Arquivo da categoria ‘Editorial Presença’
Autor: Justin Cronin
Título Original: The Passage (2010) – 2.ª metade
Editora: Editorial Presença
Páginas: 416
ISBN: 9789722346184
Tradutor: Miguel Romeira
Sinopse: Neste segundo volume a humanidade vive uma era de trevas em que a sobrevivência dita as leis, não só em função dos ataques dos mutantes virais, mas em relação a quase tudo. Passaram entretanto noventa anos sobre a catástrofe e a Vagante, como muitos lhe chamam, regressa de uma longa e solitária jornada de décadas. Como numa viagem iniciática, durante essa obscura deriva ganhou forma dentro dela o terrível conhecimento de que ela é a Única que tem o poder de salvar o mundo destruído por aquele pesadelo.
Opinião: Parece mentira, mas já publiquei a opinião sobre o primeiro volume há mais de um mês e ando há quase duas semanas para escrever esta. A vida não me tem dado descanso e quando dá só me apetece dormir. Mas cá vai.
Esta segunda parte começa exatamente onde a primeira terminou, ou não fosse este livro apenas um no original, que a Presença decidiu dividir em dois volumes por cá. Continuamos assim a acompanhar o grupo de jovens que nos foi apresentado no primeiro volume e que vive numa colónia protegida do vírus que provocou milhões de mortos na América de há 100 anos. Um misterioso sinal de rádio e o fim iminente das baterias que proporcionam a proteção noturna à colónia, essencial para a sobrevivência dos seus habitantes, são o mote para que o grupo parta à descoberta de novas soluções. São acompanhados por Amy, a jovem especial e que é aparentemente peça essencial no desvendar do mistério.
Esta segunda parte acaba por ser, em boa parte, dedicada às aventuras do grupo e à sua luta pela sobrevivência em novos e desconhecidos ambientes. Ao longo do caminho vão encontrando várias pessoas, amigos ou inimigos, e ao mesmo tempo descobrindo mais sobre a história dos virais e sobre a forma como funcionam. O nível de desenvolvimento das personagens continua a ser de relevo, se bem que aqui mais esbatido em prol da ação.
O autor utiliza frequentemente o artifício de dar a entender que os acontecimentos vão tomar determinado rumo para depois a coisa acabar por compôr-se, o que às tantas faz com que o enredo seja um pouco previsível. O final, não sendo propriamente um final (a história tem continuação ainda não publicada em Portugal), acaba por ser satisfatório dentro do que nos é apresentado. Em suma, gostei mais da primeira metade do que da segunda, mas de um modo geral foi uma história que gostei de acompanhar, que me manteve cativada e interessada. Fica a expectativa por ver The Twelve publicado por cá.
Classificação: 3/5 – Gostei
Autor: C.S. Lewis
Título Original: The Magician’s Nephew (1955)
Editora: Presença
Páginas: 147
ISBN: 9789722329989
Tradutor: Ana Falcão Bastos
Sinopse: Digory e Polly conhecem-se e tornam-se amigos num frio e chuvoso Verão em Londres. Os dois irão viver fantásticas aventuras quando o maléfico tio de Digory, Andrew, que pensa que é mágico, os manda repentinamente… para outro mundo. Acabam por encontrar o caminho para Nárnia, um mundo encantado repleto de um sol radiante, de flores e árvores que crescem miraculosamente e de animais falantes.
Opinião: Comprei este livro e os dois seguintes da série aquando da estreia da adaptação cinematográfica de “O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa“, em 2005. É verdade, este livro aguardava pela sua vez há praticamente 8 anos. O Sobrinho do Mágico é o primeiro livro d’”As Crónicas de Narnia” em termos cronológicos, apesar de ter sido apenas o sexto a ser publicado, e explica a formação deste mundo imaginário, intimamente ligada às aventuras dos jovens Digory e Polly.
Digory é sobrinho de Andrew, um mágico que lida com anéis que permitem a viagem entre mundos diversos, apesar de não conhecer bem as suas potencialidades ou efeitos. E porque quer descobrir isso, manda o seu sobrinho e a amiga Polly para um sítio desconhecido, deixando os jovens à mercê de quaisquer perigos que pudessem encontrar. Após uma passagem por um mundo em declínio, os dois e mais alguns companheiros assistem à formação de Nárnia pelas “mãos” do leão Aslan, e, à semelhança do mito bíblico, ao aparecimento do mal desde a criação.
Aliás, é praticamente impossível dissociar a criação de Nárnia à criação do mundo tal como descrito na Bíblia, em especial no que se refere à questão do pecado original e da tentação. A moral também é um aspeto que atravessa praticamente todo o livro, contado num tom leve e por vezes humorístico; são frequentes as interjeições do narrador, como se estivesse a contar uma história a uma criança e fosse fazendo as suas próprias observações. Também a natureza de Narnia, com os seus animais falantes e a importância dada à flora são elementos de destaque. Destaque ainda para as ilustrações de Pauline Baynes, que ajudam a visualizar os acontecimentos que nos vão sendo relatados.
Confesso que não estava à espera de gostar lá muito do livro, especialmente porque é dirigido a crianças/jovens. Mas afinal de contas até foi uma leitura bastante agradável. O nível de detalhe e de desenvolvimento no que se refere à criação de Nárnia não é grande, mas suponho que seja o adequado para a faixa etária a que se destina. O desenvolvimento das personagens também não é extenso, o que se percebe, e são todas muito a preto e branco, ou seja, ou são boas ou são más. O que me leva a não ter gostado ainda mais deste livro é a analogia óbvia desta história com os mitos bíblicos. O que por si só não é um defeito, mas nunca senti que o autor tivesse pegado nesta influência e tivesse tornado a história numa coisa sua; acabou por parecer-me apenas uma imitação – ainda por cima de uma coisa que eu não aprecio. Mas a história tem os seus pontos de interesse e explicações interessantes para quem já conhece acontecimentos e personagens que aparecerão no futuro. Por isso, vou continuar a seguir esta série.
3/5 – Gostei
Autor: Justin Cronin
Título Original: The Passage (2010) – 1.ª metade
Editora: Editorial Presença
Páginas: 557
ISBN: 9789722346061
Tradutor: Miguel Romeira
Sinopse: Publicada em dois volumes, incluídos na coleção «Via Láctea», A Passagem é uma representação de um tenebroso fim da civilização atual. Uma experiência científica a que o exército dos Estados Unidos submete vários homens e uma menina, para os tornar invencíveis, resulta numa catástrofe cujos efeitos têm consequências inimagináveis. Os homens submetidos àquela experiência tornam-se detentores de extraordinários poderes, mas são monstros assassinos sedentos de sangue.
Opinião: Desde que foi publicado por cá (em 2 volumes) que este livro tinha despertado a minha atenção pela sua premissa e porque a opinião geral dos leitores no Goodreads é bastante positiva. Apanhei uma boa promoção no final do ano passado e adquiri os dois volumes. Ao contrário de tantos livros que tenho por ler em casa, este não teve de esperar muito tempo.
A história de “A Passagem” tem início no nosso tempo. Um grupo de cientistas norte-americanos ruma à América do Sul para investigações e acaba por descobrir da pior forma um vírus que tem a potencialidade de criar uma espécie de super-humanos quase imortais, que se alimentam de sangue – vampiros, se quiserem. Os militares interessam-se pela descoberta e decidem começar experiências teoricamente super-controladas com condenados à morte, que são propositadamente infetados por este vírus. Mas o imprevisto acontece e estes seres, para além do poder físico, têm também poder de controlar mentes, o que lhes permite fugir do controlo dos militares e espalhar rapidamente o vírus por outros seres humanos, matando outros milhões entretanto.
Ao mesmo tempo que tudo isto se desenrola, acompanhamos várias personagens individualmente. Amy Bellafonte, a menina fruto de uma família disfuncional, criança e adulta ao mesmo tempo, alguém que desde a primeira página do livro sabemos que vai ter um papel fundamental no desenvolvimento da história; Brad Wolgast, um agente do FBI encarregado de convencer os condenados à morte a participarem na “experiência”; Anthony Carter, um dos condenados à morte; Lacey, uma freira que se vê envolvida de forma não intencional na vida turbulenta de Amy; Richards e Sykes, dois dos responsáveis por esta experiência.
A segunda parte do livro inicia-se quase 100 anos depois da propagação do vírus e apresenta-nos novas personagens, vivendo numa colónia americana protegida dos virais, completamente isolada do resto do mundo. Peter, Theo, Alicia, Sara, Michael e tantos outros começam assim a ganhar o seu espaço na história, mostrando-nos as privações e a adaptabilidade do ser humano a condições extremas, em prol da sua sobrevivência.
Tanto na primeira como na segunda parte, a narrativa foca-se muito no desenvolvimento destas personagens e do seu passado, e os acontecimentos vão sendo relatados de acordo com as suas visões. Isto confere ao texto uma qualidade mais emocional, permitindo que o leitor se sinta mais ligado aos acontecimentos e às vivências de todas estas pessoas. Isto agradou-me bastante e fez com que um livro de mais de 500 páginas raramente se tivesse tornado uma leitura aborrecida.
O enredo, sem ser terrivelmente original (lembrei-me de A Estrada, de Cormac McCarthy e também de Eu Sou a Lenda, de Richard Matheson) é intrigante o suficiente para suportar o interesse do leitor. Conjugado com o bom desenvolvimento das personagens, foi um livro que me cativou e me deixou muito curiosa para saber o que se vai passar a seguir. Só tenho mesmo a apontar as sensações de déjà vu e os diálogos que por vezes me pareceram um bocado básicos, apesar de considerar que a escrita tem momentos muito bem conseguidos. A segunda parte será lida em breve.
Classificação: 4/5 – Gostei Bastante
Autor: M.L. Stedman
Título Original: The Light Between Oceans (2012)
Editora: Presença
Páginas: 365
ISBN: 9789722348485
Tradutor: Maria João Freire de Andrade
Sinopse: 1926. Tom Sherbourne é um homem que, regressado dos horrores da Primeira Guerra Mundial, aceita ocupar o posto de faroleiro numa remota ilha ao largo da costa oeste australiana. Os únicos habitantes de Janus Rock, Tom e a sua esposa Isabel vivem uma vida pacata, isolados do resto do mundo. Numa manhã de Abril dá à costa um barco que transporta um homem morto e um bebé que chora – mudando para sempre o destino do jovem casal. Só anos mais tarde vão descobrir as terríveis consequências da decisão que tomaram naquele dia – à medida que a verdadeira história daquela criança se revela… Esta é uma história sobre o bem e o mal, e de como por vezes se confundem.
Opinião: Tom Sherbourne é um sobrevivente da 1.ª Guerra Mundial que continua a ser perseguido pelas terríveis recordações da morte, de amigos perdidos e de atrocidades que se viu obrigado a cometer. O emprego de faroleiro proporciona-lhe a paz e o silêncio que ajudam a calar as vozes que insistem em atormentá-lo, e a isolada ilha de Janus*, entre os oceanos Atlântico e Índico, parece o refúgio ideal para uma vida regrada, em que os dias se sucedem da mesma forma e se sabe (quase) sempre o que esperar. No entanto, nas suas breves estadias em Partageuse*, no continente australiano, Tom acaba por conhecer Isabel e apesar do seu desejado isolamento, apaixona-se por ela, os dois casam e vão viver para Janus.
É num contexto algo depressivo, envolvendo abortos e muita tristeza daí decorrente, que aparece na ilha um barco com um homem morto e um bebé, que na altura parece a Isabel uma recompensa por todas as provações que teve de suportar. Os dois ficam com a criança e é este acontecimento que move toda a história e que levanta as questões mais interessantes. A capa do livro refere que é uma história sobre o bem e o mal e como por vezes se confundem; apesar do cliché, é mesmo essa a questão central do livro: existe limite entre o bem e o mal? Onde fica ele? Penso que a principal conquista deste livro é pôr o leitor perante várias perspetivas sem tomar declaradamente um dos lados, e deixar que ele próprio forme a sua opinião, que perante os factos apresentados não será, de todo, muito firme. A minha posição como mãe recente talvez me tenha dado uma visão diferente dos acontecimentos, mas ainda assim considero que a resolução foi adequada.
Mas não foi uma leitura isenta de problemas. Por vezes, notei alguma imaturidade (é um primeiro livro) pela adição de informação pouco relevante para o desenvolvimento do enredo; a escrita tem momentos muito bons, mas os diálogos deixam frequentemente a desejar. E, por fim, o meu maior problema com este livro foi toda a emoção que era suposto me ter causado e não causou. O dilema que envolveu a criança teve o condão de me fazer pensar “e se fosse comigo?”, mas nada mais que isso. Não me senti muito ligada às personagens (de Isabel não gostei mesmo), e, por consequência, os problemas que os afetam acabaram por não me preocupar e fizeram de mim uma mera observadora.
Resumindo, foi uma leitura que ficou um bocado aquém do esperado. Levanta questões que me interessaram muito e a ambiguidade das decisões tomadas pelas personagens é bem explorada, mas como obra literária tem características que não me deixaram satisfeita. Sou capaz de voltar a dar uma oportunidade a trabalhos futuros desta autora.
*tanto a ilha de Janus como Partageuse são localizações fictícias.
3/5 – Gostei
Autor: J.K. Rowling
Título Original: Harry Potter and the Prisoner of Azkaban (1999)
Editora: Editorial Presença
Páginas: 343
ISBN: 9789722326018
Tradutor: Isabel Fraga
Sinopse: Daquela vez Harry Potter não conseguira conter-se. Quebrara uma das regras principais de Hogwarts – não exercer técnicas de feitiçaria fora dos muros da escola. Mas aquela detestável Tia Marge merecia permanecer umas boas horas suspensa no tecto da sala dos Dursleys inchada como um balão. Além disso já faltavam poucos dias para recomeçar as aulas. Mas o seu terceiro ano não irá ser fácil. Da prisão de Azkaban fugira o feroz Sirus Black, um dos mais fieis seguidores do assustador Lord Voldemort para o qual Harry Potter continuava a ser o alvo favorito. O pior é que o herói de J. K. Rowling começa a suspeitar da existência de um traidor entre os seus próprios amigos… O regresso da personagem fantástica que está a conquistar leitores em todo o mundo numa aventura que te enfeitiçará até à última página.
Origem do livro: Prenda de Natal de há muitos anos atrás.
Porque o li: Devido à Leitura Conjunta em que estou a participar.
Parte de uma série/individual: Este é o terceiro volume da série Harry Potter. Opiniões dos livros anteriores:
1 – Harry Potter e a Pedra Filosofal
2 – Harry Potter e a Câmara dos Segredos
Opinião: Da primeira leitura da série Harry Potter, lembrava-me que este tinha sido o meu livro preferido, mas muitos dos detalhes já se tinham desvanecido com o passar do tempo. Mais uma vez, o livro inicia-se com Harry contrariado na casa dos Dursleys durante as férias de verão. Entretanto, um perigoso prisioneiro fugiu de Azkaban, uma prisão para feiticeiros, e a grande maioria das peripécias do ano escolar vão girar em volta da história desse prisioneiro. O terceiro ano em Hogwarts traz algumas disciplinas novas, mais desafios de Quidditch e novas descobertas.
Apesar de manter o tom juvenil, penso que este livro marca o início de uma maior profundidade da história, que conhece aqui desenvolvimentos importantes, não só ao nível da introdução de personagens fulcrais no futuro, como Sirius Black, mas também porque há aqui revelações importantes relativamente a acontecimentos passados. Para além disso, o mundo que a autora criou continua a expandir-se com a introdução de novos conceitos como o Vira-Tempo, os Animagus, os Dementors e o Mapa do Salteador.
É um livro importante para a série pela sua qualidade inerente e pelas perspetivas que abre para o desenrolar da história.
Veredicto Final: Adorei o livro. Cheio de aventuras, bom momentos, novas personagens e diálogos bem conseguidos. Uma excelente adição à série.
Classificação: 5/5 – Adorei
Próxima opinião: A Casa dos Amores Impossíveis, de Cristina López Barrio



