2013 Reading Challenge

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The Lord of the Rings

Tuesday, May 7, 2013 Post de Célia

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Autor: J.R.R. Tolkien
Editora: HarperCollins
Páginas: 1184
ISBN: 9780007182367

 

Opinião: Esta é certamente uma das opiniões mais difíceis que tive de escrever neste blogue, por um simples motivo: acho que jamais vou conseguir exprimir exatamente o quanto gosto deste livro e a influência que teve no meu crescimento como leitora. Mas não custa tentar.

 

Li The Lord of the Rings pela primeira vez em 2001-2002, por ocasião da estreia do primeiro filme da trilogia. A primeira leitura – bem como as seguintes – foram feitas na edição portuguesa, da Europa-América, mas ficou sempre aquele desejo de ler as palavras de Tolkien no original. Passei uns bons 10 anos sem voltar a reler The Lord of the Rings e, apesar da convicção que tinha de que ia continuar a gostar, não escondo que tinha também receio que a magia inicial se tivesse perdido de algum modo, porque afinal não sou a mesma pessoa nem a mesma leitora que era há 10 anos. Mas ainda assim decidi avançar, até porque tenho uma edição linda que merecia ser lida.

 

E assim foi, no final de Janeiro iniciei a leitura que se foi arrastando principalmente porque não me dediquei a ela em exclusivo. Pensei em ler um capítulo por dia, mas a verdade é que chegava ao fim do dia demasiado cansada para me apetecer ler e quando me apetecia fui dando prioridade a outras leituras. Mas às tantas decidi que ia parar de alternar leituras e dedicar-me em exclusivo a este livro. Assim foi, e terminei ontem mais uma viagem fantástica pela Terra Média.

 

Os meus receios eram infundados porque a magia permanece. O principal destaque vai mesmo para ter lido a história tal e qual foi escrita e, goste-se mais ou menos do estilo super descritivo de Tolkien, é inegável a musicalidade da sua escrita, que se concretiza na descrição do seu mundo inventado e de todas as personagens e acontecimentos que o povoam. A imaginação é notável, tal como o nível de detalhe que o autor dá a tudo o que criou na Terra Média: desde a geografia à história, passando pela natureza e pelos povos que a habitam. É tudo isto que dá credibilidade e força a este mundo e que me faz acreditar, mais do que em qualquer outro mundo fictício que li, que existe mesmo. Surpreendi-me a mim própria quando percebi a quantidade de nomes de que ainda me lembrava.

 

Os temas do livro estão mais do que discutidos e dissecados, mas não consegui deixar de me voltar a apaixonar pelo amor que Tolkien demonstra pela natureza, pela vida e pelas pessoas simples, pela coragem e pela bondade e, a maior lição que tirei e continuo a tirar deste livro: não devemos julgar as pessoas com base nas aparências ou sem lhes dar oportunidade de demonstrarem um pouco mais. A tolerância e a compreensão são virtudes essenciais.

 

Foi também engraçado fazer esta releitura tantos anos depois e com várias visualizações das adaptações cinematográficas pelo meio. Dei por mim várias vezes a pensar “Já não me lembrava deste acontecimento ou desta personagem” ou “Ah, isto realmente foi assim e não como puseram no filme”. Acho que uma coisa não substitui outra e ambas têm os seus atrativos: há coisas que funcionam muito melhor no livro e outras que gostei mais de ver nos filmes (a batalha de Helm’s Deep, por exemplo).

 

Finda a leitura, reforço a minha certeza de que este livro há-de acompanhar-me várias outras vezes ao longo da vida. E será sempre como reencontrar um velho amigo.

 

Classificação: 5/5 – Adorei


As Coisas que a Minha Mãe Dizia e que Jurei não Repetir

Monday, April 29, 2013 Post de Célia

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Autor: Amaya Ascunce
Título Original: Cómo no ser una drama mamá (2012)
Editora: Marcador
Páginas: 400
ISBN: 9789898470874
Tradutor: Alexandra Cardoso

 

Sinopse: Este livro é para todos aqueles que ouviram essas frases inesquecíveis como: «Bebe o sumo depressa, que as vitaminas desaparecem», «as marcas são uma invenção para cobrar o dobro pelo mesmo pacote de leite» ou «achas que sou dona de um banco?» É para aquelas crianças de cotoveleiras e fatos de treino de nylon, que sabiam que os cromos que nos eram oferecidos à porta da escola tinham droga e que era preciso fazer a digestão durante duas horas antes de tomarmos banho. Mas também é para aqueles que garantem, com convicção, que nunca serão como as suas mães. Infelizes.

Em As Coisas que a Minha Mãe Dizia e que Eu Jurei Não Repetir… estão compiladas as frases que jurámos nunca repetir aos nossos filhos, juntamente com a opinião de alguns especialistas, como Javier Urra e Rocío Ramos-Paul – a supernanny da televisão espanhola –, e a contribuição de centenas de leitores anónimos, que contaram a sua versão. E claro, também a história da menina – a protagonista – que sabe que a parte negra da banana não é boa, por muito que a sua mãe diga que sim.

 

Opinião: Enquanto continuo a minha longa releitura do “The Lord of the Rings“, decidi fazer uma (pequena) pausa para pegar neste livro que me foi oferecido nos anos e que me pareceu ter os ingredientes suficientes para proporcionar umas horas de leitura leves e com algum humor.

 

Este é mais um caso de um blogue que teve sucesso e que foi transformado em livro. A jornalista espanhola Amaya Ascunce decidiu pegar nos vários conselhos que a mãe lhe foi dando ao longo da vida – com particular incidência na infância/adolescência – e construir à volta dos mesmos textos humorísticos. O feedback foi enorme, com vários leitores a contarem as suas próprias histórias e variações dos conselhos, e os mais interessantes foram incluídos no livro. Cada conselho (num total de 101) constitui um capítulo curto em que a autora refere em que situações os conselhos eram dados, quais as consequências, se irá manter o conselho para os seus futuros filhos, e os tais comentários dos leitores do seu blogue, muitas vezes acompanhados de comentários de um pediatra e da tal supernanny.

 

Li este livro em dois dias, o que tendo em conta o meu ritmo de leitura atual é digno de nota. É um livro que se lê rapidamente, e de facto encontrei nele o que pretendia – uma leitura leve e engraçada. Revi-me em vários dos conselhos, como o não poder entrar no mar 2/3h depois de comer e os míticos “Estão crianças a morrer à fome em África”, “Tudo se pode aproveitar” e a questão dos cromos que estranhos nos ofereciam. Pela proximidade cultural entre Espanha e Portugal, muitos destes conselhos/mitos maternais são semelhantes e por isso o leitor português facilmente se identifica com o que vai lendo. Não gostei muito da tradução, porque houve ali alguns ditados traduzidos à letra com correspondente em português e algumas coisas não me soaram muito bem. Mas de um modo geral, foi uma leitura que me agradou e que me fez recuar agradavelmente no tempo. Não deixa de ser engraçado compreender, quando somos pais, que muitas das coisas que nos diziam afinal até faziam algum sentido.

 

Classificação: 3/5 – Gostei


A Passagem – Volume II

Wednesday, April 17, 2013 Post de Célia

12526435Autor: Justin Cronin
Título Original: The Passage (2010) – 2.ª metade
Editora: Editorial Presença
Páginas: 416
ISBN: 9789722346184
Tradutor: Miguel Romeira

 

Sinopse: Neste segundo volume a humanidade vive uma era de trevas em que a sobrevivência dita as leis, não só em função dos ataques dos mutantes virais, mas em relação a quase tudo. Passaram entretanto noventa anos sobre a catástrofe e a Vagante, como muitos lhe chamam, regressa de uma longa e solitária jornada de décadas. Como numa viagem iniciática, durante essa obscura deriva ganhou forma dentro dela o terrível conhecimento de que ela é a Única que tem o poder de salvar o mundo destruído por aquele pesadelo.

 

Opinião: Parece mentira, mas já publiquei a opinião sobre o primeiro volume há mais de um mês e ando há quase duas semanas para escrever esta. A vida não me tem dado descanso e quando dá só me apetece dormir. Mas cá vai.

 

Esta segunda parte começa exatamente onde a primeira terminou, ou não fosse este livro apenas um no original, que a Presença decidiu dividir em dois volumes por cá. Continuamos assim a acompanhar o grupo de jovens que nos foi apresentado no primeiro volume e que vive numa colónia protegida do vírus que provocou milhões de mortos na América de há 100 anos. Um misterioso sinal de rádio e o fim iminente das baterias que proporcionam a proteção noturna à colónia, essencial para a sobrevivência dos seus habitantes, são o mote para que o grupo parta à descoberta de novas soluções. São acompanhados por Amy, a jovem especial e que é aparentemente peça essencial no desvendar do mistério.

 

Esta segunda parte acaba por ser, em boa parte, dedicada às aventuras do grupo e à sua luta pela sobrevivência em novos e desconhecidos ambientes. Ao longo do caminho vão encontrando várias pessoas, amigos ou inimigos, e ao mesmo tempo descobrindo mais sobre a história dos virais e sobre a forma como funcionam. O nível de desenvolvimento das personagens continua a ser de relevo, se bem que aqui mais esbatido em prol da ação. 

 

O autor utiliza frequentemente o artifício de dar a entender que os acontecimentos vão tomar determinado rumo para depois a coisa acabar por compôr-se, o que às tantas faz com que o enredo seja um pouco previsível. O final, não sendo propriamente um final (a história tem continuação ainda não publicada em Portugal), acaba por ser satisfatório dentro do que nos é apresentado. Em suma, gostei mais da primeira metade do que da segunda, mas de um modo geral foi uma história que gostei de acompanhar, que me manteve cativada e interessada. Fica a expectativa por ver The Twelve publicado por cá.

 

Classificação: 3/5 – Gostei


Estado das Leituras

Monday, March 25, 2013 Post de Célia

Devagar, devagarinho, parado. Têm sido estas as velocidades das minhas leituras atuais, daí a atualização menos frequente do blogue. Ando a ler 3 livros ao mesmo tempo: o segundo volume de “A Passagem“, de que estou a gostar, vai mais ou menos a meio. Só o tenho lido nos transportes públicos, até me dar sono. “The Lord of the Rings” tem sido reservado para leitura antes de dormir, o que significa que leio uns 2 minutos por dia (mas yay! já encontrei o Strider). Por fim, “Mad Ship“, da Robin Hobb, que estou a ouvir em audiobook, tem-me acompanhado nas aparentemente intermináveis tarefas domésticas. Ando numa fase em que se me encosto ou sento em qualquer lado, o sono toma conta de mim e não há nada a fazer. Gostava de estar a conseguir ler mais depressa – até porque a lista de livros interessantes parece aumentar exponencialmente – mas de momento está complicado. Melhores dias virão. 


Categorias: Blog, Célia

O Sobrinho do Mágico

Sunday, March 17, 2013 Post de Célia

Liv60270001_fAutor: C.S. Lewis
Título Original: The Magician’s Nephew (1955)
Editora: Presença
Páginas: 147
ISBN: 9789722329989
Tradutor: Ana Falcão Bastos

 

Sinopse: Digory e Polly conhecem-se e tornam-se amigos num frio e chuvoso Verão em Londres. Os dois irão viver fantásticas aventuras quando o maléfico tio de Digory, Andrew, que pensa que é mágico, os manda repentinamente… para outro mundo. Acabam por encontrar o caminho para Nárnia, um mundo encantado repleto de um sol radiante, de flores e árvores que crescem miraculosamente e de animais falantes.

 

Opinião: Comprei este livro e os dois seguintes da série aquando da estreia da adaptação cinematográfica de “O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa“, em 2005. É verdade, este livro aguardava pela sua vez há praticamente 8 anos. O Sobrinho do Mágico é o primeiro livro d’”As Crónicas de Narnia” em termos cronológicos, apesar de ter sido apenas o sexto a ser publicado, e explica a formação deste mundo imaginário, intimamente ligada às aventuras dos jovens Digory e Polly.

 

Digory é sobrinho de Andrew, um mágico que lida com anéis que permitem a viagem entre mundos diversos, apesar de não conhecer bem as suas potencialidades ou efeitos. E porque quer descobrir isso, manda o seu sobrinho e a amiga Polly para um sítio desconhecido, deixando os jovens à mercê de quaisquer perigos que pudessem encontrar. Após uma passagem por um mundo em declínio, os dois e mais alguns companheiros assistem à formação de Nárnia pelas “mãos” do leão Aslan, e, à semelhança do mito bíblico, ao aparecimento do mal desde a criação.

 

Aliás, é praticamente impossível dissociar a criação de Nárnia à criação do mundo tal como descrito na Bíblia, em especial no que se refere à questão do pecado original e da tentação. A moral também é um aspeto que atravessa praticamente todo o livro, contado num tom leve e por vezes humorístico; são frequentes as interjeições do narrador, como se estivesse a contar uma história a uma criança e fosse fazendo as suas próprias observações. Também a natureza de Narnia, com os seus animais falantes e a importância dada à flora são elementos de destaque. Destaque ainda para as ilustrações de Pauline Baynes, que ajudam a  visualizar os acontecimentos que nos vão sendo relatados.

 

Confesso que não estava à espera de gostar lá muito do livro, especialmente porque é dirigido a crianças/jovens. Mas afinal de contas até foi uma leitura bastante agradável. O nível de detalhe e de desenvolvimento no que se refere à criação de Nárnia não é grande, mas suponho que seja o adequado para a faixa etária a que se destina. O desenvolvimento das personagens também não é extenso, o que se percebe, e são todas muito a preto e branco, ou seja, ou são boas ou são más. O que me leva a não ter gostado ainda mais deste livro é a analogia óbvia desta história com os mitos bíblicos. O que por si só não é um defeito, mas nunca senti que o autor tivesse pegado nesta influência e tivesse tornado a história numa coisa sua; acabou por parecer-me apenas uma imitação – ainda por cima de uma coisa que eu não aprecio. Mas a história tem os seus pontos de interesse e explicações interessantes para quem já conhece acontecimentos e personagens que aparecerão no futuro. Por isso, vou continuar a seguir esta série.

 

3/5 – Gostei