Florencia Bonelli
Autor: Florencia Bonelli
Título Original: El Cuarto Arcano. El Puerto de las Tormentas (2007)
Editora: Porto Editora
Páginas: 688
ISBN: 9789720041937
Tradutor: Isabel Fraga
Sinopse
Em O Porto das Tormentas, segundo e último volume de O Quarto Arcano, Florencia Bonelli dá continuidade à história de Roger Blackraven e Melody Maguire, com que os leitores se familiarizaram em O Anjo Negro.
Depois de abandonar Buenos Aires, Blackraven chega às costas brasileiras com os seus primos Marie e Luís Carlos, filhos de Luís XVI e Maria Antonieta, cujas vidas estão em perigo. Aí irá encontrar velhos companheiros de aventuras: o padre jesuíta Malagrida e Adriano Távora, sempre disponíveis para o ajudar nas situações mais difíceis.
O domínio de Napoleão sobre a Europa é cada vez mais apertado e obriga os ingleses a procurar na América do Sul novos mercados – comandada pelo almirante Beresford, a invasão inglesa está iminente…
Novos personagens e novos cenários acompanham as aventuras do Escorpião Negro desde a costa americana até à velha Europa. O Porto das Tormentas é um romance repleto de acção: conspirações, assassinatos e abordagens em alto mar fazem desta leitura uma experiência quase cinematográfica.
Opinião
Como referi na opinião do primeiro livro, não parti para este segundo volume com grandes expectativas. A não ser que o tom da narrativa se alterasse significativamente, o mais certo era que esta leitura ficasse ao mesmo nível da anterior. Uma vez que tinha comprado este livro antes de ler o primeiro, decidi lê-lo mas com um pé atrás.
A verdade é que não há novidades ou alterações de maior. O foco do livro continuou a ser os dois protagonistas, Roger e Melody, e a sua relação melosa e obssessiva. Desta vez, houve mais alguns desenvolvimentos paralelos de interesse, relativos ao interesse inglês nas colónias sul-americanas (como se sabe, neste período, também os portos brasileiros se abriram ao comércio inglês depois do Decreto de Abertura dos Portos às Nações Amigas), o que revela que a autora se documentou bem para a construção do contexto no qual o enredo se desenrola.
Mas quando saímos do contexto histórico e entramos no enredo propriamente dito, há pouco de novo a acrescentar em relação ao que já referi na opinião anterior. Na realidade, há uma revelação inesperada mas que funciona pura e simplesmente como pretexto para que o casal protagonista se zangue e depois se reconcilie. Continuam os diálogos repetitivos, que revelam um amor obsessivo e possessivo e que, para mim, estragam por completo o eixo central e o que devia ser o motor da história. Gosto de um bom romance, mas não assim. A leitura, apesar de bastante rápida, foi penosa; cheguei ao fim sem pena que o livro tivesse terminado e sem vontade de voltar a ler o que quer que seja desta autora.
Esta história tem os seus méritos, especialmente a nível de construção histórica, mas de um modo geral não me cativou. – Célia M.
2/5 – OK
Autor: Florencia Bonelli
Título Original: El Cuarto Arcano (2007)
Editora: Porto Editora
Páginas: 544
ISBN: 9789720041920
Tradutor: Isabel Fraga
Sinopse
No princípio do século XIX, diferentes processos revolucionários espalham-se pelas colónias espanholas da América, desejosas de se tornarem independentes da Coroa de Espanha. Buenos Aires será uma das primeiras capitais a concretizar esse sonho. É nesse contexto que decorre o romance de Florencia Bonelli, a mais popular autora histórico-romântica do panorama literário latino-americano. Roger Blackraven é um abastado homem de negócios inglês, com interesses particulares em Buenos Aires, onde é amo e senhor de terras e gentes, que o temem e respeitam. Mas a sua vida vai cruzar-se com o Anjo Negro. O Anjo Negro é Melody Maguire, uma exótica crioula ruiva, filha de um pai irlandês evadido do seu país para escapar à justiça inglesa. Assim apelidada pelos escravos, Melody luta pelo fim da escravatura. Roger representa para ela tudo o que mais odeia: é inglês, mulherengo, dono de escravos, um déspota – e, no entanto, não consegue evitar a atracção escaldante que nasce entre os dois.
Opinião
Tendo em conta as opiniões entusiastas que se encontram sobre este livro (inclusive aqui neste blogue), era normal que partisse para esta leitura com boas expectativas. Infelizmente, estas foram goradas e o livro acabou por revelar-se uma desilusão.
O enredo principal tem lugar na Argentina do início do século XIX. Roger Blackraven é um conde inglês com grandes posses e interesses em várias partes do mundo; uma viagem à sua propriedade em El Retiro proporciona o seu encontro com a jovem Melody, uma mulher bastante fora do comum não só a nível físico, mas também por ter ideais bastante revolucionários para a época – a sua constante preocupação com os escravos valeu-lhe inclusivamente a alcunha de Anjo Negro. Os dois acabam por se apaixonar e diria que cerca de dois terços do livro gira em torna da sua relação. Ao mesmo tempo, vários enredos secundários vão-se desenvolvendo, não só à volta de outras personagens mas também tendo em atenção o contexto histórico, com o domínio da Europa por Napoleão a dar o mote para a instabilidade política nas colónias de países europeus e o tema da escravatura sempre presente.
Devo dizer que achei o contexto e tudo o que não inclui o casal protagonista da história o mais interessante do livro, até porque dá ao leitor algumas luzes interessantes sobre o que se ia passando naquela época. Mas tendo em conta o “tempo de antena” dado à relação de Melody e Blackraven, não foi o suficiente para me fazer gostar deste livro. Ponderei um bocado sobre o que, para mim, fez com que a história destas duas personagens não funcionasse e cheguei à conclusão que foi a falta de subtileza e os lugares-comuns. Não me refiro à subtileza na narração de cenas mais explícitas, porque isso não me incomoda quando são bem escritas e um complemento importante à história, mas sim à subtileza que a autora não tem para nos explicar o que as suas personagens sentem e o que as motiva. Eu não preciso de ler página sim, página não “‘És minha”, “Amo-te”, “Não consigo viver sem ti” ou qualquer outra variação destas expressões para perceber o que as personagens sentem. Chega a ser exasperante de tão meloso e enjoativo. Todos estes sentimentos podem ser tão melhor transmitidos através de gestos, acontecimentos ou subterfúgios… este exagero é completamente desnecessário e estragou-me a leitura.
Mas mesmo saindo um bocado fora da relação amorosa: a autora esforça-se por ir dando a conhecer ao leitor factos do passado das personagens principais, que supostamente ajudariam a perceber melhor as suas motivações presentes. Sendo um objectivo legítimo, não me fez gostar nem mais um pouco delas. Sinceramente, pareceram-me distantes e nunca cheguei realmente a preocupar-me com elas ou com o que lhes acontecia – até porque não é difícil adivinhar que nunca seria algo muito mau. A escrita de Florencia Bonelli não me pareceu nada de especial; senti-a mais como narradora do que propriamente como escritora.
Foi um livro que, apesar de ter alguns pontos de interesse, de um modo geral não me cativou. Se não tivesse comprado já o segundo e último volume, sem dúvida que não o faria. Assim sendo, irei lê-lo em breve mas sem grande entusiasmo. – Célia M.
2/5 – OK
Autor: Florencia Bonelli
Título Original: El cuarto arcano. El puerto de las tormentas (2007)
Editora: Porto Editora
Páginas: 688
ISBN: 9789720041937
Tradutor: Isabel Fraga
Sinopse
Depois de abandonar Buenos Aires, Blackraven chega às costas brasileiras com os seus primos Marie e Luís Carlos, filhos de Luís XVI e Maria Antonieta, cujas vidas estão em perigo. Aí irá encontrar velhos companheiros de aventuras: o padre jesuíta Malagrida e Adriano Távora, sempre disponíveis para o ajudar nas situações mais difíceis.
O domínio de Napoleão sobre a Europa é cada vez mais apertado e obriga os ingleses a procurar na América do Sul novos mercados – comandada pelo almirante Beresford, a invasão inglesa está iminente…
Novos personagens e novos cenários acompanham as aventuras do Escorpião Negro desde a costa americana até à velha Europa. O Porto das Tormentas é um romance repleto de acção: conspirações, assassinatos e abordagens em alto mar fazem desta leitura uma experiência quase cinematográfica.
Opinião
Um ano depois, e completamente arrebatada pela saga do Quarto Arcano, de Florencia Bonelli, pude finalmente terminar a história e conhecer o destino dos protagonistas e personagens paralelas. A autora não desiludiu, conseguindo surpreender e, acima de tudo, contar a narrativa com um ritmo muito próprio, sem que nada pareça precipitado. Gostei de conhecer sua obra e conto acompanhá-la.
No volume anterior, a leitura tinha sido interrompida, de forma abrupta, quando os Ingleses se preparavam para invadir a Argentina. O Quarto Arcano – O Porto das Tormentas parte daí, reapresentando-nos o enquadramento político-social da acção. Neste contexto, vamos descodificando as verdadeiras intenções de algumas personagens, bem como conhecendo algumas manobras de bastidores, cujo objectivo é apenas de garantir mais poder. Assim, ao mesmo tempo que a sociedade argentina se vê confrontada com a invasão inglesa, alguns cidadãos tentam lutar pela independência da metrópole espanhola.
Nesta obra, a relação entre Melody e BlackRaven volta a ser o fio condutor, perpassando toda a narrativa e sendo, constantemente, confrontada com contrariedades. Porém, nem só desta paixão avassaladora vive a obra, existem muitas outras que, inesperadamente, surgem e por isso nos surpreendem. A forma aberta como a autora explora várias estórias mantém o leitor interessado e desejoso de saber o que o destino lhes reserva.
Mais uma vez, somos confrontados com a dicotomia que Melody e BlackRaven representam. Ela luta pela igualdade entre todos, maldizendo os preconceitos da sociedade da época e a forma desumana como os escravos são tratados. Ele luta por mais poder político e económico, enquanto vai vendo cair todos os que põem em causa a sua felicidade. Estas duas formas de estar cativam o leitor, apelando às suas emoções e fazendo com que, página atrás de página, a leitura flua e entretenha.
Florencia Bonelli volta a cativar pela sua escrita simples e viva. As suas descrições são tão realistas que nos sentimos transportados para a acção, sofrendo, odiando e amando como as personagens. Sem pudores, a autora retrata vários momentos íntimos entre os protagonistas, sem cair no vulgar. Real, interessante e surpreendente, esta saga, e a obra da autora, merecem ser lidas. – Cristina
8/10 – Muito Bom
Autora: Florencia Bonelli
Editora: Porto Editora
Páginas: 544
ISBN: 978-972-0-04192-0
Tradutora: Isabel Fraga
No princípio do século XIX, diferentes processos revolucionários espalham-se pelas colónias espanholas da América, desejosas de se tornarem independentes da Coroa de Espanha. Buenos Aires será uma das primeiras capitais a concretizar esse sonho. É nesse contexto que decorre o romance de Florencia Bonelli, a mais popular autora histórico-romântica do panorama literário latino-americano.Roger Blackraven é um abastado homem de negócios inglês, com interesses particulares em Buenos Aires, onde é amo e senhor de terras e gentes, que o temem e respeitam. Mas a sua vida vai cruzar-se com o Anjo Negro. O Anjo Negro é Melody Maguire, uma exótica crioula ruiva, filha de um pai irlandês evadido do seu país para escapar à justiça inglesa. Assim apelidada pelos escravos, Melody luta pelo fim da escravatura. Roger representa para ela tudo o que mais odeia: é inglês, mulherengo, dono de escravos, um déspota – e, no entanto, não consegue evitar a atracção escaldante que nasce entre os dois.Romance histórico profundamente comprometido, romance sentimental com as cores e os cheiros da América Latina, muitas vezes imbuído de uma carga de erotismo fortemente explícito, O Quarto Arcano revela aos leitores portugueses uma das mais populares escritoras argentinas.
Opinião
Às vezes, o melhor ponto de partida de um livro é partir sem nada. Sem expectativas, sem imaginação, sem preconceitos. Só assim seremos verdadeiramente surpreendidos. O Quarto Arcano – O Anjo Negro surgiu por acaso nas minhas escolhas literárias, mas, depois de lido, deixou uma estranha sensação de vazio, como que sabendo a pouco.
A história do livro está dividida em dois centros de acção que, através do passado e do presente das personagens, se interligam. Por um lado, a França pós-Revolucionária e conduzida por Napoleão Bonaparte, que tenta a todo o custo aumentar o seu poder e estender a sua rede de espiões pelo Mundo. Por outro, uma Argentina agitada por ideais independentistas face à metrópole e por ideias abolicionistas dos escravos que para lá foram levados.
Entre os porta-vozes destas vontades, Roger Blackraven e Melody Maguire, cria-se uma estranha relação de amor e ódio que anima a obra. Através de pequenas viagens ao passado, vamos conhecendo o carácter de cada um deles e nem sempre aquilo que parece, é. A autora Florencia Bonelli consegue guardar sempre uma surpresa e, assim, cativar o leitor e incentivar a leitura. Esta boa caracterização das personagens não se resume aos protagonistas. A obra é recheada de personagens ricas com sentimentos e aflições reais e às quais nos afeiçoamos ou que detestamos. Todos têm em comum algo, mesmo que, à partida, nunca consigamos perceber o quê.
A autora soube tirar excelente partido da riqueza do período histórico em que a obra se enquadra. O ritmo da acção deriva entre o calmo e o agitado, reflectindo os momentos que se vivem em França e na Argentina e tornando os acontecimentos descritos mais perto de nós.
Confesso que tudo no livro me surpreendeu desde a escrita da autora (a primeira sul-americana que leio, penso) à acção em si. A relação dos protagonistas é o fio condutor da narrativa, mas há muito mais para além disso. Criam-se tantas situações, tantas estórias, tantos pontos de interesse que o leitor é sucessivamente arrebatado. Infelizmente, o final de O Quarto Arcano – O Anjo Negro, por ser o primeiro de dois volumes que a autora escreveu sobre este tema, deixa muitas pontas soltas e poucas certezas. Segundo fontes deste blog, a segunda parte – o Porto das Tormentas – sai para o ano. Fico ansiosamente à espera! – Cristina
8/10 – Muito Bom





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