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Archive for the ‘5/5’ Category

The Sound of a Wild Snail Eating

Monday, October 17, 2011 Post de Estante de Livros

Autor: Elisabeth Tova Bailey
Editora: Algonquin Books
Formato: E-book
 

Sinopse: In a work that beautifully demonstrates the rewards of closely observing nature, Elisabeth Bailey shares an inspiring and intimate story of her uncommon encounter with a Neohelix albolabris —a common woodland snail. While an illness keeps her bedridden, Bailey watches a wild snail that has taken up residence on her nightstand. As a result, she discovers the solace and sense of wonder that this mysterious creature brings and comes to a greater under standing of her own confined place in the world. Intrigued by the snail’s molluscan anatomy, cryptic defenses, clear decision making, hydraulic locomotion, and mysterious courtship activities, Bailey becomes an astute and amused observer, providing a candid and engaging look into the curious life of this underappreciated small animal. Told with wit and grace, The Sound of a Wild Snail Eating is a remarkable journey of survival and resilience, showing us how a small part of the natural world illuminates our own human existence and provides an appreciation of what it means to be fully alive.

 

Porque o li: Porque li uma opinião muito positiva sobre este livro e a premissa intrigou-me.

 

Parte de uma série/individual: Individual

 

Opinião: Já dediquei o meu tempo a livros sobre os mais variados temas, mas confesso que nunca pensei ler um cujo tema principal fosse a abordagem científica sobre a vida de um caracol. Ou, pelo menos, foi o que me pareceu à primeira vista ser o tema deste livro. The Sound of a Wild Snail Eating conta a história verídica de uma mulher americana que, após uma viagem à Europa, apanha um vírus muito raro que a deixa praticamente confinada à cama e afastada da rotina azafamada da sua vida anterior.

A dada altura da sua convalescença, um amigo oferece-lhe um vaso de flores e um caracol que encontrou no caminho. Elisabeth fica com o caracol e começa a observá-lo e à sua vida lenta e pacata, que ressoa com a sua própria condição. A curiosidade que animal lhe suscita é o pretexto para começar a tentar saber mais sobre os caracóis e, assim, vamos aprendendo muitas coisas sobre a vida de um animal a que, aposto, a maioria de nós não dedicou mais do que um ou dois pensamentos em ocasiões de petiscos com amigos e família.

Entre outras curiosidades, aprendi, por exemplo, que o caracol tem mais de 2000 dentes, que o muco é uma forma de defesa ou que os caracóis têm um processo de corte e reprodução muito curioso e surpreendentemente complexo. Mas, para além da forma interessante e concisa como a autora vai explicando todos estes detalhes, vamos ao mesmo tempo percebendo como a vida de um animal tão pequeno acaba por servir de inspiração e motivação a uma pessoa que, aparentemente, pouco tem na sua vida que sirva esse propósito. 

A doença que afeta a protagonista é, obviamente, grave, mas agradou-me o facto de não se tornar o centro das atenções ou de a autora não ter utilizado este livro para chamar atenção sobre si própria. É um livro muito bem escrito, melhor do que se poderia esperar à primeira vista, que, na minha opinião, tem a dose certa de informação, tem um ritmo lento que se adequa na perfeição aos temas que aborda e que, apesar disso, se lê num ápice. 

Para além de tudo o resto, faz-nos pensar sobre a forma rápida – por vezes demasiado rápida – como vamos vivendo a nossa vida nos dias que correm, com o constante fluxo de informação e a forma quase instantânea como as notícias aparecem e desaparecem. Acabamos por nos esquecer da importância de parar, “desligar” a mente e respirar fundo.

 

Veredicto final: Um livro diferente e inspirador, que relativiza a auto-comiseração e que ajuda a refletir sobre a importância de, por vezes, pararmos para ver o que está à nossa volta. Uma leitura que fiz no momento certo e que fez com que, provavelmente, nunca mais consiga comer caracóis :D

 

Classificação: 5/5 – Adorei

 

Próxima opinião: O Sabor dos Caroços de Maçã, de Katharina Hagena


Os Maias

Monday, October 10, 2011 Post de Estante de Livros

Autor: Eça de Queiroz
Ano de publicação: 1888
Editora: Leya
Formato: e-book
ISBN: 9789896600945

 

Sinopse: Lisboa, finais do séc. XIX. Afonso da Maia fixa-se em Lisboa com o seu neto, Carlos. Descendente e herdeiro de uma família da nobreza beirã, Carlos, jovem belo e dotado, vive num mundo de luxo e fausto. Até que conhece Maria Eduarda, igualmente jovem, igualmente dotada. E o amor surge. Um amor impossível, que tudo fará para saltar barreiras, como se se esquecendo que nem o verdadeiro amor poderá transpor todos os obstáculos. Um drama familiar intenso, absorvente e apaixonado. Uma galeria de personagens que tudo parece destinar a um futuro promissor, mas cujos sonhos se vão sucessivamente esboroando por via do desajustamento individual a uma sociedade em que cada um deles é corpo estranho. O retrato de uma época num romance magistral e inesquecível. Obra de envergadura monumental que nos desvenda como nenhuma outra as ideias do autor, os seus sentimentos, e a sua revolta contra a tolice, o ridículo e a vaidade humana.

 

Porque o li: Porque sempre achei que a leitura obrigatória quando tinha 17 anos não me permitiu apreciar a obra em toda a sua plenitude. A minha pouca maturidade literária fez com que muitas referências sociais e culturais me passassem ao lado e ficou sempre a sensação que também não apreciei devidamente a escrita. Há algum tempo que queria fazer esta releitura, calhou agora.

 

Parte de uma série/individual: Individual

 

Opinião: Os Maias é um dos livros mais famosos da literatura portuguesa, amado por uns, odiado por outros (especialmente por ser leitura escolar obrigatória), que já foi alvo de inúmeras adaptações ao cinema, teatro e televisão, entre outros. Quase toda a gente conhece a história da família Maia, no Portugal de finais do século XIX, que culmina no amor trágico de Carlos Eduardo e Maria Eduarda.

Sendo o drama familiar e humano o enredo central, a contextualização e os enredos secundários dão vida e cor a este livro tão representativo daquilo que é ser português. Apesar de ser um cliché quando se fala da obra de Eça de Queiroz, não posso deixar de referir que, mesmo tendo em conta a evolução de quase século e meio, são incríveis as semelhanças de vícios e atitudes, em especial no que respeita à política, mas também na relação de Portugal com o estrangeiro. 

O livro é marcado pelo Romantismo, muitas vezes claramente contraposto ao Racionalismo, que desponta nas artes e nas relações pessoais que compõem a história. Eça tem um estilo de escrita muito particular, com longas e elaboradas descrições, mas que, nesta releitura, pude apreciar com mais atenção também porque não estava tão emocionalmente envolvida com o enredo principal. Há passagens verdadeiramente deliciosas, que apetece ler e reler. Muita gente fala da descrição inicial do Ramalhete ou da longa secção das corridas de cavalos, mas penso que se formos para a leitura com o espírito certo estas partes acabam por ser mesmo das mais interessantes.

 

Veredicto final: Este é um livro fantástico e sinto-me contente por ter decidido relê-lo neste momento, porque pude finalmente apreciá-lo em todo o seu esplendor. Altamente recomendado a nível de enredo, de escrita e de retrato social.

 

Classificação: 5/5 – Adorei

 

Próxima opinião: Acácia – Ventos do Norte, de David Anthony Durham

 


Pearl Jam Twenty

Friday, October 7, 2011 Post de Estante de Livros

Autor: Pearl Jam/Cameron Crowe
Editora: Simon & Schuster
Páginas: 384
ISBN:9781439169216

 

Sinopse: Published in celebration of Pearl Jam’s twentieth anniversary and in conjunction with Cameron Crowe’s definitive documentary film and soundtrack of the same name, PEARL JAM TWENTY is an aesthetically stunning and definitive chronicle of their two decades as a band—by the band itself.

 

Origem do livro: Comprado

 

Porque o li: Porque os Pearl Jam são o meu grupo preferido e, por isso, desejava saber mais sobre a sua história.

 

Parte de uma série/individual: Individual

 

Opinião: O passado dia 20 de Setembro foi, ao mesmo tempo, o culminar e o recomeço da minha grande paixão por este grupo. Nesse dia, tive oportunidade de assistir numa sala de cinema ao documentário Pearl Jam Twenty, realizado por Cameron Crowe, e que tinha como objetivo documentar a história da banda, desde os grupos de onde vieram os seus membros (mais notoriamente os Mother Love Bone), em finais dos anos 80, até aos dias de hoje. Eu já sabia muita coisa sobre a história dos Pearl Jam (quando fico obcecada com um grupo, gosto de saber tudo o que possa), mas ainda assim este documentário teve a capacidade de acrescentar coisas inéditas (memoráveis, as imagens de Eddie Vedder e Kurt Cobain a dançarem ao som de Tears in Heaven) e fazer-me perceber porque é que adoro a música deles e porque é que gostar dos Pearl Jam passa muito para além da música.

O livro foi uma experiência diferente, mas ao mesmo tempo semelhante. Encontra-se organizado cronologicamente, referindo os principais acontecimentos que marcaram cada ano desde que os membros do grupo começaram a sua carreira musical. Se se tratar de um ano que teve lançamento de um novo álbum, então encontramos também secções dedicadas à composição do álbum e a alguma história acerca das músicas que o compõem. Os vários acontecimentos têm normalmente comentários por parte dos membros do grupo ou das pessoas que neles estiveram envolvidos. Os pontos altos e de maior interesse são o peculiar nascimento da banda, a sua diferente abordagem ao sucesso e a luta contra a Ticketmaster em meados dos anos 90. O livro inclui também muitas fotos das mais variadas coisas: concertos, momentos, objetos, etc., que lhe dão uma composição visual muito interessante.

Uma das coisas que mais me atrai nesta “história”, que espero estar longe de terminar, é que o que muitos pensam que foi o passar ao lado de uma carreira de grande e estrondoso sucesso, é, na verdade, a escolha consciente de fazer aquilo que realmente se gosta e focar-se naquilo que se considera verdadeiramente importante. Para mim, é inspirador. 

 

Veredicto final: Não me sinto isenta o suficiente para poder dizer que este é um grande livro, mas eu adorei. Penso que é um excelente manancial de informação para quem deseja aprofundar o seu conhecimento sobre a banda e um belo objeto de coleção para os super-fãs.  

 

Classificação: 5/5 – Adorei

 

Próxima opinião: Os Maias, de Eça de Queirós


Categorias: 5/5, Célia, Opiniões

Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban

Monday, September 5, 2011 Post de Estante de Livros

Autor: J.K. Rowling
Título Original: Harry Potter and the Prisoner of Azkaban (1999)
Editora: Editorial Presença
Páginas: 343
ISBN: 9789722326018
Tradutor: Isabel Fraga

 

Sinopse: Daquela vez Harry Potter não conseguira conter-se. Quebrara uma das regras principais de Hogwarts – não exercer técnicas de feitiçaria fora dos muros da escola. Mas aquela detestável Tia Marge merecia permanecer umas boas horas suspensa no tecto da sala dos Dursleys inchada como um balão. Além disso já faltavam poucos dias para recomeçar as aulas. Mas o seu terceiro ano não irá ser fácil. Da prisão de Azkaban fugira o feroz Sirus Black, um dos mais fieis seguidores do assustador Lord Voldemort para o qual Harry Potter continuava a ser o alvo favorito. O pior é que o herói de J. K. Rowling começa a suspeitar da existência de um traidor entre os seus próprios amigos… O regresso da personagem fantástica que está a conquistar leitores em todo o mundo numa aventura que te enfeitiçará até à última página.

 

Origem do livro: Prenda de Natal de há muitos anos atrás.

 

Porque o li: Devido à Leitura Conjunta em que estou a participar.

 

Parte de uma série/individual: Este é o terceiro volume da série Harry Potter. Opiniões dos livros anteriores:
1 – Harry Potter e a Pedra Filosofal
2 – Harry Potter e a Câmara dos Segredos

 

Opinião: Da primeira leitura da série Harry Potter, lembrava-me que este tinha sido o meu livro preferido, mas muitos dos detalhes já se tinham desvanecido com o passar do tempo. Mais uma vez, o livro inicia-se com Harry contrariado na casa dos Dursleys durante as férias de verão. Entretanto, um perigoso prisioneiro fugiu de Azkaban, uma prisão para feiticeiros, e a grande maioria das peripécias do ano escolar vão girar em volta da história desse prisioneiro. O terceiro ano em Hogwarts traz algumas disciplinas novas, mais desafios de Quidditch e novas descobertas.

Apesar de manter o tom juvenil, penso que este livro marca o início de uma maior profundidade da história, que conhece aqui desenvolvimentos importantes, não só ao nível da introdução de personagens fulcrais no futuro, como Sirius Black, mas também porque há aqui revelações importantes relativamente a acontecimentos passados. Para além disso, o mundo que a autora criou continua a expandir-se com a introdução de novos conceitos como o Vira-Tempo, os Animagus, os Dementors e o Mapa do Salteador.

É um livro importante para a série pela sua qualidade inerente e pelas perspetivas que abre para o desenrolar da história. 

 

Veredicto Final: Adorei o livro. Cheio de aventuras, bom momentos, novas personagens e diálogos bem conseguidos. Uma excelente adição à série.

 

Classificação: 5/5 – Adorei

 

Próxima opinião: A Casa dos Amores Impossíveis, de Cristina López Barrio

 


A Mão de Fátima

Friday, July 22, 2011 Post de Estante de Livros

Autor: Ildefonso Falcones
Título Original: La Mano de Fátima (2009)
Editora: Bertrand
Páginas: 920
ISBN: 9789722522267
Tradutor: Pedro Carvalho, Sérgio Coelho e J. Espadeiro Martins

Sinopse
A história de um jovem dividido entre duas religiões e dois amores, em busca da sua liberdade e da do seu povo, na Andaluzia do séc. XVI. 1568. Depois de derrotados por Isabel, a Católica, a comunidade muçulmana andaluza sobrevive com muitas dificuldades, sob a constante repressão dos Cristãos, mas depressa o descontentamento dá lugar a uma sanguinária revolta. Entre os revoltosos encontra-se Hernando, um jovem desprezado pelo seu próprio povo e maltratado por Brahim, o seu padrasto. Dotado de uma extraordinária habilidade para lidar com animais, Hernando salva a vida ao filho de uma jovem belíssima, Fátima. Dividido entre a fé que lhe foi incutida e as atrocidades que vê serem cometidas em nome de Alá, o seu coração impele-o a ajudar um nobre cristão, obtendo a sua eterna gratidão. Porém, a sua coragem e honestidade também lhe granjeiam alguns inimigos, sobretudo o seu cruel padrasto que, aproveitando-se da morte do rei, consegue condenar Hernando à escravatura e desposar a bela Fátima, o grande amor do enteado. Brahim, na qualidade de lugartenente do novo monarca, parece inatacável, e Hernando parece condenado à desgraça…

Opinião
Depois de me ter deleitado com A Catedral do Mar, era óbvio, para mim, que tinha de continuar a acompanhar a obra de Ildefonso Falcones. Assim, quase um ano depois, e muito por culpa do meu marido, pude finalmente ler A Mão de Fátima. As expectativas eram muitas e elevadas, mas foram correspondidas, apesar de alguns (pequenos) contratempos. Ainda assim, está provado que o autor é dotado, não só pela sua bela escrita, mas também pelos temas novos e desconhecidos que aborda.

A narrativa transporta-nos para os sécs. XVI e XVII, na Península Ibérica, numa altura em que a comunidade moura residente em Espanha atravessa dificuldades para sobreviver. Ao longo de 44 anos, acompanhamos a forma como os Mouros viviam e sobreviviam em Espanha, sobretudo na região andaluz, onde a Cristandade sempre foi exacerbada. Hernando, o personagem principal, é o centro e espelho de uma comunidade mourisca que deambula por várias regiões do Sul de Espanha à procura, apenas, de espaço para poder viver e professar os seus ideais, livremente. É através do seu percurso de vida que o leitor vai tomando contacto com alguns momentos marcantes da história de Espanha, em geral, e da região andaluz, em particular. A investigação por trás desta obra é, sem dúvida, um importante e amplo complemento ao que aprendemos na escola, relativamente à influência moura na Península Ibérica.

Felizmente, ainda existem obras que nos surpreendem e A Mão de Fátima é, sem dúvida, disso exemplo. A obra retrata uma página negra da História Mundial e da qual, muitas vezes, temos pouco conhecimento. Por isso, capítulo após capítulo, o nosso interesse aumenta, apaixonando-nos pelos personagens, independentemente dos ideais e ideias que defendem.

O conceito de diferença perpassa toda a obra e leva-nos sistematicamente a pensar. Nas 920 páginas, temas como a Sobrevivência, a Religião, o Amor, o Respeito, entre outros, são dados a conhecer sob diferentes perspectivas. As várias personagens têm, quase sempre, um propósito e representam algo desde a Crueldade, à Injustiça, passando pela Pureza e Crença em algo maior. Esta característica impele a leitura e entusiasma o leitor, o qual deseja desvendar, constantemente, o que acontece adiante a cada personagem. Uma combinação extremamente bem doseada entre conhecimento e emoções cativa o leitor e prende-o num suspense rumo a um final surpreendente.

Apesar da excelente obra, na minha opinião, o autor d’ A Mão de Fátima peca, em alguns casos, por desenvolver, excessivamente, alguns dos acontecimentos. De facto, nesses períodos, parece que sentimos o tempo a passar com a sua duração real. Em contraponto, Ildefonso Falcones apaixona-nos com descrições vivas e muito realistas, levando-nos a viajar por Sevilha, Granada, Córdoba, entre outras cidades, onde presenciamos acontecimentos ora felizes ora cruéis, alguns dos quais não devem nunca ser esquecidos. – Cristina

5/5 – Adorei