2015 Reading Challenge

2015 Reading Challenge
Célia has read 0 books toward her goal of 100 books.
hide

Desafios 2015

Estou a Ler

Newsletter

Arquivo

Creative Commons License This blog by Estante de Livros is licensed under a Creative Commons Atribuição-Não a Obras Derivadas 2.5 Portugal License.

Visitas desde 20/07/2007

Arquivo da categoria ‘4/5’

[Opinião] Saga – Volume II, de Brian K. Vaughan

Sexta-feira, Abril 17, 2015 Post de Célia

17131869Autor: Brian K. Vaughan
Ilustrador: Fiona Staples
Série: Saga #2
Ano de Publicação:
2013
Páginas: 144
ISBN: 9781607066927

 

Sinopse: From award-winning writer BRIAN K. VAUGHAN (Pride of Baghdad, Ex Machina) and critically acclaimed artist FIONA STAPLES (Mystery Society, Done to Death), SAGA is sweeping tale of one young family fighting to find their place in the universe. Thanks to her star-crossed parents Marko and Alana, newborn baby Hazel has already survived lethal assassins, rampaging armies, and horrific monsters, but in the cold vastness of outer space, the little girl encounters her strangest adventure yet… grandparents.

 

Opinião: Depois da experiência positiva que foi ler o primeiro livro desta série, não poderia deixar de ler o segundo. E foi isso mesmo que fiz, entusiasmada com a perspetiva de voltar a encontrar Marko e Alana, bem como outras personagens que já conhecia e de quem gostava, e ainda com curiosidade para ver se o elevado nível de gore ia continuar.

 

Marko e Alana continuam a fugir dos seus perseguidores, mas desta vez têm os pais de Marko à perna. Os dois não concordam com a relação entre o filho e Alana e o drama familiar que se gera é bastante interessante. Este volume apresenta-nos vários flashbacks sobre o início da relação dos dois, ideia que me agradou, até porque ajuda o leitor a ganhar ainda mais empatia pelas personagens principais. Ainda assim, desta vez achei que foi dado mais tempo de antena a personagens secundárias, o que acaba por ajudar a expandir o worldbuilding ainda que tivesse dado por mim a desejar voltar a ver o que se passava com Marko e Alana.

 

A estranheza de mundos e personagens continua, mas esse é um elemento que cativa em vez de repelir. É que, apesar das personagens estranhas, o autor consegue torná-las “humanas”, com problemas com os quais nos conseguimos relacionar. A relação entre as personagens principais consegue ser genuína, sem ser lamechas. Para além da parte dramática, existem alguns comic reliefs que funcionam muito bem.

 

Os desenhos continuam ao mesmo nível elevado. Há muita expressividade, sem ser exagerada, e considero que existe um equilíbrio muito bom entre a história a ser contada e os desenhos que a fazem ganhar vida. Nada parece forçado ou exagerado no contexto da história, por isso esta parte também me deixou bastante satisfeita.

 

O balanço final é muito positivo. O enredo, as personagens e a parte visual continuam a cativar-me, o que não deixa dúvidas se vou continuar a seguir a série.

 

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante


[Opinião] A Filha do Barão, de Célia Correia Loureiro

Quarta-feira, Abril 8, 2015 Post de Célia

15712624Autor: Célia Correia Loureiro
Ano de Publicação:
2014
Editora: Marcador
Páginas: 580
ISBN: 9789897540394

 

Sinopse: Quando D. João tece a união da sua única filha, Mariana de Albuquerque, com o seu melhor amigo – um inglês que investiga o potencial comercial do vinho do Porto -, não prevê a espiral de desenganos e provações que causará a todos. Mariana tem catorze anos e Daniel Turner vive atormentado pela sua responsabilidade para com a amante. Como se não bastasse, o exército francês está ao virar da esquina, pronto a tomar o Porto e, a partir daí, todo o país. No seu retiro nos socalcos do Douro, Mariana recomeça uma vida de alegrias e liberdade até que um soldado francês, um jovem arrastado para um conflito que desdenha, lhe bate à porta em busca de asilo. Daniel está longe, a combater os franceses, e Gustave está logo ali, com os seus ideais de igualdade e o seu afecto incorruptível, disposto a mostrar-lhe que a vida é mais do que um leque de obrigações.

 

Opinião: Admito o meu preconceito em relação a autores portugueses “desconhecidos”. Não sei explicar muito bem de onde vem, mas talvez tenha algo a ver com a escolha frequente do que vem de fora em detrimento do que é feito cá dentro, em vários quadrantes da nossa sociedade. Sem eu querer, isto acaba por se refletir nas escolhas de leitura que faço, ainda que de forma algo insconciente (a este propósito, recomendo a visualização do último Só Ler Não Basta, onde se falou de autores portugueses e desta questão). Por me ter apercebido que lia muito pouca coisa produzida em português, desafiei-me a ler pelo menos um autor português por mês, que tenho conseguido cumprir.

 

A Filha do Barão tinha-me suscitado interesse moderado. Já tinha lido coisas sobre outros livros de Célia Correia Loureiro, mas o tal preconceito evitou que ficasse realmente interessada. Até que ganhei este livro num passatempo do Goodreads e decidi não demorar muito tempo a lê-lo. Trata-se de um romance histórico que decorre nos anos das invasões francesas e que tem como protagonista uma jovem filha de um barão, Mariana de Albuquerque, que vê o estado de saúde de seu pai agravar-se cada vez mais devido à peste e que, para sua segurança, é obrigada a casar com um inglês conhecido do pai, Daniel Turner. 

 

A relação dos dois, bem como as vidas de quem os rodeia, nomeadamente família e criadagem, acaba por ser o centro do romance. Mas esta relação é profundamente afetada pelas invasões francesas, pois Daniel decide juntar-se ao exército inglês que ajudará os portugueses a combater as forças de Napoleão. O contexto histórico acaba por estar muito mais desenvolvido do que estava à espera, de uma forma competente e pouco maçadora, não se imiscuindo na história de um modo desconexo, mas antes entrelaçando-se com o enredo satisfatoriamente. O leitor fica com uma noção bastante completa dos acontecimentos mais importantes da época, sem que esta contextualização acabe por ganhar demasiado protagonismo. É também fácil perceber a pesquisa que a escrita deste livro envolveu, que me pareceu essencial para a credibilidade do enredo. Não só a nível de acontecimentos históricos, mas também dos costumes das gentes, da própria sociedade.

 

Célia Correia Loureiro escreve muito bem. A escrita é envolvente e cuidada e, penso eu, adequa-se bastante bem ao tipo de história que é aqui contada. Da história fictícia também gostei bastante, ainda que para o meu gosto pessoal por vezes tenha assumido contornos demasiado novelescos e que aqui e ali me tenha parecido que a dinâmica do livro poderia ter beneficiado de algumas páginas a menos. Também é importante referir que, apesar de o enredo encerrar um ciclo, há uma parte importante do mesmo que fica em aberto para uma possível sequela (que pelos visto já está a ser trabalhada, com o título “Uma Mulher Respeitável”) e que tenho algumas dúvidas sobre se terá sido a melhor forma de encerrar este livro.

 

O balanço final é bastante positivo. Escreve-se bem em português – algo que estupidamente me continua a surpreender. Ficarei atenta a futuras publicações desta autora, que me parece valer a pena acompanhar.

 

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante

 


[Opinião] Em Troca de um Coração, de Jodi Picoult

Segunda-feira, Abril 6, 2015 Post de Célia

6474498Autor: Jodi Picoult
Título Original:
Change of Heart (2008)
Editora: Civilização Editora
Páginas: 435
ISBN: 9789722626491
Tradutor: Ana Figueira

 

Sinopse: Aceitava realizar o último desejo de um condenado para salvar a vida de um filho? Com uma sensibilidade literária invulgar, Jodi Picoult conduz uma vez mais o leitor a uma encruzilhada moral. Como é que uma mãe concilia a trágica perda de um filho com a oportunidade de salvar a alma de um homem que odeia? Shay foi condenado à morte por matar a pequena Elizabeth Nealon e o padrasto. Onze anos mais tarde, a irmã de Elizabeth, Claire, precisa de um transplante de coração e Shay, que vai ser executado, oferece-se como dador. Este último desejo do condenado complica o plano de execução, pois uma injecção letal inutilizaria o órgão. Entretanto, a mãe da criança moribunda debate-se com a questão de pôr de parte o ódio para aceitar o coração do homem que matou a sua filha. Picoult hipnotiza o leitor com uma história de redenção, justiça, e amor.

 

Opinião: O único livro que tinha lido de Jodi Picoult foi Dezanove Minutos, já em 2008. Lembro-me de ter ficado impressionada com a capacidade da autora em lidar com um tema polémico e de ter conseguido, de uma forma bastante convincente, transmitir a ideia do limite ténue entre o que está certo e o que está errado. Desde então ficou a vontade de ler mais coisas dela, mas já se sabe como é… os anos foram passando, outras coisas surgiram, e fui sempre adiando o regresso à autora. Até agora.

 

Em Troca de um Coração tem um enredo complexo: June Nealon, após ter perdido o primeiro marido num acidente de automóvel, refaz a vida com um segundo marido e a filha que já tinha. Até que ambos são encontrados mortos e o carpinteiro, Shay Bourne, é dado como culpado dos homicídios. Aquando desta tragédia, June encontrava-se grávida de 8 meses e acaba por arranjar forças para continuar, pela sua filha Claire. Onze anos depois, Shay encontra-se prestes a cumprir a sua sentença, que foi a pena de morte. Mas antes, como forma de redenção, deseja doar o seu coração a Claire, que se encontra gravemente doente e a precisar de um coração para sobreviver.

 

O drama moral que implica a escolha de June em salvar a filha aceitando o coração do homem que lhe levou a outra filha e o marido é um dos pontos centrais do enredo. Mas este vai muito para além disso: o livro dá-nos também as perspetivas do Padre Michael, que se torna conselheiro espiritual de Shay, depois de ter participado no júri que o condenou à pena de morte, de Maggie, a advogada com problemas de auto-estima que decide pegar no caso e tentar evitar a injeção letal, que impediria a doação do coração, e de Lucius, um recluso infetado com o vírus da SIDA e que testemunha alguns dos supostos “milagres” de Shay.

 

O livro tem um grande pendor religioso, o que não quer dizer que a autora faça a apologia da religião para a resolução de todos os males do mundo. São abordadas com algum detalhe as escrituras gnósticas, por causa de alguns acontecimentos inexplicáveis que vão rodeando Shay e que levam as pessoas a encará-lo como um novo Messias. A pena de morte é, como seria de esperar, um tema que assume protagonismo, bem como a importância de analisar as situações com que nos vamos deparando, sejam elas de maior ou menor importância, com o espírito aberto e com vontade de perceber todos os pontos de vista, admitindo que a nossa forma de ver as coisas pode não ser a mais correta.

 

A parte final do livro teve um twist que me partiu o coração e que me angustiou. Portanto, foi um livro que mexeu comigo, ainda que considere ter algumas coisas que podiam ter sido melhores. Achei a premissa do livro demasiado fantasiosa, com June a ser provavelmente a mulher mais azarada da história e a coincidência de tudo parecer conjugar-se para o assassino da sua família poder ser o salvador da filha que lhe resta; ultrapassada a descrença, consegui usufruir da história. Também não gostei muito que a baixa auto-estima de Maggie tenha sido resolvida com o aparecimento de um homem porque isso tem subjacente a ideia de que as mulheres necessitam de ser validadas por uma relação para serem felizes. Achei este sub-enredo completamente desnecessário para a personagem e para a história, de um modo geral.

 

No final de contas, foi uma boa leitura, com temas suficientes para reflexão e com uma história contada de forma cativante e envolvente. Fica o desejo de não demorar tanto tempo a voltar aos livros de Jodi Picoult.

 

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante

 


[Opinião] Darth Vader e Filho, de Jeffrey Brown

Quinta-feira, Abril 2, 2015 Post de Célia

1507-1Autor: Jeffrey Brown
Título Original: Darth Vader and Son (2012)
Editora: Planeta
Páginas: 64
ISBN: 9789896575762

 

Sinopse: E se Darth Vader assumisse um papel activo na educação do filho? E se «Luke, eu sou teu pai» fosse apenas um ralhete de um pai zangado? Este livro hilariante apresenta Darth Vader como um pai comum, excepto o facto de se tratar do Lorde Sombrio dos Sith. O divertimento, aqui, é assegurado, ao acompanharmos Darth Vader a ensinar o filho a manejar o sabre, a usar a Força nas actividades corriqueiras do dia-a-dia, a acompanhá-lo num dia de trabalho. Além de se ocupar com os rebeldes, Darth Vader tem de tomar conta do seu filho de 4 anos, Luke Skywalker!

 

Opinião: Conto-me entre os fãs da saga Star Wars. Não direi que sou das fãs mais acérrimas, daquelas que conhecem toda a mitologia deste mundo inventado de trás para a frente, mas a trilogia original marcou a minha infância/adolescência e vi os filmes inúmeras vezes, sempre com gosto. Andava à procura de algo engraçado para o meu filhote dar ao pai no Dia do Pai e lembrei-me que tinha visto publicidade algures a este livro. Enfiei-me numa Fnac, folheei o livro e fiquei convencida.

 

A ideia-base é: e se Darth Vader fosse um pai extremoso, encarregue da educação do seu filho Luke (e de Leia também)? As várias ilustrações que este livro contém recriam várias situações-tipo que povoam o dia-a-dia da relação de uma criança de 4 anos com os seus pais, piscando sempre o olho a situações icónicas dos filmes. É esta conjugação que torna este livro tão especial, nunca esquecendo o humor. Aqui ficam dois exemplos, que vi aqui

 

darth vader and son interior.indd darth vader and son interior.indd

 

É um livro delicioso, que penso poder ser ainda mais apreciado por fãs de Star Wars e por pessoas que tenham filhos pequenos. Só fica a pena de terminar tão depressa e de me parecer que, para o tamanho, tem um preço algo elevado (11,45€, preço de editor).

 

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante

 


[Opinião] Dreamsongs – Volume I, de George R.R. Martin

Segunda-feira, Março 23, 2015 Post de Célia

417729Autor: George R.R. Martin
Ano de Publicação:
2003
Editora: Bantam Spectra
Páginas: 683
ISBN: 9780553805451

 

Sinopse: Dubbed the American Tolkien by Time magazine, #1 New York Times bestselling author George R.R. Martin is a giant in the field of fantasy literature and one of the most exciting storytellers of our time. Now he delivers a rare treat for readers: a compendium of his shorter works, collected into two stunning volumes, that offer fascinating insight into his journey from young writer to award-winning master. Gathered here in Volume I are the very best of George R.R. Martin’s early works, including never-before-published fan pieces, his Hugo, Nebula, and Bram Stoker Award-winning stories plus the original novella The Ice Dragon, from which Martin’s New York Times bestselling children’s book of the same title originated. A dazzling array that features extensive author commentary, Dreamsongs, Volume I, is the perfect collection for both Martin devotees and a new generation of fans.

 

Opinião: Como referi na opinião do primeiro conto que li deste livro, aproveitei o embalo com que estava a ler contos do autor e decidi pegar nos volumes originais que incluem, entre outros, os contos incluídos em O Cavaleiro de Westeros & Outras Histórias e O Dragão de Inverno & Outras Histórias, publicados em Portugal e que já comentei por aqui. Optei por ler apenas os que ainda não tinha lido, principalmente porque ainda os tenho muito frescos, sendo que a única exceção foi a releitura de With Morning Comes Mistfall, que já tinha encontrado numa revista BANG!. Abaixo segue a lista dos contos que compõem este primeiro volume, com links para os contos que li agora e também para os que já tinha lido no âmbito das coletâneas portuguesas que referi:

 

 

Este livro tem histórias muito boas; se tivesse que recomendar a leitura de apenas uma, seria sem dúvida Sandkings (Reis-de-Areia), mas boa parte delas justifica plenamente uma leitura. Este livro tem muitas mais-valias, sendo a mais óbvia a qualidade geral das histórias, onde apenas destoam as primeiras, escritas no início da carreira de George R.R. Martin, mas que apesar de mais fracas são um elemento importante para que o leitor perceba de onde veio o autor e qual foi a evolução da sua carreira. 

 

Aliás, as introduções que o autor faz a cada uma das secções do livro são valiosíssimas, não só porque proporcionam uma visão única sobre a vida e carreira de Martin, mas também porque funcionam como “cola” das histórias que nos vai apresentando, fazendo com que o livro seja muito mais do que a soma das suas partes (ou contos). É por isso que se fizesse uma média aritmética simples das classificações que atribuí aos vários contos a classificação final seria 3; assim, dou-lhe um sólido 4, recomendando o livro a todos os leitores que desejem perceber de onde veio o autor que se tornou tão famoso pelas suas Crónicas de Gelo e Fogo.

 

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante