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Arquivo da categoria ‘Editorial Presença’

O Tormento dos Céus

Wednesday, March 19, 2014 Post de Célia

9466427Autor: Ursula K. Le Guin
Título Original:
The Lathe of Heaven (1971)
Editora: Editorial Presença
Páginas: 180
ISBN: 9789722331562
Tradutor: Carlos Grifo Babo

 

Sinopse: O Tormento dos Céus, escrito em 1971, conta a história de um homem, George Orr, que possui a capacidade de através dos sonhos conseguir transformar a realidade. O excesso de medicação que ingere leva-o a consultar um psiquiatra, o Dr. Haber, que o submete a sucessivas experiências com máquinas cada vez mais sofisticadas para conseguir, através dele, alterar o que está mal no mundo. Uma obra-prima surpreendentemente actual.

 

Opinião: As minhas experiências com Ursula K. Le Guin resumiam-se, até à data, a um começo algo duvidoso com Lavínia e uma leitura muito positiva com Os Despojados. Ficou, desde então, a vontade de voltar a esta autora e estava a contar fazê-lo com a série Earthsea, que comprei na última Feira do Livro, na qual também adquiri, sem contar com isso, este O Tormento dos Céus. E que excelente regresso a esta autora.

 

George Orr é um homem com o poder de mudar o mundo com os seus sonhos. Quando ele sonha com determinado acontecimento, seja ele de pequena ou grande dimensão, assim que acorda esse acontecimento torna-se uma realidade, transformando o mundo retroativamente. A pressão psicológica que um poder destes exerce sobre George leva-o a consumir drogas para parar de sonhar ou, em último caso, de dormir. Só que no mundo em que George vive, a cidade de Portland no ano 2002 (portanto, 31 anos no futuro em relação à data em que este livro foi escrito), a compra de medicamentos é bastante controlada e George é apanhado a utilizar cartões de outras pessoas e, por isso, enviado para um psiquiatra no âmbito de um programa de tratamento voluntário.

 

Assim que o psiquiatra, Dr. Haber, se apercebe do poder que George tem, começa a orientá-lo para ter determinados sonhos que não só vão de encontro a ambições pessoais como têm como objetivo de “melhorar” o mundo em que vivemos: esses sonhos originam alterações como a eliminação de biliões de pessoas para resolver o “problema” da sobrepopulação e da consequente falta de recursos, ou a mudança da cor de pele de todos os humanos para a mesma cor de modo a evitar a discriminação racial.

 

Este é um livro que trata, sem dúvida, de questões muito interessantes. A principal é a vontade que o ser humano tem de moldar o planeta em que vive aos seus desejos (representados pelos sonhos nesta história), muitas vezes passando por cima daquelas que deveriam ser as suas preocupações centrais em termos de sustentabilidade. O livro chama a atenção para a responsabilidade que o ser humano tem em relação às suas ações, em que muitas vezes vemos refletida a vontade de assumir o papel de Deus (ou, pelo menos, do poder que é atribuído a esta figura mítica). As duas personagens centrais são antagónicas, no sentido em que um tem o poder mas acha que o mundo deve seguir o seu ritmo, enquanto que o outro considera que esse poder deve ser utilizado em prol do bem maior, e que os fins justificam os meios.

 

A juntar ao tema interessante, temos uma história desenvolvida a bom ritmo e que demonstra que não é preciso escrever um calhamaço para conseguir um enredo rico e cativante. As personagens estão também bem desenvolvidas porque se mostram ao leitor humanas, com os seus defeitos, virtudes e dilemas. Por fim, e não menos importante, que escrita maravilhosa. Ursula K. Le Guin apresenta-nos aqui uma prosa cuidada mas cativante, que embala o leitor ao longo destas páginas que desejamos nunca chegarem ao seu final. 

 

Portanto, adorei este livro. A premissa cativou-me desde o início, fui ficando rendida à escrita e achei maravilhosa a forma como a autora explora assuntos que ainda hoje, passados 43 anos da publicação deste livro, continuam bastante atuais. Uma autora para continuar a descobrir.

 

Classificação: 5/5 – Adorei


O Inverno do Mundo

Wednesday, February 5, 2014 Post de Célia

15838077Autor: Ken Follett
Título Original:
Winter of the World (2012)
Editora: Editorial Presença
Páginas: 832
ISBN: 9789722348768
Tradutor: Isabel Nunes e Helena Sobral

 

Sinopse: Depois do extraordinário êxito de repercussão internacional alcançado pelo primeiro livro desta trilogia, A Queda dos Gigantes, retomamos a história no ponto onde a deixámos. A segunda geração das cinco famílias cujas vidas acompanhámos no primeiro volume assume pouco a pouco o protagonismo, a par de figuras históricas e no contexto das situações reais, desde a ascensão do Terceiro Reich, através da Guerra Civil de Espanha, durante a luta feroz entre os Aliados e as potências do Eixo, o Holocausto, o começo da era atómica inaugurada em Hiroxima e Nagasáqui, até ao início da Guerra Fria. Como no volume anterior, a totalidade do quadro é-nos oferecido como um vasto fresco que evolui a um ritmo de complexidade sempre crescente.

 

Opinião: Depois de ter lido A Queda dos Gigantes no final do ano passado, e como já tinha o segundo volume da trilogia disponível, decidi avançar com esta leitura antes que os detalhes da história de desvanecessem. Se o primeiro volume incidia principalmente sobre os acontecimentos que antecederam a Primeira Guerra Mundial e o evento propriamente dito, este O Inverno do Mundo faz o mesmo mas para a Segunda Guerra Mundial. A lógica é muito semelhante: vamos seguindo várias famílias presentes nos principais países envolvidos no conflito, as mesmas do volume anterior mas aqui sob o ponto de vista de alguns dos seus descendentes. As vidas destas pessoas voltam a ser o foco principal do livro, e os acontecimentos históricos vão servindo de pano de fundo das suas vidas.

 

Na primeira parte do livro, Ken Follett situa o leitor quanto às personagens já nossas conhecidas e aos seus descendentes, dando especial ênfase à situação na Alemanha, com a subida do Partido Nazi ao poder. Mas não foi só na Alemanha que o fascismo criou raízes: não fazia ideia que tinha sido uma ideologia com tantos adeptos em Inglaterra e que conduziu mesmo a uma batalha nas ruas de Londres.

 

Entrando no conflito, os vários eventos vão sendo relatados de forma cronológica, e cobrem a repressão nazi na Alemanha e as atrocidades por lá cometidas, o Blitz na Inglaterra, a espionagem entre os vários países envolvidos no conflito, o ataque a Pearl Harbour e o desenvolvimento da bomba atómica, entre outros. Ao contrário do que a sinopse afirma, o Holocausto é um tema que praticamente não é abordado neste livro. Ao optar por apenas relatar os acontecimentos que as suas personagens presenciam, Ken Follett acabou por colocar muitas delas em situações que por vezes desafiam a sua verosimilhança, pelas constantes coincidências e presença em vários momentos fulcrais da história. Contudo, o autor não colocou nenhuma das suas personagens num contexto de campo de concentração. Não sei se por achar que nenhuma delas teria motivos suficientes para lá estar ou se quis mesmo deixar essa questão para um plano muito secundário por ser um assunto que já foi tratado com bastante exaustão na literatura. Seja como for, o Holocausto foi um dos acontecimentos mais marcantes da Segunda Guerra Mundial e, na minha opinião, devia ter sido mais desenvolvido neste livro. De resto, os vários temas são abordados com detalhe e, parece-me, precisão histórica. Aprendi diversas coisas sobre a Segunda Guerra Mundial que desconhecia.

 

Sem grande surpresa, a parte ficcional do livro foi a que menos gostei. Digo isto porque tendo lido o volume anterior já sabia o que esperar: drama novelesco com muita previsibilidade à mistura. Não é, de todo, o meu tipo de enredo preferido. Quanto a Ken Follett, tem o mérito do trabalho de pesquisa exaustivo, mas não o considero um escritor particularmente brilhante. Acredito que a minha opinião não seja muito popular, mas acho que ele desenvolve as personagens de uma forma muito básica e superficial e não lhes dá grande profundidade. O que não deixa de ser “notável”, tendo em conta que cerca de boa parte do livro gira à volta das personagens que criou.

 

É uma leitura interessante pela componente histórica, rápida pela forma como o livro está escrito (vários capítulos e sub-capítulos), mas que, quanto a mim, peca por não ter uma parte ficcional com o mesmo nível de interesse. A trilogia completa-se com Edge of Eternity, que sai em setembro deste ano e que terá como pano de fundo a Guerra Fria. Ainda estou indecisa quanto a lê-lo, mas o mais provável é que não venha a pegar-lhe.

 

Classificação: 3/5 – Gostei


E as Montanhas Ecoaram

Monday, January 20, 2014 Post de Célia

Liv01040550_fAutor: Khaled Hosseini
Título Original:
And the Mountains Echoed (2013)
Editora: Editorial Presença
Páginas: 392
ISBN: 9789722350587
Tradutor: Manuel Alberto Vieira e Alberto Gomes

 

Sinopse: 1952. Em Shadbagh, uma pequena aldeia no Afeganistão, Saboor é um pai que um dia se vê obrigado a tomar uma das decisões mais difíceis da sua vida: vender a filha mais nova, Pari, a um casal abastado em Cabul e assim poder continuar a sustentar a restante família. A separação é particularmente devastadora para Abdullah, o irmão mais velho que cuidou de Pari desde a morte da mãe de ambos. Nenhum dos dois imaginava que aquela viagem até à capital iria instalar um vazio nas suas vidas que seria capaz de atravessar décadas e quilómetros e condicionar os seus destinos… 
Neste seu terceiro romance, “E as Montanhas Ecoaram”, Khaled Hosseini traz-nos uma belíssima e comovente saga familiar que reflete sobre como os laços que nos unem sobrevivem aos obstáculos que a vida nos impõe.

 

Opinião: Mil Sóis Replandecentes foi um livro que me marcou bastante, quando o li há quase 6 anos (como o tempo passa!), porque me emocionou enquanto aprendia mais sobre a crueldade que existiu e continua a existir no nosso mundo. Khaled Hosseini já tinha, à data, outro livro publicado (O Menino de Cabul), mas por um ou outro motivo nunca cheguei a comprá-lo nem a lê-lo. No ano passado, publicou o primeiro livro em 6 anos, precisamente este E as Montanhas Ecoaram, e pareceu-me a altura ideal para regressar ao autor.

 

Começo por dizer que a sinopse é enganadora. Quem a lê pensa que a separação dos dois irmãos afegãos, Abdullah e Pari, é o fio condutor desta história e que são eles as personagens principais. Na verdade, eles são apenas duas das peças do puzzle que é este livro, que percorre uma miríade de épocas, personagens, gerações e temas. A história dos dois irmãos é aquela que inicia o livro e, junte-se isso ao facto de conter um acontecimento traumático para ambos, torna-se difícil não se transformar na história a que o leitor mais se agarra.

 

Mas depressa somos “arrancados” deste drama e começamos a conhecer as histórias das pessoas que giram à volta de Abdullah e Pari: a madrasta deles e a sua irmã; o irmão da madrasta, que trabalha em Cabul numa casa de gente rica; o patrão deste último e a sua mulher; dois primos que viviam nesse bairro rico de Cabul e que imigram para os Estados Unidos; um combatente nas guerras do Afeganistão e que vive de negócios obscuros; um cirugião plástico que se encontra no Afeganistão a fazer trabalho voluntário. E assim, ao longo de quase 400 páginas, vamos conhecendo este rol de personagens, cada qual com as suas histórias de vida, pontuadas por escolhas que, mesmo parecendo insignificantes, acabam por se tornar decisivas.

 

Parece-me que Khaled Hosseini desejou, com este livro, pintar um mosaico não propriamente da realidade afegã (apesar de esta ter relevância no enredo) mas da variedade de pessoas que de algum modo se relacionam com o país: afegãos que ficaram, afegãos que partiram, pessoas de outras nacionalidades que se apaixonaram pelo país… Todos eles contribuindo para o Afeganistão que hoje existe. 

 

Apesar de a multiplicidade de pontos de vista ter o seu interesse porque ajuda a enriquecer o livro pela variedade de experiências de vida, quanto a mim dificulta bastante que o leitor consiga sentir-se emocionalmente ligado à vida destas pessoas. Quando começamos a ficar realmente interessados no futuro de determinada personagem, esta desaparece e ou ficamos sem saber o que lhe aconteceu ou temos uma breve referência numa das outras secções do livro. A história dos dois irmãos, que me cativou no início, demorou tanto a ser “resolvida” que quando isso aconteceu já tinha perdido grande parte do interesse. 

 

Gostei da escrita, que tem momentos belíssimos, em especial no que se refere à evocação de imagens. Mas tenho pena que o enredo nunca tenha passado de interessante para algo realmente cativante. Portanto, gostei do livro mas ainda assim a sensação que fica é a de desilusão pelas enormes expectativas criadas antes de o ler.

 

Classificação: 3/5 – Gostei


A Queda dos Gigantes

Thursday, November 28, 2013 Post de Célia

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Autor: Ken Follett
Título Original:
Fall of Giants (2010)
Editora: Editorial Presença
Páginas: 921
ISBN: 9789722344289
Tradutor: Alice Rocha

 

Sinopse: Em A Queda dos Gigantes, o primeiro volume da trilogia “O Século”, as vidas de 5 famílias – americana, alemã, russa, inglesa e escocesa – cruzam-se durante o período tumultuoso da Primeira Grande Guerra, da Revolução Russa e do Movimento Sufragista.
Neste primeiro volume, que começa em 1911 e termina em 1925, travamos conhecimento com as cinco famílias que nas suas sucessivas gerações virão a ser as grandes protagonistas desta trilogia. Os membros destas famílias não esgotam porém a vasta galeria de personagens, incluindo mesmo figuras reais como Winston Churchill, Lenine e Trotsky, o general Joffreou ou Artur Zimmermann, e irão entretecer uma complexidade de relações entre paixões contrariadas, rivalidades e intrigas, jogos de poder, traições, no agitado quadro da Primeira Grande Guerra, da Revolução Russa e do movimento sufragista feminino.
Um extraordinário fresco, excepcional no rigor da investigação e brilhante na reconstrução dos tempos e das mentalidades da época.

 

Opinião: Vocês quiseram que eu lesse A Queda dos Gigantes durante o mês de novembro e, após cerca de 3 semanas de leitura e quase 1000 páginas, aqui estou eu para vos dizer o que achei. Este livro é o primeiro de uma trilogia que, até ao presente, já conta com 2 livros e que pretende, basicamente, apresentar a história de um conjunto de personagens fictícias tendo como contexto os principais acontecimentos históricos que marcaram o século XX. Esta descrição é importante para que se perceba em que consiste este ambicioso livro do escritor: a componente histórica tem bastante relevância e é aprofundada com bastante detalhe, mas são as personagens fictícias criadas pelo autor, as suas vidas e desafios, que assumem o papel central deste livro.

 

As 5 famílias a que a sinopse se refere são oriundas, convenientemente, dos participantes mais “importantes” da Primeira Guerra Mundial: Reino Unido, Alemanha, Rússia e Estados Unidos. São pessoas de diferentes estratos sociais, com experiências de vida muito diversas e que nos são apresentadas num contexto pré-guerra que nos dá uma ideia muito bem conseguida do que era a sociedade de então nos países referidos. Nesta fase, o autor consegue igualmente explicar de forma clara a complexidade de acontecimentos que originaram o primeiro conflito mundial do século XX. Confesso que já não recordava muito das aulas de História de há quase 15 anos, mas foi com muito interesse que recordei todos estes acontecimentos.

 

A secção do livro dedicada aos quatro anos que durou a Primeira Guerra Mundial é também o mais longo e aborda de forma detalhada as principais batalhas ocorridas, as tentativas de paz, os avanços e recuos na guerra das trincheiras e a decisiva participação dos Estados Unidos da América na Guerra. Também a Revolução Vermelha na Rússia é descrita com bastante detalhe, e o leitor pode acompanhar todos os acontecimentos relevantes que originaram a subida dos Bolcheviques ao poder num país que vivia há séculos sob o jugo dos czares. Ao mesmo tempo, são abordados temas sociais, com especial destaque para a luta pela implementação do voto feminino no Reino Unido. 

 

Ora bem, e depois disto tudo, como é que correu a leitura e o que é que eu achei do livro? O maior ponto positivo foi decididamente a componente histórica e o que (re)aprendi com este livro. O nível de detalhe é grande e, apesar de algumas partes que, na minha opinião, acabam por se arrastar em demasia e quebrar um pouco a dinâmica do livro (nomeadamente no que se refere à Revolução Russa), foi quase sempre com prazer que li sobre todos os acontecimentos históricos que rodearam a Primeira Guerra Mundial. O autor deixou notavelmente de fora da história os conflitos que decorreram fora da Europa e pouco fala dos países com participação mais moderada (em termos de número de soldados) na Guerra: Portugal, por exemplo, é apenas referido aquando das discussões do tratado de paz e a intervenção do representante português acaba por ser ridícula.

 

Como disse no início, apesar da forte componente histórica, este é um livro sobre pessoas e as suas lutas pessoais. E foi aqui que o livro me desiludiu. O galês Billy Williams, com a sua coragem, inteligência e perspicácia foi a única personagem que realmente me conquistou. Achei interessante que duas das personagens principais da história fossem pessoas de caráter duvidoso e tive esperança que, por esse motivo, acabassem por se tornar nas melhores personagens do livro, mas a meu ver, com o evoluir da história, acabam por se tornar algo caricaturais e previsíveis. Depois, não consegui “engolir” as inúmeras coincidências que levam as personagens centrais a estarem constantemente a encontrar-se, mesmo no palco de guerra. Esta vontade do autor de entrelaçar a vida das suas personagens pareceu-me demasiado forçado. Já para não falar das convenientes relações com figuras importantes dos vários países em guerra. E depois, não sou fã de tanto drama: traições, gravidezes, casamentos… às tantas, confesso que me cansei de tantos acontecimentos novelescos. Mas para mim, o pior de tudo foi nunca me ter sentido ligada emocionalmente às personagens. Não acho que a caracterização tenha sido particularmente bem sucedida porque as personagens nunca se me apresentaram como pessoas a três dimensões, reais, com dilemas que realmente me emocionassem e me pusessem a torcer por elas e pelo seu destino.

 

Penso que este é um bom livro, apesar de todos os “defeitos” que lhe aponto. É resultado de um evidente esforço de pesquisa e a escrita, apesar de me ter parecido por vezes demasiado básica e sem brilho, acaba por proporcionar uma leitura agradável. Para mim, a leitura valeu essencialmente pela aprendizagem; não é um livro que me tenha marcado e que se tenha tornado memorável pelos motivos que apontei, mas não me arrependo das várias horas de leitura que lhe dispensei. E fico com curiosidade para ler O Inverno do Mundo, que tenho ali na prateleira, a aguardar a sua vez.

 

Classificação: 3/5 – Gostei


O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa

Wednesday, October 9, 2013 Post de Célia

9789722330206Autor: C.S. Lewis
Título Original: The Lion, the Witch and the Wardrobe (1950)
Editora: Editorial Presença
Páginas: 135
ISBN: 9789722330206
Tradutor: Ana Falcão Bastos

 

Sinopse: Publicado em 1950, O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa é o segundo volume das célebres crónicas, seguindo-se a O Sobrinho do Mágico, dado a conhecer ao público pela Presença em Abril de 2003. A aventura começa durante a Segunda Guerra Mundial, quando Peter, Lucy, Edmund e Susan são obrigados a sair de Londres e a instalar-se numa pequena cidade em Inglaterra, na casa de um professor solteirão. Enquanto exploram a mansão, Lucy descobre uma passagem secreta muito especial no guarda-fatos do velho professor, que dá acesso a um misterioso mundo…

 

Opinião: Li o primeiro livro desta série e até gostei. Como tenho os dois volumes seguintes, achei que era boa ideia pegar neles antes que passasse demasiado tempo sobre a primeira leitura e me esquecesse dos detalhes fundamentais. 

 

Durante a Segunda Guerra Mundial, os irmãos Peter, Susan, Edward e Lucy, são enviados para uma casa de campo aos cuidados de um professor. O mau tempo depressa acaba com as suas perspetivas de brincadeiras ao ar livre e, numa das explorações pela casa, Lucy entra dentro de um guarda-fatos e descobre que o móvel é uma porta para outro mundo. Nárnia está coberto de um manto branco de neve, e um fauno que Lucy encontra diz-lhe que é obra da Bruxa Branca, que mantém Nárnia num inverno constante e que não permite a vinda do Pai Natal. 

 

Após a desconfiança inicial dos seus irmãos quanto à existência deste mundo, em especial de Edmund, não passa muito tempo até que todos visitem Nárnia e descubram a influência nefasta da Bruxa Branca e conheçam a majestade do leão Aslan, encarado em Nárnia como um salvador, cujo regresso é muito ansiado. Esta luta entre o Bem e o Mal inclui ainda animais falantes, gigantes, figuras mitológicas, entre outras.

 

Já tinha referido na minha opinião anterior o vincado cariz católico, em forma de alegoria, que transpirava daquele livro, e neste a tendência mantém-se. É impossível não associar Aslan a Jesus Cristo, em especial no que se refere ao episódio da crucificação e da ressureição. Não deixa de ser curioso relembrar o que li no livro Tolkien – O Homem e o Mito, onde é abordada com relativa profundidade a presença dos elementos católicos na obra de Tolkien e noutras obras de fantasia, incluindo as de C.S. Lewis, e agora ler este livro à luz dessa informação. A presença, per se, destes elementos não me incomoda; o que não apreciei muito neste livro em particular foi a forma demasiado evidente como são postos à vista do leitor. 

 

A dicotomia entre o Bem e o Mal é um tema por demais evidente, e que se relaciona com a influência católica, e isso, na minha opinião, acaba por limitar um pouco o interesse das personagens. Para além desta quase inexistência de linhas cinzentas, não achei que as personagens fossem particularmente bem desenvolvidas e houve vários acontecimentos na história que me deixaram a pensar por que raio o autor os incluiu (é só a mim que parece deslocado o episódio do aparecimento do Pai Natal no meio disto tudo?)

 

Acho que se tivesse lido este livro há 20 anos, era capaz de ter gostado bastante, especialmente porque não conseguiria ver ou compreender algumas coisas implícitas a esta história e que em adulta influenciaram bastante a minha apreciação. No fundo, é uma história que tem uma premissa engraçada, mas que pessoalmente me desiludiu no seu desenvolvimento. Ainda assim, vou ler o 3.º volume da série, mas só porque já o tenho em casa.

 

Classificação: 2/5 – OK