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Arquivo da categoria ‘Editorial Presença’

[Opinião] Quando o Cuco Chama, de Robert Galbraith

Monday, September 8, 2014 Post de Célia

18619109Autor: Robert Galbraith
Título Original:
The Cuckoo’s Calling (2013)
Editora: Editorial Presença
Páginas: 496
ISBN: 9789896720650
Tradutor: Maria Georgina Segurado e Rita Figueiredo

 

Sinopse: Quando uma jovem modelo cai de uma varanda coberta de neve em Mayfair, presume-se que tenha cometido suicídio. No entanto, o seu irmão tem dúvidas quanto a este trágico desfecho, e contrata os serviços do detetive privado Cormoran Strike para investigar o caso. Strike é um veterano de guerra – com sequelas físicas e psicológicas – e a sua vida está um caos. Este caso serve-lhe de tábua de salvação financeira, mas tem um custo pessoal: quanto mais mergulha no mundo complexo da jovem modelo, mais sombrio tudo se torna – e mais se aproxima de um perigo terrível… Envolvente e elegante, mergulhado na atmosfera de Londres, Quando o Cuco Chama é o aclamado primeiro romance policial de J. K. Rowling, escrito sob o pseudónimo Robert Galbraith.

 

Opinião: Vou ser muito sincera: se não soubesse que Robert Galbraith era um pseudónimo da J.K. Rowling muito provavelmente nunca teria lido este livro. Rowling é daquelas escritoras que terá sempre enorme sucesso publicando com o nome dela ou outro qualquer, escrevendo fantasia, policiais ou outro género qualquer. E merecido, diga-se de passagem. Compreendo a necessidade que sentiu em lançar este livro sob pseudónimo (cuja real identidade só foi descoberta alguns meses depois do seu lançamento) e admiro a coragem de se ter aventurado em géneros tão distintos daquele que lhe deu a fama de que goza.

 

Quando o Cuco Chama é um policial tradicional. A sua personagem principal e detetive de serviço é Cormoran Strike, um ex-soldado com uma prótese na perna e um vida pessoal muito atribulada, que inclui uma relação de vários anos recém-terminada e uma família disfuncional, com um pai famoso que viu apenas duas vezes. Robin, uma jovem destacada por uma empresa de trabalho temporário para secretariar Strike, tem um primeiro dia muito animado, pois é nessa altura que John Bristow se dirige ao detetive privado para investigar mais a fundo o caso de uma modelo famosa (sua irmã) que morreu após a queda de uma varanda, que a polícia determinou ter-se tratado de um suicídio.

 

As conversas com as pessoas à volta da vida de Lula Landry, a modelo, ocupam boa parte do livro e são uma delícia de se ler pelo fantástico retrato pessoal que a autora delas faz. Ao mesmo tempo. Cormoran vai-se adaptando à vida de solteiro e ao facto de dormir no seu local de trabalho, enquanto a relação com Robin vai passando de profissional a uma colaboração de sucesso e, eventualmente, a amizade.

 

É um livro lento mas que estranhamente se tornou, a partir de determinado momento, de leitura compulsiva. A autora não poupa nas palavras para descrever pessoas e locais, e se para alguns leitores isto se pode tornar fastidioso, para mim foi apenas uma forma de dar vida às personagens e aos cenários pelos quais iam passando. As pessoas dentro desta história pareceram-me reais e isso fez com que me tivesse apegado a elas. Robin, a secretária, é uma personagem deliciosa e sobre a qual tenho esperança de ler mais nos próximos volumes da série. Cormoran é um bom protagonista também, apesar de achar que, se a autora foi bem sucedida em criar no leitor empatia com ele, não deixam de ficar no ar algumas dúvidas quanto às suas capacidades como detetive. Cormoran resolve o caso ao estilo Poirot, sabendo antes de toda a gente a identidade do culpado, mas ao contrário do famoso detetive belga, achei que lhe faltava carisma e nunca tive a sensação que as suas capacidades dedutivas fossem uma característica que saltasse à vista ao longo da história, fazendo com que a sua linha de dedução dos acontecimentos, na parte final do livro, me tivesse parecido um pouco forçada.

 

Ainda assim foi um livro de que gostei bastante. Bem escrito, com um caso interessante e bem desenvolvido. Fico com muita vontade de ler o volume seguinte.

 

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante


[Opinião] O Silo, de Hugh Howey

Friday, August 8, 2014 Post de Célia

18524135Autor: Hugh Howey
Título Original:
Wool Omnibus (2011-2012)
Série: Silo #1
Editora: Editorial Presença
Páginas: 528
ISBN: 9789722351409
Tradutor: Alberto Gomes

 

Sinopse: Num mundo pós-apocalíptico, encontramos uma comunidade que tenta sobreviver num gigantesco silo subterrâneo com centenas de níveis, onde milhares de pessoas vivem numa sociedade completamente estratificada e rígida, e onde falar do mundo exterior constitui crime. As únicas imagens do que existe lá fora são captadas de forma difusa por câmaras de vigilância que deixam passar um pouco de luz natural para o interior do silo. Contudo há sempre aqueles que se questionam… Esses são enviados para o exterior com a missão de limpar as câmaras. O único problema é que os engenheiros ainda não encontraram maneira de garantir que essas pessoas regressem vivas. Ou, pelo menos, assim se julga…

 

Opinião: Este livro tem uma história curiosa, por ser diferente daquilo que é a publicação tradicional. Em Julho de 2011, Hugh Howey publicou via Amazon um conto, Wool, e o sucesso que alcançou junto dos leitores fez com que o autor tivesse decidido publicar a continuação, num total de 5 partes (que foram incluídas neste livro). Posteriormente, o autor publicou mais histórias que funcionam como prequelas (Shift) e uma história que é cronologicamente posterior a este O Silo (Dust).

 

Num futuro aparentemente distante, uma comunidade de humanos vive debaixo da terra, num silo com quase 150 andares abaixo do solo. Sabemos, inicialmente, que o ar exterior está cheio de toxinas e que os seres humanos não conseguem lá sobreviver, bastando que alguém expresse a vontade de sair para que seja “condenado” a fazê-lo e, de caminho, a limpar as câmaras e sensores que permitem ao silo ter uma visão sobre o que se vai passando lá fora. Holston, o xerife do silo, escolhe este destino, 3 anos após a sua esposa ter feito o mesmo. O que os terá levado ao exterior de livre e espontânea vontade, sabendo que a morte era o destino certo? A nova xerife, Juliette, recrutada da Manutenção, vê-se perante este dilema, bem como algumas mortes que parecem tudo menos coincidência.

 

À medida que a leitura vai prosseguindo, várias questões se acumulam na mente do leitor: porque é que estas pessoas estão todas enfiadas dentro de um silo? O que é que tornou o ar tóxico? As pessoas do silo são as únicas sobreviventes da aparente catástrofe que os colocou lá dentro? O que é verdade e o que é mentira?, entre muitas outras. São estes enigmas, aliados à escrita cativante e às personagens bem desenvolvidas (a história vai sendo contada sob pontos de vista de várias delas), que tornam O Silo num livro de leitura quase compulsiva.

 

Finda a leitura, ficam algumas pontas por atar. Esse é, talvez, o maior defeito do livro, mas julgo que esta questão será resolvida nos restantes livros da série que pretendo, sem dúvida, ler em breve. Esta é uma distopia que vale a pena ler. Recomendado.

 

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante


[Opinião] Longbourn – Amor e Coragem, de Jo Baker

Wednesday, July 23, 2014 Post de Célia

21797502Autor: Jo Baker
Título Original:
Longbourn (2013)
Editora: Editorial Presença
Páginas: 392
ISBN: 9789722352499
Tradutor: Maria João da Rocha Afonso

 

Sinopse: Para todos os que admiram a obra de Jane Austen, esta é uma oportunidade única de revisitar o seu universo, mais concretamente o de Orgulho e Preconceito, mas numa perspetiva completamente nova. Jo Baker conseguiu a proeza de pegar num clássico e reimaginá-lo, com brilhantismo, a partir do ponto de vista dos criados. Enquanto no andar de cima tudo gira em torno das perspetivas de casamento das meninas Bennet, no andar de baixo os criados vivem os seus próprios dramas pessoais, as suas paixões e angústias. À semelhança da obra que a inspirou, também Longbourn é uma história de amor apaixonante e uma comédia social inteligente, que nos dá a conhecer o quotidiano daqueles que serviam nas mansões rurais inglesas do século XIX. Uma obra admirável, que capta na perfeição a atmosfera da Inglaterra de Jane Austen.

 

Opinião: Orgulho e Preconceito é dos livros mais lidos e amados de sempre, por isso não é surpresa que se multipliquem, mesmo depois de mais de 200 anos decorridos da sua publicação original, os livros publicados que, de algum modo, se relacionem com a famosa história. Este Longbourn – Amor e Coragem (poderiam ter arranjado um subtítulo pior que este?) apresenta-nos não uma nova perspetiva do enredo, mas a história paralela dos criados que serviam em Longbourn, a residência da família Bennet, prometendo uma interação entre upstairs e downstairs com um nível de interesse ao nível da série Downton Abbey (pelo menos a primeira temporada, que foi a única que eu vi).

 

A linha temporal da história é a mesma que a de Orgulho e Preconceito, mas as personagens principais são os criados. Sarah, Mrs. Hill e Polly ocupam-se diariamente da lida da casa, desde limpezas a lavandaria, assim que o sol se levanta até que se põe. É uma vida difícil, e a autora oferece-nos uma visão, quanto a mim, bem nítida do que seriam as tarefas e a sua dureza na Inglaterra de inícios do século XIX. Na verdade, estas eram pessoas que só conheciam o trabalho e que pouco tempo tinham para viver as suas vidas; lazer era uma palavra praticamente desconhecida. 

 

Os acontecimentos principais de Orgulho e Preconceito são facilmente reconhecíveis no meio desta história, apesar de não serem, de todo o foco do enredo. E, se por um lado, a identificação destas situações deveriam funcionar como ponto de interesse para os fãs da famosa história de Jane Austen, por outro acabam por, na minha opinião, ser a sua maior fraqueza. Deixem lá ver se consigo explicar isto como deve ser: a história é bastante interessante e bem escrita, mas as ligações com Orgulho e Preconceito, desde as intervenções de personagens que conhecemos de lá a situações que tão bem identificamos acabam por distrair o leitor do foco principal do enredo. Mais, a Lizzy, a Jane, o Mr. Bennet e outros que aparecem aqui não são as mesmas personagens de Orgulho e Preconceito, por mais que a autora lhes tenha tentado dar (e talvez por isso mesmo) outra profundidade e características que até agora desconhecíamos. 

 

Tenho algumas dúvidas em recomendar este livro a fãs do Orgulho e Preconceito, especialmente àqueles que têm neste livro uma grande referência da literatura. Pessoalmente, a ligação entre este livro e aquele clássico acabou por ser o ponto mais negativo deste livro; se acharem que se conseguem abstrair, penso que estarão perante uma leitura bastante interessante.

 

Classificação: 3/5 – Gostei


[Opinião] Os Doze, de Justin Cronin

Monday, June 9, 2014 Post de Célia

18455165Autor: Justin Cronin
Título Original:
The Twelve (2004)
Série: A Passagem #2
Editora: Editorial Presença
Páginas: 728
ISBN: 9789722350037
Tradutor: Miguel Romeira

 

Sinopse: Os Doze é a sequela de A Passagem, um bestseller internacional que nos dá a conhecer um mundo transformado num pesadelo infernal por uma experiência governamental que não correu como previsto. No presente, à medida que o apocalipse provocado pela mão humana se vai intensificando, três personagens tentam sobreviver no meio do caos. Lila, uma médica e futura mãe; Kittridge, que se viu obrigado a fugir do seu baluarte com poucos recursos; e April, uma adolescente que se esforça por manter em segurança o irmão mais novo num cenário de morte e destruição. Mas, embora ainda não o saibam, nenhum dos três foi completamente abandonado…

A uma distância de 100 anos do futuro, Amy e os outros sobreviventes continuam a lutar pela salvação da humanidade… sem se aperceberem de que as regras foram alteradas. O inimigo evoluiu, e surgiu uma nova ordem negra com uma perspetiva do futuro infinitamente mais terrífica do que a da própria extinção humana.

 

Opinião: Ler séries, no meio de tantos outros livros, às vezes tem este problema: se não pegamos nos volumes seguintes num curto espaço de tempo acabamos por esquecer alguns detalhes que permitem aproveitar a história ao máximo. Acho que o ano e tal que deixei passar entre a leitura da primeira parte desta série (publicada em Portugal em dois volumes) foi demasiado tempo porque quando ponderei a hipótese de continuar senti necessidade de ir à Wikipedia ler o resumo do primeiro livro, mas nem isso nem o prólogo que o autor incluiu, ao estilo bíblico, me fizeram deixar de ter a sensação que havia coisas que me estavam a escapar.

 

Para quem não está a par, A Passagem contou a história de uma experiência científica que correu mal, quando alguns seres humanos condenados à cadeira elétrica foram contaminados com um vírus que os transformou numa espécie de super-vampiros. Estes seres conseguiram escapar e começaram a contaminar outros seres humanos a uma velocidade surpreendente, até que grande parte da população dos Estados Unidos foi atacada por este flagelo e só alguns focos de resistência se mantiveram. Nesse livro, o autor explorou duas linhas temporais: a altura em que se deu a epidemia e cerca de 100 anos depois, quando um grupo de jovens residentes numa colónia se propuseram a viajar para longe a fim de salvar os seus. As minhas expectativas para este livro eram a continuação das aventuras destes jovens e da demanda para exterminarem os Doze, a suposta origem de todos os males. De certo modo, foi isso que aconteceu, mas não só o autor optou por voltar ao ano zero da epidemia como as aventuras dos nossos jovens conhecidos acabaram por ter uns contornos inesperados.

 

Quando percebi que estávamos a voltar ao início da história, questionei-me sobre a pertinência dessa opção porque me estava a deparar com uma série de novas personagens, onde teria de investir o meu tempo. Não duvidei que algumas delas viessem a ter importância no futuro (como se veio a verificar), mas temia que estivesse a apegar-me a pessoas que dali por pouco tempo viriam a deixar de fazer parte da história (o que também se veio a verificar). Na verdade, a minha sensação é que este recuo serviu apenas de pano de fundo às novas linhas de enredo que o autor iria explorar na linha temporal do futuro e que poderia ter sido melhor aproveitado para mostrar coisas sobre os Doze. 

 

Já no futuro, o autor regressa ao grupo de jovens que tínhamos conhecido no primeiro volume, cinco anos após os acontecimentos a que assistimos no final do mesmo. Está cada um para seu lado, com as suas mágoas, mas previsivelmente irão juntar-se para unir esforços. Ficamos a saber o motivo do desaparecimento da colónia, que serve de base a um novo desenvolvimento do enredo que me fez lembrar um pouco A História de uma Serva. Achei a ideia interessante, porque explora a maldade do ser humano e os extremos a que este pode chegar pela sua ambição, mas o principal vilão é tão previsível e unidimensional que acabou por me parecer uma caricatura um pouco irreal. O desfecho acabou por ser um pouco previsível e certinho, certificando-se o autor que não acabava com nenhuma personagem querida dos leitores. Acho que esse foi o meu principal problema com este livro: a previsibilidade, a falta de momentos realmente surpreendentes. O destino dos Doze, esse, pareceu-me demasiado básico tendo em conta tudo o build-up e terror que estas personagens deveriam inspirar.

 

De uma forma geral, foi um livro que me suscitou sentimentos contraditórios. Por um lado, gosto muito da premissa desta história, acho que o autor tem bom momentos de escrita, com bons diálogos e algumas personagens bem construídas. Por outro lado, algumas opções em termos de desenvolvimento de enredo neste livro pareceram-me ter acertado ao lado e, depois de um início que me entusiasmou, achei que o livro se arrasta em demasia sem manter o mesmo nível de interesse. De qualquer modo, conto ler o volume final desta trilogia, cuja data de publicação (no original) está prevista para outubro deste ano.

 

Classificação: 3/5 – Gostei


[Opinião] Observações, de Jane Harris

Monday, May 19, 2014 Post de Célia

7936516Autor: Jane Harris
Título Original:
The Observations (2006)
Editora: Editorial Presença
Páginas: 448
ISBN: 9789722343312
Tradutor: José Remelhe e Ana Mendes Lopes

 

Sinopse: Em plena época vitoriana, Bessy Buckley, uma irlandesa de 15 anos, encontra um lugar de criada numa mansão isolada que pertence à encantadora Arabella Reid e ao seu marido, um político com ambições. Arabella faz-lhe várias e intrigantes exigências entre as quais a de que descreva, num diário, as suas tarefas e os seus pensamentos mais íntimos. Apesar de tudo Bessy afeiçoa-se à sua patroa, mas acaba por descobrir que a mansão esconde segredos surpreendentes. Uma sátira inteligente à hipocrisia vitoriana, bem-humorada e com um enredo que cria um suspense psicológico subtil.

 

Opinião: Gostei da capa e da sinopse deste livro, e as opiniões que tinha lido por aí davam-me esperança para que esta leitura acabasse por ser positiva. Fiquei contente quando o ganhei num passatempo na altura em que saiu e por isso foi com entusiasmo que encarei a perspetiva de o iniciar.

 

A história começa quando a adolescente Bessy Buckley decide rumar a Glasgow em busca de um emprego (e, quem sabe, um casamento) e no caminho, perto de uma pequena localidade, trava conhecimento com Arabella Reid, que lhe oferece um posto na sua casa como governanta. Bessy, a narradora na primeira pessoa desta história, não demora muito tempo a decidir aceitar a proposta e olha para as perspetivas deste novo emprego com muito entusiasmo. No entanto, Arabella começa a ter algumas atitudes estranhas e a fazer a Bessy pedidos bizarros, a que esta vai acedendo com algumas reticências. Quando Bessy encontra um livro que Arabella está a escrever, entitulado precisamente “Observações”, e o lê, começa a perceber melhor a patroa e toma conhecimento de uma anterior empregada da casa e do seu estranho desaparecimento.

 

A capa e a sinopse deste livro prometiam um romance histórico, e apesar de alguma desilusão quando percebi que não estava perante o romance histórico típico, não achei que fosse propriamente mau ler um livro que fugisse ao convencional do género. Bessy é uma rapariga independente, um pouco rebelde e desbocada, e a voz narrativa da história passa precisamente essas características, a que se juntam alguns pedaços de humor. Nesse aspeto, acho que a autora conseguiu tornar a sua personagem principal credível. Contudo, na minha opinião, o enredo não acompanhou o interesse da protagonista: após um bom início, que abre o apetite para revelações e reviravoltas interessantes na história, acabei por me deparar com cenas que não só não acrescentaram muito à história como ainda a tornaram arrastada. As personagens secundárias, principalmente Arabella, tinham bastante potencial, mas acabaram por me parecer mal desenvolvidas. O final, esse, fica muito aquém do que alguns desenvolvimentos do enredo prometeram.

 

No fim, pareceu-me que a autora quis escrever um romance vitoriano que envolvesse humor, mistério e uns pózinhos de sobrenatural, mas ao querer ser tantas coisas ao mesmo tempo acabou por não ser nenhuma delas com eficácia. Foi pena, porque me pareceu um livro com potencial.

 

Classificação: 2/5 – OK