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Arquivo da categoria ‘4/5’

[Opinião] À Espera de Moby Dick, de Nuno Amado

Sexta-feira, Maio 22, 2015 Post de Célia

16091274Autor: Nuno Amado
Ano de Publicação:
2012
Editora: Oficina do Livro
Páginas: 243
ISBN: 9789895560127

 

Sinopse: Um desgosto avassalador leva um lisboeta a refugiar-se numa enseada perdida dos Açores para cumprir um velho sonho: avistar baleias. Enquanto espera pela chegada dos gigantes marinhos, ocupa os dias naquele lugar dominado pelo ruído do oceano a tentar reencontrar-se e a escrever cartas para o seu melhor amigo, contando-lhe o fio dos seus dias no exílio, mas também para destinatários tão improváveis como o Instituto Nacional de Estatística, o boxeur português com mais derrotas acumuladas ou um guru de auto-ajuda de sucesso planetário. À medida que o tempo passa, consegue vencer a solidão absoluta que impôs a si próprio e estabelece contacto com os seus poucos vizinhos, como um alemão bem-humorado, que todos os dias sai sozinho para o mar, e um casal de reformados oriundo do continente, que recebe cartas do filho dos mais variados lugares do mundo. Depressa descobre que, naquela enseada, todos têm qualquer coisa a esconder e nada é exactamente o que parece.

 

Opinião: Finalmente, uma opinião sobre um livro que tinha pensado ler para o mês temático de autores portugueses (que, como já devem ter percebido, está a correr miseravelmente). À Espera de Moby Dick suscitou-me interesse pelas boas opiniões que tenho vindo a ler, e o facto de ser de um autor português que ainda não tinha lido aguçou-me ainda mais a curiosidade. É ainda importante referir que este foi um livro lido no âmbito de uma leitura conjunta.

 

Romance escrito na forma epistolar, contém uma série de cartas escritas por um homem que se refugiou num local recôndito nos Açores, depois de uma grande perda – de que, curiosamente, o exilado (sem nome) raramente fala, mas que ainda assim permeia todas as cartas que este homem envia a um seu amigo do continente.

 

E assim o livro vai avançando, com o narrador a relatar ao amigo a vida pacata que leva, as pessoas com quem se cruza, a sua luta para encontrar a redenção – que ele pensa estar, de certo modo, relacionada com o avistamento de baleias. Mas nem só das cartas da personagem principal vive o livro, porque temos também acesso a algumas cartas escritas pelo filho viajante de um casal que também se refugiou nos Açores e mora perto do nosso narrador principal.

 

Parece-me ser um livro que será tanto mais apreciado quanto o leitor se identifique com sentimentos de perda, de solidão e da busca incessante pela vontade de viver. Porque me identifiquei com várias coisas que esta personagem vai descrevendo, foi um relato que teve significado para mim, ainda que a imagem que passa não seja a de uma pessoa de quem seja muito fácil gostar.

 

O facto de o livro tratar basicamente de correspondência unilateral pareceu-me uma forma de o autor demonstrar que estava mais interessado em mostrar ao leitor quem era esta pessoa e deixar-nos entrar na consciência dele do que propriamente contar uma história com princípio, meio e fim. Ainda assim, penso que este livro tinha mais para dar; gostava de ter continuado a acompanhar esta personagem, de ter sabido mais sobre ela.

 

Gostei bastante da escrita de Nuno Amado; foi daqueles textos que me deu vontade de guardar várias passagens por terem significado para mim. Fiquei com muita vontade de ler mais coisas deste escritor.

  

A única vingança que há perante a morte, como já alguém disse, é viver. E viver com os mortos e os vivos dentro de nós. Viver num mundo que, apesar de já não conter o que nele eu mais amava, ainda tem muito para ser amado.

  

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante

 


4255Autor: J.K. Rowling
Ano de Publicação: 1997
Páginas: 312

 

Sinopse: This story is filled with dark comedy and crafted with a quality of writing that has garnered J.K. Rowling top awards in her country and ours. Harry Potter spent ten long years living with his aunt and uncle and stupid cousin, Dudley. Fortunately, Harry has a destiny that he was born to fulfill. One that will rocket him out of his dull life and into a unique experience at the Hogworts School of Witchcraft and Wizardry.

 

Opinião: Regressar à série Harry Potter é, para mim, um conforto. Porque adoro as personagens e a história e porque são quase todos como amigos que gosto de rever amiúde. Estou a passar uma fase em que estou com dificuldade em concentrar-me nas leituras, por isso decidi reler a série, em formato audiobook, narrada pelo genial Stephen Fry, para me acompanhar em tarefas domésticas ou enquanto pinto os livros de colorir para adultos que comprei (prometo falar disso noutro post).

 

Harry Potter and the Philosopher’s Stone é o primeiro livro de uma série que apresenta uma espécie de mundo paralelo ao dos chamados muggles, os humanos sem poderes mágicos. Poderia ter perdido dinâmica na explicação do funcionamento desse mundo, mas estas informações são sabiamente entrelaçadas com as aventuras do pequeno talentoso feiticeiro, Harry Potter. O ingresso de Harry em Hogwarts, a escola de feitiçaria, marca também o regresso do temível feiticeiro Voldemort, que apesar de fraco, faz já bastantes estragos.

 

J.K. Rowling brilha pela criação de um mundo cativante e de um leque de personagens de quem facilmente gostamos, ainda que a idade do leitor seja superior às suas idades. A suspensão da descrença ajuda a que não consideremos demasiado fantasiosas as aventuras de Harry e amigos em Hogwarts, bem como a facilidade com que os amigos deduzem coisas que vão para além dos seus conhecimentos.

 

Como já referi, para mim é reconfortante voltar a estes livros, porque de forma inconsciente estou a regressar a uma época da minha vida da qual guardo boas recordações, por vários motivos. A narração de Stephen Fry é fantástica, mas isso já eu sabia; é fácil identificar a personagem que está a falar e a parte da narração é expressiva sem ser de uma forma exagerada. Recomendo o livro de qualquer modo, mas o audiobook é uma experiência muito interessante.

 

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante


Categorias: 4/5, Célia, J.K. Rowling, Opiniões

[Opinião] Saga – Volume II, de Brian K. Vaughan

Sexta-feira, Abril 17, 2015 Post de Célia

17131869Autor: Brian K. Vaughan
Ilustrador: Fiona Staples
Série: Saga #2
Ano de Publicação:
2013
Páginas: 144
ISBN: 9781607066927

 

Sinopse: From award-winning writer BRIAN K. VAUGHAN (Pride of Baghdad, Ex Machina) and critically acclaimed artist FIONA STAPLES (Mystery Society, Done to Death), SAGA is sweeping tale of one young family fighting to find their place in the universe. Thanks to her star-crossed parents Marko and Alana, newborn baby Hazel has already survived lethal assassins, rampaging armies, and horrific monsters, but in the cold vastness of outer space, the little girl encounters her strangest adventure yet… grandparents.

 

Opinião: Depois da experiência positiva que foi ler o primeiro livro desta série, não poderia deixar de ler o segundo. E foi isso mesmo que fiz, entusiasmada com a perspetiva de voltar a encontrar Marko e Alana, bem como outras personagens que já conhecia e de quem gostava, e ainda com curiosidade para ver se o elevado nível de gore ia continuar.

 

Marko e Alana continuam a fugir dos seus perseguidores, mas desta vez têm os pais de Marko à perna. Os dois não concordam com a relação entre o filho e Alana e o drama familiar que se gera é bastante interessante. Este volume apresenta-nos vários flashbacks sobre o início da relação dos dois, ideia que me agradou, até porque ajuda o leitor a ganhar ainda mais empatia pelas personagens principais. Ainda assim, desta vez achei que foi dado mais tempo de antena a personagens secundárias, o que acaba por ajudar a expandir o worldbuilding ainda que tivesse dado por mim a desejar voltar a ver o que se passava com Marko e Alana.

 

A estranheza de mundos e personagens continua, mas esse é um elemento que cativa em vez de repelir. É que, apesar das personagens estranhas, o autor consegue torná-las “humanas”, com problemas com os quais nos conseguimos relacionar. A relação entre as personagens principais consegue ser genuína, sem ser lamechas. Para além da parte dramática, existem alguns comic reliefs que funcionam muito bem.

 

Os desenhos continuam ao mesmo nível elevado. Há muita expressividade, sem ser exagerada, e considero que existe um equilíbrio muito bom entre a história a ser contada e os desenhos que a fazem ganhar vida. Nada parece forçado ou exagerado no contexto da história, por isso esta parte também me deixou bastante satisfeita.

 

O balanço final é muito positivo. O enredo, as personagens e a parte visual continuam a cativar-me, o que não deixa dúvidas se vou continuar a seguir a série.

 

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante


[Opinião] A Filha do Barão, de Célia Correia Loureiro

Quarta-feira, Abril 8, 2015 Post de Célia

15712624Autor: Célia Correia Loureiro
Ano de Publicação:
2014
Editora: Marcador
Páginas: 580
ISBN: 9789897540394

 

Sinopse: Quando D. João tece a união da sua única filha, Mariana de Albuquerque, com o seu melhor amigo – um inglês que investiga o potencial comercial do vinho do Porto -, não prevê a espiral de desenganos e provações que causará a todos. Mariana tem catorze anos e Daniel Turner vive atormentado pela sua responsabilidade para com a amante. Como se não bastasse, o exército francês está ao virar da esquina, pronto a tomar o Porto e, a partir daí, todo o país. No seu retiro nos socalcos do Douro, Mariana recomeça uma vida de alegrias e liberdade até que um soldado francês, um jovem arrastado para um conflito que desdenha, lhe bate à porta em busca de asilo. Daniel está longe, a combater os franceses, e Gustave está logo ali, com os seus ideais de igualdade e o seu afecto incorruptível, disposto a mostrar-lhe que a vida é mais do que um leque de obrigações.

 

Opinião: Admito o meu preconceito em relação a autores portugueses “desconhecidos”. Não sei explicar muito bem de onde vem, mas talvez tenha algo a ver com a escolha frequente do que vem de fora em detrimento do que é feito cá dentro, em vários quadrantes da nossa sociedade. Sem eu querer, isto acaba por se refletir nas escolhas de leitura que faço, ainda que de forma algo insconciente (a este propósito, recomendo a visualização do último Só Ler Não Basta, onde se falou de autores portugueses e desta questão). Por me ter apercebido que lia muito pouca coisa produzida em português, desafiei-me a ler pelo menos um autor português por mês, que tenho conseguido cumprir.

 

A Filha do Barão tinha-me suscitado interesse moderado. Já tinha lido coisas sobre outros livros de Célia Correia Loureiro, mas o tal preconceito evitou que ficasse realmente interessada. Até que ganhei este livro num passatempo do Goodreads e decidi não demorar muito tempo a lê-lo. Trata-se de um romance histórico que decorre nos anos das invasões francesas e que tem como protagonista uma jovem filha de um barão, Mariana de Albuquerque, que vê o estado de saúde de seu pai agravar-se cada vez mais devido à peste e que, para sua segurança, é obrigada a casar com um inglês conhecido do pai, Daniel Turner. 

 

A relação dos dois, bem como as vidas de quem os rodeia, nomeadamente família e criadagem, acaba por ser o centro do romance. Mas esta relação é profundamente afetada pelas invasões francesas, pois Daniel decide juntar-se ao exército inglês que ajudará os portugueses a combater as forças de Napoleão. O contexto histórico acaba por estar muito mais desenvolvido do que estava à espera, de uma forma competente e pouco maçadora, não se imiscuindo na história de um modo desconexo, mas antes entrelaçando-se com o enredo satisfatoriamente. O leitor fica com uma noção bastante completa dos acontecimentos mais importantes da época, sem que esta contextualização acabe por ganhar demasiado protagonismo. É também fácil perceber a pesquisa que a escrita deste livro envolveu, que me pareceu essencial para a credibilidade do enredo. Não só a nível de acontecimentos históricos, mas também dos costumes das gentes, da própria sociedade.

 

Célia Correia Loureiro escreve muito bem. A escrita é envolvente e cuidada e, penso eu, adequa-se bastante bem ao tipo de história que é aqui contada. Da história fictícia também gostei bastante, ainda que para o meu gosto pessoal por vezes tenha assumido contornos demasiado novelescos e que aqui e ali me tenha parecido que a dinâmica do livro poderia ter beneficiado de algumas páginas a menos. Também é importante referir que, apesar de o enredo encerrar um ciclo, há uma parte importante do mesmo que fica em aberto para uma possível sequela (que pelos visto já está a ser trabalhada, com o título “Uma Mulher Respeitável”) e que tenho algumas dúvidas sobre se terá sido a melhor forma de encerrar este livro.

 

O balanço final é bastante positivo. Escreve-se bem em português – algo que estupidamente me continua a surpreender. Ficarei atenta a futuras publicações desta autora, que me parece valer a pena acompanhar.

 

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante

 


[Opinião] Em Troca de um Coração, de Jodi Picoult

Segunda-feira, Abril 6, 2015 Post de Célia

6474498Autor: Jodi Picoult
Título Original:
Change of Heart (2008)
Editora: Civilização Editora
Páginas: 435
ISBN: 9789722626491
Tradutor: Ana Figueira

 

Sinopse: Aceitava realizar o último desejo de um condenado para salvar a vida de um filho? Com uma sensibilidade literária invulgar, Jodi Picoult conduz uma vez mais o leitor a uma encruzilhada moral. Como é que uma mãe concilia a trágica perda de um filho com a oportunidade de salvar a alma de um homem que odeia? Shay foi condenado à morte por matar a pequena Elizabeth Nealon e o padrasto. Onze anos mais tarde, a irmã de Elizabeth, Claire, precisa de um transplante de coração e Shay, que vai ser executado, oferece-se como dador. Este último desejo do condenado complica o plano de execução, pois uma injecção letal inutilizaria o órgão. Entretanto, a mãe da criança moribunda debate-se com a questão de pôr de parte o ódio para aceitar o coração do homem que matou a sua filha. Picoult hipnotiza o leitor com uma história de redenção, justiça, e amor.

 

Opinião: O único livro que tinha lido de Jodi Picoult foi Dezanove Minutos, já em 2008. Lembro-me de ter ficado impressionada com a capacidade da autora em lidar com um tema polémico e de ter conseguido, de uma forma bastante convincente, transmitir a ideia do limite ténue entre o que está certo e o que está errado. Desde então ficou a vontade de ler mais coisas dela, mas já se sabe como é… os anos foram passando, outras coisas surgiram, e fui sempre adiando o regresso à autora. Até agora.

 

Em Troca de um Coração tem um enredo complexo: June Nealon, após ter perdido o primeiro marido num acidente de automóvel, refaz a vida com um segundo marido e a filha que já tinha. Até que ambos são encontrados mortos e o carpinteiro, Shay Bourne, é dado como culpado dos homicídios. Aquando desta tragédia, June encontrava-se grávida de 8 meses e acaba por arranjar forças para continuar, pela sua filha Claire. Onze anos depois, Shay encontra-se prestes a cumprir a sua sentença, que foi a pena de morte. Mas antes, como forma de redenção, deseja doar o seu coração a Claire, que se encontra gravemente doente e a precisar de um coração para sobreviver.

 

O drama moral que implica a escolha de June em salvar a filha aceitando o coração do homem que lhe levou a outra filha e o marido é um dos pontos centrais do enredo. Mas este vai muito para além disso: o livro dá-nos também as perspetivas do Padre Michael, que se torna conselheiro espiritual de Shay, depois de ter participado no júri que o condenou à pena de morte, de Maggie, a advogada com problemas de auto-estima que decide pegar no caso e tentar evitar a injeção letal, que impediria a doação do coração, e de Lucius, um recluso infetado com o vírus da SIDA e que testemunha alguns dos supostos “milagres” de Shay.

 

O livro tem um grande pendor religioso, o que não quer dizer que a autora faça a apologia da religião para a resolução de todos os males do mundo. São abordadas com algum detalhe as escrituras gnósticas, por causa de alguns acontecimentos inexplicáveis que vão rodeando Shay e que levam as pessoas a encará-lo como um novo Messias. A pena de morte é, como seria de esperar, um tema que assume protagonismo, bem como a importância de analisar as situações com que nos vamos deparando, sejam elas de maior ou menor importância, com o espírito aberto e com vontade de perceber todos os pontos de vista, admitindo que a nossa forma de ver as coisas pode não ser a mais correta.

 

A parte final do livro teve um twist que me partiu o coração e que me angustiou. Portanto, foi um livro que mexeu comigo, ainda que considere ter algumas coisas que podiam ter sido melhores. Achei a premissa do livro demasiado fantasiosa, com June a ser provavelmente a mulher mais azarada da história e a coincidência de tudo parecer conjugar-se para o assassino da sua família poder ser o salvador da filha que lhe resta; ultrapassada a descrença, consegui usufruir da história. Também não gostei muito que a baixa auto-estima de Maggie tenha sido resolvida com o aparecimento de um homem porque isso tem subjacente a ideia de que as mulheres necessitam de ser validadas por uma relação para serem felizes. Achei este sub-enredo completamente desnecessário para a personagem e para a história, de um modo geral.

 

No final de contas, foi uma boa leitura, com temas suficientes para reflexão e com uma história contada de forma cativante e envolvente. Fica o desejo de não demorar tanto tempo a voltar aos livros de Jodi Picoult.

 

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante