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Arquivo da categoria ‘Cristina’

Nelson Mandela

Friday, September 16, 2011 Post de Célia

Autor: Albrecht Hagemann
Título Original: Nelson Mandela (1995)
Editora: Expresso (Colecção “A minha vida deu um livro”)
Páginas: 175
ISBN: n.d.
Tradutor: Ana Mendes

Opinião
Existem personalidades que, por uma razão ou outra, nos atraem e cujo percurso queremos conhecer ao pormenor. Nelson Mandela é, para mim, um desses casos. Sabia um pouco sobre quem era, sobre o seu percurso, mas o fascínio que exerce sobre mim, a sua aura quase mágica, impeliu-me a querer saber mais. Por isso, aproveitando a iniciativa do jornal O Expresso, li esta sua biografia, um pequeno aperitivo tendo em conta a grandiosidade e intensa história de vida de alguém que marcou a história da Humanidade.

Este pequeno livro é, essencialmente, um relato cronológico da vida política e pessoal de Nelson Mandela. Por essa razão, a narrativa, embora interessante, torna-se pouco fluida e exige-nos máxima concentração para apreendermos os dados essenciais.

Ao longo de quase 200 páginas, vamos conhecendo o espírito batalhador e incómodo de Nelson Mandela que, como sabemos, lutou pelo fim do Apartheid na África do Sul. A sua luta, ainda que nunca apelando à violência, não foi tão pacífica como pensava e, em consequência da mesma, acabou por ser detido durante largos anos. Este relato permite-nos conhecer melhor um homem forte animicamente, que nunca sobrepôs a sua vontade/desejo pessoal aos interesses de uma Nação. Acompanhamos momentos marcantes, e dolorosos, da sua luta, mas somos, igualmente, espectadores de importantes conquistas, algumas das quais até encaradas com grande sentido de humor pelo protagonista.

Em simultâneo com o seu percurso político, que se pauta pelo envolvimento em partidos e organizações que ora eram reconhecidos ora sobreviviam na ilegalidade, conhecemos Nelson Mandela enquanto cidadão comum. Conhecemos as suas raízes, as suas crenças, os seus desejos/expectativas amorosas, os seus percalços e discussões por algo melhor para estabilizar a sua vida pessoal. Mandela surge, aos olhos do leitor, como simples filho, marido, pai e avó… sem expectativas de maior.

Esta pequena biografia é apenas uma pequena amostra da vida desta personalidade história. Mas é, ainda assim, um excelente trabalho que pode complementar e fazer-nos compreender melhor filmes que, recentemente, estiveram em cena, como, por exemplo, Invictus (2009). No cômputo geral, é fácil depreender desta obra que, embora a luta de Mandela tenha sido sempre com grande sacrifício próprio, valeu a pena. – Cristina

4/5 – Gostei Bastante
 


A Mão de Fátima

Friday, July 22, 2011 Post de Célia

Autor: Ildefonso Falcones
Título Original: La Mano de Fátima (2009)
Editora: Bertrand
Páginas: 920
ISBN: 9789722522267
Tradutor: Pedro Carvalho, Sérgio Coelho e J. Espadeiro Martins

Sinopse
A história de um jovem dividido entre duas religiões e dois amores, em busca da sua liberdade e da do seu povo, na Andaluzia do séc. XVI. 1568. Depois de derrotados por Isabel, a Católica, a comunidade muçulmana andaluza sobrevive com muitas dificuldades, sob a constante repressão dos Cristãos, mas depressa o descontentamento dá lugar a uma sanguinária revolta. Entre os revoltosos encontra-se Hernando, um jovem desprezado pelo seu próprio povo e maltratado por Brahim, o seu padrasto. Dotado de uma extraordinária habilidade para lidar com animais, Hernando salva a vida ao filho de uma jovem belíssima, Fátima. Dividido entre a fé que lhe foi incutida e as atrocidades que vê serem cometidas em nome de Alá, o seu coração impele-o a ajudar um nobre cristão, obtendo a sua eterna gratidão. Porém, a sua coragem e honestidade também lhe granjeiam alguns inimigos, sobretudo o seu cruel padrasto que, aproveitando-se da morte do rei, consegue condenar Hernando à escravatura e desposar a bela Fátima, o grande amor do enteado. Brahim, na qualidade de lugartenente do novo monarca, parece inatacável, e Hernando parece condenado à desgraça…

Opinião
Depois de me ter deleitado com A Catedral do Mar, era óbvio, para mim, que tinha de continuar a acompanhar a obra de Ildefonso Falcones. Assim, quase um ano depois, e muito por culpa do meu marido, pude finalmente ler A Mão de Fátima. As expectativas eram muitas e elevadas, mas foram correspondidas, apesar de alguns (pequenos) contratempos. Ainda assim, está provado que o autor é dotado, não só pela sua bela escrita, mas também pelos temas novos e desconhecidos que aborda.

A narrativa transporta-nos para os sécs. XVI e XVII, na Península Ibérica, numa altura em que a comunidade moura residente em Espanha atravessa dificuldades para sobreviver. Ao longo de 44 anos, acompanhamos a forma como os Mouros viviam e sobreviviam em Espanha, sobretudo na região andaluz, onde a Cristandade sempre foi exacerbada. Hernando, o personagem principal, é o centro e espelho de uma comunidade mourisca que deambula por várias regiões do Sul de Espanha à procura, apenas, de espaço para poder viver e professar os seus ideais, livremente. É através do seu percurso de vida que o leitor vai tomando contacto com alguns momentos marcantes da história de Espanha, em geral, e da região andaluz, em particular. A investigação por trás desta obra é, sem dúvida, um importante e amplo complemento ao que aprendemos na escola, relativamente à influência moura na Península Ibérica.

Felizmente, ainda existem obras que nos surpreendem e A Mão de Fátima é, sem dúvida, disso exemplo. A obra retrata uma página negra da História Mundial e da qual, muitas vezes, temos pouco conhecimento. Por isso, capítulo após capítulo, o nosso interesse aumenta, apaixonando-nos pelos personagens, independentemente dos ideais e ideias que defendem.

O conceito de diferença perpassa toda a obra e leva-nos sistematicamente a pensar. Nas 920 páginas, temas como a Sobrevivência, a Religião, o Amor, o Respeito, entre outros, são dados a conhecer sob diferentes perspectivas. As várias personagens têm, quase sempre, um propósito e representam algo desde a Crueldade, à Injustiça, passando pela Pureza e Crença em algo maior. Esta característica impele a leitura e entusiasma o leitor, o qual deseja desvendar, constantemente, o que acontece adiante a cada personagem. Uma combinação extremamente bem doseada entre conhecimento e emoções cativa o leitor e prende-o num suspense rumo a um final surpreendente.

Apesar da excelente obra, na minha opinião, o autor d’ A Mão de Fátima peca, em alguns casos, por desenvolver, excessivamente, alguns dos acontecimentos. De facto, nesses períodos, parece que sentimos o tempo a passar com a sua duração real. Em contraponto, Ildefonso Falcones apaixona-nos com descrições vivas e muito realistas, levando-nos a viajar por Sevilha, Granada, Córdoba, entre outras cidades, onde presenciamos acontecimentos ora felizes ora cruéis, alguns dos quais não devem nunca ser esquecidos. – Cristina

5/5 – Adorei


A Ilha Debaixo do Mar

Wednesday, July 13, 2011 Post de Célia

Autor: Isabel Allende
Título Original: La Isla Bajo el Mar (2009)
Editora: Inapa CRT
Páginas: 512
ISBN: 9789896810009
Tradutor: Jorge Fallorca

Sinopse
Para quem era uma escrava na Saint-Domingue dos finais do século XVIII, Zarité tinha tido uma boa estrela: aos nove anos foi vendida a Toulouse Valmorain, um rico fazendeiro, mas não conheceu nem o esgotamento das plantações de cana, nem a asfixia e o sofrimento dos moinhos, porque foi sempre uma escrava doméstica. A sua bondade natural, força de espírito e noção de honra permitiram-lhe partilhar os segredos e a espiritualidade que ajudavam os seus, os escravos, a sobreviver, e a conhecer as misérias dos amos, os brancos. Zarité converteu-se no centro de um microcosmos que era um reflexo do mundo da colónia: o amo Valmorain, a sua frágil esposa espanhola e o seu sensível filho Maurice, o sábio Parmentier, o militar Relais e a cortesã mulata Violette, Tante Rose, a curandeira, Gambo, o galante escravo rebelde… e outras personagens de uma cruel conflagração que acabaria por arrasar a sua terra e atirá-los para longe dela. Quando foi levada pelo seu amo para Nova Orleães, Zarité iniciou uma nova etapa onde alcançaria a sua maior aspiração: a liberdade. Para lá da dor e do amor, da submissão e da independência, dos seus desejos e os que lhe tinham imposto ao longo da sua vida, Zarité podia contemplá-la com serenidade e concluir que tinha tido uma boa estrela.

Opinião
A primeira vez que tentei ler Isabel Allende, não passou disso mesmo, uma tentativa. Desta vez, no entanto, comecei e acabei a leitura, pese embora as dificuldades iniciais. Sim, confesso, por um lado, não estava preparada para o estilo narrativo da autora, e, por outro, as histórias contadas na primeira pessoa nem sempre me conseguem prender. Ainda assim, no cômputo geral, posso dizer que o livro/estória me satisfez e recomendo-a a quem gostar da autora ou adorar romances históricos.

A narrativa inicia-se em Saint-Domingue (actual Haiti), no séc. XVIII e tem como pano de fundo essencialmente o tema da escravatura. A personagem principal é Zarité, uma escrava, através de quem vamos conhecendo a região, as modas e costumes da época e a difícil vida de quem se vê privado de um bem tão precioso como é a Liberdade. O seu percurso de vida, que a própria nos conta, intercalando com a voz do narrador, leva-nos a conhecer um vasto rol de personagens, cujos dilemas, dissabores e lutas acompanhamos com interesse. Independentemente do lado em que se está, cada personagem tem um objectivo, pelo qual, pouco a pouco, o próprio leitor se vai deixando cativar. A personagem principal, em particular, e o núcleo das personagens, no geral, estão muito trabalhadas pela autora, que não descurou quase nenhum pormenor, o que apaixona e estimula uma maior ligação entre leitor e estas.

O principal ponto negativo d’A Ilha debaixo do Mar reside, na minha opinião, no início, o qual não só é muito abrupto como também é recheado de informação. Como tal, a leitura torna-se menos fluida e exige maior concentração/tempo. Contudo, aos poucos, o leitor vai-se embrenhando na narrativa, e nas pequenas histórias paralelas, e o interesse renova-se. Com uma linguagem simples, e oferecendo sempre duas perspectivas (a do narrador e de Zarité) sobre os acontecimentos, o leitor viaja até ao Haiti, passando por França e Nova Orleães, sofrendo, rindo e lutando como os personagens por um futuro melhor e mais justo. Recomendo vivamente. – Cristina

4/5 – Gostei Bastante 


O Desejo

Friday, May 13, 2011 Post de Célia

Autor: Alexandra Bullen
Título Original: Wish (2010)
Editora: Planeta Manuscrito
Páginas: 272
ISBN: 9789896571573
Tradutor: José Luís Luna

Sinopse
Para a infeliz Olivia Larsen nada pode alterar o facto de que a sua irmã gémea, Violet, morreu… Vive angustiada e isolada e um dia as suas incursões levam-na a uma velha loja onde uma misteriosa costureira lhe oferece um vestido dizendo-lhe que é mágico e que lhe pode conceder um desejo. Céptica, Olívia veste o vestido e pede a única coisa que deseja, que Violet volte. Com Violet de novo ao seu lado, ambas têm uma segunda oportunidade na vida. Mas nem tudo é o que parece, como em breve descobrem… Por insistência de Violet, voltam à loja e obtêm mais dois vestidos – e mais dois desejos. Mas a magia não pode resolver tudo e Olivia é obrigada a confrontar os seus fantasmas para aprender a rir, amar e viver outra vez.

Opinião
Desconhecia, por completo, a existência do livro O Desejo, de Alexandra Bullen, mas, uma vez que chegou até às minhas mãos, aventurei-me. Confesso que, apesar de não ser o meu tipo de leitura, a obra em si cumpriu a sua função: entreteve- me e levanta algumas questões pertinentes sobre cada um de nós. Para variar, é uma alternativa muito viável e agora, em tempo de praia, não podia ser a melhor altura.

Após a morte da irmã gémea, a vida de Olívia Larsen deu uma volta de 180º. A acção é, sobretudo, centrada na vida desta personagem, apresentando-nos, progressivamente, o seu mundo, as suas preocupações e as suas relações sócio-amorosas. O acontecimento familiar trágico marca a forma de estar/ser de Olívia, mas também a maneira como (não) se relaciona com pais, amigos e conhecidos. É esta falta de apoio/comunicação que, um dia, a leva a pedir mais do que aquilo que pode ter e, de repente, Olívia descobre que o seu Mundo pode alterar-se ao sabor do momento e da sua vontade.

Apesar do acontecimento dramático que serve de pano de fundo à acção, a obra apresenta-se num estilo bastante light, não tendo a autora explorado, como podia, a temática da dor e das acções que ditaram a morte da irmã gémea de Olívia. Alexandra Bullen preferiu explorar os problemas existenciais, que, quase sempre, afectam os adolescentes: as paixões platónicas, os supostos ódios dos professores, a tentativa de entrar no grupo dos “mais populares do liceu”, as festas, o primeiro amor… Ao tentar alargar os pontos de interesse, a autora acaba por não dar profundidade a quase nada e o leitor não se consegue ligar, efectiva e afectivamente, a nenhuma personagem em particular.

Às vezes, precisamos destes livros simples, fáceis e curtos para desanuviar de outras leituras. Apesar de tudo, o livro conseguiu entreter-me e fez-me pensar no que eu pediria se, eventualmente, tivesse um dom especial. Todos sabemos que nem todos os livros são clássicos, nem todos marcam a literatura, mas cada autor tem o seu espaço e deve ter margem para crescer. Fico, por isso, à espera de nova aventura desta autora. – Cristina

2/5 – OK


Os Pilares da Terra – Volume 2

Wednesday, May 4, 2011 Post de Célia

Autor: Ken Follett
Título Original: The Pil­lars of the Earth (1989) — 2.ª metade
Editora: Editorial Presença
Páginas: 609
ISBN: 9789722338196
Tradutor: Alice Rocha

Sinopse
Na Inglaterra do século XII, Tom, um humilde pedreiro e mestre-de-obras, tem um sonho majestoso – construir uma imponente catedral, dotada de uma beleza sublime, digna de tocar os céus. E é na persecução desse sonho que com ele e a sua família vamos encontrando um colorido mosaico de personagens que se cruzam ao longo de gerações e cujos destinos se entrelaçam de formas misteriosas e surpreendentes, capazes de alterar o curso da história. Recheado de suspense, corrupção, ambição e romance, Os Pilares da Terra é decididamente a obra-prima de um autor que já vendeu 90 milhões de livros em todo o mundo.

Opinião
Depois da boa impressão causada pelo primeiro volume, parti à descoberta do segundo, com o qual ainda me surpreendi e muito. Os Pilares da Terra (Vol. II) é uma continuação fascinante, onde, a cada página volvida, o interesse da estória se vai intensificando. Como consequência do meu (enorme) deleite, preparo-me para adquirir a saga Um Mundo Sem Fim, de Ken Follett.

A acção deste volume ocorre entre 1140 e 1174. Apesar das disputas pelo trono da Inglaterra continuarem, agora, a estória tem, sobretudo, como pano de fundo, a aldeia de Kingsbridge, onde a construção de uma catedral vai ter graves e grandes implicações na vida das muitas personagens. No seio desta iniciativa está vincada a dicotomia que marca toda a obra: de um lado, encontramos o Bem, onde, apesar de alguns defeitos/imperfeições, se encontram Jack, Ellen, Aliena; do outro o Mal, representado por William, Waleran ou Walter, para quem tudo vale em nome dos seus interesses pessoais.

Ao longo dos vários capítulos, vamos saltitando entre o Presente e o Passado da vida das personagens, cujos caminhos, por mais tortuosos que sejam, acabam sempre por se cruzar. A trama é marcada por um misto entre a fome pelo poder e o desejo de fazer mais e melhor pelos outros, sendo que muitos acontecimentos apelam ao lado mais emocional do leitor. Graças a descrições vivas e extremamente realistas, o leitor sente-se mais próximo das personagens e mais facilmente se identifica com elas ou as repugna. Aliás, diga-se, um dos grandes aspectos positivos de Os Pilares da Terra é a forma como, psicologicamente, as personagens são trabalhadas e aprofundadas.

Nunca pensei que a obra de Ken Follett me marcasse tanto. Sinto que ainda estou a reviver, e a absorver, alguns dos momentos lidos. A sua escrita simples e a sua vivacidade cativaram-me por completo e, graças a elas, esta saga é já uma das minhas preferidas. No final de mais de 1000 páginas, fiquei com a sensação de que a obra não se tinha esgotado. A cada página, a cada capítulo, o interesse renovou-se, porque o autor soube delinear uma história plausível, recheada de novidades, de surpresas, de suspense e onde, ainda assim, no final, a felicidade, com contornos diferentes (e insuspeitos) para cada personagem, impera. – Cristina

5/5 – Adorei