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Arquivo da categoria ‘4/5’

[Opinião] O Cavaleiro de Westeros, de George R.R. Martin

Sexta-feira, Janeiro 30, 2015 Post de Célia

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O Cavaleiro de Westeros – A história com mais destaque no título desta coletânea, naturalmente, é a que decorre no mesmo mundo de “As Crónicas de Gelo e Fogo”, mais precisamente 90 anos antes do início desta conhecida série de livros. Já conhecia o conteúdo desta história, porque li a BD, mas ainda assim a curiosidade era bastante.

 

Dunk é um cavaleiro andante de origens humildes, que se vê privado da companhia do seu velho protetor, pois este morre inesperadamente quando ambos se encontravam a caminho de um torneio. Dunk não desiste de participar, e numa estalagem onde para conhece Egg, um rapaz que se torna seu escudeiro. Dunk luta para conseguir entrar no torneio, quando se vê envolvido num conflito que envolve os Targaryen, na altura a família mais poderosa de Westeros.

 

É a segunda maior história deste livro (75 páginas) e por isso é fácil perceber que o nível de desenvolvimento é considerável. Para quem já conhece As Crónicas de Gelo e Fogo, é um regresso ao mundo e ao estilo a que George R.R. Martin já nos habituou: personagens bem desenvolvidas, cativantes, e uma história bem contada. Dei por mim a consultar árvores genealógicas para perceber a relação dos Targaryen nesta história com os outros que já conhecemos, e isso só pode ser bom sinal, porque me embrenhei verdadeiramente na história.

 

A única coisa que me aborreceu ligeiramente foi a descrição das várias lutas no torneio, mas isso foi porque este tipo de combates não me entusiasma. O enredo também não terá tido tanto impacto em mim por já lhe conhecer uma revelação-chave, mas é ainda assim uma excelente história lateral ao mundo que George R.R. Martin tornou famoso e que quase de certeza agradará aos seus fãs. 

 

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante

 

 

Outros contos nesta coletânea:

 

Post geral sobre a coletânea: 


[Opinião] As Solitárias Canções de Laren Dorr, de George R.R. Martin

Quarta-feira, Janeiro 28, 2015 Post de Célia

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Antes de comentar o conto propriamente dito, um pequeno aparte: O Cavaleiro de Westeros & Outras Histórias é composto por 10 contos que George R.R. Martin publicou dentro dos géneros do fantástico e da ficção científica. Até agora, quando li antologias ou coletâneas de contos, e sempre que decidi comentá-los individualmente, tenho optado por fazê-lo num mesmo post (ou quando muito em dois, como fiz para a outra coletânea de contos de George R.R. Martin (GRRM) que comentei por aqui). Desta vez, decidi escolher a metodologia de “um conto, um post“, que é tudo menos original, mas que penso trazer alguns benefícios: em primeiro lugar, torna os posts menos densos e mais focados, permitindo um maior destaque a cada um dos contos individualmente, que num texto mais longo correriam o risco de ficar meio perdidos; depois porque evita os tais posts quilométricos que tenho a impressão que mais ninguém, para além de mim, lê; por fim, esta opção permitirá um maior número de posts e, consequentemente, aumenta a probabilidade de chegarem aqui todos os dias e terem algo novo para ler. 

 


 

As Solitárias Canções de Laren Dorr – A introdução a este conto, a primeira história de fantasia que GRRM viu publicada, em 1976, é uma recapitulação da história do autor com este género e da explicação dos motivos pelos quais, no início da carreira, escrevia maioritariamente ficção científica. Bastante interessante. Quanto ao conto propriamente dito, é o mais curto do livro, a par de Flormordentes, e fala sobre a ocasião em que Sharra, uma mulher que viaja entre mundos através de portais, vai parar ao mundo onde reside o solitário Laren Dorr. Mais tarde, durante as conversas entre os dois, ficamos a saber que Sharra vagueia de mundo em mundo à procura do seu amor perdido e que Laren Dorr está há milhares de anos “preso” no mundo onde se encontra, um castigo por ter desafiado os Sete, uma espécie de deuses com o poder de definirem o destino destes “humanos”.

 

É uma bela história, extremamente evocativa e bem escrita, que consegue construir um mundo credível num espaço de palavras relativamente curto. A melancolia está sempre presente, tanto a nível de desenvolvimento do enredo como a nível de escrita, e a sensação de destino traçado é algo que acompanha sempre o desenrolar da história. Sem dúvida, um bom conto, que inicia esta coletânea da melhor forma. Para o caso de terem interesse, o conto pode ser lido online, em inglês, aqui.

 

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante

 

Outros contos nesta coletânea:

 

Post geral sobre a coletânea: 


[Opinião] Seduction in Death, de J.D. Robb

Segunda-feira, Janeiro 19, 2015 Post de Célia

13763848Autor: J.D. Robb
Ano de Publicação: 2001
Série: In Death #13
Páginas: 480

 

Sinopse: She was 23 and already in love. She was certain he’d be handsome. She would be dead before midnight. Bryna Bankhead carefully dressed for her date with the wonderful Dante, a man she’s only ever spoken to online. By the end of the night, rose petals are scattered, poetry has been quoted – and Bryna has been murdered.

 

Opinião: Uma mulher aparece morta depois de uma queda da varanda do seu apartamento. A Tenente Eve Dallas é chamada ao local e pouco tempo depois chega à conclusão que a jovem foi atirada da varanda já depois de morta, morte essa causada pela ingestão de um conjunto de drogas que, ao que tudo indica, lhe foram dadas por um homem com que se encontrou nessa noite pela primeira vez. Este crime é a primeira peça de um puzzle que Eve terá de montar para poder descobrir a identidade do culpado e os motivos que o levaram a cometer tal crime.

 

O caso policial apresenta algumas nuances relativamente a livros anteriores, uma vez que aqui não só vamos acompanhando as reacções do criminoso aos crimes que comete, como sabemos também a sua identidade. Interessante foi também a utilização como arma do crime de drogas raras criadas em laboratório neste mundo futurista, reforçando a identidade deste futuro imaginado que por vezes parece um pouco esquecido na série. A evolução do caso policial é bem pensada e a conclusão satisfatória.

 

A caracterização de personagens e o desenvolvimento das suas relações interpessoais continua a ser o grande ponto forte desta série. Sei que me estou a repetir relativamente a opiniões anteriores, mas de facto dá gosto presenciar o progresso das relações amorosas (Eve e Roarke, Peabody e McNab) e das relações de amizade, sempre bem conjugadas com o carisma da personagem central desta série, Eve Dallas. Na verdade, é uma personagem admirável a todos os níveis, de que gosto imenso pela seu caráter forte e corajoso, mas também por todas as fragilidades que tem vindo a aprender a combater com a ajuda do amor e da amizade dos que a rodeiam.

 

Foi um prazer ler este livro e continua a ser um prazer acompanhar esta série. Enquanto continuar assim, não me parece que vá largá-la tão cedo.

 

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante


Categorias: 4/5, Célia, J.D. Robb, Opiniões

[Opinião] A Insustentável Leveza do Ser, de Milan Kundera

Quarta-feira, Janeiro 14, 2015 Post de Célia

23903174Autor: Milan Kundera
Título Original:
Nesnesitelná lehkost bytí (1981)
Editora: Bis
Páginas: 400
ISBN: 9789896603434
Tradutor: Joana Varela

 

Sinopse: “A Insustentável Leveza do Ser” é seguramente um dos romances míticos do século XX, uma daquelas obras raras que alteram o modo como toda uma geração observa o mundo que a rodeia. Adaptado ao cinema por Philip Kaufman, este é um livro onde se olha, com um olhar umas vezes melancólico e conformado, outras vezes amargo e revoltado, para o destino de um país, para o destino de um continente, para o destino de uma civilização. E poucas vezes se terá tão magistralmente representado a ligação existente entre a aventura individual e a colectiva… Justapondo lugares distantes geograficamente, reflexões brilhantes e uma variedade de estilos, este magnífico romance representa o auge daquele que é, verdadeiramente, um dos maiores escritores de sempre.

 

Opinião: Não sei há quanto tempo queria ler este livro, só que já era certamente há anos. Sabem aqueles livros sobre os quais pensamos “um dia hei-de ler-te”? Pois, A Insustentável Leveza de Ser estava dentro dessa categoria, especialmente pelo seu título fantástico. Comprei-o no final do ano passado e decidi que, ao contrário de tantas outras ocasiões, não ia esperar muito tempo para iniciar a sua leitura.

 

Não sei muito bem o que esperava deste livro. Sabia que continha um certo pendor filosófico, e confiei nas boas impressões que tinha vindo a recolher ao longo dos anos, por isso a esperança era que fosse uma boa leitura. A história segue 4 personagens na antiga Checoslováquia dos anos 1960 e 1970, sendo que cada uma das partes funciona mais ou menos como ponto de vista dessas personagens relativamente ao seu relacionamento com as restantes e com os acontecimentos políticos e sociais que o país viveu nessa época.

 

Tomas é um médico mulherengo, mas acabou por construir uma relação duradoura com Tereza, nem ele sabe bem porquê; Tereza é uma mulher simples, marcada pela relação difícil com a mãe e os complexos de inferioridade que esta lhe legou, que aguenta com dificuldade as infidelidades de Tomas; Sabina é uma pintora talentosa, amante de Tomas, que nos revela a importância da traição (não só amorosa, mas de um modo geral); Franz envolve-se com Sabina e a ligação com a pintora acaba por marcar a sua vida de forma indelével.

 

O livro forma uma teia complexa de relações e reflexões, não só a nível interpessoal, como a nível político e social. No que respeita a este último, as personagens são marcadas pela invasão russa e domínio do comunismo, não só no seu dia-a-dia, como também na forma como encaram o futuro.

 

Mas nem só das personagens e seus dilemas vive o livro: o narrador, de cariz omnisciente e subjetivo, faz amiúde várias observações e reflexões sobre o que vai acontecendo. Essas foram das minhas partes preferidas do livro, aquelas que mais me fizeram refletir. As observações são essencialmente sobre a vida, sobre a influência da maternidade/paternidade na nossa vida futura (tema recorrente), sobre a bondade e a condição humana, sobre a existência do corpo e da mente como entidades conjuntas ou distintas, ou sobre o constante rascunho que é a vida, por não podermos contar com a experiência passada nas situações mais importantes da nossa vida.

 

É também um livro feito de opostos (bem presentes no título), escrito um pouco ao sabor da pena, o que por vezes o faz parecer não ter um rumo definido ou importar-se propriamente com a chegada quando o mais importante é a viagem. Gostei muito da escrita; sem ser muito complicada de seguir, revela uma profundidade e uma clareza notáveis.

 

O balanço final é muito positivo. Sem ter sido um livro que tenha adorado, marcou-me pelas reflexões perspicazes e pertinentes, pela escrita muito acima da média e pelas personagens imperfeitas, diferentes mas ao mesmo tempo iguais a todos nós.

 

 

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante


17222241Autor: David Hewson
Título Original:
The Killing (2012)
Série: The Killing #1.2
Editora: Dom Quixote
Páginas: 520
ISBN: 9789722051019
Tradutor: Ricardo Gonçalves

 

Sinopse: Sarah Lund está a acabar o seu último dia como detetive no departamento da Polícia de Copenhaga antes de partir com o filho adolescente para a Suécia onde vai viver com o namorado. Mas tudo muda quando Nanna Birk Larsen, uma estudante de dezanove anos, é encontrada morta nos bosques em redor da cidade com sinais evidentes de ter sido brutalmente agredida e violada. Os planos de Lund para deixar o país vão sendo adiados à medida que a investigação com o seu colega, o detective Jan Meyer, se torna cada vez mais complexa. Enquanto a família de Nanna tenta conviver com a sua perda, o carismático político Troels Hartmann está em plena campanha eleitoral para a presidência da Câmara Municipal de Copenhaga. Quando as ligações entre a Câmara e o assassínio se tornam conhecidas, o caso toma uma direção completamente diferente. Ao longo de vinte dias, os suspeitos sucedem-se enquanto a violência e a intriga política estendem a sua sombra sobre a investigação. Baseado no argumento de Søren Sveistrup para a série de televisão com o mesmo nome, David Hewson transformou um enorme êxito televisivo num sucesso literário. Os dois volumes publicados pela Dom Quixote correspondem à primeira temporada da série.

 

Opinião: Depois da leitura frenética do primeiro volume, não podia deixar de pegar de imediato na segunda parte. Até agora, o mistério adensava-se e, ao invés de começarmos a vislumbrar uma resolução, cada vez a investigação estava mais complicada. 

 

Sarah Lund e o seu parceiro continuam no centro dos acontecimentos: ele é o crédulo, o que se deixa levar pelas aparentes evidências; ela é, por assim dizer, o cérebro da equipa, e não se deixa convencer pelas mesmas, sempre que alguma coisa não parece bater certo. Paralelamente ao desenvolvimento do caso, a relação entre os dois, que ao início foi bastante complicada, é um dos aspetos bem desenvolvidos nesta segunda metade e que dão uma maior humanidade à história. A própria personagem de Sarah vai sendo mais explorada à medida que a história avança e cativa pela complexidade que apresenta.

 

A leitura foi igualmente viciante, e as páginas voam sem que praticamente nos demos conta. O caso policial, que é a grande estrela desta história, é muito interessante e bastante complexo. Penso que o autor (ou os argumentistas da série em que o livro se baseia) exageraram um pouco no plot device de fazerem crer que o culpado era um quando afinal isso não era verdade. Aconteceu demasiadas vezes e tirou um pouco de credibilidade à história, na minha opinião. Contudo, a parte positiva é que afastou a previsibilidade que muitas vezes é o calcanhar de Aquiles de alguns livros dentro do género. Recomendado.

 

Feitas as contas aos dois volumes, que são apenas uma história, gostei bastante. Foi uma história que me cativou por completo, que me manteve, ao longo das suas 1.000 páginas, sempre curiosa por saber qual seria a resolução deste caso. 

 

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante