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Arquivo da categoria ‘4/5’

[Opinião] Vengeance in Death, de J.D. Robb

Wednesday, August 20, 2014 Post de Célia

10840991Autor: J.D. Robb
Ano de Publicação: 1997
Série: In Death #6
Páginas: 464

Sinopse: In a time when technology links the law and the lawless, predators and prey can be one and the same… He is an expert with the latest technology … a madman with the mind of a genius and the heart of a killer. He quietly stalks his prey. Then he haunts the police with cryptic riddles about the crimes he is about to commit–always solved moments too late to save his victims’ lives. Police lieutenant Eve Dallas found the first victim butchered in his own home. The second lost his life in a vacant luxury apartment. The two men had little in common. Both suffered unspeakable torture before their deaths. And both had ties to an ugly secret of ten years past–a secret shared by none other than Eve’s new husband, Roarke.

 

 

Opinião:  Já me vão começando a faltar as palavras para descrever a experiência de leitura da série In Death, sem me repetir muito. Neste momento, posso confessar-me viciada nas aventuras e desventuras de Eve, Roarke e companhia e curiosa por continuar a acompanhar as suas vidas atribuladas.

 

Vengeance in Death tem como tema principal, como o título indica, a vingança. Temos aqui mais um serial killer que telefona a Eve pouco antes de cometer os seus crimes, dando-lhe pistas em forma de adivinhas, sempre com um forte teor religioso. À medida que as vítimas se vão sucedendo, Eve consegue relacioná-las com um acontecimento do passado de Roarke, na Irlanda, e começa a temer pela sua segurança. Summerset, o mordomo de Roarke que não nutre grande simpatia por Eve, parece o principal suspeito, mas, como é fácil adivinhar, nem tudo o que parece é. 

 

O caso é interessante e está bem desenvolvido; para isso, muito contribui a relação estreita entre a vida pessoal das personagens e os crimes cometidos. Na verdade, caso policial e desenvolvimentos pessoais de e entre personagens não são duas partes estanques deste livro, e está tudo tão bem interligado que o livro se torna praticamente impossível de largar. A relação entre Eve e Roarke continua a não ser linear, e desta vez a questão das cedências de parte a parte são abordadas e bem discutidas. No fim, como seria de esperar, estas questões são resolvidas, mas gosto que a relação de ambos (apesar de algumas partes mais melosas) tenha ainda muito campo para desbravar.

 

Diria que Vengeance in Death foi o melhor livro da série até agora, por tudo o que disse acima e porque tem uma intensidade emocional bastante forte. Não leva a nota máxima (como duvido que algum livro da série levará) por causa de alguma previsibilidade em certas situações e de começar já a notar a utilização de uma fórmula nos casos policiais – em especial nos acontecimentos que levam à revelação final. Mas tudo o resto vale a pena: personagens (Ian McNab, um geek perito em tecnologia, é a última agradável “aquisição”) e desenvolvimento entre elas, enredos cativantes, escrita despretenciosa. 

 

Uma nota final para algo que não tenho referido nas minhas opiniões: estou a ler estes livros em formato audiobook, que me têm acompanhado nas intermináveis tarefas domésticas e ajudado a torná-las menos fastidiosas. Tem sido uma excelente experiência, não só porque me permite aproveitar todos os bocadinhos, mas também porque Susan Eriksen, a narradora, faz um excelente trabalho de interpretação, de tal modo que sei de imediato quem está a falar sem precisar de grande atenção. Muito bom.

 

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante


Categorias: 4/5, Célia, J.D. Robb, Opiniões

[Opinião] Shift, de Hugh Howey

Tuesday, August 19, 2014 Post de Célia

17306293Autor: Hugh Howey
Ano de Publicação:
2013
Série: Silo #2
Páginas: 608

 

Sinopse: In a future less than fifty years away, the world is still as we know it. Time continues to tick by. The truth is that it is ticking away. A powerful few know what lies ahead. They are preparing for it. They are trying to protect us. They are setting us on a path from which we can never return.

 

(aviso: esta opinião contém pequenos spoilers em relação ao primeiro livro)

 

Opinião: Porque O Silo deixa várias pontas soltas e porque gostei imenso do primeiro volume da trilogia, parti de imediato para a leitura do segundo. Em Shift, Hugh Howey recua no tempo, até meados do século XXI, quando a origem dos silos começou a ganhar forma. A primeira parte do livro acompanha Donald, um congressista que vê o seu mentor convidá-lo para fazer parte de um projeto secreto, originado devido a uma ameaça terrorista/nuclear do Irão. Os capítulos sob o ponto de vista de Donald são intercalados com outros onde a personagem central é Troy, já quando os silos se encontram construídos e a funcionar em pleno, que acorda de um sono de anos para desempenhar as funções de supervisor num dos turnos que são levados a cabo no Silo 1. Este silo controla e supervisiona o funcionamento dos restantes silos e é, também, o local onde se tomam as decisões tão complicadas como “deitar abaixo” um silo que apresente problemas considerados irresolúveis. 

 

A segunda parte do livro avança 100 anos em relação à primeira, e recupera várias personagens no Silo 1, enquanto acompanha também um jovem residente no silo 18 (o silo do primeiro livro), Mission, numa altura em que este se encontrou à beira do colapso por causa de uma sublevação. A terceira e última parte de Shift começa, em termos temporais, apenas alguns anos antes dos acontecimentos do primeiro volume da série, recuperando a história de Solo (o habitante do Silo 17), e sobrepondo-se temporalmente aos acontecimentos do livro anterior.

 

Quem ficou curioso para saber qual a origem dos silos, deverá ficar bastante satisfeito com este livro. Basicamente, todas as questões são respondidas: quem, quando, como e porquê. O livro tem um pendor mais político e conspiracional que o seu antecessor, mas nem por isso é menos interessante. Acaba por ser um livro de revelação onde o anterior criou suspense, e, apesar de o efeito no leitor ser diferente, é igualmente uma leitura que vale a pena, especialmente para quem gostou do primeiro volume. Onde diria que fica a perder é nas personagens: para dizer a verdade, não me cativaram tanto como Juliette, e acho mesmo que Donald, apesar de ser uma personagem que cria empatia com o leitor por se ver num papel circunstancial (que pode ou não ser atribuído à sua vontade) e cuja conduta fica numa zona um pouco cinzenta, por vezes a quantidade de autopiedade acaba por tornar-se cansativa.

 

Sem dúvida que este livro, apesar de ser uma prequela, deve ser lido depois de “O Silo”, uma vez que lido antes estragaria vários detalhes e o suspense que aquele livro traz consigo. Penso que é uma continuação que deverá satisfazer quem gostou do primeiro livro; pessoalmente, a leitura foi viciante e a forma como termina fez-me ansiar pela leitura do terceiro e último volume, Dust.

 

Classificação: 4/5 - Gostei Bastante


Categorias: 4/5, Célia, Hugh Howey, Opiniões

[Opinião] O Silo, de Hugh Howey

Friday, August 8, 2014 Post de Célia

18524135Autor: Hugh Howey
Título Original:
Wool Omnibus (2011-2012)
Série: Silo #1
Editora: Editorial Presença
Páginas: 528
ISBN: 9789722351409
Tradutor: Alberto Gomes

 

Sinopse: Num mundo pós-apocalíptico, encontramos uma comunidade que tenta sobreviver num gigantesco silo subterrâneo com centenas de níveis, onde milhares de pessoas vivem numa sociedade completamente estratificada e rígida, e onde falar do mundo exterior constitui crime. As únicas imagens do que existe lá fora são captadas de forma difusa por câmaras de vigilância que deixam passar um pouco de luz natural para o interior do silo. Contudo há sempre aqueles que se questionam… Esses são enviados para o exterior com a missão de limpar as câmaras. O único problema é que os engenheiros ainda não encontraram maneira de garantir que essas pessoas regressem vivas. Ou, pelo menos, assim se julga…

 

Opinião: Este livro tem uma história curiosa, por ser diferente daquilo que é a publicação tradicional. Em Julho de 2011, Hugh Howey publicou via Amazon um conto, Wool, e o sucesso que alcançou junto dos leitores fez com que o autor tivesse decidido publicar a continuação, num total de 5 partes (que foram incluídas neste livro). Posteriormente, o autor publicou mais histórias que funcionam como prequelas (Shift) e uma história que é cronologicamente posterior a este O Silo (Dust).

 

Num futuro aparentemente distante, uma comunidade de humanos vive debaixo da terra, num silo com quase 150 andares abaixo do solo. Sabemos, inicialmente, que o ar exterior está cheio de toxinas e que os seres humanos não conseguem lá sobreviver, bastando que alguém expresse a vontade de sair para que seja “condenado” a fazê-lo e, de caminho, a limpar as câmaras e sensores que permitem ao silo ter uma visão sobre o que se vai passando lá fora. Holston, o xerife do silo, escolhe este destino, 3 anos após a sua esposa ter feito o mesmo. O que os terá levado ao exterior de livre e espontânea vontade, sabendo que a morte era o destino certo? A nova xerife, Juliette, recrutada da Manutenção, vê-se perante este dilema, bem como algumas mortes que parecem tudo menos coincidência.

 

À medida que a leitura vai prosseguindo, várias questões se acumulam na mente do leitor: porque é que estas pessoas estão todas enfiadas dentro de um silo? O que é que tornou o ar tóxico? As pessoas do silo são as únicas sobreviventes da aparente catástrofe que os colocou lá dentro? O que é verdade e o que é mentira?, entre muitas outras. São estes enigmas, aliados à escrita cativante e às personagens bem desenvolvidas (a história vai sendo contada sob pontos de vista de várias delas), que tornam O Silo num livro de leitura quase compulsiva.

 

Finda a leitura, ficam algumas pontas por atar. Esse é, talvez, o maior defeito do livro, mas julgo que esta questão será resolvida nos restantes livros da série que pretendo, sem dúvida, ler em breve. Esta é uma distopia que vale a pena ler. Recomendado.

 

Classificação: 4/5 - Gostei Bastante


22733326Autor: Sónia Morais Santos
Editora: Esfera dos Livros
Páginas: 216
ISBN: 9789896265311

 

Sinopse: «É tão certo como dois e dois serem quatro, como a noite vir a seguir ao dia, como o Natal ser a 25 de dezembro. Mãe que é mãe sente culpa. Culpa do que fez e do que não fez e podia ter feito. Culpa com fundamento e sem fundamento. Culpa por ter gritado, por ter chegado demasiado tarde a casa, culpa por aquela palmada, culpa por não ter lido a história para o filho adormecer, culpa porque perdeu as estribeiras quando ajudava os miúdos com os trabalhos de casa, culpa porque discutiu com o marido à frente das crianças, culpa por aquela perna partida do mais novo que aconteceu quando nem sequer estava presente (mas devia ter estado presente, claro, se estivesse presente a perna estava inteirinha, logo a culpa é só sua!) Revê-se nisto? Já o sentiu? Fez um certo em todas as situações referidas ou em quase todas? Então este livro é para si. Culpa, culpa, culpa. Porque é que somos tão duras connosco? Porque é que achamos que tudo é da nossa responsabilidade? Para quê insistir em sermos perfeitas quando a perfeição não existe?»

Com base em relatos de diversas mães, recorrendo à análise de psicólogos, pediatras, e com a experiência de 12 culposos anos de maternidade, a jornalista Sónia Morais Santos, mãe de três crianças, traz-nos A Culpa não é sempre da Mãe! Um livro bem-humorado da autora do blogue Cocó na Fralda, onde as leitoras se vão comover com algumas histórias, identificar-se com outras tantas situações, gozar consigo próprias, pensar sobre a maternidade e rir-se à gargalhada com situações por que todas nós já passámos. Porque a maternidade não é uma competição. Porque as mães não são super-heroínas, apenas mães e como todas nós sabemos … não há mães perfeitas!

 

Opinião: Ser mãe é, provavelmente, a coisa mais difícil que já fiz na vida. Para mim, o mais complicado é gerir a alternância entre o chapéu “mãe”, que uso há quase 2 anos, e o chapéu “Célia”, que uso desde que me conheço por gente. Sempre fui uma pessoa muito ciosa do meu tempo em silêncio, do tempo para refletir e para dedicar a mim própria, e ter um filho alterou, por completo, esta maneira de estar e, se tinha uma vaga ideia que as coisas iam mudar nesse aspeto, nada me preparou para o que aí vinha.

 

Dizem os “bons costumes” que uma mãe tem de se dedicar aos filhos a 100%, que tem de lhes dar o melhor de si, mesmo que isso implique eclipsar-se como mulher. Tudo o que fuja destes ideais pré-concebidos do que é uma mãe perfeita são, não raras vezes, olhados de lado pela sociedade, provocando na mãe uma miríade de sentimentos de culpa, que são precisamente o objeto deste livro. Acompanho o blogue da jornalista Sónia Morais Santos há muitos anos e, apesar de não a conhecer (nem de perto nem de longe), simpatizo com a sua forma de estar e visões sobre os mais variados temas, ainda que muitas vezes não me identifique muito com o estilo de vida. Por isso, e já conhecendo a autora de antemão, foi com maior interesse e gosto que acompanhei as suas visões sobre o que é isto da culpa nas mães, e os relatos das suas próprias experiências.

 

O tom é bastante coloquial, apesar do tema sério. Sónia Morais Santos apresenta vários testemunhos de mães que enfrentaram a culpa nos variados estágios da maternidade (incluindo a gravidez) e em situações de maior ou menor gravidade, apoiados por opiniões de psicólogos e pediatras, naquilo que se transforma numa leitura quase compulsiva pelo tom descontraído e interessante com que o livro está escrito. Suponho que interessará particularmente a mulheres que são (ou vão ser) mães, porque quase de certeza vão encontrar aqui situações ou relatos com os quais se identificarão. Mas não fará mal às pessoas que as rodeiam lê-lo também, para compreender a angústia que muitas vezes as consome.

 

Como a própria autora afirma, o livro não faz milagres no que toca a resolver problemas de culpa, seja de que natureza for, mas sem dúvida que ajuda a relativizar as situações e a pôr as coisas em perspetiva, nem que seja só por algum tempo – porque a culpa é uma sacaninha tão enraizada que não seria um simples livro a exterminá-la. Mas tudo o que ajude é bem-vindo e é por isso que gostei tanto deste livro que acaba por pecar só mesmo por acabar demasiado depressa.

 

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante


[Opinião] Dragon Haven, de Robin Hobb

Thursday, July 3, 2014 Post de Célia

11040258Autor: Robin Hobb
Ano de Publicação: 2009
Série: Rain Wild Chronicles #2 | Realms of the Elderlings #11
Páginas: 570

Sinopse: Fifteen dragons have set off on a dangerous trek up the Rain Wild River, in hopes of rediscovering their lost haven, the ancient city of Kelsingra. Accompanying them are a disparate group of rejects from Rain Wild society, including strong and defiant young Thymara; wealthy dragon scholar and Trader’s wife Alise; and her companion, the urbane Sedric. These human keepers yearn also to create a new home where they can decide their own fate. But is Kelsingra real or merely a fragment of a glorified past buried deep in the dragons’ shared memories?

As they forge ever-deeper into uncharted wilderness, starvation, flashfloods, and predators imperil them all. But as dragons and humans alike soon learn, the most savage threats come from within their own company…

 

 

Opinião: Dragon Haven é o segundo volume de quatro da série Rain Wild Chronicles e continua a história iniciada em The Dragon Keeper. O primeiro volume teve um final em aberto, mesmo tendo em conta que faz parte de uma série, mas como expliquei na opinião do livro anterior, a autora verificou que o primeiro volume da série estava demasiado extenso e decidiu dividi-lo em dois, pelo que este segundo volume complementa o primeiro.

 

Deste modo, a história do segundo volume inicia-se precisamente onde o primeiro volume terminou e continua a acompanhar a viagem dos dragões e dos seus guardadores em busca da cidade perdida de Kelsingra. Se o primeiro volume foi mais introdutório a nível de enredo e personagens, este centra-se basicamente na viagem dos dragões e dos seus acompanhantes, em sentido literal e figurado.

 

Na realidade, apesar da importância do destino, a viagem é muito importante para todas as personagens. Thymara, a jovem Rain Wild que escapou de morte certa à nascença pela teimosia do seu pai, luta pela capacidade de escolher o seu destino enquanto lida com as transformações que se vão operando pelo contacto com a “sua” dragão-fêmea, Sintara. Alise tenta aprender a tornar-se mais útil, enquanto lida com os novos sentimentos que surgiram em relação ao capitão do barco, Leftrin, e se vê perante revalações sobre o seu passado que mudam completamente a perceção sobre quem quer ser no futuro. Mas a “viagem” mais interessante, para mim, foi a de Sedric, o homem que o marido de Alise enviou para a acompanhar nesta aventura: a sua ligação inesperada ao dragão Relpda faz com que Sedric sofra uma transformação impressionante, levando-o a perceber quem é realmente e tudo o que estava errado no seu passado.

 

Depois, os dragões são fantásticos. Têm uma personalidade muito própria e uma grande sabedoria, e é muito curioso acompanhar as alterações por que vão passando à medida que viajam rumo à sua cidade perdida, bem como as relações que desenvolvem com os seus guardadores. A viagem é descrita com muito detalhe, bem como a fauna e a flora dos locais por que vão passando, o que ajuda a dar credibilidade a toda a narrativa.

 

O ritmo, esse, continua algo lento. Mas, como já disse tantas vezes, é uma característica da autora que aprendemos a apreciar e a compensar com a sua exímia capacidade de falar sobre pessoas, sobre as suas lutas e sobre os seus sentimentos. Conto não demorar muito a ler os restantes dois volumes para descobrir o que vai acontecer de seguida. 

 

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante


Categorias: 4/5, Célia, Opiniões, Robin Hobb