2014 Reading Challenge

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Arquivo da categoria ‘Europa-América’

A Dama de Espadas

Thursday, July 8, 2010 Post de Célia

Autor: Alexander Pushkin
Título Original: The Queen of Spades (1834)
Editora: Europa-América (livro de bolso)
Páginas: 73
ISBN: 9789721055759
Tradutor: José Marinho

Sinopse
A velha condessa Ana Fédotovna, na sua juventude apelidade de Vénus Moscovita, esconde um segredo… um segredo que pode tornar qualquer homem milionário ou destruir-lhe a vida. Numa noite longa, durante um jogo de cartas, Tomski, o neto da condessa, confidencia aos amigos parte do segredo da avó. Mas, entre eles está o ambicioso Hermann, rapaz sem escrúpulos que vai tentar descobrir o segredo para se tornar no homem mais rico do mundo. Pelo meio, não hesitará em levar quase à loucura Lisavete Ivanovna, a singela dama de companhia da condessa.

Opinião
A Dama de Espadas é um conto do escritor russo Alexander Pushkin, considerado por muitos o nome maior da poesia russa e fundador da literatura russa moderna. Nunca tinha lido nada de sua autoria e o meu conhecimento em relação a literatura russo é bastante parco, portanto pareceu-me interessante pegar neste pequeno livro, que já tinha por ler há bastante tempo.

Este conto, que se lê num par de horas, centra-se num segredo detido por uma velha condessa, que promete fazer com que quem o conheça enriqueça desmesuradamente, pois permitiria vencer facilmente jogos de cartas que envolviam grandes quantidades de dinheiro, e logo enriquecer o seu detentor. Durante um desses jogos de cartas, no qual participava o neto da velha condessa, este decide contar aos companheiros que a avó está na posse desse segredo, mas não o revelou a ninguém. Hermann, um jovem ambicioso que durante os jogos de cartas se limitiva a ver os companheiros jogar, por falta de dinheiro para investir, decide tentar chegar à velha condessa e obrigá-la a revelhar-lhe o seu segredo, mesmo que para isso tenha de enganar e magoar a jovem Lisavete, companhia da condessa.

Este é um conto que tem a avareza por tema principal, e apresenta-a, no final de contas, como uma pobre opção de vida. Tratando-de se ficção curta, o desenvolvimento da história e das personagens não é grande, mas ainda assim é possível entrever alguma caracterização da sociedade russa da capital da altura, S. Petersburgo. Gostei, mas não foi particularmente marcante; espero poder vir a conhecer um pouco mais da obra deste escritor no futuro.

Como nota final, deixo aqui a curiosidade que esta história foi transformada em duas óperas, uma de Tchaikovsky (The Queen of Spades) e outra de Franz von Suppé (Pique Dame). – Célia M.

5/10 – Razoável

Livro n.º 58 de 2010


O Calafrio

Tuesday, June 29, 2010 Post de Célia

Autor: Henry James
Título Original: The Turn of The Screw (1898)
Editora: Publicações Europa-América (Bolso)
Páginas: 112
ISBN: 9789721050570
Tradutor: Lucília Maria de Deus Mateus Rodrigues

Sinopse
Uma jovem preceptora aceita um cargo que lhe parece vir a ser ideal: o de cuidar de duas crianças órfãs, de grande docilidade, beleza e inteligência. Mas a sua felicidade com o lugar que conseguiu em breve vai desvanecer-se. Especialmente quando vê pessoas estranhas a rondar a casa à procura de algo ou de alguém. E especialmente quando vem a descobrir que essas pessoas estão mortas. O Calafrio é uma história de fantasmas, arrepiante e pouco convencional, onde os acontecimentos são abertos a diversas interpretações. São os fantasmas um perigo real para as crianças ou não passam do produto da imaginação de uma mulher solitária?

Opinião
O Calafrio, um clássico com mais de 100 anos, é uma das obras mais marcantes de Henry James. Este pequeno conto de terror conta a história de uma jovem que consegue um lugar de preceptora de duas crianças órfãs, numa antiga casa inglesa na localidade de Bly (Essex). Com instruções expressas para nunca incomodar o tio e guardião dos seus pupilos, a jovem compromete-se em levar a sua missão até ao fim. Quando conhece as crianças, Flora e Miles, a preceptora acredita que a sorte a abençoou, pois elas são as mais angélicas e bondosas das criaturas.

No entanto, a jovem cedo perde as suas expectativas de felicidade em Bly, assim que começa a ter estranhas visões. Com uma regularidade assustadora, começa a ver pessoas a rondar a casa – pessoas que estão mortas. Embora nunca tenha acreditado em fantasmas anteriormente, à medida que conhece a história da casa e das pessoas que nela viveram, começa a suspeitar de que algo está tremendamente errado. O mal está presente e até as crianças parecem ter consciência disso. O horror cresce quando consegue descobrir a aparente razão por detrás destas visões.

Contado na primeira pessoa, neste caso na perspectiva da própria preceptora, o leitor apenas sabe dos factos que são por ela narrados. E enquanto vemos todas as situações através dos seus olhos, há elementos que estão claramente (talvez propositadamente) fora do nosso alcance e poderão escapar ao nosso pensamento. Assim sendo, é legítimo pensar-se se, de facto, as suas visões são verdadeiras e estamos na presença de fantasmas ou se são apenas fruto da sua fértil imaginação.

Objecto de aceso debate ao longo dos anos, O Calafrio, que inicialmente pode parecer uma típica história de fantasmas, é uma narrativa complexa e aberta a diferentes interpretações. Num cenário surrealista e com uma escrita em ritmo lento mas sublime, cabe a cada leitor encontrar o seu fantasma neste brilhante conto. O final exige uma ou várias releituras – e provoca um verdadeiro arrepio – para que o mistério intemporal que James nos deixou em herança possa ser inteiramente entendido. Esta obra insere-se naquela que é considerada como a segunda fase da sua obra literária, caracterizada sobretudo pela criação de pequenos contos e peças de teatro.

O livro teve já diversas adaptações, sobretudo cinematográficas, e entre elas estão: uma adaptação para a televisão britânica em 1999, The Turn of the Screw, com Colin Firth como o guardião (master) das crianças; o filme The Others (Os Outros) em 2001, que foi parcialmente baseado no livro e teve Nicole Kidman como protagonista; e ainda, em 2006, o filme In a Dark Place (Lugares Escuros) com Leelee Sobieski. – Sofia Martins

8/10 – Muito Bom


O Monte dos Vendavais

Thursday, April 8, 2010 Post de Célia

Autor: Emily Brontë
Título Original: Wuthering Heights (1847)
Editora: Europa-América
Páginas: 258
ISBN:9789721014923
Tradutor: Maria Franco e Cabral do Nascimento

Sinopse
A acção deste clássico da literatura inglesa decorre num ambiente rude e agreste, tendo como paisagem os montes de Yorkshire, onde Emily Brontë viveu durante muitos anos.
Por isso, o trágico drama de O Monte dos Ventos Uivantes atinge o cume de uma autobiografia em que a infância e adolescência de Emily, carregadas por uma imaginação fantástica, desempenham lugar de relevo no desenrolar desta história. A paixão de Catherine e o amor de Heathcliff assinalam de forma flagrante o fio romanesco desta obra.
Emily Brontë criou uma obra que é, sem dúvida, a expressão mais genuína, profunda e ambiguamente sofrida da alma inglesa.

Opinião
O Monte dos Vendavais (também publicado por cá com o título O Monte dos Ventos Uivantes ou O Alto dos Vendavais) é daquele tipo de livros que, pela sua fama e inúmeras adaptações ao cinema, já fazem parte do imaginário colectivo, mesmo para quem ainda não teve oportunidade de o ler. A minha oportunidade surgiu agora, numa leitura conjunta espontânea que decorreu no nosso fórum.

Esta foi a única obra escrita por Emily Brontë, e a sua primeira publicação em 1847 foi feita sob o pseudónimo Ellis Bell. Emily é uma das três irmãs Brontë, para além de Charlotte e Anne, ambas também autoras de obras reconhecidas pelo público e crítica (por exemplo, Jane Eyre e Agnes Grey, respectivamente). Muitas vezes apresentada como a história de amor entre Heathcliff e Catherine, O Monte dos Vendavais é, na minha opinião e acima de tudo, uma história marcada pela vingança, pelo ódio e pela obsessão.

Tudo começa em 1801, com a chegada do Sr. Lockwood à Herdade dos Tordos, para passar uma temporada nos ares do campo. Lockwood dirige-se então à propriedade do Monte dos Vendavais, onde residia o seu senhoria, o Sr. Heathcliff, a fim de se dar a conhecer e tratar com ele assuntos relativos ao aluguer da casa. Ao chegar lá, é confrontado com uma casa pouco acolhedora, pessoas muito pouco simpáticas e hospitaleiras e, acima de tudo, estranhamente misteriosas. Tanto Lockwood como o leitor são confrontados com este ambiente hostil, e a noite que lá passa permite que comecemos a tomar contacto com alguns pequenos detalhes que deixam entrever uma história no passado cheia de desgraças.

Quando regressa à Herdade dos Tordos, e por se encontrar a convalescer, Lockwood pede à governanta Nelly Dean que lhe conte o que sabe sobre Heathcliff, e é pela sua voz que o leitor é levado ao passado e conhece a estranha e negra história de Catherine Earnshaw e Heathcliff, cuja influência se estendeu aos seus descendentes. Precisamente por “ouvirmos” a história contada por uma terceira pessoa, existem sempre detalhes que desconhecemos, especialmente no que diz respeito às motivações por detrás dos actos das personagens principais, que apenas podemos adivinhar.

Já por diversas vezes tenho dito que as expectativas são o pior inimigo no que às leituras diz respeito, tal como na vida. Eu não sei ao certo o que esperava deste livro, mas sei que era muito diferente do que encontrei: um ambiente negro e deprimente, personagens marcadas pelo exacerbamento da insanidade e do orgulho, que, ao invés de lutarem pela sua felicidade, apenas provocam destruição e infortúnio nas pessoas que amam. Todo este ambiente domina o livro e é acompanhado pelos elementos e pela paisagem que rodeia as personagens, diria que de uma forma magistral. De facto, foi precisamente a forma como a autora transmite esta envolvência e opressão o aspecto que achei mais bem conseguido neste livro.

Quanto às personagens e ao enredo, tenho de confessar que não me consegui identificar com as primeiras e não posso dizer que tenha gostado particularmente do segundo. Suponho que isto tem a ver com estados de espírito, personalidade e as particularidades únicas que fascinam cada leitor, permitindo que, perante o mesmo livro, uns adorem e outros detestem. Não fiquei em nenhum desses dois extremos com este livro e posso dizer que compreendo, de certo modo, o fascínio e atracção que este livro possa exercer sob determinados leitores, mas comigo não funcionou muito bem, porque não é o tipo de histórias que mais me cativa.

Uma última nota para a edição que li, um livro de bolso da Europa-América. Não tenho grandes reparos a fazer à tradução e também não encontrei muitas gralhas, mas definitivamente a letra minúscula não facilita a leitura. Se estiverem interessados no livro, comprem outra edição. – Célia M.

7/10 – Bom

Livro n.º 30 de 2010


Drácula

Thursday, July 23, 2009 Post de Célia
Autor: Bram Stoker
Título Original: Dracula (1897)
Editor: Europa-América
Páginas: 424
ISBN: 9789721035287
Tradutor: Ana Maria Mendes Rodrigues


Sinopse
Drácula, o sinistro conde da Transilvânia, só pode ser morto por uma estaca espetada em pleno coração. Até que alguém consiga fazê-lo, porém, continuará a alimentar-se do sangue de inocentes, e estes, tornados mortos-vivos, passarão também a sofrer da insaciável sede do sangue.
Mas como se conseguirá preparar uma armadilha a um monstro com vastos poderes e com a sabedoria dos séculos?

Opinião
No âmbito de mais uma Leitura Conjunta do nosso fórum, tive oportunidade de ler pela primeira vez aquela que é tida como a referência literária em termos de mitologia vampírica: Drácula. Escrito em 1897 pelo irlandês Bram Stoker, introduziu no imaginário colectivo a famosa personagem do conde Drácula, já por várias vezes retratado no grande ecrã.

A história deste livro é contada através de diários/cartas de várias personagens. Começamos por acompanhar Jonathan Harker numa viagem à Transilvânia e ao castelo de Drácula, onde irá conhecer esta personagem macabra e iniciar uma aventura que se passa, também, em Inglaterra, para onde Drácula mais tarde se desloca para aterrorizar os locais.

A verdade é que o livro começa a todo o gás na Transilvânia: situações que inspiram o medo, personagens macabras, terror constante. No entanto, a partir do momento em que começam a entrar na história as outras personagens para além de Harker, esta perde algum ritmo, para terminar de forma um pouco aborrecida e previsível. As partes realmente interessantes são todas as que contam com a participação do conde (pena não serem mais) e as explicações que Van Helsing dá acerca do folclore relacionado com os vampiros (desconhecia muitas coisas).

Este livro é considerado um clássico, e justamente, por toda a mitologia introduzida e pelo papel que representa no imaginário colectivo a personagem do Drácula. Em termos de mérito literário propriamente dito, achei original a estrutura de narrativa escolhida (com os diários das várias personagens), no sentido em que permite criar um maior mistério sobre o que realmente se passa, mas desilude um pouco em termos de ritmo (que é bastante inconstante) e de algumas incoerências/factos mal explicados que se acumulam (estes detectados especialmente porque foi lido no âmbito de uma Leitura Conjunta). Apesar destes pontos menos positivos, é preciso contextualizar o livro e notar que, na época em que foi escrito, as necessidades dos leitores não eram as mesmas que hoje em dia e temos que admitir que os livros com vampiros são, hoje em dia, mais do que vulgares e este “Drácula” foi, na altura, uma grande novidade.

Esta edição de bolso da Europa-América é muito fraquinha em termos de revisão: está cheia de gralhas (lembro-me, por exemplo, de faltar a referência ao início de um capítulo e de uma data incorrecta – sendo que as datas são importantíssimas para a cronologia dos eventos) e de parágrafos/frases mal posicionadas, que bastante dificultaram a leitura. Se quiserem ler este livro, arranjem outra edição (podem consultar aqui as existentes). – Célia M.

Para terminar, deixo o link para várias opiniões de bloggers que também participaram nesta Leitura Conjunta:
Este meu cantinho (WhiteLady)
N Livros (Iceman)
O Prazer das Coisas (Tita)
Cozinha das Letras (Jacqueline’)
Uma Biblioteca Aberta (Estefânia)
…viajar pela leitura… (Paula)
Dias Soltos (Beky)
Às 23h (Be.)

8/10 – Muito Bom


A Máquina do Tempo

Tuesday, September 30, 2008 Post de Célia
Sinopse: No final da época vitoriana, um cientista inventa a Máquina do Tempo e viaja até ao ano 802.700, onde encontra tudo mudado. Nesta época, muito mais utópica, as criaturas que encontra pareciam viver em perfeita harmonia. O Viajante do Tempo pensa poder estudar estes magníficos seres humanos, desvendar-lhes os segredos e regressar ao seu tempo. Até que descobriu que a sua invenção, o seu passaporte para a fuga, tinha sido roubada…


Comprei este livro na colecção do ano passado do DN, mas, tal como a maioria dos outros livros desta colecção, ainda não lhe tinha pegado. O facto de, na sexta-feira passada, me ter esquecido do livro que ando a ler no trabalho (segunda semana consecutiva em que me acontece algo do género), levou a que tivesse de arranjar um livro com poucas páginas para me entreter no fim-de-semana e a minha escolha recaiu sobre este “A Máquina do Tempo”. Originalmente publicado em 1895 por H.G. Wells (autor do também muito conhecido “A Guerra dos Mundos”), é normalmente considerada como a obra que popularizou o conceito de viagem no tempo.

O livro é curto e lê-se de um fôlego. Não se centra nas personagens e nas suas descrições ou sentimentos, mas sim na “aventura” e na imaginação do que será o nosso planeta daqui a muitos milhares de anos. E o que nos é apresentado é, de certo modo, bastante assustador mas inevitavelmente fascinante… Porque muito do fascínio do ser humano por este conceito de viagem no tempo advém da curiosidade não só de conhecer tempos anteriores ao nosso (em mais pormenor do que conhecemos), mas também de saber o que o futuro nos reserva e ao nosso Planeta. Por isso, este livro é um exercício muito interessante, que peca apenas por ser curto. De facto, no final, fiquei com imensa vontade que o livro tivesse o dobro ou o triplo do tamanho, com mais aventuras e especulações. Ainda assim, é uma leitura bastante recomendável. – Célia M.

7/10

PS: A capa do livro tem a pergunta “Onde é que você iria?”… E vocês? Onde é que iriam com uma máquina do tempo e porquê?