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Arquivo da categoria ‘Editorial Presença’

[Opinião] Tehanu – O Nome da Estrela, de Ursula K. Le Guin

Wednesday, December 17, 2014 Post de Célia

7150209Autor: Ursula K. Le Guin
Título Original:
Tehanu (1990)
Série: Terramar #4
Editora: Editorial Presença
Páginas: 224
ISBN: 9789722329514
Tradutor: Carlos Grifo Babo

 

Sinopse: Tehanu é o quarto livro do Ciclo de Terramar. A obra ganhou um prémio Nebula em 1990 e marca um ponto de viragem na série. 17 anos separam Tehanu de A Praia Mais Longínqua e acontecimentos como o renascimento do feminismo. Terramar parece um local diferente neste volume, mas a grande mudança é o ponto de vista. Através de algumas personagens, a autora conduz os leitores a uma nova viagem sob um prisma diferente, mais feminino.

 

Opinião: Tehanu – O Nome da Estrela tem início pouco depois dos acontecimentos finais de A Praia Mais Longínqua, e volta à ilha de Gont onde Tenar (que conhecemos no segundo volume) viveu desde que deixou Atuan. Ficamos a saber que levou uma vida normal, tendo casado e sido mãe de dois filhos e vivendo agora como viúva. Dois acontecimentos alteram a sua rotina: primeiro, uma menina vítima de maus tratos fica sob sua proteção e depois vê regressar Gued, trazido por um dragão depois das provações por que passou.

 

Desde o início que este livro me pareceu, ao contrário dos três anteriores, mais centrado nas suas personagens e desenvolvimento pessoal do que propriamente nos acontecimentos deste mundo imaginário. E achei que isso era bom sinal, porque sinceramente foi algo de que achei falta antes. Claro que os acontecimentos exteriores continuam a influenciar as personagens, em especial a buscar por um novo arquimago, já que o antigo – Gued – perdeu completamente os seus poderes e ainda está a tentar encontrar o seu novo papel.

 

Desde cedo percebemos que Therru, a menina deformada, terá um papel importante na história. As pessoas que lhe fizeram mal continuam a persegui-la e a curiosidade sobre quem ela é ou o que poderá fazer é um dos principais motivos de interesse da história. O outro é a aceitação de Gued sobre quem é atualmente e a ajuda que Tenar lhe dá nesse aspeto.

 

De certo modo, notam-se os 17 anos decorridos entre a escrita do 3.º e o 4.º volumes. Digo isto porque me parece que Ursula K. Le Guin estava aqui mais interessada não em concluir a história mas antes em dar um final (feliz) às suas personagens principais. Por outro lado, acaba por ser um livro mais adulto do que os anteriores, mais que não seja porque os seus protagonistas também o são e os próprios temas (com destaque para o feminismo e a intemporalidade do amor) são tratados com uma outra sensibilidade. A ação também é consideravelmente reduzida, tornando o livro mais introspetivo. Posso dizer que este foi o meu preferido dos quatro, isto apesar da previsibilidade do enredo e dos vilões risíveis.

 

O Ciclo de Terramar conta ainda com mais dois volumes: Tales from Earthsea (2001), um volume que inclui contos e ensaios relacionados com este mundo e também Num Vento Diferente (2005), já publicado em Portugal. Gostei dos quatro volumes que li, mas não o suficiente para investir mais do meu tempo nesta série. Contudo, penso ser uma boa opção para jovens adultos (ou adultos que gostem do género) que estão a iniciar-se no mundo da fantasia. 

 

Classificação: 3/5 – Gostei


[Opinião] A Praia Mais Longínqua, de Ursula K. Le Guin

Tuesday, December 16, 2014 Post de Célia

7150200Autor: Ursula K. Le Guin
Título Original:
The Farthest Shore (1972)
Série: Terramar #3
Editora: Editorial Presença
Páginas: 208
ISBN: 9789722329019
Tradutor: Carlos Grifo Babo

 

Sinopse: O Ciclo de Terramar, tantas vezes comparada a clássicos como O Senhor dos Anéis de J.R.R. Tolkien, traz à fantasia e à ficção científica uma nova sensibilidade e um número de admiráveis, impressionantes e simpáticas personagens. É uma tetralogia magnífica; uma saga admirável que despoleta com O Feiticeiro e a Sombra – livro premiado com o ´Boston Globe Horn Book Award of Excellence´ de 1969 – e continua com a publicação de Os Túmulos de Atuan. O universo destas narrativas envolve-nos, desde o princípio, numa atmosfera mágica e deveras inquietante. Este segundo volume é uma obra onde impera o suspense, os encontros místicos, os horrores inomináveis, mas também o sentido de humor. É neste cenário que os destinos dos heróis, Tenar e Gued, irão entrecuzar-se. Tenar, a grande sacerdotisa, é uma criança que foi despojada da própria identidade e afastada da família para se dedicar às entidades do além: Aqueles-Que-Não-Têm-Nome, as forças misteriosas dos túmulos de Atuan. Gued, o jovem feiticeiro, é o bravo herói que arrisca a vida no labirinto proibido em busca do grande tesouro, o famoso Anel de Erreth-Akbe. Ao mesmo tempo, é também sua missão libertar Tenar daquele local tenebroso.

 

Opinião: O enredo de A Praia Mais Longínqua tem início cerca de 20 anos após os eventos que tiveram lugar no volume anterior. Vamos encontrar Gued já como Arquimago de Roke (uma espécie de feiticeiro-mor de Terramar), a receber uma visita do jovem Arren, que lhe traz a mensagem enviada por seu pai, na qual relata a existência de vários sinais a sul do território que mostram que a magia está a perder força e, na pior das hipóteses mesmo a desaparecer.

 

Gued decide partir e levar com ele Arren, não sabendo para onde nem em busca do quê, mas pressentindo que terá de fazer essa viagem e que os sinais indicadores irão surgindo no decorrer da mesma. Esta viagem leva-os (e a nós, leitores) por vários locais de Terramar, uns já conhecidos e outros nem por isso. Apesar de a demanda ser bastante dispersa geograficamente, acaba por se revelar não só uma viagem física mas também espiritual, no sentido em que Gued, já mais maduro e sábio, parece finalmente encontrar o sentido para a sua existência, e Arren – personagem cujo ponto de vista predomina – eleva-se para além da mediania que ele próprio considerava ser uma característica sua.

 

É um livro com uma componente filosófica forte, cujo grande tema acaba por ser a dicotomia vida-morte e a inevitabilidade desta última. Isto acaba por se refletir num ritmo mais pausado, que por vezes achei que funciona muito bem tendo em conta o tema do livro, e noutras achei que o tornava demasiado monótono. Em relação à escrita de Ursula K. Le Guin, já pouco mais há a acrescentar, e para mim é mesmo o ponto alto destes livros.

 

Parto, assim, para o quarto volume da série com expectativas moderadas e alguma curiosidade em relação ao que se segue.

 

Classificação: 3/5 – Gostei


[Opinião] Os Túmulos de Atuan, de Ursula K. Le Guin

Wednesday, December 10, 2014 Post de Célia

7150186Autor: Ursula K. Le Guin
Título Original:
The Tombs of Atuan (1970)
Série: Terramar #2
Editora: Editorial Presença
Páginas: 152
ISBN: 9789722328753
Tradutor: Carlos Grifo Babo

 

Sinopse: O Ciclo de Terramar, tantas vezes comparada a clássicos como O Senhor dos Anéis de J.R.R. Tolkien, traz à fantasia e à ficção científica uma nova sensibilidade e um número de admiráveis, impressionantes e simpáticas personagens. É uma tetralogia magnífica; uma saga admirável que despoleta com O Feiticeiro e a Sombra – livro premiado com o ´Boston Globe Horn Book Award of Excellence´ de 1969 – e continua com a publicação de Os Túmulos de Atuan. O universo destas narrativas envolve-nos, desde o princípio, numa atmosfera mágica e deveras inquietante. Este segundo volume é uma obra onde impera o suspense, os encontros místicos, os horrores inomináveis, mas também o sentido de humor. É neste cenário que os destinos dos heróis, Tenar e Gued, irão entrecuzar-se. Tenar, a grande sacerdotisa, é uma criança que foi despojada da própria identidade e afastada da família para se dedicar às entidades do além: Aqueles-Que-Não-Têm-Nome, as forças misteriosas dos túmulos de Atuan. Gued, o jovem feiticeiro, é o bravo herói que arrisca a vida no labirinto proibido em busca do grande tesouro, o famoso Anel de Erreth-Akbe. Ao mesmo tempo, é também sua missão libertar Tenar daquele local tenebroso.

 

Opinião: O Feiticeiro e a Sombra deixou-me intrigada em relação ao que se seguiria nesta série. Por isso, foi com naturalidade que decidi partir de imediato para a leitura do segundo volume, este Os Túmulos de Atuan.

 

Para minha surpresa, este volume não começa imediatamente a seguir aos acontecimentos do primeiro, nem sequer retoma a vida de Gued, o protagonista daquele. Em vez disso, seguimos a vida da pequena Tenar que, por ter nascido no dia em que a Sacerdotisa dos Túmulos de Atuan morreu, é levada da família para ocupar o seu lugar. Assim, na primeira metade deste livro acompanhamos Tenar, agora Arha, a Devorada, na aprendizagem das suas funções, enquanto que, com a curiosidade natural da juventude, se vai aventurando nos labirínticos túmulos.

 

Mais ou menos a meio do livro, quando Arha tem quinze anos, surge de novo o nosso conhecido Gued, que visita os Túmulos de Atuan em busca da metade perdida do anel de Errth-Akbe, tentando cumprir a profecia que diz que quando o anel estiver inteiro se restaurará a paz em Terramar. Apesar das suas reticências iniciais, Arha acaba por ajudar Gued e, por isso, encontra o seu lugar no mundo.

 

À semelhança do volume anterior, também este livro é uma história de transição para a idade adulta, ou bildungsroman (aprendi esta palavra por causa destes livros, tive de partilhar). Arha, ou Tenar, vive num mundo oprimido, com uma série de preconceitos e com o destino da sua vida traçada. A sua inquietude e vontade de saber são determinantes para que aprenda a questionar as coisas por si própria e ver para além dos limites que lhe são impostos.

 

Acaba por ser uma história interessante, mais uma vez muito bem escrita, mas que pessoalmente não me arrebatou mais do que o volume anterior. Ainda assim, reconheço os méritos da série e vou ler os dois volumes seguintes, sempre com a noção que estou a fazê-lo talvez um pouco tarde demais.

 

Classificação: 3/5 – Gostei


[Opinião] O Feiticeiro e a Sombra, de Ursula K. Le Guin

Monday, December 8, 2014 Post de Célia

7150168Autor: Ursula K. Le Guin
Título Original:
A Wizard of Earthsea (1968)
Série: Terramar #1
Editora: Editorial Presença
Páginas: 184
ISBN: 9789722328173
Tradutor: Carlos Grifo Babo

 

Sinopse: Numa terra longínqua chamada Terramar vive o maior de todos os arquimagos. O seu nome é Gued, mas há muito tempo atrás, ele era um jovem chamado Gavião, um ser estranho, irrequieto e sedento de poder e sabedoria, que se tornou aprendiz de feiticeiro. Neste livro conta-se a história da sua iniciação no mundo da magia e dos desafios que teve que superar depois de ter profanado antigos segredos e libertado uma negra e pérfida sombra sobre o mundo. Aprendeu a usar as palavras que libertavam poder mágico, domou um dragão de tempos imemoriais e teve que atravessar perigos de morte para manter o equilíbrio de Terramar. No meio de um suspense quase insustentável, de encontros místicos, de amizades inquebrantáveis, de sábios poderosos e de forças tenebrosas do reino das trevas e da morte, Gued não pode vacilar, qualquer fraqueza sua fará perigar o equilíbrio que sustenta o mundo… e a sombra maléfica que ele libertou, gélida e silenciosa, só está à espera desse momento para devastar, com as suas asas negras, o mundo inteiro.

 

Opinião: Apesar de a série “Terramar” vir catalogada como tendo público-alvo os jovens adultos, a minha expectativa era imensa. Por dois motivos: porque a sua autora é a Ursula K. Le Guin (de quem adorei Os Despojados e O Tormento dos Céus) e porque várias pessoas em cuja opinião confio leram e gostaram bastante. 

 

“Terramar” é uma das séries mais famosas dentro do género fantástico, e este seu primeiro volume é, penso eu, a típica fantasia que inclui um extenso worldbuilding (apesar de ser um livro curto), uma personagem central que vai percorrendo vários locais deste mundo imaginário, e a magia como um dos pontos fulcrais do enredo. Percebo agora também algumas comparações feitas entre este livro e a série “Harry Potter”, já que, pelos vistos, este foi o livro que introduziu a ideia de escola de feitiçaria.

 

O protagonista desta história é Gued (não concordo com a alteração em relação ao original Ged, mas percebo que o tradutor quis que “disséssemos” o nome como a autora pretendeu), um jovem oriundo de uma das ilhas de Terramar conhecida por ser berço de alguns feiticeiros de renome, que desde cedo se sente atraído com as possibilidades que a magia lhe oferece. De tal modo que decide entrar numa escola para feiticeiros, longe de casa, onde passa alguns anos a aprender as várias vertentes da arte. Só que a sua juventude e imaturidade levam-no a praticar magia perigosa, o que resulta na sua quase morte e no despertar de uma sombra, que se transforma no arqui-inimigo de Gued. A sombra torna-se na sua própria sombra, perseguindo-o para onde ele vai, sem que o nosso protagonista consiga arranjar maneira de a eliminar definitivamente.

 

Em Terramar, as palavras têm uma importância fundamental. Todas as coisas têm um nome e as pessoas têm normalmente um segundo nome, pelo qual são conhecidas, porque saber o primeiro nome de alguém faz com que se tenha poder sobre essa pessoa. Gued quer descobrir o nome da sombra, porque pensa que esta é a única forma de a eliminar.

 

Tenho de confessar que estava à espera de ficar mais arrebatada por esta história. A escrita é muito boa e evocativa (como já estava à espera) e o worldbuilding notável para um livro deste tamanho, mas penso que este último fator acaba por roubar um pouco de “tempo de antena” ao desenvolvimento da personagem principal e da sua relação com as secundárias, tornando-a assim um pouco menos empática do que eu desejaria. Os próprios acontecimentos em seu redor parecem, por vezes, decorrerem demasiado depressa. O final, contudo, é muito interessante e todo o tratamento que Ursula K. Le Guin dá ao tema da evolução do ser humano através da aceitação do passado e das suas características mais negras é digno de nota.

 

Sem ter sido uma leitura arrebatadora, foi suficientemente interessante para me deixar intrigada em relação ao que se segue.

 

Classificação: 3/5 – Gostei


[Opinião] O Trono de Jade, de Naomi Novik

Tuesday, November 18, 2014 Post de Célia

5462302Autor: Naomi Novik
Título Original:
Throne of Jade (2006)
Série: Téméraire #2
Editora: Editorial Presença
Páginas: 327
ISBN: 9789722339841
Tradutor: Afonso Arouca

 

Sinopse: Will Laurence e o seu magnífico Téméraire encontram-se em grandes apuros. Na longínqua China, descobriu-se finalmente que o ovo destinado a Napoleão caiu nas mãos erradas, e agora uma imponente embaixada deslocou-se à Grã-Bretanha e não pretende ir-se embora sem recuperar um dos seus dragões mais raros e valiosos. O governo britânico não pode arriscar a ver a superpotência asiática aliar-se aos franceses, mesmo que isso lhe custe a sua arma mais preciosa. Com o que não contava era com a recusa de Laurence e Téméraire – e todos sabemos o que pode acontecer quando um dragão como ele se enfurece. A única solução parece ser enviá-los a ambos para o Extremo Oriente, e assim começará uma viagem repleta de intrigas e descobertas alarmantes. Mas, se esta lhes parecerá um pesadelo, não será nada comparada com aquilo que estão prestes a encontrar na corte do Imperador… Neste novo volume, as cenas de acção serão ainda mais espantosas, o enredo ainda mais surpreendente e a mistura de fantasia e história ainda mais apelativa. Conseguirá o leitor acompanhá-los nesta aventura?

 

Opinião: O primeiro volume da série Téméraire não me convenceu totalmente: se, por um lado, achei muito boa a premissa do livro, a escrita competente e o worldbuilding bem conseguido, por outro o desenvolvimento das personagens e o próprio enredo acabaram por deixar a desejar, isto apesar de considerar que a relação entre o dragão Téméraire e o seu aviador, Laurence, são o ponto alto do livro. Por isso, a expectativa em relação ao segundo volume era alguma, a fim de avaliar se valeria a pena continuar ou não a série.

 

Depois de descoberta a identidade de Téméraire, e de sabermos que ele é um dragão do tipo Celestial, espécie chinesa raríssima e valiosa, é com naturalidade que o enredo deste segundo volume se inicia com a visita de um príncipe chinês a Inglaterra a fim de resgatar um dragão que originalmente pertencia ao seu país. Isto implicaria o afastamento de Laurence do dragão, algo contra o qual ambos lutam. Acaba por se chegar a um meio-termo, e decide-se que Téméraire deverá rumar à China, mas com Laurence a fazer-lhe companhia.

 

Boa parte do livro é passada durante a viagem marítima entre Inglaterra e Índia, que acaba por incluir algumas peripécias interessantes, conflitos entre os tripulantes e alguns recuos e avanços na relação entre o dragão e o seu aviador. A chegada à China tem vários pontos interessantes, nomeadamente mais desenvolvimentos na ascendência de Téméraire e também alguma intriga política.

 

Demorei praticamente duas semanas a ler metade deste livro, o que por si só é revelador do (pouco) interesse que me despertou. Dei por mim a arrastar a leitura: lia duas ou três páginas e só me apetecia fechar o livro e ir fazer outra coisa qualquer. Acabei por terminar o livro mais por teimosia do que por outro motivo.

 

É verdade que Naomi Novik escreve bem, mas desta vez não tive interesse suficiente no enredo para tolerar o seu estilo floreado e lento. Desta vez, achei Laurence uma personagem ainda menos cativante do que no primeiro volume e houve poucos pontos de contacto comigo, como leitora. A relação entre ele e Téméraire continua a ser um dos trunfos do livro, mas de certo forma perdeu um pouco de novidade.

 

No final de contas, acabou por ser um livro que me deixou indiferente. Falhou em cativar-me a diversos níveis e aquilo que achei interessante não foi suficiente para poder dizer que gostei do que li ou para querer continuar esta série. É pena.

 

Classificação: 2/5 – OK