2016 Reading Challenge

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Arquivo da categoria ‘Editorial Presença’

6b575767-1170-4b91-9a50-00f972d24cf5Autor: Nathaniel Philbrick
Título Original:
 In the Heart of the Sea (2000)
Editora: Editorial Presença
Páginas: 320
ISBN: 9789722357142
Tradutor: Maria João da Rocha Afonso e Ana Cristina Pais

 

Sinopse: No verão de 1819, o baleeiro Essex partiu de Nantucket para mais uma expedição de caça à baleia. Quinze meses depois, o impensável aconteceu: numa região remota do Pacífico Sul, um cachalote de enormes proporções provocou o naufrágio do Essex. A tripulação de 20 homens refugiou-se em três botes salva-vidas rumo à América do Sul, numa jornada épica pela sobrevivência. Três meses depois, os oito tripulantes que continuavam vivos foram encontrados à deriva. Para sobreviver, usaram todos os recursos, inclusive o canibalismo.

 

Opinião: Um livro de não-ficção a relatar o naufrágio de um baleeiro norte-americano em 1820. À partida, não seria algo que me suscitasse muito interesse, mas como a sua adaptação cinematográfica estreou há pouco tempo e a história aqui relatada inspirou o famoso Moby Dick, de Herman Melville (que ainda não li), senti a motivação suficiente para viajar até ao século XIX e embarcar nesta perigosa viagem.

 

O início do livro contém o necessário enquadramento da partida do Essex da ilha de Nantucket, à data a maior potência na baleação. Sabia alguma coisa sobre a atividade, por ter visitado o Museu dos Baleeiros na ilha do Pico, mas nada que se compare com o nível de detalhe aqui apresentado. Os termos técnicos náuticos e relacionados com a atividade começam a abundar e, nessa altura, temi que o livro se fosse tornar algo aborrecido. Não poderia estar mais enganada. Os termos técnicos continuam, o dia-a-dia da tripulação é descrito com detalhe, ainda que não exaustivamente (o que é compreensível, dada a distância temporal e os documentos disponíveis relativamente à viagem), a caça à baleia é bastante explorada, mas a verdade é que não consegui parar de ler. Há já alguns meses que isto não me acontecia, por isso tenho de tirar o chapéu a Nathaniel Philbrick: conseguiu contar de uma forma muito interessante uma história que facilmente poderia transformar-se num relato enfadonho. Não é nem demasiado exaustiva nem demasiado superficial e possui detalhes e observações relevantes que não exaltam em demasia a sua opinião pessoal.

 

Apesar de já saber o destino do navio Essex e ter uma ideia das provações da sua tripulação após o naufrágio, o autor leva-nos numa viagem de resistência e sobrevivência, que demonstra os extremos a que o ser humano pode ir e que deixa o leitor siderado. No Coração do Mar é relatado num tom jornalístico, sem grandes floreados, que se adequa na perfeição à história que quer contar; a pesquisa feita pelo autor é notável e está documentada de forma bastante detalhada. Para isso, provavelmente contribuiu o facto de Nathaniel Philbrick ser também ele um marinheiro, com vasto historial no jornalismo náutico, e de ser claramente alguém que é apaixonado pelo assunto e sabe do que fala.

 

Durante os poucos dias que esta leitura me tomou, vivi um pouco com aquela tripulação e passei um pouco das suas privações. Aprendi muito, fiquei mais rica. Tive vontade de ler mais livros de não-ficção, para conhecer mais do que foi e é este mundo em que vivo. Foi um dos poucos livros a que atribuí a nota máxima em 2015 e, por isso, não posso deixar de o recomendar.

 

Já não recuava, o Essex agora afundava-se. A baleia, tendo humilhado o seu estranho adversário, libertou-se dos pedaços de madeira estilhaçados do casco revestido a cobre e nadou para sotavento, para nunca mais ser vista.

 

Classificação: 5/5 – Adorei

 

Nota: Este livro foi-me disponibilizado pela respetiva editora, em troca de uma opinião sincera. Para mais informações sobre No Coração do Mar, clica aqui.


[Opinião] A Pura Verdade, de Dan Gemeinhart

Terça-feira, Dezembro 29, 2015 Post de Célia

25916328Autor: Dan Gemeinhart
Título Original:
 The Honest Truth (2015)
Editora: Editorial Presença
Páginas: 256
ISBN: 9789722355902
Tradutor: Maria Fraústo

 

Sinopse: Mark é um rapaz normal em quase todos os sentidos. Tem um cão que dá pelo nome de Beau, e Jessie, a sua melhor amiga. Gosta de fotografia e de escrever poemas no seu caderno. O seu sonho é escalar um dia uma montanha. Mas há algo nele que o torna uma criança diferente das outras. Mark está doente. Tem uma doença da qual muitos não recuperam e que o obriga a constantes idas a hospitais e a fazer tratamentos. Por tudo isto, Mark decide fugir de casa. Leva consigo a sua máquina fotográfica, Beau e um plano: alcançar o cume do monte Rainier, mesmo que isso signifique a última coisa que irá fazer.

 

Opinião:  Mark tem 12 anos e lida com o cancro há 7. O último revés que a doença lhe proporcionou levou-o a tomar uma medida drástica: fugir de casa para concretizar o sonho que o avô alpinista lhe incutiu, escalar o Monte Rainier (com mais de 4.000 metros de altura), como se fosse a última coisa que iria fazer. Com ele leva o seu fiel cão Beau, que o acompanha numa viagem que depressa se revela ainda mais difícil e cheia de percalços do que Mark imaginou inicialmente.

 

Alternando capítulos narrados na primeira pessoa por Mark, que dão conta das várias etapas da sua viagem, com uma visão sobre o que vai acontecendo do lado dos angustiados pais e da melhor amiga de Mark, a história vai avançando. O estilo de escrita é simples, reduzindo-se com sucesso apenas ao essencial; conta a história de uma forma pungente, fazendo-nos ter pena de Mark e de todas as contrariedades com que se depara. Tenho algumas reticências em classificar este livro como juvenil, porque apesar de a linguagem se adaptar bem a essa faixa etária, não deixa de tratar de temas sérios e complicados.

 

O autor tenta, ao contar esta história, trabalhar a dicotomia vida-morte e, muito provavelmente, entre o direito que temos a decidir o que fazer das nossas vida versus a consideração pelas pessoas que amamos. Mark é uma criança, amadurecida pelas vicissitudes da sua doença, mas ainda assim uma criança que coloca o seu desejo acima de tudo o resto. A um adulto, a fuga de Mark pode parecer egoísta ou irresponsável, mas penso que o autor consegue justificar bem o desejo de Mark e fazer com que o leitor o compreenda.

 

A Pura Verdade lê-se num ápice, pela ânsia de querermos descobrir, afinal, como irá terminar a viagem de Mark. O final deixou-me com algumas reticências pela sua verosimilhança, mas gostei de ter ficado, de certo modo, em aberto. Foi uma boa leitura.

 

Todo o mundo é uma tempestade, acho eu, e todos nos perdemos às vezes. Procuramos montanhas no meio das nuvens para fazermos com que pareça que valem a pena, que significam alguma coisa. E às vezes vemo-las. E continuamos a avançar.

 

Classificação: 3/5 – Gostei 

 

Nota: Este livro foi-me disponibilizado pela respetiva editora, em troca de uma opinião sincera. Para mais informações sobre A Pura Verdade, clica aqui.


[Opinião] Vai e Põe uma Sentinela, de Harper Lee

Quarta-feira, Outubro 21, 2015 Post de Célia

01040619_Vai_Poe_SentinelaAutor: Harper Lee
Ano de Publicação:
2015
Editora: Editorial Presença
Páginas: 240
ISBN: 9789722356879
Tradutor: Isabel Nunes e Helena Sobral

 

Sinopse: Jean Louise Finch – Scout – a inesquecível heroína de Matar a Cotovia, regressa de Nova Iorque a Maycomb, a sua cidade natal no Alabama, para visitar o pai, Atticus. Decorre o turbulento período de meados de 1950, numa nação dividida em torno das dramáticas questões raciais. É com este pano de fundo que Jean Louise descobre verdades perturbadoras acerca da sua família, da cidade e das pessoas de quem mais gosta, o que a leva a interrogar-se sobre os seus valores e princípios, e a confrontar-se com complexos problemas de ordem pessoal e política. Vai E Põe Uma Sentinela, romance inédito de Harper Lee, cujo manuscrito se havia perdido mas descoberto em 2014, foi escrito antes de Matar A Cotovia e apresenta-nos muitos dos personagens dessa mítica obra, agora vinte anos mais velhos. Um livro magnífico, comovente e de grande fascínio de um dos maiores vultos da ficção contemporânea.

 

Opinião: Gostei muito de Por Favor, Não Matem a Cotovia (ou Matar a Cotovia). É daqueles livros mágicos, que têm o condão de encantar toda a gente, um clássico na verdadeira aceção da palavra. Por isso, fiquei bastante entusiasmada quando foi anunciada a publicação de um novo livro da autora, que voltava a levar-nos à companhia de Scout e Atticus, cerca de 20 anos depois dos acontecimentos relatados naquele primeiro livro. Vai e Põe uma Sentinela foi o primeiro livro que Harper Lee escreveu, mas quando o apresentou ao editor foi-lhe dito para reescrever a história focando-se nos flashbacks de Jean Louise, quando era criança – foi daí que nasceu Por Favor, Não Matem a Cotovia, tendo Vai e Põe uma Sentinela ficado na gaveta durante cerca de 55 anos. Ao fim de todos estes anos, viu finalmente a luz do dia, não sem polémica: muitas pessoas consideram que Harper Lee não estará na posse de todas as suas faculdades e que se não publicou o livro durante todos estes anos era porque não pretendia que isso acontecesse; a verdade é que ele aqui está para toda a gente ler.

 

Para além da polémica que rodeou a sua publicação, a grande discussão em redor deste livro centra-se na alteração da perceção que tínhamos de Atticus Finch: de herói que luta contra a maré e que decide defender um negro numa época em que a segregação ainda era regra no sul dos Estados Unidos, passa a racista e defensor da segregação racial. Como conciliar as duas visões da mesma personagem pareceu-me ser o maior desafio desta leitura: Jean Louise sempre viu o pai como um herói, como alguém que lutou e luta pela igualdade entre todas as pessoas, mas quando regressa a Maycomb e assiste a uma reunião em que se defende a superioridade da raça branca e a segregação racial, com o pai presente, o altar onde o colocou parece ruir definitivamente. 

 

Quando este livro saiu, li um artigo que defendia uma teoria de que gosto bastante: a única forma de conciliar os Atticus dos dois livros e de encontrar uma continuidade entre ambos é considerar que a realidade está em Vai e Põe uma Sentinela e que Por Favor, Não Matem a Cotovia era uma versão ficcionada, relatada pela criança Jean Louise, testemunho de uma altura na sua vida em que existia o Bem e depois existia o Mal, estando o seu pai definitivamente do lado do Bem. Em Vai e Põe uma Sentinela, as coisas são mais complexas e o leitor, que adorou o primeiro, acab por reagir perante o segundo como Jean Louise reage perante a perceção de quem realmente é o seu pai.

 

Tenho de confessar que não estava à espera de gostar muito deste livro, e encarava a sua leitura mais como uma curiosidade do que como uma inevitabilidade. Mas a verdade é que Vai e Põe uma Sentinela venceu-me: assim que comecei a ler, as páginas voaram, com a prosa hipnotizante de Harper Lee a embalar-me e a fascinar-me. Harper Lee tem uma magnífica capacidade de nos enredar nas suas palavras, de nos puxar para dentro das suas histórias e aqui, ainda que amiúde se note o facto de ser um primeiro livro a precisar de um pouco mais de polimento, a autora conseguiu de novo cativar-me. Foi um livro que me fez refletir, e que ressoou na minha realidade, com a altura da minha vida em que percebi que também o meu herói não era perfeito, mas que o adorava independentemente das diferenças de opinião.

 

Não diria que Vai e Põe uma Sentinela é uma leitura indispensável para quem leu e adorou a obra mais conhecida da autora, pela possível dificuldade em conciliar os dois livros; é, sim, um livro importante para a compreensão do processo de escrita de Harper Lee, e mais do que isso, uma obra importante por si própria, que pessoalmente não manchou a impressão que tinha da leitura do primeiro livro. Está a venda a partir de hoje e leva o meu selo de recomendação.

 

A ilha de cada um de nós, Jean Louise, a sentinela de cada um é a sua consciência. A consciência coletiva, tal coisa não existe.

 

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante

 

Nota: Este livro foi-me disponibilizado pela respetiva editora, em troca de uma opinião sincera. Para mais informações sobre Vai e Põe uma Sentinela, clica aqui.


[Opinião] A 5.ª Vaga, de Rick Yancey

Segunda-feira, Agosto 10, 2015 Post de Célia

Liv01220115_fAutor: Rick Yancey
Título Original:
The Fifth Wave (2013)
Série: A 5.ª Vaga #1
Editora: Editorial Presença
Páginas: 400
ISBN: 9789722352529
Tradutor: Miguel Romeira

 

Sinopse: A 5ª Vaga, o volume que dá início à trilogia com o mesmo nome, é uma obra-prima da ficção científica moderna. É um épico extremamente original, que nos apresenta um cenário de invasão extraterrestre do planeta Terra como nunca antes foi escrito ou sequer imaginado. Nesta narrativa assombrosa, uma nave extraterrestre fixa-se na órbita da terra, à vista de todos mas sem estabelecer qualquer interação. Até que, subitamente, uma gigantesca onda eletromagnética desativa todos os sistemas da Terra, e todas as luzes, comunicações e máquinas deixam de funcionar. A esta primeira vaga seguem-se outras, num crescendo de violência que devasta grande parte da humanidade. Será este o fim da existência humana sobre a Terra? Haverá ainda alguma salvação possível? Um thriller de alta voltagem, com todos os ingredientes para se tornar um grande clássico da literatura fantástica universal.

 

Opinião: A minha relação com distopias dirigidas a jovens adultos não tem sido muito pacífica. Costumo achar as ideias bastante boas, mas depois a componente emotiva e os constantes triângulos amorosos fazem-me perder a paciência. Mas como adoro distopias e estou sempre à espera de encontrar pérolas, pareceu-me uma boa ideia experimentar este A 5.ª Vaga, que é o primeiro de uma trilogia com o mesmo nome. O segundo volume, O Mar Infinito, saiu no mês passado em Portugal.

 

A história parte da premissa de que uma nave extraterrestre é detetada perto do planeta Terra e, poucos dias depois, começa a 1.ª Vaga, a que se seguem outras três, cada uma delas consistindo numa forma de eliminar a espécie humana. Biliões de seres humanos perdem a vida, mas os narradores desta história lutam ainda pela sua sobrevivência. Cassie é quem conhecemos primeiro, uma adolescente que se encontra sozinha no mundo, depois de ter perdido pai e mãe e de ter sido afastada do irmão mais novo. É a esperança de um dia encontrar Sammy que vai motivando Cassie a sobreviver. Os seus capítulos são contados na primeira pessoa e sempre com um toque de humor bastante característico.

 

A outra personagem principal é o agora chamado Zombie, outro adolescente cujas agruras da vida e sentimento de culpa o tornaram numa pessoa completamente diferente. Zombie era um rapaz a quem tudo corria bem na vida, bonito, inteligente e adorado por todos, mas de repente vê-se sem a família e a ter de viver numa espécie de estância militar, que prepara os jovens que consideram mais aptos a lutar contra os extraterrestres.

 

E assim a história se vai desenrolando, sempre com a curiosidade em sabermos o que será feito daquelas personagens e, acima de tudo, o que querem os extraterrestres e o que estão a fazer para lá chegar. Aliás, diria mesmo que a falta de informação sobre os invasores e os seus métodos terá evitado o livro de ganhar mais profundidade e interesse.

 

Gostei de Cassie e da sua perseverança e coragem, mas pessoalmente a história dela perdeu alguma piada quando encontra o misterioso Evan – que parece o partido perfeito e que a deixa com apenas metade dos neurónios a funcionar. Ultrapassada esta parte mais romântica do livro, que sinceramente pouco me disse, tivemos uma história desenvolvida a bom ritmo, com personagens bem exploradas (gostei particularmente da evolução do Zombie) e com uma parte final cheia de twists que não nos deixa largar o livro. Fico curiosa para ler os seguintes volumes.

 

 

Classificação: 3/5 – Gostei

 

Nota: Este livro foi-me disponibilizado pela respetiva editora, em troca de uma opinião honesta. Para mais informações sobre A 5.ª Vaga, clica aqui.

 


[Opinião] A Vida na Porta do Frigorífico, de Alice Kuipers

Sexta-feira, Julho 10, 2015 Post de Célia

7348869Autor: Alice Kuipers
Título Original:
Life on the Refrigerator Door: Notes Between a Mother and Daughter (2007)
Editora: Editorial Presença
Páginas: 240
ISBN: 9789722342469
Tradutor: Rita Graña

 

Sinopse: Marie-Laure é uma jovem cega que vive com o pai, o encarregado das chaves do Museu Nacional de História Natural em Paris. Quando as tropas de Hitler ocupam a França, pai e filha refugiam-se na cidade fortificada de Saint-Malo, levando com eles uma joia valiosíssima do museu, que carrega uma maldição. Werner Pfenning é um órfão alemão com um fascínio por rádios, talento que não passou despercebido à temida escola militar da Juventude Hitleriana. Seguindo o exército alemão por uma Europa em guerra, Werner chega a Saint-Malo na véspera do Dia D, onde, inevitavelmente, o seu destino se cruza com o de Marie-Laure, numa comovente combinação de amizade, inocência e humanidade num tempo de ódio e de trevas.

 

Opinião: Não estava nos meus planos ler este livro, e se não tivesse vindo de oferta com outro que comprei provavelmente nunca o teria lido. Não escondo que só lhe peguei agora porque é uma leitura rápida.

 

Basicamente, a autora tenta contar a história de uma mãe e sua filha adolescente num período complicado das suas vidas. Elizabeth é médica obstetra, os seus horários são muito errantes, e é por isso que as duas deixam frequentemente mensagens curtas para a outra na porta do frigorífico. É a partir destas mensagens que acompanhamos a forma como elas lidam com a falta de tempo entre as duas, as vicissitudes típicas da adolescência e a descoberta que a mãe tem cancro da mama.

 

Como já disse, o livro lê-se num instantinho, porque cada nota ocupa uma página e às vezes só tem uma linha. Pessoalmente, acho que o estilo epistolar não se adequa bem a notas curtinhas, pelo simples facto de que a falta de informação não permite à história nem às personagens ganharem profundidade. Não tive tempo para me preocupar com o destino das personagens, porque as conheci mal. O acontecimento dramático perto do final não teve praticamente efeitos em mim, foi como ler num jornal sobre pessoas que não conhecia.

 

Apesar de a autora tentar por várias vezes justificar porque falam as duas via notas coladas no frigorífico (as suas ocupações não as deixam passar juntas tanto tempo como gostariam), acaba por ser estranho este meio de comunicação numa era em que toda a gente tem telemóvel (já assim era em 2007, quando o livro foi publicado). Acaba por emprestar à história um tom de certo modo artificial.

 

Resumindo, não foi de todo um livro que me tivesse marcado. Lê-se, apenas. Esteve na minha cabeça durante o tempo em que o li, mas o mais certo é ser esquecido em breve.

 

 

Classificação: 2/5 – OK