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Arquivo da categoria ‘8/10’

Submundo

Monday, August 16, 2010 Post de Célia

Autor: Don DeLillo
Título Original: Underworld (1997)
Editora: Sextante
Páginas: 848
ISBN:9789896760144
Tradutor: Paulo Faria

Sinopse
Submundo é a crónica de vidas ordinárias inseridas no último meio século da história americana. No imenso palco do romance, elas cruzam-se com figuras que marcaram a época – J. Edgar Hoover, Frank Sinatra, entre outras. DeLillo faz surgir uma obra de arte deslumbrante do outro lado, obscuro e escondido, da humanidade contemporânea.

Opinião
Se aos romances fossem atribuídas nacionalidades, Submundo, de Don DeLillo, seria, de certeza, um americano. É sobre os EUA, e tudo em seu redor, de que se trata este monumental livro, sobre a sua história recente (principalmente a partir da Guerra Fria até aos nossos dias), os seus costumes (os antigos, os modernos, os que não se perderam, os que o tempo viu nascer), o seu povo e as suas paixões. É a cultura americana que é detalhadamente descrita nas suas páginas.

E tudo começa num jogo decisivo de basebol, onde os Giants ganham aos Dodjers, num dia politicamente histórico, o dia do lançamento de uma bomba atómica sobre os japoneses, acabando por a bola do “home-run” decisivo ganhar uma importância central em toda a história.

Conhecemos Klara Sax e Nick Shay como personagens principais, mas vamos conhecendo variadas personagens, umas mais conhecidas que outras, como J. Hoover ou Frank Sinatra, passando por belas descrições da música dos Rolling Stones e algumas marcas de tabaco conhecidas, isto sem passar por cima de factos históricos dos EUA. O livro traça um perfil geral da sociedade norte-americana, como se fosse uma radiografia minuciosa, e de toda a sua influência no mundo.

Como é normal num livro com esta dimensão, por vezes o leitor pode-se sentir perdido, ou um pouco aborrecido, pela “não–acção” da história, ou seja, é um livro, permitem-me a expressão, em “combustão” lenta, embora fiquemos envolvidos na “teia” daquela(s) história(s) logo desde a primeira página.

A escrita de DeLillo é cativante, muito directa, detalhada, bastante cinematográfica. Uma palavra de apreço para a excepcional tradução de Paulo Faria que, segundo me parece, conseguiu fazer compreender a mensagem do livro aos seus leitores. É uma obra que é, sem dúvida, aconselhável, desde que o leitor tenha a mente aberta e paciência para enfrentar uma dura, mas saborosa por alguns capítulos de puro deleite literário, luta com 840 páginas. – Ricardo

8/10 – Muito Bom


A Mulher do Viajante no Tempo

Tuesday, August 10, 2010 Post de Célia

Autor: Audrey Niffenegger
Título Original: The Time Traveler’s Wife (2003)
Editora: Editorial Presença
Páginas: 480
ISBN: 9789722332743
Tradutor: Fernanda Pinto Rodrigues

Sinopse
Audrey Niffenegger estreia-se na ficção com um primeiro romance prodigioso. Revelando uma concepção inovadora do fenómeno da viagem temporal, cria um enredo arrebatador, que alia a riqueza emocional a um apurado sentido do suspense. Este livro é, antes de mais, uma celebração do poder do amor sobre a tirania inflexível do tempo, que para Henry assume contornos estranhamente inusitados – Cronos preparou-lhe uma armadilha caprichosa que o faz viajar a seu bel-prazer para uma data e um local inesperados. Uma obra inesquecível, que retrata a luta pela sobrevivência do amor no oceano alteroso do tempo.

Opinião
Já tinha ouvido falar n’ A Mulher do Viajante do Tempo, mas a obra nunca me tinha realmente chamado a atenção. Agora, depois de o ler, estou completamente rendida ao encanto da estória e espero que o filme, recentemente nos cinemas, consiga fazer jus a todas as emoções retratadas. O meu próximo passo é, sem dúvida, vê-lo.

Como será viver um Presente que começou no Passado e do qual se conhece o Futuro? Esta é a pergunta que, para mim, resume a bonita e estranha história de amor de Henry e Clare. Devido à sua cronodeficiência, Henry tem a capacidade de viajar no tempo e é assim que, por mero acaso, conhece Clare. A história é-nos narrada por estas duas vozes, pelo que do mesmo acontecimento conhecemos sempre duas perspectivas, o que nos habilita com mais informações e, sobretudo, alarga os horizontes da nossa imaginação.

Ao longo da leitura, vamos acompanhando o crescimento das personagens e os problemas que daí advêm. Cria-se, consequentemente, um tom íntimo e de confissão que agarra o leitor. Inicialmente, é difícil acompanhar o tempo-espaço da personagem Henry e a leitura exige, do leitor, concentração para que não se perca na narrativa. Mas, por outro lado, é esse lado estranho e bizarro que lhe confere muito do interesse. Inevitavelmente, perguntamo-nos como seria se nós tivéssemos essa capacidade de viajar. Apesar de tudo, embora a estória se centre muito nos protagonistas, a autora desenvolveu outros grupos de personagens cujos problemas são igualmente interessantes e apimentam a narrativa.

Creio que a obra de Audrey Niffenegger nunca me atraiu muito porque achei a ideia do viajante do tempo meio absurda, mas a verdade é que a autora teve grande habilidade no desenvolvimento da trama, conferindo-lhe credibilidade, a que se juntou uma escrita fantástica, pela sua simplicidade e riqueza. A partir daqui, foi deixar-me levar pelas aventuras (e loucuras) de Henry. E, garanto-vos, houve muito para descrobrir… – Cristina

8/10 – Muito Bom

Audrey Niffenegger estreia-se na ficção com um primeiro romance prodigioso. Revelando uma concepção inovadora do fenómeno da viagem temporal, cria um enredo arrebatador, que alia a riqueza emocional a um apurado sentido do suspense. Este livro é, antes de mais, uma celebração do poder do amor sobre a tirania inflexível do tempo, que para Henry assume contornos estranhamente inusitados – Cronos preparou-lhe uma armadilha caprichosa que o faz viajar a seu bel-prazer para uma data e um local inesperados. Uma obra inesquecível, que retrata a luta pela sobrevivência do amor no oceano alteroso do tempo.


Pompeia

Saturday, July 31, 2010 Post de Célia

Autor: Robert Harris
Título Original: Pompeii (2003)
Editora: 11 x17
Páginas: 416
ISBN: 9789722520256
Tradutor: Inês Castro

Sinopse
Final de Agosto em 79 a.C. O calor escaldante convida à descontracção dos ricos cidadãos de Roma nas suas villas, enquanto a maior armada do mundo está pacificamente ancorada em Misenum. Contudo, o engenheiro Marcus Attilius não consegue estar tranquilo. A chefiar a construção do Aqua Augusta, o enorme aqueduto que transportará água para 250.000 pessoas de nove cidades em volta da baía de Nápoles, Marcus está inquieto com o desaparecimento do seu antecessor no cargo, e também com a nova tarefa que Plínio lhe ordenou: a reparação de importantes fissuras no aqueduto perto de Pompeia, a cidade que descansa à sombra perigoso Vesúvio. E embora Marcus enfrente vários problemas graves, aquilo que se aproxima tornará insignificantes todas as suas preocupações…

Opinião
Quando tinha cerca de 7/8 anos, os livros já eram a melhor prenda que me podiam oferecer. Nessa altura, os meus pais deram-me O Mundo Maravilhoso dos Vulcões, que explicava, em tom infanto-juvenil, a origem deste fenómeno natural e várias curiosidades à sua volta. Falava também de alguma erupções famosas, incluindo, obviamente, a que atingiu a localidade italiana de Pompeia. Desde então, os vulcões têm sido um tema que me fascina e a curiosidade por saber mais sobre o que aconteceu em Pompeia permaneceu, pelo que este livro (mais uma boa recomendação da White_Lady) apresentou-se como a oportunidade ideal para aprofundar conhecimentos.

O livro está dividido em 4 partes, correspondendo cada uma delas a um dia: 2 dias antes da erupção, o dia da erupção, e o dia seguinte. A personagem principal é Marcus Attilius, um engenheiro responsável pela enorme aqueduto Aqua Augusta, que abastecia as cidades da baía de Nápoles, como Misenum, Pompeia ou Nola. Perante alguns problemas de abastecimento de água, Marcus é destacado para detectar a fissura que os estão a provocar, o que o leva a deparar-se com alguns sinais que o fazem suspeitar que o problema poderá ser bem mais grave do que parece à primeira vista. De facto, foram as movimentações que antecedem a erupção a origem de tudo.

Uma vez que já conhecemos mais ou menos o final desta história, todo o interesse do livro está em ver a forma como se lidou com este desastre, apesar do período temporal em que este decorre ser algo limitado. De facto, a narração permite-nos ter um vislumbre suficientemente detalhado dos modos de vida romanos, dos jogos políticos que decorriam e, acima de tudo, do desconhecimento que havia face a este tipo de fenómenos naturais. Na altura, pensava-se que o Monte Vesúvio era apenas isso, um monte… e é incrível a descrição da devastação que esta erupção provocou, em tão pouco tempo. No que diz respeito à recriação dos efeitos da erupção e da sensação de impotência que provocou, julgo que o autor é muito bem sucedido, revelando um extenso trabalho de pesquisa. Uma das personagens do livro é Plínio, o Velho, uma das vítimas do vulcão, e autor de uma das enciclopédias mais famosas da Antiguidade – gostei de saber mais sobre ele. Quanto à parte ficcional do enredo, fica a sensação que poderia ter sido um pouco mais desenvolvida, mas não é de modo algum insatisfatória.

Um livro muito interessante para quem gosta de história e quiser saber mais um pouco sobre esta catástrofe em particular. Fica a curiosidade por visitar as ruínas de Pompeia. – Célia M.

8/10 – Muito Bom

Livro n.º 66 de 2010


Prazeres Proibidos

Tuesday, July 27, 2010 Post de Célia

Autor: Laura Lee Guhrke
Título Original: Guilty Pleasures (2004)
Editora: Livros d’Hoje
Páginas: 320
ISBN: 9789722038188
Tradutor: Sónia Mota Maia

Sinopse
Toda a mulher tem os seus prazeres proibidos…
Para a delicada e tímida Daphne Wade, o mais apetecível prazer proibido é observar discretamente o seu patrão, o duque de Tremore, enquanto este trabalha numa escavação na sua herdade. Daphne foi contratada para restaurar os tesouros de valor incalculável que Anthony tem estado a desenterrar, mas não é fácil para uma mulher concentrar-se no seu trabalho quando o seu atraente patrão está sempre em tronco nu. Apesar dele não reparar nela, quem a pode censurar por, mesmo assim, se ter apaixonado desesperadamente por ele?
Quando a irmã de Anthony, Viola, decide transformar esta jovem e simples mulher de óculos dourados numa provocante beldade, ele declara a tarefa impossível. Daphne fica arrasada quando sabe… mas está determinada a provar que ele está errado. Agora, uma vigorosa e cativante Daphne sai da sua concha e o feitiço vira-se contra o feiticeiro. Será que Anthony conseguirá perceber que a mulher dos seus sonhos esteve sempre ali?

Opinião
Graças à White_Lady, cujas opiniões tenho em grande conta (e que, mais uma vez, foram de grande valia), decidi comprar este livro na última Feira do Livro de Lisboa e guardá-lo para as férias, altura que me parece mais propícia a este tipo de leituras.

A história é simples: no século XIX, um duque inglês leva a cabo escavações na sua propriedade para descobrir antiguidades romanas e conta, para isso, com ajuda de Daphne Wade, especialista em catalogar e tratar descobertas arqueológicas, devido aos anos de prática que ganhou a ajudar o pai nessa tarefa em vários locais do mundo. Há algum tempo que Daphne vinha desenvolvendo uma paixão platónica pelo duque Anthony, que nunca passou disso mesmo pela timidez e discrição da jovem. No entanto, quando ouve uma conversa de Anthony com a sua irmã Viola, em que este fala dela em termos depreciativos, Daphne decide demitir-se, dando assim início a uma viragem na sua personalidade e fazendo com que o duque comece a vê-la com diferentes olhos.

Apesar de decorrer num período histórico, não se pode considerar um romance histórico, uma vez que é praticamente apenas destacada a componente “romance”. Contudo, existem algumas informações interessantes relativamente a escavações arqueológicas e ao tratamento das peças descobertas.

Raramente um livro deste género tem um final imprevisível, mas também não é isso que o leitor aqui procura. Apesar de já sabermos para quem fim as personagens se dirigem, raramente os acontecimentos ou diálogos parecem forçados e a história decorre com uma fluidez que agarra o leitor e não o deixa largar o livro até voltar a última página. Existindo a predisposição ideal, acaba por ser um livro recompensador.

É, basicamente, um livro para almas românticas, que, apesar do cariz mais explícito de algumas cenas, nunca parece demasiado físico ou superficial, sendo antes uma história que apela aos sentimentos e glorifica esse sentimento tão importante que é o amor. Dentro do género, pareceu-me muito bom e espero continuar a seguir as histórias desta autora.– Célia M.

8/10 – Muito Bom

Livro n.º 63 de 2010


O Punhal do Soberano

Friday, July 23, 2010 Post de Célia

Autor: Robin Hobb
Título Original: Royal Assassin (1.ª metade)
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 384
ISBN: 9789896371302
Tradutor: Jorge Candeias

Sinopse
Fitz mal escapou com vida à sua primeira missão como assassino ao serviço do rei. Regressa a Torre do Cervo, enquanto recupera do veneno que o deixou às portas da morte, mas a convalescença é lenta e o rapaz afunda-se na amargura e dor. O seu único refúgio será a Manha, a antiga magia de comunhão com os animais, que deve manter em segredo a todo o custo. Enquanto recupera, o reino dos Seis Ducados atravessa tempos difíceis com os ataques sanguinários dos Navios Vermelhos. A guerra é inevitável e preparam-se frotas de combate para enfrentar o inimigo, mas o rei Sagaz não viverá por muito mais tempo. Sem os talentos de Fitz, o reino poderá não sobreviver. Estará o assassino real à altura das profecias do Bobo que indicam que o rapaz irá mudar o mundo?

Opinião
O Punhal do Soberano é o segundo volume da Saga do Assassino e, embora sendo uma continuação, consegue ter um cariz próprio e manter o interesse sempre vivo. O leitor acompanha novas personagens e, sobretudo, conhece melhor os palcos da acção, o núcleo central de personagens e o que as move.

Nova fase na vida de Fitz que já não é apenas um filho bastardo; mas, sim, uma importante peça no puzzle real que, pouco a pouco, se vai delineando. A debilidade do rei Sagaz e as intrigas do seu tio Majestoso fazem com que o papel de Fitz se torne mais relevante e represente, ele próprio, um equilíbrio para o bem-estar e harmonia na corte. Porém, os problemas sucedem-se também fora de Torre do Cervo, a cidade real, já que os Seis Ducados continuam a ser atacados pelos Navios Vermelhos que põem tudo e todos em risco, em prol de uma causa sem valores nem regras.

Neste volume, a Manha e o Talento, qualidades sensoriais de que Fitz é dotado, voltam a ser bem exploradas (e retratadas) pela autora, sendo que transmitem um forte elo entre algumas das personagens. Do mesmo modo, através dos olhos (e da cabeça) do personagem principal presenciamos, quase in loco, fantásticas aventuras que nos entusiasmam, emocionam e nos levam a pensar sobre alguns valores importantes, como, por exemplo, a amizade, a sinceridade e a vingança.

Em O Punhal do Soberano, deixamos para trás a criança e conhecemos o jovem Fitz, com tudo o que isso representa: a puberdade, as descobertas do amor, a impetuosidade e a inconsciência. Perante isto, a autora Robin Hobb guarda-nos maravilhosas descobertas, a que se juntam descrições bem realistas de alguns momentos marcantes da vida da personagem principal. Do mesmo modo, a acção cria ligações mais fortes entre Fitz e algumas das outras personagens seniores, cujos diálogos são bastante ricos, aplicáveis, muitas vezes, à nossa vida real.

Dois livros depois, o interesse não esmorece e a Saga do Assassino caminha, a passos largos, para se tornar uma das minhas séries preferidas. Recomendo! – Cristina

8/10 – Muito Bom