Arquivo da categoria ‘6/10’
Autor: Afonso Cruz
Editora: Quetzal
Páginas: 134
ISBN: 9789725648209
Sinopse
Este é um livro de factos – e de ficções, burlas, citações – esquecidos ou ignorados pela História e encruzilhados uns nos outros em forma de labirinto. Um espaço entre mordomos coronéis, metáfora, mentiras, assassínios, deuses duplos, cabalistas fabulosos, ascetas hindus e narrativas absolutamente orientais.
Opinião
Depois de ter gostado imenso de Os Livros que Devoraram o Meu Pai, fiquei com bastante curiosidade em relação a outras obras do autor e, por isso, foi com grande curiosidade que peguei nesta Enciclopédia da Estória Universal.
Tal como todas as enciclopédias, é um livro que se encontra ordenado por ordem alfabética, com várias entradas por letra. Essa entradas contêm histórias, algumas delas continuando ou estando relacionadas com outras mais à frente, pequenas ficções sobre os mais variados temas, pensamentos, metáforas, etc. Vários deles estão creditados com um autor, que o leitor desconhece se é real ou se foi inventado por Afonso Cruz. Aliás, esta é uma das características do livro: a diferença entre o real e o imaginário é muito ténue, e nunca sabemos ao certo se o que estamos a ler é ou não verídico.
Por mais que queira, é-me impossível não comparar este livro do autor com o que li anteriormente, apesar de serem tão diferentes não só em conteúdo, mas especialmente em termos de estilo. Esta “Enciclopédia” é muito mais erudita e exige um maior nível de atenção por parte do leitor, pelo que as minhas expectativas foram, de certo modo, goradas. Parece-me que não foi a melhor altura para ter pegado neste livro mas, ainda assim, foi uma leitura interessante e que recomendo especialmente pela diferença em relação a tudo o que já tinha lido antes. – Célia M.
6/10 – Interessante
Autor: Francisco Dionísio
Editora: Saída de Emergência (Coleção TEEN)
Páginas: 192
ISBN: 9789896372118
Sinopse
Numa luta entre deuses e homens, só os verdadeiros heróis poderão fazer a diferença. Chegou o tempo há muito anunciado em que os deuses deverão partir e deixar o destino da Terra entregue aos homens. Mas nem todos os deuses aceitam fazê-lo, e um terrível conf lito entre homens e divindades é inevitável. É neste cenário que dois jovens guerreiros, Anio e Camal, percorrem a Lusitânia em busca do guardião da joia da Deusa-mãe – uma pedra capaz de aniquilar as próprias divindades. Inspirado nos povos pré-romanos da Península Ibérica, “O Veneno de Ofiúsa” é uma viagem para um tempo mágico há muito esquecido. Estás preparado para a guerra com os deuses?
Opinião
O Veneno de Ofiúsa é mais um livro da Coleção TEEN da Saída de Emergência, da autoria do escritor português Francisco Dionísio, autor da Saga “Os Mouros das Terras Encantadas” (Prime Books). À semelhança dessa saga, também este livro pega no imaginário português e na nossa história para criar um romance histórico com elementos de fantasia.
Encontramo-nos na Hispânia de XI a.C. e vamos acompanhar as aventuras de Anio e Camal, dois jovens pertencentes à tribo dos Galaicos, que habitavam no noroeste da actual Península Ibérica. Para além deste povo, o livro recupera ainda vários outros: Sefes, Estrímnios e Lusitanos, todos eles povos pré-romanos. Uma aliança entre o chefe da tribo dos Galaicos (e pai de Anio) e os Sefes ameaça a paz destas tribos, uma vez que os Sefes, orientados pela deusa Ofiúsa, desejam recuperar uma joia que permitirá a esta reclamar para si a supremacia sobre os outros deuses e o domínio dos homens.
É um livro relativamente curto, mais dirigido ao público jovem adulto, mas que acaba por apresentar explorações interessantes da história da Península Ibérica pré-romana, da qual pouco conhecia. A história em si é interessante, mas notei alguma falta de desenvolvimento das personagens, estando o principal foco nos confrontos e na movimentação das personagens nos cenários que vão percorrendo. Mas, tal como disse, o público-alvo deste livro é jovem, podendo agradar-lhe mais este destaque dado à componente aventura. É de louvar a escolha da nossa história para pano de fundo desta história, e seria bom vê-lo mais vezes. Gostei. – Célia M.
6/10 – Interessante
Autor: Jane Harris
Título Original: The Observations (2006)
Editora: Editorial Presença
Páginas: 448
ISBN: 9789722343312
Tradutor: José Remelhe e Ana Mendes Lopes
Sinopse
Em plena época vitoriana, Bessy Buckley, uma irlandesa de 15 anos, encontra um lugar de criada numa mansão isolada que pertence à encantadora Arabella Reid e ao seu marido, um político com ambições. Arabella faz-lhe várias e intrigantes exigências entre as quais a de que descreva, num diário, as suas tarefas e os seus pensamentos mais íntimos. Apesar de tudo Bessy afeiçoa-se à sua patroa, mas acaba por descobrir que a mansão esconde segredos surpreendentes. Uma sátira inteligente à hipocrisia vitoriana, bem-humorada e com um enredo que cria um suspense psicológico subtil.
Opinião
Disponível a partir de hoje nas livrarias, Observações, de Jane Harris, não fazia parte das minhas escolhas, mas, tendo oportunidade de o ler, antes do seu lançamento, lancei-me à descoberta de uma nova autora e respectivo mundo literário. Apaixonei-me pela sinopse, pela forma como suspense e enquadramento histórico pareciam entrelaçados, mas nem sempre o livro lhe faz jus. Esta obra é uma montanha-russa que nos mantém ora despertos ora dispersos.
Narrado na primeira pessoa, o livro começa de forma sui generis, quando a personagem principal se apresenta e lança, em seguida, as bases para a narrativa. A obra é um espelho da vida de Bessy, a qual partilha connosco muitas das peripécias que rechearam a sua vida e com as quais é confrontada também no seu percurso profissional. Aliás, este campo é um dos grandes focos da obra, já que é a sua função de criada que nos permite conhecer as outras personagens e os cenários descritos. A sua narração varia entre o puramente factual e a partilha de sentimentos/pensamentos íntimos com o leitor, dado, por vezes, azo a momentos hilariantes.
Confesso que esperava um livro mais fluido e interactivo. Existem alguns pontos de interesse, sobretudo a relação que se estabelece entre Bessy e a patroa Arabella, mas falta vivacidade à obra e mais diálogos que estimulem o nosso imaginário. Às vezes, a narradora perde-se em devaneios que enrolam o leitor e o obrigam a ler e reler algumas passagens. Observações pertence àquele conjunto de livros que precisam de tempo e compenetração para serem verdadeiramente saboreados. – Cristina
6/10 – Interessante
Autor: Cassandra Clare
Título Original: City of Bones (2007)
Editora: Planeta
Páginas: 415
ISBN: 9789896570231
Tradutor: José Luís Luna
Sinopse
No Pandemonium, a discoteca da moda de Nova Iorque, Clary segue um rapaz muito giro de cabelo azul até que assiste à sua morte às mãos de três jovens cobertos de estranhas tatuagens. Desde essa noite, o seu destino une-se ao dos três Caçadores de Sombras e, sobretudo, ao de Jace, um rapaz com cara de anjo mas com tendência a agir como um idiota…
Opinião
Ora cá vai mais uma tentativa para o género da fantasia urbana, mas desta vez dirigida a um público mais jovem. A Cidade dos Ossos é o primeiro livro de uma série, Os Instrumentos Mortais, que, ao que tudo indica, ficará completa com a publicação do quarto livro, City of Fallen Angels, previsto para Março de 2011. Esta série é escrita por Cassandra Clare, pseudónimo de uma escritora americana, que começou a sua carreira a escrever fan fiction no universo d’O Senhor dos Anéis e Harry Potter.
A protagonista desta história é a jovem Clary Fray, de 15 anos, que no início do livro se vê confrontada com a existência de seres sobrenaturais num mundo que julgava normal; o seu primeiro contacto é com os Caçadores de Sombras, uma espécie de “anjos” que têm como função destruir os demónios que vagueiam pelo mundo e livrá-lo, assim, da sua influência nefasta. Para além destas duas espécies antagonistas, várias outras espécies, como os vampiros, lobisomens e fadas partilham o Mundo das Sombras, mas são considerados Habitantes do Mundo-à-parte. Quando Clary presencia um encontro entre Caçadores de Sombras e um demónio, e perante o desaparecimento da sua mãe, descobre todo um novo mundo cuja existência desconhecia, povoado de seres fantásticos e possibilidades que nunca imaginou existirem.
Acaba por ser um livro que se lê rapidamente, porque a história quase sempre desperta interesse. Pareceu-me ter um bom equilíbrio entre cenas de acção e cenas de desenvolvimento de personagens, o que é um ponto a seu favor. Mas esta é uma história dirigida aos mais jovens e, por esse motivo, a linguagem e a profundidade da narrativa a eles se adequa, podendo não ir de encontro às expectativas de quem desejaria algo mais maduro.
O final da história conhece um desenlace inesperado, o que a torna mais interessante. No final de contas, foi uma leitura que entreteve (tenho já o volume seguinte para ler), mas definitivamente as histórias dirigidas aos mais jovens já não satisfazem por completo as minhas necessidades como leitora. No entanto, recomendo esta leitura aos jovens ou a adultos que sintam vontade de ler algo mais leve e juvenil, dentro desta temática. – Célia M.
6/10 – Interessante
Autor: Paul Hoffman
Título Original: The Left Hand of God (2010)
Editora: Porto Editora
Páginas: 400
ISBN: 9789720040893
Tradutor: Mário Dias Correia
Sinopse
A sua chegada foi profetizada. Dizem que ele destruirá o mundo. Talvez o faça…
“Escutem. O Santuário dos Redentores, em Shotover Scarp, é uma mentira infame, pois lá ninguém encontra santuário e muito menos redenção.”
O Santuário dos Redentores é um lugar vasto e isolado – um lugar sem alegria e esperança. A maior parte dos seus ocupantes foi levada para lá ainda em criança e submetida durante anos ao brutal regime dos Redentores, cuja crueldade e violência têm apenas um objectivo – servir a Única e Verdadeira Fé. Num dos lúgubres e labirínticos corredores do Santuário, um jovem acólito ousa violar as regras e espreitar por uma janela. Terá talvez uns catorze ou quinze anos, não sabe ao certo, ninguém sabe, e há muito que esqueceu o seu nome verdadeiro – agora chamam-lhe Cale.
É um rapaz estranho e reservado, engenhoso e fascinante. Está tão habituado à crueldade que parece imune a ela, até ao dia em que abre a porta errada na altura errada e testemunha um acto tão terrível que a única solução possível é a fuga.
Mas os Redentores querem Cale a qualquer preço, não por causa do segredo que ele sabe mas por outro de que ele nem sequer desconfia.
Opinião
O Braço Esquerdo de Deus, do americano Paul Hoffman, é um dos livros que mais hype causou nos últimos tempos entre os fãs da ficção especulativa. O protagonista desta história é Cale, um jovem que, juntamente com outros rapazes estão num Santuário gerido pelos Redentores, um local repleto de medo, violência e terror – supostamente justificados pelo o objectivo de respeitar a vontade de Deus. Cale e os seus amigos Henri Vago e Kleist descobrem que no Santuário existe mais do que parece à primeira vista, o que acaba por levá-los a empreender uma fuga do recinto e a entrarem num mundo completamente diferente, a cidade de Memphis, governada pelos Materazzi.
Toda a fase inicial do livro, quando Cale ainda se encontra no Santuário, é bastante promissora. O ambiente sombrio e claustrofóbico do local é bem transmitido, e surgem alguns mistérios que deixam o leitor curioso. Pena é que a promessa não se concretiza no resto do livro. Achei que parte de uma premissa muito interessante, mas acaba por cair numa série de lugares-comuns que, não tornando a história propriamente desprovida de interesse, poderão não cativar leitores que já leram vários outros livros cujo enredo não foge muito a este. A personagem principal, Cale, sofre um pouco deste síndrome: de início, pouco se revela ao leitor e conserva uma aura misteriosa que o torna interessante, mas com o decorrer da história, acaba por se transformar no herói relutante que já vimos em tantas e tantas histórias. E ele, tal como a grande maioria das personagens, é abordado de forma algo superficial, o que fez com que o laço que criei com elas não fosse propriamente muito forte.
Fiquei também com a sensação que o autor tentou colocar na sua história elementos que agradassem a vários tipos de leitores porque ora assume um tom marcadamente juvenil, até humorístico, ora estamos perante acontecimentos bastante sérios e negros; assume-se como uma obra de fantasia, mas não encontramos magia ou seres sobrenaturais na história; entrevemos um toque de história alternativa, que nunca se confirma propriamente. O mundo criado pelo autor tem um nível de desenvolvimento razoavelmente detalhado, mas pareceu-me que poderia ter sido melhor aprofundado.
Apesar de tudo isto, não posso dizer que não gostei do livro. Apesar de todos os aspectos menos positivos que apontei, as páginas viram-se muito depressa e torna-se estranhamente viciante. Isto, juntamente com a curiosidade em saber que direcção a história irá tomar – a verdade é que as pistas são escassas – , faz-me ficar com vontade de ler a continuação. - Célia M.
6/10 – Interessante



