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Arquivo da categoria ‘4/5’

[Opinião] Harry Potter and Order of the Phoenix, de J.K. Rowling

Terça-feira, Setembro 1, 2015 Post de Célia

862714Autor: J.K. Rowling
Ano de Publicação: 2003
Páginas: 956

 

Sinopse: Book five in JK Rowling’s Harry Potter series follows the darkest year yet for our young wizard, who finds himself knocked down a peg or three after the events of last year. Over the summer, gossip (usually traced back to the magic world’s newspaper, the Daily Prophet) has turned Harry’s tragic and heroic encounter with Voldemort at the Triwizard Tournament into an excuse to ridicule and discount the teenager. Even Professor Dumbledore, headmaster of the school, has come under scrutiny from the Ministry of Magic, which refuses to officially acknowledge the terrifying truth: that Voldemort is back. Enter a particularly loathsome new character: the toad-like and simpering (“hem, hem”) Dolores Umbridge, senior undersecretary to the minister of Magic, who takes over the vacant position of defence against dark arts teacher–and in no time manages to become the high inquisitor of Hogwarts. Life isn’t getting any easier for Harry Potter. With an overwhelming course load as the fifth years prepare for their examinations, devastating changes in the Gryffindor Quidditch team line-up, vivid dreams about long hallways and closed doors, and increasing pain in his lightning-shaped scar, Harry’s resilience is sorely tested.

 

Opinião: De todas as vezes que li este 5.º livro da série Harry Potter, a sensação foi a mesma: é demasiado longo. Desta vez não foi diferente, ainda que me pareça que esta foi a ocasião em que mais o apreciei, apesar de tudo.

 

Harry testemunhou o regresso de Lord Voldemort e Dumbledore fê-lo saber a quem o quisesse, mas a maioria dos feiticeiros continua a acreditar nas notícias do jornal e naquilo que o Ministério da Magia advoga, ou seja, que tudo não passa de imaginação do nosso jovem feiticeiro. E é por isso que vários feiticeiros se juntam para fazer regressar A Ordem da Fénix, uma organização que se dedica a lutar contra Voldemort e seus seguidores através de espionagem e luta contra atos abertos de demonstração de força. Dela fazem parte Dumbledore, Sirius Black, Lupin entre vários outros, incluindo Snape. Mas as dificuldades não se cingem ao mundo exterior, estão também dentro de Hogwarts: a nova professora de Defesa contra as Artes Negras, Dolores Umbridge (narrada brilhantemente por Stephen Fry no audiobook), está decidida a levar ao extremo as orientações do Ministério e obriga os seus alunos a lerem o livro da disciplina em vez de o praticarem. Cedo ganha novos poderes e toda a escola, Harry em particular, vê Hogwarts deixar de ser aquilo que sempre conheceu, para pior.

 

Como referi no início, o livro é enorme. Por um lado, a autora desenvolve com maior profundidade os meandros políticos da história, e por outro ocupa também bastante espaço com a vida adolescente de Harry e seus amigos. Harry aparece neste volume particularmente irritante, naquela fase por que quase todos passamos na adolescência, quando pensamos que ninguém nos entende e que tudo corre mal. Foi por ter noção perfeita disso que, nesta releitura, este aspeto me incomodou menos. O final da história acaba por fazer Harry crescer: os factos que Dumbledore lhe revela relativamente à sua relação com Voldemort suscitam uma reação mais adulta do que se esperaria, e são obviamente fundamentais no desenrolar da história. É um livro importante na saga, ainda que continue a achar que teria ganho em ter umas páginas a menos.

 

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante


Categorias: 4/5, Célia, J.K. Rowling, Opiniões

[Opinião] Segredos Obscuros, de Michael Hjorth e Hans Rosenfeldt

Sexta-feira, Julho 31, 2015 Post de Célia

25775291Autor: Michael Hjorth e Hans Rosenfeldt
Título Original:
Det fördolda (2010)
Série: Sebastian Bergman #1
Editora: Suma de Letras
Páginas: 544
ISBN: 9789898775535
Tradutor: Jorge Pereirinha Pires

 

Sinopse: Sebastian Bergman é um homem à deriva. Psicólogo de formação, trabalhava como profiler para a polícia e era um dos grandes especialistas do país em serial killers. Perdeu tudo quando o tsunami no continente indiano lhe levou a mulher e a filha. Tudo muda com uma chamada para a polícia. Um rapaz de dezasseis anos, Roger Eriksson, desapareceu na cidade de Västerås. Organiza-se uma busca e um grupo de jovens escuteiros faz uma descoberta macabra no meio de um pântano: Roger está morto e falta-lhe o coração. É o momento de Sebastian se confrontar com um mundo que conhece demasiado bem. O Departamento de Investigação Criminal pede ajuda a Sebastian. Os modos bruscos e revoltados de Sebastian não impedem a investigação de avançar. E as descobertas sobre a escola que Roger frequentava são aterradoras.

 

Opinião: Acho que ando viciada em policiais. Cada vez me dá mais gozo pegar num destes livros e deixar-me levar pela investigação em volta de um crime, com a descoberta de pistas, o aparecimento de potenciais culpados e as reviravoltas que normalmente nos são apresentadas e nos deixam surpreendidos. Era isso que procurava neste livro, dentro dos policiais nórdicos que tanto sucesso têm feito, e foi isso que encontrei.

 

Sebastian Bergman trabalhou como psicólogo criminal e tem um historial de sucesso na profissão. Mas, desde que perdeu a família, deixou de ter ânimo para trabalhar e a sua vida tem-se arrastado sem objetivo aparente. Sebastian é também um mulherengo, vivendo de relações de uma noite que são resultado do seu vasto conhecimento do sexo feminino. A morte da sua mãe é o pretexto para regressar à cidade onde viveu os primeiros anos da sua vida, e é aí também que se cruza com a investigação do assassinato do adolescente Roger Eriksson.

 

Roger foi encontrado sem vida dentro de um lago, sem coração. A equipa onde Sebastian outrora trabalhara é chamada ao caso e ele, por motivos pessoais, resolve pedir para voltar a ser integrado. Só que à medida que o caso vai conhecendo desenvolvimentos, Sebastian começa a ficar cada vez mais embrenhado e com vontade de descobrir o real culpado.

 

Sebastian é uma personagem interessantíssima. É fácil de detestar a sua faceta mulherenga e sarcástica a roçar o mau gosto, mas a forma como a personagem é construída não permite odiá-lo porque, apesar das suas falhas, torna-se humano pelo seu passado e as suas perdas. Não é que consigamos desculpá-lo, mas acabamos por compreendê-lo. As suas capacidades de raciocínio são notáveis, e a sua história pessoal e desenvolvimento são fatores essenciais nesta história. Também importante a forma como várias personagens secundárias são trabalhadas, todas elas com histórias pessoais interessantes e que, por isso, ajudam a tornar este livro mais real.

 

Em relação ao caso, gostei do seu desenvolvimento. Os avanços e recuos da investigação mantêm o leitor em alerta constante e não permitem que se mantenha afastado do livro muito tempo, com o entusiasmo em perceber como tudo vai terminar. Como ponto menos positivo refiro apenas algumas pontas soltas do caso que ficaram por explicar. O final do livro e uma revelação particular em relação à vida pessoal de Sebastian deixaram-me ansiosa para continuar a ler esta série, que espero continuar a ser publicada por cá.

 

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante

 

Nota: Este livro foi-me disponibilizado pela respetiva editora, em troca de uma opinião honesta.


[Opinião] Harry Potter and the Goblet of Fire, de J.K. Rowling

Terça-feira, Julho 21, 2015 Post de Célia

818068Autor: J.K. Rowling
Ano de Publicação: 2000
Páginas: 796

 

Sinopse: The summer holidays are dragging on and Harry Potter can’t wait for the start of the school year. It is his fourth year at Hogwarts School of Witchcraft and Wizardry and there are spells to be learnt and (unluckily) Potions and Divination lessons to be attended. But Harry can’t know that the atmosphere is darkening around him, and his worst enemy is preparing a fate that it seems will be inescapable …With characteristic wit, fast-paced humour and marvellous emotional depth, J.K. Rowling has proved herself yet again to be a master story-teller

 

Opinião: O 4.º livro da saga Harry Potter é o livro do meio da saga e, na minha opinião, também um dos mais importantes, tanto a nível do enredo como a nível do desenvolvimento das personagens. 

 

O novo ano em Hogwarts traz novidades muito interessantes: será realizado um torneio para três feiticeiros de três escolas de feitiçaria diferentes, e quando menos esperava o nome de Harry Potter é retirado do cálice, quando ele não se candidatou nem sequer tem idade para isso. Harry vê-se assim obrigado a participar, ao lado de outro concorrerente de Hogwarts, Cedric Diggory, e de dois concorrentes de outras escolas.

 

Enquanto as tarefas do torneio se vão desenrolando, Harry tem dores inéditas na cicatriz que resultou do seu primeiro encontro com Voldemort, e os sonhos estranhamente realistas mostram o feiticeiro negro muito perto de retomar a sua atividade. Este é, de facto, o livro em que Voldemort ganha de novo um corpo que lhe permite sonhar com o regresso ao poder. E este acontecimento está intimamente ligado ao torneio dos três feiticeiros.

 

Também as personagens mostram evolução, deixando de ser crianças para adolescentes com as suas paixonetas, zangas parvas e a imaturidade sentimental que estas idades costumam trazer. Há várias personagens novas, sendo as mais interessantes, na minha opinião, as que são trazidas das outras escolas, a nórdica Durmstrang e a francesa Beauxbatons. Acho que a entrada em cena de outras escolas de feitiçaria acaba por ajudar na construção deste mundo imaginário, expandindo-o e dando-lhe bases mais sólidas.

 

Resumindo, gostei muito desta releitura, como de todas as outras vezes que o li. E sigo para o 5.ª volume.

 

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante


Categorias: 4/5, Célia, J.K. Rowling, Opiniões

[Opinião] Matteo Perdeu o Emprego, de Gonçalo M. Tavares

Quarta-feira, Julho 15, 2015 Post de Célia

9768386Autor: Gonçalo M. Tavares
Ano de Publicação:
2010
Editora: Porto Editora
Páginas: 216
ISBN: 9789720042903

 

Sinopse: As personagens de Matteo Perdeu o Emprego vivem situações bizarras, absurdas, ou no limite do irreal – como o homem que sofre de ostracismo social, ou outro cujo “hobby estúpido” é a coleta e armazenamento de baratas vivas. O livro obedece a uma lógica aparentemente circular, numa sucessão de camadas que se sobrepõem, como as vidas que se cruzam nas cidades. Um curioso sistema de ligações, associando ficção a um ensaio que nos surpreende no final.

 

Opinião: Até agora, a minha experiência com Gonçalo M. Tavares resumia-se ao conto A Moeda. Já me haviam recomendado a série “O Bairro” e tenho em casa por ler Jerusalém (que é de outra série, “O Reino”), mas acabei por começar mesmo por Matteo Perdeu o Emprego. Entrei no livro sem nada saber sobre a sua história ou temas; fui, portanto, às escuras, e às vezes essa é a melhor forma de apreciar um livro.

 

Através de capítulos curtos, o autor vai-nos apresentando várias personagens por ordem alfabética. Em cada um dos capítulos, ficamos a conhecer um pouco sobre aquela personagem e a ligação (por vezes ténue) com a personagem seguinte. Tudo isto para chegar a Matteo, a personagem principal do livro, que tem a sua história um pouco mais desenvolvida que as restantes. Gostei muito desta parte, da forma como todas as personagem se interligam e da exploração do efeito borboleta.

 

Depois da ficção, Gonçalo M. Tavares apresenta ao leitor um posfácio, onde, através de textos curtos, nos dá várias luzes sobre as intenções e significados do que acabámos de ler. Se é certo que muitas vezes foram realmente um acréscimo à leitura, noutras vezes o pendor filosófico foi tão vincado que acho que fiquei ainda mais baralhada. A inclusão de imagens de bonecos a representarem as personagens ajudou a dar a sensação que as nossas vidas estão bastante dependentes da sorte, do acaso, e que por isso parecemos ser marionetas do destino.

 

No final de contas, foi um livro que me deu bastante gozo ler. Foi desafiante, fez-me pensar e acima de tudo, gostei da escrita de Gonçalo M. Tavares e da forma habilidosa como contrói toda a sucessão de acontecimentos. Sem dúvida, um autor para continuar a descobrir.

 

Camer e o inquérito. O problema é sempre este: és tu que estás na posse das perguntas – a minha liberdade é, pois, nula. Só posso responder. A idiotia comum é esta: a pessoa pensar que está livre porque pode responder, porque pode escolher. A grande diferença é esta: és obrigado a escolher: sim, não – e é essa obrigação que te rouba a liberdade mínima. Nem prefiro não, nem prefiro sim. Pelo contrário.

 

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante

 


[Opinião] À Espera de Moby Dick, de Nuno Amado

Sexta-feira, Maio 22, 2015 Post de Célia

16091274Autor: Nuno Amado
Ano de Publicação:
2012
Editora: Oficina do Livro
Páginas: 243
ISBN: 9789895560127

 

Sinopse: Um desgosto avassalador leva um lisboeta a refugiar-se numa enseada perdida dos Açores para cumprir um velho sonho: avistar baleias. Enquanto espera pela chegada dos gigantes marinhos, ocupa os dias naquele lugar dominado pelo ruído do oceano a tentar reencontrar-se e a escrever cartas para o seu melhor amigo, contando-lhe o fio dos seus dias no exílio, mas também para destinatários tão improváveis como o Instituto Nacional de Estatística, o boxeur português com mais derrotas acumuladas ou um guru de auto-ajuda de sucesso planetário. À medida que o tempo passa, consegue vencer a solidão absoluta que impôs a si próprio e estabelece contacto com os seus poucos vizinhos, como um alemão bem-humorado, que todos os dias sai sozinho para o mar, e um casal de reformados oriundo do continente, que recebe cartas do filho dos mais variados lugares do mundo. Depressa descobre que, naquela enseada, todos têm qualquer coisa a esconder e nada é exactamente o que parece.

 

Opinião: Finalmente, uma opinião sobre um livro que tinha pensado ler para o mês temático de autores portugueses (que, como já devem ter percebido, está a correr miseravelmente). À Espera de Moby Dick suscitou-me interesse pelas boas opiniões que tenho vindo a ler, e o facto de ser de um autor português que ainda não tinha lido aguçou-me ainda mais a curiosidade. É ainda importante referir que este foi um livro lido no âmbito de uma leitura conjunta.

 

Romance escrito na forma epistolar, contém uma série de cartas escritas por um homem que se refugiou num local recôndito nos Açores, depois de uma grande perda – de que, curiosamente, o exilado (sem nome) raramente fala, mas que ainda assim permeia todas as cartas que este homem envia a um seu amigo do continente.

 

E assim o livro vai avançando, com o narrador a relatar ao amigo a vida pacata que leva, as pessoas com quem se cruza, a sua luta para encontrar a redenção – que ele pensa estar, de certo modo, relacionada com o avistamento de baleias. Mas nem só das cartas da personagem principal vive o livro, porque temos também acesso a algumas cartas escritas pelo filho viajante de um casal que também se refugiou nos Açores e mora perto do nosso narrador principal.

 

Parece-me ser um livro que será tanto mais apreciado quanto o leitor se identifique com sentimentos de perda, de solidão e da busca incessante pela vontade de viver. Porque me identifiquei com várias coisas que esta personagem vai descrevendo, foi um relato que teve significado para mim, ainda que a imagem que passa não seja a de uma pessoa de quem seja muito fácil gostar.

 

O facto de o livro tratar basicamente de correspondência unilateral pareceu-me uma forma de o autor demonstrar que estava mais interessado em mostrar ao leitor quem era esta pessoa e deixar-nos entrar na consciência dele do que propriamente contar uma história com princípio, meio e fim. Ainda assim, penso que este livro tinha mais para dar; gostava de ter continuado a acompanhar esta personagem, de ter sabido mais sobre ela.

 

Gostei bastante da escrita de Nuno Amado; foi daqueles textos que me deu vontade de guardar várias passagens por terem significado para mim. Fiquei com muita vontade de ler mais coisas deste escritor.

  

A única vingança que há perante a morte, como já alguém disse, é viver. E viver com os mortos e os vivos dentro de nós. Viver num mundo que, apesar de já não conter o que nele eu mais amava, ainda tem muito para ser amado.

  

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante