opinião] A Game of Thrones, de George R.R. Martin

Friday, March 25, 2011 Post de Célia

Autor: George R.R. Martin
Editora: Bantam Books
Série: Song of Ice and Fire #1
Páginas: 694
ISBN: 9780553103540

Sinopse: Summers span decades. Winter can last a lifetime. And the struggle for the Iron Throne has begun.
As Warden of the north, Lord Eddard Stark counts it a curse when King Robert bestows on him the office of the Hand. His honour weighs him down at court where a true man does what he will, not what he must … and a dead enemy is a thing of beauty.
The old gods have no power in the south, Stark’s family is split and there is treachery at court. Worse, the vengeance-mad heir of the deposed Dragon King has grown to maturity in exile in the Free Cities. He claims the Iron Throne.

 

Opinião: Assim que soube que a série televisiva baseada nos livros de George R.R. Martin ia mesmo para a frente, decidi reler esta história que tanto me marcou. Passaram-se mais de três anos desde que li a versão portuguesa (o primeiro volume original é constituído por A Guerra dos Tronos e A Muralha de Gelo), por isso já só me lembrava das linhas gerais da história. A série será transmitida nos E.U.A. a partir de 17 de Abril e decidi começar a releitura, desta vez em inglês, algum tempo antes, para poder fazê-lo devagar e apanhar os detalhes que me escaparam à primeira e que ganham outros contornos quando já se conhece o final.

 

O enredo de A Game of Thrones desenvolve-se principalmente numa terra imaginária, chamada Westeros, onde os antigos Sete Reinos são governados por apenas um Rei. Esse Rei é Robert Baratheon, que no início desta história ruma ao Norte, onde os Stark governam Winterfell, para pedir ao seu velho amigo, Eddard Stark, que seja o seu braço direito, depois da morte da anterior “Mão do Rei”.

 

Como alguns de vocês já devem saber, o livro encontra-se dividido em capítulos que são contados do ponto de vista de uma personagem em particular. Neste primeiro livro, a maioria das personagens em destaque pertencem à família Stark, o que inevitavelmente faz com que o leitor ganhe um amor especial aos seus membros. Fora dos Stark, temos capítulos dedicados a Tyrion Lannister, um anão que é irmão da pérfida Rainha, e a Daenerys Targaryen, exilada de Westeros e uma das últimas herdeiras da dinastia Targaryen, que deseja reconquistar o trono que lhe foi roubado por Robert Baratheon. Desde o início que a minha personagem preferida é Jon Snow, o filho bastardo de Eddard Stark; depois de ter lido todos os livros continuou a ser, mas é curioso verificar que as minhas outras duas personagens preferidas são basicamente odiosas neste primeiro volume.

 

Já reflecti bastante sobre o que é que exactamente me atrai tanto nesta história. Não são as pequenas doses de fantasia, apesar de gostar de livros com elementos fantásticos; também não é o ambiente medieval, com um rol quase interminável de personagens, Casas e locais, apesar de me sentir muito bem com enredos históricos. Quantos e quantos livros não li já passados num mundo imaginário, num cenário medieval? Porque é que esta história me agarra desta forma? A resposta reside nas personagens e na habilidade que o autor tem em torná-las reais aos nossos olhos. Existem personagens para todos os gostos, mas praticamente todas têm algo que podemos adorar ou odiar, nenhuma é totalmente boa ou má, num mundo que não é preto nem branco. Há neste livro diálogos excelentes, e o que não nos é dito, seja nesses diálogos, seja nos acontecimentos que não presenciamos, abre caminho à nossa imaginação e à vontade de permanecer em Westeros mesmo quando não temos o livro aberto.

 

George R.R. Martin é cruel: só quem leu os livros dele percebe até que ponto esta afirmação é verdadeira. Mas não é o mundo real também cruel? Se desejarem que a história vá numa determinada direcção, o mais certo é que ela vá precisamente no sentido oposto. Martin tem o dom de nos apresentar acontecimentos inesperados que não sentimos serem gratuitos; estão ali para agarrar o leitor, mas deixam a sensação de inevitabilidade, como se estivéssemos a olhar para uma história há muito decorrida, cujo desenrolar não podemos influenciar. Esta releitura foi muito recompensadora, porque olhei para a história com outros olhos; nunca mais vai ser possível reproduzir as emoções da primeira leitura, mas sinto-me tentada a dizer que a releitura foi ainda melhor, porque foi também bastante emotiva, mas mais rica pela atenção que dediquei a detalhes que me passaram ao lado na primeira vez.

 

Com A Dance With Dragons previsto para 12 de Julho, os próximos 3 meses e meio serão passados a reler os outros três livros, para ter a história bem fresca assim que o novo volume sair. Fica também prometida uma apreciação da série televisiva quando a primeira temporada chegar ao final. 

 

Classificação: 5/5 – Adorei