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Arquivo da categoria ‘Editorial Presença’

[Opinião] O Dragão de Sua Majestade, de Naomi Novik

Monday, October 20, 2014 Post de Célia

Liv01220064_fAutor: Naomi Movik
Título Original:
His Majesty’s Dragon (2006)
Série: Temeraire #1
Editora: Editorial Presença
Páginas: 285
ISBN: 9789722339841
Tradutor: Afonso Arouca

 

Sinopse: Imagine-se o leitor em pleno decurso das Guerras Napoleónicas. Com uma ligeira alteração… os combates travam-se, não somente em terra ou no mar, mas também… nos céus. Num tempo alternativo, o planeta é compartilhado por duas espécies igualmente inteligentes: os humanos e os dragões. Estes associam-se aos homens quando à nascença recebem o arnês das mãos de um deles, criando um vínculo quase simbiótico que perdura ao longo das suas vidas. Seres magníficos e poderosos, além de capazes de voar, os dragões transportam toda uma tripulação de aviadores, acrescentando um devastador contributo às batalhas. Foi assim que o capitão Will Laurence viu a sua vida mudar de um dia para o outro quando abalroou uma fragata francesa e capturou um ovo de uma espécie muito rara de dragões, oferta do Imperador da China ao próprio Napoleão. 

 

Opinião: Tinha este livro por ler desde 2008. Sim, leram bem, dois mil e oito, há 6 anos. Não faço a mais pequena ideia porque é que esperei 6 anos para ler isto, porque ainda por cima é um livro sobre o qual me senti sempre interessada. Algum dia tinha de ser, não é? Pois foi agora. 

 

O Dragão de Sua Majestade tem uma premissa fantástica: dragões como arma durante as Guerras Napoleónicas. A história inicia-se quando o capitão naval Will Laurence captura um navio francês e nele encontra um ovo de dragão prestes a eclodir. Quando o dragão Temeraire nasce, decide que Laurence será o seu aviador, alguém que o acompanhará não só nas batalhas, mas também a pessoa com a qual se vincula a nível mais profundo para o resto da vida.

 

Enquanto Will enfrenta alguns entraves familiares devido à sua decisão de abandonar a Marinha e dedicar-se ao seu novo estatuto, vai-se desenvolvendo entre ele e Temeraire uma relação muito especial que ultrapassa a mera amizade, recuperando a autora o tema do vínculo especial entre um dragão e o humano que escolhe, já vista noutras obras literárias. Aqui, os dragões aparecem como animais mais dóceis do que, por exemplo, nos livros da Robin Hobb (refiro-os porque os li há pouco tempo e tenho esses dragões muito presentes); não é uma caracterização melhor ou pior, apenas diferente, e levei algum tempo a habituar-me.

 

A relação entre Will e Temeraire é, na minha opinião, o ponto alto do livro. É ela que serve de fio condutor à narrativa e, para mim, foi o principal elo de ligação emocional com o livro. Claro que a parte do treino de Temeraire, as intrigas que vão decorrendo e a participação de ambos em batalha é interessante, mas foram os momentos de interação entre ambos os meus preferidos do livros. Will, por si só, não me pareceu uma personagem muito interessante; a sua relação com personagens secundárias acabou por me parecer um pouco aborrecida e desinteressante, e nem o seu drama familiar me despertou muito interesse. Achei uma das personagens secundária (Choiseul) muito mais interessante, e fiquei com pena que a sua história não tivesse sido mais desenvolvida.

 

Penso que Naomi Novik tem uma escrita bastante evocativa do período em que decorre (inícios do século XIX), sendo cuidada e, por vezes, algo floreada. É de leitura agradável, apesar de por vezes um pouco lenta.

 

O balanço final é positivo, apesar de ter gostado de umas coisas e de outras nem por isso. Não fiquei muito fã do protagonista, mas gostei do dragão Temeraire e da relação entre ambos. Gostei da premissa do livro e do worldbuilding, mas não achei que todas as partes do livros tivessem uma boa dinâmica e que fosse, como um todo, muito equilibrado. A escrita consegue evocar bem o período da história, mas por vezes torna-se um bocadinho aborrecida. Tenho já o segundo volume para ler em breve e ajudar-me a tomar a decisão sobre se vale a pena continuar a ler esta série.

 

Classificação: 3/5 – Gostei


[Opinião] Um Homem com Sorte, de Nicholas Sparks

Wednesday, October 8, 2014 Post de Célia

6233503Autor: Nicholas Sparks
Título Original:
The Lucky One (2007)
Editora: Editorial Presença
Páginas: 288
ISBN: 9789722340380
Tradutor: Saul Barata

 

Sinopse: Durante a maior parte da sua vida, Logan Thibault foi um homem que em tudo se podia considerar comum. Porém, nada de comum havia naquilo que estava prestes a acontecer-lhe. Quando encontra uma fotografia de uma mulher nas areias do deserto do Iraque, Logan Thibault passa, inexplicavelmente, a ser um homem com a sorte do seu lado, que sobrevive a situações de indescritível perigo. A fotografia começa a ser encarada como um talismã e, de regresso aos EUA, Thibault não consegue deixar de pensar na mulher que lhe salvou a vida. Mas, assim que a encontra, o segredo que transporta consigo poderá custar-lhe tudo aquilo que lhe é querido.

 

Opinião:  Antes de ter este blogue e de estar pouco atenta a outras opiniões, Nicholas Sparks era um autor que lia com alguma frequência. Li vários livros dele; duns gostei bastante, de outros nem por isso, mas a verdade é que ao longo do tempo fui-me apercebendo que não é um autor normalmente bem visto por muita gente e, de forma inconsciente, penso que isso, juntamente com o interesse que fui ganhando por outro tipo de livros, fez com que tivesse posto o autor fora das minhas leituras. Acho que é uma parvoíce deixar que noções pré-concebidas sobre autores ou géneros definam o que lemos e, muito sinceramente, não acho que Nicholas Sparks seja um mau escritor e contador de histórias, dentro do género em que se insere.

 

Em relação a este livro, é basicamente uma história de amor (outra coisa não seria de esperar) em que a superstição e o destino assumem um papel central. Logan Thibault é um ex-soldado americano que prestou serviço no Iraque; nos primeiros tempos em que lá esteve, encontrou no deserto uma foto de uma mulher que não parecia pertencer a ninguém. A foto acompanhou-o durante o tempo que esteve no Iraque e, depois de sobreviver a um sem-número de situações perigosas, Logan começou a convencer-se que a foto era um talismã de sorte. E, por ter um significado tão importante numa época tão complicada da sua vida, Logan decide tentar descobrir quem é aquela mulher através dos poucos detalhes presentes na foto e parte à descoberta pelo país.

 

O resto da história não é muito difícil de adivinhar. Aliás, este livro peca um bocado pela previsibilidade do decorrer dos acontecimentos e pelo seu desenlace. Mas a leitura foi compulsiva, pela escrita descomplicada e o facto de as personagens me terem parecido reais, com destaque para Logan. Tenho alguns problemas com as noções de destino e superstição, nas quais não acredito, mas esquecendo essa parte, acaba por ser uma história engraçada de ler e que se acompanha com interesse.

 

Não é o género de livro que me faz ficar a pensar nele mesmo enquanto não estou a ler, ou cuja história irei recordar para sempre, mas foi uma leitura agradável, que entreteve e que cumpriu bem a sua função. 

 

Classificação: 3/5 – Gostei


[Opinião] Quando o Cuco Chama, de Robert Galbraith

Monday, September 8, 2014 Post de Célia

18619109Autor: Robert Galbraith
Título Original:
The Cuckoo’s Calling (2013)
Editora: Editorial Presença
Páginas: 496
ISBN: 9789896720650
Tradutor: Maria Georgina Segurado e Rita Figueiredo

 

Sinopse: Quando uma jovem modelo cai de uma varanda coberta de neve em Mayfair, presume-se que tenha cometido suicídio. No entanto, o seu irmão tem dúvidas quanto a este trágico desfecho, e contrata os serviços do detetive privado Cormoran Strike para investigar o caso. Strike é um veterano de guerra – com sequelas físicas e psicológicas – e a sua vida está um caos. Este caso serve-lhe de tábua de salvação financeira, mas tem um custo pessoal: quanto mais mergulha no mundo complexo da jovem modelo, mais sombrio tudo se torna – e mais se aproxima de um perigo terrível… Envolvente e elegante, mergulhado na atmosfera de Londres, Quando o Cuco Chama é o aclamado primeiro romance policial de J. K. Rowling, escrito sob o pseudónimo Robert Galbraith.

 

Opinião: Vou ser muito sincera: se não soubesse que Robert Galbraith era um pseudónimo da J.K. Rowling muito provavelmente nunca teria lido este livro. Rowling é daquelas escritoras que terá sempre enorme sucesso publicando com o nome dela ou outro qualquer, escrevendo fantasia, policiais ou outro género qualquer. E merecido, diga-se de passagem. Compreendo a necessidade que sentiu em lançar este livro sob pseudónimo (cuja real identidade só foi descoberta alguns meses depois do seu lançamento) e admiro a coragem de se ter aventurado em géneros tão distintos daquele que lhe deu a fama de que goza.

 

Quando o Cuco Chama é um policial tradicional. A sua personagem principal e detetive de serviço é Cormoran Strike, um ex-soldado com uma prótese na perna e um vida pessoal muito atribulada, que inclui uma relação de vários anos recém-terminada e uma família disfuncional, com um pai famoso que viu apenas duas vezes. Robin, uma jovem destacada por uma empresa de trabalho temporário para secretariar Strike, tem um primeiro dia muito animado, pois é nessa altura que John Bristow se dirige ao detetive privado para investigar mais a fundo o caso de uma modelo famosa (sua irmã) que morreu após a queda de uma varanda, que a polícia determinou ter-se tratado de um suicídio.

 

As conversas com as pessoas à volta da vida de Lula Landry, a modelo, ocupam boa parte do livro e são uma delícia de se ler pelo fantástico retrato pessoal que a autora delas faz. Ao mesmo tempo. Cormoran vai-se adaptando à vida de solteiro e ao facto de dormir no seu local de trabalho, enquanto a relação com Robin vai passando de profissional a uma colaboração de sucesso e, eventualmente, a amizade.

 

É um livro lento mas que estranhamente se tornou, a partir de determinado momento, de leitura compulsiva. A autora não poupa nas palavras para descrever pessoas e locais, e se para alguns leitores isto se pode tornar fastidioso, para mim foi apenas uma forma de dar vida às personagens e aos cenários pelos quais iam passando. As pessoas dentro desta história pareceram-me reais e isso fez com que me tivesse apegado a elas. Robin, a secretária, é uma personagem deliciosa e sobre a qual tenho esperança de ler mais nos próximos volumes da série. Cormoran é um bom protagonista também, apesar de achar que, se a autora foi bem sucedida em criar no leitor empatia com ele, não deixam de ficar no ar algumas dúvidas quanto às suas capacidades como detetive. Cormoran resolve o caso ao estilo Poirot, sabendo antes de toda a gente a identidade do culpado, mas ao contrário do famoso detetive belga, achei que lhe faltava carisma e nunca tive a sensação que as suas capacidades dedutivas fossem uma característica que saltasse à vista ao longo da história, fazendo com que a sua linha de dedução dos acontecimentos, na parte final do livro, me tivesse parecido um pouco forçada.

 

Ainda assim foi um livro de que gostei bastante. Bem escrito, com um caso interessante e bem desenvolvido. Fico com muita vontade de ler o volume seguinte.

 

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante


[Opinião] O Silo, de Hugh Howey

Friday, August 8, 2014 Post de Célia

18524135Autor: Hugh Howey
Título Original:
Wool Omnibus (2011-2012)
Série: Silo #1
Editora: Editorial Presença
Páginas: 528
ISBN: 9789722351409
Tradutor: Alberto Gomes

 

Sinopse: Num mundo pós-apocalíptico, encontramos uma comunidade que tenta sobreviver num gigantesco silo subterrâneo com centenas de níveis, onde milhares de pessoas vivem numa sociedade completamente estratificada e rígida, e onde falar do mundo exterior constitui crime. As únicas imagens do que existe lá fora são captadas de forma difusa por câmaras de vigilância que deixam passar um pouco de luz natural para o interior do silo. Contudo há sempre aqueles que se questionam… Esses são enviados para o exterior com a missão de limpar as câmaras. O único problema é que os engenheiros ainda não encontraram maneira de garantir que essas pessoas regressem vivas. Ou, pelo menos, assim se julga…

 

Opinião: Este livro tem uma história curiosa, por ser diferente daquilo que é a publicação tradicional. Em Julho de 2011, Hugh Howey publicou via Amazon um conto, Wool, e o sucesso que alcançou junto dos leitores fez com que o autor tivesse decidido publicar a continuação, num total de 5 partes (que foram incluídas neste livro). Posteriormente, o autor publicou mais histórias que funcionam como prequelas (Shift) e uma história que é cronologicamente posterior a este O Silo (Dust).

 

Num futuro aparentemente distante, uma comunidade de humanos vive debaixo da terra, num silo com quase 150 andares abaixo do solo. Sabemos, inicialmente, que o ar exterior está cheio de toxinas e que os seres humanos não conseguem lá sobreviver, bastando que alguém expresse a vontade de sair para que seja “condenado” a fazê-lo e, de caminho, a limpar as câmaras e sensores que permitem ao silo ter uma visão sobre o que se vai passando lá fora. Holston, o xerife do silo, escolhe este destino, 3 anos após a sua esposa ter feito o mesmo. O que os terá levado ao exterior de livre e espontânea vontade, sabendo que a morte era o destino certo? A nova xerife, Juliette, recrutada da Manutenção, vê-se perante este dilema, bem como algumas mortes que parecem tudo menos coincidência.

 

À medida que a leitura vai prosseguindo, várias questões se acumulam na mente do leitor: porque é que estas pessoas estão todas enfiadas dentro de um silo? O que é que tornou o ar tóxico? As pessoas do silo são as únicas sobreviventes da aparente catástrofe que os colocou lá dentro? O que é verdade e o que é mentira?, entre muitas outras. São estes enigmas, aliados à escrita cativante e às personagens bem desenvolvidas (a história vai sendo contada sob pontos de vista de várias delas), que tornam O Silo num livro de leitura quase compulsiva.

 

Finda a leitura, ficam algumas pontas por atar. Esse é, talvez, o maior defeito do livro, mas julgo que esta questão será resolvida nos restantes livros da série que pretendo, sem dúvida, ler em breve. Esta é uma distopia que vale a pena ler. Recomendado.

 

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante


[Opinião] Longbourn – Amor e Coragem, de Jo Baker

Wednesday, July 23, 2014 Post de Célia

21797502Autor: Jo Baker
Título Original:
Longbourn (2013)
Editora: Editorial Presença
Páginas: 392
ISBN: 9789722352499
Tradutor: Maria João da Rocha Afonso

 

Sinopse: Para todos os que admiram a obra de Jane Austen, esta é uma oportunidade única de revisitar o seu universo, mais concretamente o de Orgulho e Preconceito, mas numa perspetiva completamente nova. Jo Baker conseguiu a proeza de pegar num clássico e reimaginá-lo, com brilhantismo, a partir do ponto de vista dos criados. Enquanto no andar de cima tudo gira em torno das perspetivas de casamento das meninas Bennet, no andar de baixo os criados vivem os seus próprios dramas pessoais, as suas paixões e angústias. À semelhança da obra que a inspirou, também Longbourn é uma história de amor apaixonante e uma comédia social inteligente, que nos dá a conhecer o quotidiano daqueles que serviam nas mansões rurais inglesas do século XIX. Uma obra admirável, que capta na perfeição a atmosfera da Inglaterra de Jane Austen.

 

Opinião: Orgulho e Preconceito é dos livros mais lidos e amados de sempre, por isso não é surpresa que se multipliquem, mesmo depois de mais de 200 anos decorridos da sua publicação original, os livros publicados que, de algum modo, se relacionem com a famosa história. Este Longbourn – Amor e Coragem (poderiam ter arranjado um subtítulo pior que este?) apresenta-nos não uma nova perspetiva do enredo, mas a história paralela dos criados que serviam em Longbourn, a residência da família Bennet, prometendo uma interação entre upstairs e downstairs com um nível de interesse ao nível da série Downton Abbey (pelo menos a primeira temporada, que foi a única que eu vi).

 

A linha temporal da história é a mesma que a de Orgulho e Preconceito, mas as personagens principais são os criados. Sarah, Mrs. Hill e Polly ocupam-se diariamente da lida da casa, desde limpezas a lavandaria, assim que o sol se levanta até que se põe. É uma vida difícil, e a autora oferece-nos uma visão, quanto a mim, bem nítida do que seriam as tarefas e a sua dureza na Inglaterra de inícios do século XIX. Na verdade, estas eram pessoas que só conheciam o trabalho e que pouco tempo tinham para viver as suas vidas; lazer era uma palavra praticamente desconhecida. 

 

Os acontecimentos principais de Orgulho e Preconceito são facilmente reconhecíveis no meio desta história, apesar de não serem, de todo o foco do enredo. E, se por um lado, a identificação destas situações deveriam funcionar como ponto de interesse para os fãs da famosa história de Jane Austen, por outro acabam por, na minha opinião, ser a sua maior fraqueza. Deixem lá ver se consigo explicar isto como deve ser: a história é bastante interessante e bem escrita, mas as ligações com Orgulho e Preconceito, desde as intervenções de personagens que conhecemos de lá a situações que tão bem identificamos acabam por distrair o leitor do foco principal do enredo. Mais, a Lizzy, a Jane, o Mr. Bennet e outros que aparecem aqui não são as mesmas personagens de Orgulho e Preconceito, por mais que a autora lhes tenha tentado dar (e talvez por isso mesmo) outra profundidade e características que até agora desconhecíamos. 

 

Tenho algumas dúvidas em recomendar este livro a fãs do Orgulho e Preconceito, especialmente àqueles que têm neste livro uma grande referência da literatura. Pessoalmente, a ligação entre este livro e aquele clássico acabou por ser o ponto mais negativo deste livro; se acharem que se conseguem abstrair, penso que estarão perante uma leitura bastante interessante.

 

Classificação: 3/5 – Gostei