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Arquivo da categoria ‘Edições ASA’

Agatha Christie – Autobiografia

Friday, January 27, 2012 Post de Célia

Autor: Agatha Christie
Título Original: An Autobiography (1977)
Editora: ASA
Páginas: 704
ISBN: 9789892316413
Tradutor: Elsa T. S. Vieira

 

Sinopse: Agatha Christie ficará para sempre conhecida como a Rainha do Crime. Publicada em todo o mundo, os seus livros estão traduzidos para mais de cem línguas e venderam já mais de dois mil milhões de exemplares. Um sucesso à escala planetária, ao qual a autora contrapôs uma vida pessoal envolta em mistério. Mas, embora se tivesse mantido afastada das luzes da ribalta, escreveu secretamente uma autobiografia. Publicada apenas após a sua morte, revelou-se tão fascinante que foi imediatamente considerada a sua melhor obra! Com rara paixão e audácia, Agatha Christie fala-nos sobre a sua infância no final do século XIX, as duas guerras mundiais que testemunhou, os dois casamentos e as experiências como escritora e entusiasta de viagens e expedições arqueológicas, em que participava ativamente com o segundo marido. Uma obra que revela a face humana e surpreendentemente extravagante por detrás da mais lendária escritora do século XX.

  

Opinião: Antes de mais, acho que me posso considerar fã de Agatha Christie, apesar de ainda me faltarem muitos livros para poder dizer que li a maioria da sua obra.  Agatha é a escritora mais vendida e traduzida de sempre e acho fantástico termos oportunidade de conhecer a vida dela através das suas próprias palavras. Isto tem prós e contras: se, por um lado, só ela poderia explicar ao leitor a importância que determinados acontecimentos tiveram na sua vida e nos dá uma visão muito particular sobre os mesmos, por outro a autora deixa de lado alguns acontecimentos mais polémicos – como o seu célebre desaparecimento de 11 dias, após se divorciar do primeiro marido. Estamos, portanto, perante a interpretação da autora sobre a sua própria vida, que, sendo inevitavelmente subjetiva, não deixa por isso de ser extremamente interessante e nunca auto-congratulatória.

 

Na verdade, e focando-me apenas na questão profissional, a sensação que tenho depois de ler este livro é que a própria Agatha tinha uma noção exata das suas capacidades e podia mesmo subvalorizar-se em vários momentos. Foi uma pessoa que tentou vários caminhos, desde a dança ao canto, passando pelo piano e pela enfermagem e que chegou à escrita de uma forma quase acidental, fazendo dela carreira porque achou que era uma profissão da qual podia tirar dividendos e que se adequava à sua imaginação fértil. A ideia que passa, também, é que se tratava de uma pessoa muito exigente consigo própria, uma vez que se contam pelos dedos de uma mão os livros que refere terem resultado exatamente como desejava e que pensa serem boas obras.

 

No entanto, esta autobiografia tem muito mais sobre a sua vida pessoal do que sobre a profissional. Seguimos a vida da escritora desde tenra idade e é notável o nível de detalhe apresentado, ainda que por vezes a narrativa se arraste um pouco – sem nunca se tornar aborrecida, contudo. Foi interessante conhecer o seu gosto pelas viagens e todos os sítios que visitou, e é também uma viagem a uma época não muito distante se considerarmos a existência do Homem, mas que tem tantas diferenças em termos de tradições e costumes que não deixa de parecer um relato histórico. 

 

Uma nota final para esta edição: excelente tradução e revisão, num livro de capa dura com mais de 700 páginas, por 17,10€. Excelente relação custo-benefício. Foi uma leitura prolongada e que fui completando aos poucos, mas que valeu muito a pena. É uma biografia escrita de forma clara, detalhada e com pormenores muito interessantes sobre a vida de uma das escritoras mais famosas de sempre.

 

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante

 

Outros livros da autora:


O Clube de Tricô de Sexta à Noite

Tuesday, November 1, 2011 Post de Célia

Autor: Kate Jacobs
Título Original: The Friday Night Knitting Club (2008)
Editora: ASA
Páginas: 393
ISBN: 9789892303086
Tradutor: Isabel Alves

 

Sinopse: Numa cidade tão grande e movimentada como Nova Iorque, é muito fácil perdermo-nos na multidão. Habituada a contar apenas consigo própria, Georgia tem um dia-a-dia esgotante em que tenta conciliar as exigências da sua loja com a educação da filha, Dakota. Em tempos não muito distantes, Georgia era uma jovem apaixonada e decidida a perseguir os seus sonhos, pelo menos até ao dia em que James – o grande amor da sua vida – soube que estava grávida e lhe despedaçou o coração ao fugir para Paris. Nesse dia, Georgia conheceu a solidão e decidiu traçar o seu caminho sozinha. Mas James tem outros planos. Planos que a incluem… Será, pois, com grande surpresa que ela percebe que a sua loja se transformou num ponto de encontro. Com o pretexto de fazer tricô, mulheres extremamente diferentes entre si fazem uma pausa nas suas vidas atribuladas e partilham segredos, angústias e expectativas. Mas quando o impensável acontece, estas mulheres vão descobrir que o que criaram não é apenas um clube de tricô mas uma verdadeira irmandade.

 

Origem do livro: Comprado

 

Porque o li: Porque me apetecia ler uma coisa mais leve, e este livro pareceu-me uma boa opção.

 

Parte de uma série/individual: Este é o primeiro livro de uma série de três que seguem o mesmo grupo de personagens. Para além deste, apenas o 3.º foi publicado em Portugal com o nome Laços Eternos.

 

Opinião: Georgia é uma mãe solteira que tem uma loja de tricô em Nova Iorque, um negócio com alguns anos que abriu por paixão à arte e que lhe permite ganhar a vida e sustentar a sua filha de doze anos. Como forma de dinamizar a loja, Georgia tem a ideia de criar um Clube de Tricô, pretexto para um conjunto de mulheres se juntarem, partilharem histórias de vida e criarem laços de amizade. A premissa não é propriamente original (já este ano li um livro com algumas semelhanças a este), por isso pensei que tinha uma ideia do que me esperava.

Os primeiros dois terços do livro correspondem realmente àquilo que esperava e procurava: uma leitura leve, descontraída, com personagens razoavelmente bem construídas e um enredo interessante. A fase final do livro apresenta uma reviravolta um pouco dramática e que, na minha opinião, faz com não possa considerar esta uma história leve e boa para descontrair, no seu cômputo geral. Fiquei com a sensação que a referida carga dramática final destoou um pouco do resto do livro e o tornou um pouco desequilibrado. Ainda assim, é uma leitura rápida, com vários pontos de interesse e que cativa. Todas as mulheres pertencentes ao Clube do Tricô têm histórias de vida com pontos de interesse e, ao longo do livro, vamos percebendo como as relações entre elas contribuem para fazer face aos problemas que as assolam.

O grande bónus deste livro foi mesmo ter-me feito recuperar a vontade de tricotar. Já não o fazia há anos, quando aprendi o básico, e entretanto já retomei e é uma atividade relaxante que recomendo vivamente ;)  

 

Veredicto final: É um livro sobre a amizade e a importância da partilha dos vários momentos da nossa vida, bons ou maus, com as pessoas de quem gostamos. Sem ser nada de extraordinário, é um livro que entretém e que cumpre minimamente os objetivos a que se propõe.

 

Classificação: 3/5 – Gostei

 

Próxima opinião: The Love Godess’ Cooking School, de Melissa Senate


Incendiário

Wednesday, June 29, 2011 Post de Célia

Autor: Chris Cleave
Título Original: Incendiary (2005)
Editora: ASA
Páginas: 240
ISBN: 9789724145808
Tradutor: Isabel Alves

Sinopse
Entre as vítimas de um atentado terrorista ocorrido durante um jogo de futebol em Londres, estão o marido e o filho da mulher que, destroçada, escreve agora uma carta a Osama bin Laden. Num tom simultaneamente emotivo, lúcido, magoado e chocantemente humorístico, ela tenta convencer Osama a abandonar a sua campanha de terror, revelando a infinita tristeza e o coração despedaçado de quem, no fundo, é apenas mais uma das suas vítimas. Mas o atentado é apenas o começo. Enquanto medidas de segurança transformam Londres num território virtualmente ocupado, a narradora também se encontra sob cerco. De início, ela recupera forças ajudando no esforço antiterrorista. Mas quando se envolve com um casal de classe alta, dá por si a ser gradualmente arrastada para uma teia psicológica de culpa, ambição e cinismo, que corrói a sua fé na sociedade que defende. E quando uma nova ameaça de bomba atira a cidade para mais uma vaga de pânico, ela vê-se forçada a actos de profundo desespero… Mas reside aí, talvez, a sua única hipótese de sobrevivência.

Opinião
Depois de ter adorado Pequena Abelha, do mesmo autor, não tive de ponderar muito a decisão de adquirir o outro livro que Chris Cleave tinha publicado em Portugal e que estava a um preço convidativo na última Feira do Livro de Lisboa.

Incendiário é narrado na primeira pessoa, por uma mulher que perdeu o marido e o filho num atentado terrorista em Londres. A narrativa assume caráter epistolar, numa longa carta que a protagonista, da qual nunca sabemos o nome, escreve para Osama bin Laden. Esta mulher não tem um nível de literacia muito elevado e sofre de perturbações psicológicas – ambos os aspetos se refletem na forma como a narrativa flui, num texto que não tem vírgulas e que, por vezes, tem um tom algo esquizofrénico. A história começa pouco antes do terrível atentado e segue a protagonista nos meses que se seguiram, mostrando as dificuldades que revela para lidar com o sucedido e que não são, de todo, amenizadas pelas pessoas que vai encontrando pelo caminho e pelas opções que toma.

Trata-se de um livro que pretende falar da tão famosa guerra contra o terrorismo da perspetiva das pessoas anónimas, que são normalmente as principais vítimas, e que aproveita para abordar algumas questões morais relacionadas com as diferenças entre classes. O que tinha notado em Pequena Abelha no que respeita à voz das personagens é aqui evidente: sentimos que a narradora é real, que os seus problemas são reais, e sem dúvida que está muito bem caracterizada. O problema aqui, pelo menos para mim, foi que simpatizei pouco com ela e, apesar dos óbvios distúrbios psicológicos, tive alguma dificuldade em compreender as suas opções. A forma peculiar como a história é narrada pode causar algumas dificuldades de adaptação no início, mas com o avançar das páginas habituei-me. Perto do final, confesso que já estava um pouco cansada do estilo.

De um modo geral, achei que se trata de uma história com muito potencial, que nem sempre é bem aproveitado; é um livro propício a levantar questões interessantes para reflexão, mas que conta com uma protagonista da qual não é fácil gostar e com um estilo de narrativa arriscado, que pode cansar o leitor. Apesar disso, foi uma leitura que me agradou. Como nota final, deixo a referência que o livro teve uma adaptação cinematográfica em 2008, com Michelle Williams e Ewan McGregor. – Célia M.

3/5 – Gostei


Pequena Abelha

Wednesday, May 11, 2011 Post de Célia

Autor: Chris Cleave
Título Original: Little Bee/The Other Hand (2008)
Editora: ASA
Páginas: 272
ISBN: 9789892313177
Tradutor: José Vieira de Lima

Sinopse
Não queremos contar-lhe O QUE ACONTECE neste livro. Esta é uma HISTÓRIA MESMO ESPECIAL e não queremos desvendá-la. 
Ainda assim, vai precisar de saber um pouco mais sobre ela para querer lê-la, por isso, vamos dizer apenas o seguinte: 
Esta é a história de DUAS MULHERES. Os seus destinos vão cruzar-se UM DIA e uma delas terá de fazer UMA ESCOLHA terrível, o tipo de escolha que ninguém deseja enfrentar. Uma escolha que envolve vida ou morte. DOIS ANOS DEPOIS, elas encontram-se de novo. É então que a história começa verdadeiramente… 
Depois de ler este livro, vai querer falar dele a TODOS OS SEUS AMIGOS. Quando o fizer, por favor, também não lhes diga o que acontece. Permita-lhes saborear a sua MAGIA.

Opinião
Já tinha este livro debaixo de olho mesmo antes de sair em Portugal, por isso quando saiu percebi que mais cedo ou mais tarde ia acabar por lê-lo. Depois da opinião entusiástica da Silent Raven, fiquei ainda mais curiosa e decidi comprá-lo na primeira visita à Feira do Livro de Lisboa e começar a lê-lo pouco tempo depois.

O livro é narrado na primeira pessoa, alternadamente do ponto de vista das suas personagens principais: Abelhinha e Sarah. Abelhinha é uma jovem nigeriana de 16 anos, demasiado adulta para a sua idade pela infância roubada, que se encontra em Inglaterra num centro de detenção para refugiados, e que no início da história consegue de lá sair depois de uma “prisão” de 2 anos. Sarah é uma inglesa de 31 anos, casada e com um filho, directora de uma revista de mulheres, e com uma vida sentimental bastante conturbada. Estas duas personagens, separadas por tantas diferenças, têm um ponto em comum no seu passado; um acontecimento que lhes deixou marcas indeléveis, e que condiciona o seu presente e o futuro.

Uma das coisas essenciais para que um relato na primeira pessoa funcione é que o autor consiga dar voz própria à sua personagem, de modo a que o leitor se consiga pôr na sua pele e viver os acontecimentos de forma semelhante. Penso que é muito fácil falhar neste objectivo, e é pior ainda se o autor se propuser a fazê-lo com duas personagens, neste caso com vozes tão distintas. Mas Chris Cleave fá-lo com mestria, de tal modo que basta abrir o livro num página aleatória e ler um pouco para se perceber qual é a personagem que está a “falar”.

Depois, o autor aborda temas interessantíssimos, como os dilemas dos refugiados e os problemas do frequentemente esquecido continente africano. Mas é também um livro que fala da amizade incondicional, da capacidade do ser humano de ultrapassar o egoísmo, que tantas vezes marca a nossa vida sem nos apercebermos, e de fazermos a diferença, por pequenos que possam parecer os nossos actos.

O gradual desvendar de acontecimentos passados, que origina o interesse constante no desenrolar do enredo, a ligação emocional que criamos com as personagens, especialmente com Abelhinha, e a forma emocionante como o autor escreveu este livro, transformaram-no numa leitura particularmente memorável. Recomendo sem reservas. – Célia M.

5/5 – Adorei


A Casa de Papel

Wednesday, February 9, 2011 Post de Célia

Autor: Carlos María Domínguez
Título Original: La Casa de Papel (2002)
Editora: ASA
Páginas: 78
ISBN: 9789724145402
Tradutor: Henrique Tavares e Castro

Sinopse
Os livros mudam o destino das pessoas: Demian, de Hermann Hesse, apresentou o hinduísmo a milhares de jovens; Hemingway incutiu em muitos o seu famoso espírito aventureiro; os intrépidos mosqueteiros de Dumas abalaram as vidas emocionais de um sem-número de leitores; muitos outros foram arrancados às malhas do suicídio por um vulgar livro de cozinha. Bluma Lennon foi uma das vítimas da Literatura. Na Primavera de 1998, Bluma, uma lindíssima professora de Cambridge, acaba de comprar um livro de poemas de Emily Dickinson quando é atropelada. Após a sua morte, um colega e ex-amante recebe um exemplar de A Linha da Sombra, de Joseph Conrad, em que Bluma escrevera uma misteriosa dedicatória e que lhe era agora devolvido. Intrigado, parte numa busca que o leva a Buenos Aires com o objectivo de procurar pistas sobre a identidade e o destino de um obscuro mas dedicado bibliófilo e a sua intrigante ligação com Bluma. A Casa de Papel é um romance excepcional sobre o amor desmesurado pelas bibliotecas e pela literatura. Uma envolvente intriga policial e metafísica que envolve o leitor numa viagem de descoberta e deslumbramento perante os estranhos vínculos entre a realidade e a ficção.

Opinião
Ia eu toda lançada começar a leitura de Bibliotecas cheias de fantasmas, de Jacques Bonnet, quando me sugeriram que, pelas referências que por lá aparecem a A Casa de Papel, pegasse primeiro neste pequeno livro do escritor argentino Carlos María Domínguez. Felizmente, estava um exemplar disponível na biblioteca que frequento e, por isso, trouxe-o comigo.

A Casa de Papel é, como já referi, um livro pequeno, que se lê num par de horas. É escrito por amor aos livros, para quem gosta deles e de ler sobre eles, cheio de citações que apetece guardar. A narrativa começa quando Bluma Lennon, professora em Cambridge, é atropelada enquanto lia um livro de poemas de Emily Dickinson. O seu substituto, e narrador desta história, recebe pelo correio uma misteriosa encomenda vinda de Buenos Aires e endereçada a Bluma, que contém dentro de si o livro A Linha da Sombra, de Joseph Conrad, repleto de vestígios de cimento. O nosso narrador parte então para Buenos Aires, em busca do dono do livro e, acima de tudo, ansioso por descobrir o mistério que o rodeia. Não me vou alongar mais na descrição das linhas gerais do enredo, porque fazê-lo seria estragar o prazer de descobrir um dos seus desenvolvimento mais interessantes.

É um livro que fala sobre bibliofilia e sobre os limites a que a paixão pelos livros pode levar um ser humano.  Os livros são aqui descritos como objectos com vida própria, podendo influenciar decisivamente a vida dos seus donos. Está muito bem escrito e é muito fácil deixarmo-nos embalar pela melodia das suas palavras. Uma pequena delícia e, no final, só fica a pena por ter terminado tão depressa.

[...] um leitor é um viajante através de uma paisagem que se foi fazendo. E é infinita. A árvore foi escrita, e a pedra, e o vento na ramaria, a saudade dessas ramagens e o amor ao qual emprestou a sua sombra. E não encontro melhor sina que percorrer, em poucas horas diárias, um tempo humano que, de outro modo, me seria alheio. Não chega uma vida para percorrê-lo. Roubo a Borges metade de uma frase: uma biblioteca é uma porta no tempo.

Célia M.

4/5 – Gostei Bastante