2015 Reading Challenge

2015 Reading Challenge
Célia has read 0 books toward her goal of 100 books.
hide

Desafios 2015

Estou a Ler

Newsletter

Arquivo

Creative Commons License This blog by Estante de Livros is licensed under a Creative Commons Atribuição-Não a Obras Derivadas 2.5 Portugal License.

Visitas desde 20/07/2007

Arquivo da categoria ‘Editorial Presença’

[Opinião] O Pintassilgo, de Donna Tartt

Sexta-feira, Fevereiro 20, 2015 Post de Célia

1507-1Autor: Donna Tartt
Título Original:
The Goldfinch (2013)
Editora: Editorial Presença
Páginas: 896
ISBN: 9789722353663
Tradutor: Ana Saldanha

 

Sinopse: Theo Decker, um adolescente de 13 anos, vive em Nova Iorque com a mãe com quem partilha uma relação muito próxima e que é a figura parental única, após a separação dos pais pouco antes do trágico acontecimento que dá início a este romance. Theo sobrevive inexplicavelmente ao acidente em que a mãe morre, no dia em que visitavam o Metropolitan Museum. Abandonado pelo pai, Theo é levado para casa da família de um amigo rico. Mas Theo tem dificuldade em se adaptar à sua nova vida em Park Avenue, e sente a falta da mãe como uma dor intolerável. É neste contexto que uma pequena e misteriosa pintura que ela lhe tinha revelado no dia em que morreu se vai impondo a Theo como uma obsessão. E será essa pintura que finalmente, já adulto, o conduzirá a entrar no submundo do crime.

 

Opinião: Ultimamente tenho lido poucos calhamaços; isto deve-se a uma série de motivos, sendo o principal deles o “medo” de me comprometer em leituras tão longas e que me exigem uma dose de esforço adicional para depois correr o risco de não as apreciar por aí além e dar o meu tempo por perdido. Depois, porque implicam – ainda que a nível do subconsciente – com a minha vontade enorme de reduzir a pilha, porque acho sempre que vou demorar séculos a terminar o livro, tempo que poderia gastar a ler outros 2 ou 3. Ao ler o que acabei de escrever, dou-me conta que isto parece um tremendo disparate, até porque muitas vezes um único livro vale umas 10 leituras mais fracas, mas tenho de ser sincera e atualmente é isto que sinto. 

 

O Pintassilgo tem quase 900 páginas e antes de começar a lê-lo ainda tive algumas dúvidas sobre aquilo em que me estava a meter, mas de qualquer modo decidi prosseguir. A história é contada na primeira pessoa por Theo Decker, que no início do livro, na idade adulta, percebemos estar numa situação complicada, devido a uma famosa pintura. Theo decide voltar atrás no tempo e contar-nos a sua história, a partir do dia em que tudo mudou, quando perdeu a sua mãe num ataque terrorista num museu. Antes do ataque, Theo pôde ouvir a sua mãe discorrer sobre uma das poucas pinturas que sobreviveram do pintor holandês Carel Fabritius, pupilo de Rembrandt e professor de Vermeer, de seu nome O Pintassilgo. Theo relata-nos a sua vida após a perda da mãe e até ao presente, o que inclui passagens por casa de amigos e do seu pai distante, enquanto passa pelas loucuras da adolescência e da descoberta do seu eu.

 

É um livro longo, muito longo, mas nem por isso complicado de ler. Donna Tartt escreve muito bem, é possível encontrar passagens belíssimas ao longo do livro, daquelas que temos vontade de guardar num caderno de citações (ou, pelo menos, era o que eu faria se tivesse um). Um relato na primeira pessoa é sempre complicado e pode ter algumas armadilhas difíceis de resolver, mas pareceu-me que a autora encarnou muito bem o papel e teve especial sucesso em captar os sentimentos do luto recente, o “e se?” que por vezes consome e magoa, e de um modo geral o que é crescer-se com sintomas de stress pós-traumático. Depois, toda a ligação de Theo com a pintura é extremamente bem conseguida, e percebemos facilmente que funciona como uma âncora, como um ponto de ligação a uma vida outrora feliz; como ele próprio afirma, “se os nossos segredos nos definem, em oposição ao rosto que mostramos ao mundo: então o quadro era o segredo que me erguia acima da superfície da vida e me permitia saber quem sou.” 

 

A extensão do livro revela-se frequentemente um pau de dois bicos: se, por um lado, permite ao autor espaço para detalhes (com maior ou menor importância para o enredo, mas que são a sua imagem) e ao leitor a possibilidade de mergulhar profundamente na história, por outro lado a dificuldade em se conseguir equilíbrio no nível de interesse que os vários pontos narrativos suscitam, faz com que o leitor corra o risco de uma ou outra vez perder o interesse na história. Ou, pelo menos, foi isso que me aconteceu. De um modo geral, foi uma história que segui com bastante interesse e que várias vezes me cativou por completo, mas houve outras tantas em que dei por mim a pensar na utilidade do que estava a ler para o enredo principal e a desejar que passássemos rapidamente à frente.

 

Ainda assim, o balanço final é bastante positivo. É uma história muito bem escrita, com pontos de reflexão importantes, como o limite ténue entre o bem e o mal ou a forma pessoal como a arte deve ser encarada, e que peca apenas, na minha opinião, por ser um pouco longa demais. Recomendo.

 

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante


6493972Autor: Joaquim Magalhães de Castro
Ano de Publicação:
2009
Editora: Editorial Presença
Páginas: 244
ISBN: 9789722341233

 

Sinopse: Mar das Especiarias é um livro fascinante que combina o melhor da narrativa de viagens com uma aventura em busca de uma herança com séculos de existência. Quase quinhentos anos depois de os primeiros portugueses terem chegado às ilhas Molucas, Joaquim Magalhães de Castro embarca numa viagem de contornos e sabores exóticos com o objectivo de seguir o rasto dos nossos antepassados no arquipélago indonésio. O resultado da investigação é um reencontro surpreendente de culturas distantes, mas indubitavelmente partilhadas. Mar das Especiarias é assim uma obra que assume verdadeira importância na divulgação do nosso património colectivo e que se lê com imensa curiosidade e prazer.

 

Opinião: Ganhei este livro num passatempo, há alguns anos, mas para ser sincera já nem sei porque participei, uma vez que livros de viagens não são propriamente um género que leia com muita frequência, podendo mesmo dizer que se contam pelos dedos de uma mão os que li. Mas sou a favor da diversidade nas leituras e como este ano estou a tentar ler mais coisas de autores portugueses, decidi pegar-lhe.

 

Mar de Especiarias regista a viagem que Joaquim Magalhães de Castro empreendeu a algumas ilhas indonésias em busca de vestígios da passagem portuguesa, nos séculos XVI e XVII, até terem de lá saído por força da chegada dos holandeses. Não era uma faceta dos descobrimentos portugueses que conhecesse minimamente bem, até porque na escola se destaca mais a chegada às Américas e às Índias, por isso foi com alguma surpresa que comecei a ler este livro e a perceber que, em especial no que toca à herança linguística, a presença portuguesa continua a ter bastante impacto. 

 

Tratando-se de um país tão distante, foi interessante descobrir que apelidos tipicamente portugueses, por vezes com ligeiras alterações (Silva, Pareira, etc.), estão tão disseminados. Mas outras coisas foram herdadas da passagem portuguesa por aquelas ilhas: música, dança e mesmo traços físicos; infelizmente, das fortalezas portuguesas ou outros edifícios pouco resta para além de algumas ruínas, canhões e sinos. As variadas fotos que acompanham o relato são excelentes e ajudam a visualizar o que vamos lendo.

 

Foi um livro que comecei a ler com bastante interesse, mas este foi esmorecendo à medida que avançava na leitura. Isto ocorreu devido a diversos fatores, entre eles o facto de estar sempre à espera de uma descoberta com impacto, mas as passagens pelas localidades das diversas ilhas não apresentaram grandes novidades entre si, até que começou a parecer-me tudo mais do mesmo. A grande profusão de nomes de localidades também não ajudou, e apesar de as considerar necessárias acabaram por me baralhar – mesmo tendo em conta a inclusão de um mapa, no início do livro, com a rota da viagem. 

 

Acabou por me parecer um livro com informações interessantes, mas com um relato que às tantas se torna algo aborrecido pela repetição. Para além disso, o pouco tempo que o autor dedicou à visita a várias localidades (por motivos alheios a si) acabou por não deixar que a investigação tivesse a profundidade e o detalhe desejados e que, como o próprio autor refere, fosse “como se começasse a puxar apenas o fio a uma longa, muito longa meada.

 

No final de contas, foi uma leitura que valeu pelo que aprendi, mas da qual esperava mais.

 

Classificação: 2/5 – OK


[Opinião] Endgame – A Chamada, de James Frey e Nils Johnson-Shelton

Segunda-feira, Janeiro 12, 2015 Post de Célia

23298142Autor: James Frey e Nils Johnson-Shelton
Título Original:
Endgame: The Calling (2014)
Série: Endgame #1
Editora: Editorial Presença
Páginas: 464
ISBN: 9789722353984
Tradutor: Maria João Afonso

 

Sinopse: Eles chegaram à Terra há 12 mil anos. Vieram dos céus e criaram a humanidade. Quando se foram embora deixaram um aviso: um dia iriam voltar… E quando voltassem, teria início o grande jogo, o Endgame. Ao longo de dez mil anos, as doze linhagens originais existiram em segredo, mantendo sempre, cada uma delas, um jogador preparado para entrar em ação a qualquer momento. Agora que eles voltaram, os doze jovens jogadores estão a postos para entrarem no grande jogo que decidirá o futuro do planeta e da humanidade. Mas só um pode vencer: quem encontrar primeiro as três chaves escondidas algures na Terra. E é sobre a busca da primeira chave que se centra este primeiro livro da série.

 

Opinião: Endgame – A Chamada é um livro que tem insistentemente sido comparado à série “Os Jogos da Fome”, pelo género em que se insere (ficção científica para jovens adultos) e pelo facto de o enredo contar com uma luta violenta que se irá desenrolar entre 12 jovens. Percebo a referência – que poderá servir tanto para denegrir este livro como uma mera imitação como para fazer com que seja falado e, consequentemente, lido – mas o que me interessou nesta história foi a sua premissa, antes de ter traçado qualquer comparação. Afinal de contas, haverá poucos temas ou elementos de enredo na ficção que não tenham ainda sido utilizados, pelo que mais do que conceitos base interessa ver o que se faz com eles.

 

Neste livro, parte-se da premissa de que a humanidade foi criada por seres alienígenas há 12.000 anos, altura em que apareceram seres humanos de 12 linhagens diferentes. Desde então, ficou o aviso que um dia seria jogado o Endgame, pelo que cada uma dessas linhagens deveria ter o seu Jogador, com idade entre os 13 e os 20 anos, pronto a entrar nesse jogo mortífero, que decidiria qual das linhagens permaneceria viva. A caída de vários meteoritos em diversos pontos do globo é como que uma convocatória aos vários jogadores que Endgame irá começar, e depressa descobrem que o jogo consistirá em encontrar 3 chaves escondidas em todo o planeta.

 

Este primeiro volume do que se prevê ser uma trilogia trata da busca pela primeira dessas três chaves, a chave da Terra. A estrutura adotada é a de múltiplos pontos de vistas de entre os vários Jogadores, apesar de alguns terem mais destaque que outros, em especial a rapariga norte-americana, Sarah Alopay. Para encontrar a primeira chave, os vários Jogadores formam várias (instáveis) alianças entre si à medida que vão avançando na sua demanda.

 

A escrita é bastante cinematográfica, sem grandes floreados. Penso que os autores decidiram focar-se no conteúdo e não na forma, o que não sendo necessariamente mau poderia funcionar contra eles caso o enredo não fosse muito interessante. Se é interessante? Tem os seus momentos. Achei a premissa da história cativante, especialmente no que se refere à nova mitologia da criação da humanidade e das civilizações, mas nem sempre me pareceu que a história tenha sido desenvolvida de uma forma equilibrada, com as doses certas de ação, presença de enigmas e desenvolvimento de personagens. Por vezes, o foco na ação e na sucessão de enigmas é tão premente que não dá espaço a esse tal equilíbrio. Mas lê-se com interesse e o final ganha alguns pontos por não ser completamente previsível.

 

Duas notas antes de terminar a opinião: mexeu-me com os nervos as opções do tradutor/revisor deste livro relativamente a medidas. Confirmei que são os próprios autores que umas vezes falam em centímetros e outras em pés, mas para um leitor português falar-se em pés é a mesma coisa que nada, porque raros serão aqueles que tenham presentes a conversão para centímetros/metros. Por outro lado, há demasiadas notas de rodapé e algumas delas bastante inúteis como uma que contém apenas um link para uma página da wikipedia.

 

A segunda nota é que está a decorrer um concurso a nível internacional, em que o prémio é 500.000$ em ouro, sendo que algumas pistas poderão ser encontradas no próprio livro.

 

Classificação: 3/5 – Gostei


[Opinião] Tehanu – O Nome da Estrela, de Ursula K. Le Guin

Quarta-feira, Dezembro 17, 2014 Post de Célia

7150209Autor: Ursula K. Le Guin
Título Original:
Tehanu (1990)
Série: Terramar #4
Editora: Editorial Presença
Páginas: 224
ISBN: 9789722329514
Tradutor: Carlos Grifo Babo

 

Sinopse: Tehanu é o quarto livro do Ciclo de Terramar. A obra ganhou um prémio Nebula em 1990 e marca um ponto de viragem na série. 17 anos separam Tehanu de A Praia Mais Longínqua e acontecimentos como o renascimento do feminismo. Terramar parece um local diferente neste volume, mas a grande mudança é o ponto de vista. Através de algumas personagens, a autora conduz os leitores a uma nova viagem sob um prisma diferente, mais feminino.

 

Opinião: Tehanu – O Nome da Estrela tem início pouco depois dos acontecimentos finais de A Praia Mais Longínqua, e volta à ilha de Gont onde Tenar (que conhecemos no segundo volume) viveu desde que deixou Atuan. Ficamos a saber que levou uma vida normal, tendo casado e sido mãe de dois filhos e vivendo agora como viúva. Dois acontecimentos alteram a sua rotina: primeiro, uma menina vítima de maus tratos fica sob sua proteção e depois vê regressar Gued, trazido por um dragão depois das provações por que passou.

 

Desde o início que este livro me pareceu, ao contrário dos três anteriores, mais centrado nas suas personagens e desenvolvimento pessoal do que propriamente nos acontecimentos deste mundo imaginário. E achei que isso era bom sinal, porque sinceramente foi algo de que achei falta antes. Claro que os acontecimentos exteriores continuam a influenciar as personagens, em especial a buscar por um novo arquimago, já que o antigo – Gued – perdeu completamente os seus poderes e ainda está a tentar encontrar o seu novo papel.

 

Desde cedo percebemos que Therru, a menina deformada, terá um papel importante na história. As pessoas que lhe fizeram mal continuam a persegui-la e a curiosidade sobre quem ela é ou o que poderá fazer é um dos principais motivos de interesse da história. O outro é a aceitação de Gued sobre quem é atualmente e a ajuda que Tenar lhe dá nesse aspeto.

 

De certo modo, notam-se os 17 anos decorridos entre a escrita do 3.º e o 4.º volumes. Digo isto porque me parece que Ursula K. Le Guin estava aqui mais interessada não em concluir a história mas antes em dar um final (feliz) às suas personagens principais. Por outro lado, acaba por ser um livro mais adulto do que os anteriores, mais que não seja porque os seus protagonistas também o são e os próprios temas (com destaque para o feminismo e a intemporalidade do amor) são tratados com uma outra sensibilidade. A ação também é consideravelmente reduzida, tornando o livro mais introspetivo. Posso dizer que este foi o meu preferido dos quatro, isto apesar da previsibilidade do enredo e dos vilões risíveis.

 

O Ciclo de Terramar conta ainda com mais dois volumes: Tales from Earthsea (2001), um volume que inclui contos e ensaios relacionados com este mundo e também Num Vento Diferente (2005), já publicado em Portugal. Gostei dos quatro volumes que li, mas não o suficiente para investir mais do meu tempo nesta série. Contudo, penso ser uma boa opção para jovens adultos (ou adultos que gostem do género) que estão a iniciar-se no mundo da fantasia. 

 

Classificação: 3/5 – Gostei


[Opinião] A Praia Mais Longínqua, de Ursula K. Le Guin

Terça-feira, Dezembro 16, 2014 Post de Célia

7150200Autor: Ursula K. Le Guin
Título Original:
The Farthest Shore (1972)
Série: Terramar #3
Editora: Editorial Presença
Páginas: 208
ISBN: 9789722329019
Tradutor: Carlos Grifo Babo

 

Sinopse: O Ciclo de Terramar, tantas vezes comparada a clássicos como O Senhor dos Anéis de J.R.R. Tolkien, traz à fantasia e à ficção científica uma nova sensibilidade e um número de admiráveis, impressionantes e simpáticas personagens. É uma tetralogia magnífica; uma saga admirável que despoleta com O Feiticeiro e a Sombra – livro premiado com o ´Boston Globe Horn Book Award of Excellence´ de 1969 – e continua com a publicação de Os Túmulos de Atuan. O universo destas narrativas envolve-nos, desde o princípio, numa atmosfera mágica e deveras inquietante. Este segundo volume é uma obra onde impera o suspense, os encontros místicos, os horrores inomináveis, mas também o sentido de humor. É neste cenário que os destinos dos heróis, Tenar e Gued, irão entrecuzar-se. Tenar, a grande sacerdotisa, é uma criança que foi despojada da própria identidade e afastada da família para se dedicar às entidades do além: Aqueles-Que-Não-Têm-Nome, as forças misteriosas dos túmulos de Atuan. Gued, o jovem feiticeiro, é o bravo herói que arrisca a vida no labirinto proibido em busca do grande tesouro, o famoso Anel de Erreth-Akbe. Ao mesmo tempo, é também sua missão libertar Tenar daquele local tenebroso.

 

Opinião: O enredo de A Praia Mais Longínqua tem início cerca de 20 anos após os eventos que tiveram lugar no volume anterior. Vamos encontrar Gued já como Arquimago de Roke (uma espécie de feiticeiro-mor de Terramar), a receber uma visita do jovem Arren, que lhe traz a mensagem enviada por seu pai, na qual relata a existência de vários sinais a sul do território que mostram que a magia está a perder força e, na pior das hipóteses mesmo a desaparecer.

 

Gued decide partir e levar com ele Arren, não sabendo para onde nem em busca do quê, mas pressentindo que terá de fazer essa viagem e que os sinais indicadores irão surgindo no decorrer da mesma. Esta viagem leva-os (e a nós, leitores) por vários locais de Terramar, uns já conhecidos e outros nem por isso. Apesar de a demanda ser bastante dispersa geograficamente, acaba por se revelar não só uma viagem física mas também espiritual, no sentido em que Gued, já mais maduro e sábio, parece finalmente encontrar o sentido para a sua existência, e Arren – personagem cujo ponto de vista predomina – eleva-se para além da mediania que ele próprio considerava ser uma característica sua.

 

É um livro com uma componente filosófica forte, cujo grande tema acaba por ser a dicotomia vida-morte e a inevitabilidade desta última. Isto acaba por se refletir num ritmo mais pausado, que por vezes achei que funciona muito bem tendo em conta o tema do livro, e noutras achei que o tornava demasiado monótono. Em relação à escrita de Ursula K. Le Guin, já pouco mais há a acrescentar, e para mim é mesmo o ponto alto destes livros.

 

Parto, assim, para o quarto volume da série com expectativas moderadas e alguma curiosidade em relação ao que se segue.

 

Classificação: 3/5 – Gostei