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Arquivo da categoria ‘4/5’

[Opinião] O Talentoso Mr. Ripley, de Patricia Highsmith

Quarta-feira, Março 4, 2015 Post de Célia

6501187Autor: Patricia Highsmith
Título Original:
The Talented Mr. Ripley (1955)
Editora: Biblioteca Sábado
Páginas: 199
ISBN: n.d.
Tradutor: José Lourenço Galego

 

Sinopse: Tom Ripley, um jovem desempregado que se dedica a pequenas burlas, é contactado pelo pai de um velho conhecido, que lhe oferece uma viagem a Itália com todas as despesas pagas para tentar convencer o seu filho Dickie a voltar para casa e encarregar-se da empresa familiar. Na Itália, Tom afeiçoa-se a Dickie e conhece uma existência despreocupada e luxuosa a que nunca tinha tido possibilidade de aceder. Quando Dickie começa a suspeitar das boas intenções do seu novo amigo, Tom fica desesperado, chegando a extremos impensáveis para poder manter o acesso àquele estilo de vida.

 

Opinião: Tenho uma pilha de livros na mesa de cabeceira, de onde vou retirando o próximo livro a ler. Não sabia qual escolher, por isso pedi à minha cara-metade que escolhesse um por mim; ele escolheu O Talentoso Mr. Ripley, porque viu o filme há uns anos e gostou bastante.

 

A personagem central do livro, como se deduz pelo seu título, é Tom Ripley, um jovem americano desempregado e sem grandes perspetivas de futuro. Quando Mr. Greenleaf o procura e lhe pede para rumar a Itália e convencer o filho, Dickie Greenleaf, a voltar para os E.U.A. e ficar perto da mãe no tempo que lhe restava, Tom encara esta viagem como uma oportunidade de refazer a sua vida e deixar de ser o homem banal que se considera.

 

Tom vai para Itália, conhece Dickie e a sua amiga Marge e, de repente, dá por si a invejar Dickie e o seu estilo de vida. Tom torna-se demasiado dependente de Dickie, começa a interferir demasiado na sua vida e de repente percebemos que estamos perante uma pessoa obcecada e com graves problemas morais. Não vou adiantar muito mais sobre o enredo, porque a partir de um certo acontecimento o livro deixa-nos constantemente com o coração nas mãos e sempre ansiosos por saber qual o destino de Tom Ripley.

 

Confesso que até esse acontecimento o livro me aborreceu um bocadinho. Contudo, agora compreendo que a autora estava a criar o ambiente necessário a tudo o que se seguiu, em especial a construção da sua personagem principal. Tom Ripley é fantástico: amoral, obcecado, meticuloso e ingénuo, tudo ao mesmo tempo. É daquelas personagens que adoramos odiar, que nos deixa indecisos quanto ao que devemos desejar-lhe. Acho que, por um lado, desejamos que Tom pague pelos seus atos, mas, por outro, a sua constante proximidade do abismo aflige-nos – muito provavelmente pela mestria da autora em fazer-nos entrar na cabeça da personagem. Escusado será dizer que recomendo vivamente este livro.

 

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante


[Opinião] Saga – Volume I, de Brian K. Vaughan

Segunda-feira, Março 2, 2015 Post de Célia

15704307Autor: Brian K. Vaughan
Ilustrador: Fiona Staples
Ano de Publicação:
2012
Páginas: 160
ISBN: 9781607066019

 

Sinopse: When two soldiers from opposite sides of a never-ending galactic war fall in love, they risk everything to bring a fragile new life into a dangerous old universe. From NewYork Times bestselling writer Brian K. Vaughan (Y: The Last Man, Ex Machina) and critically acclaimed artist Fiona Staples (Mystery Society, North 40), Saga is the sweeping tale of one young family fighting to find their place in the worlds. Fantasy and science fiction are wed like never before in this sexy, subversive drama for adults.

 

Opinião: Eu leio muito pouca BD, como quem segue este blogue com alguma atenção já deve ter percebido. Acho que é um mix de não ser bem a minha onda com não saber bem o que ler e como avaliar o que li. Mas penso que é sempre bom irmos por caminhos desconhecidos no que à leitura diz respeito, para abrir horizontes e para descobrir novos mundos. Já há algum tempo que venho insistentemente ouvindo falar da série de BD Saga, elogiada pelo bom equilíbrio entre o ambiente de ficção científica/fantasia, o enredo e as personagens; lê-la foi uma decisão natural.

 

A história inicia-se quando Alana está a dar à luz o seu filho com Marko; a relação entre ambos não é bem vista, porque cada um é originário de dois planetas diferente, atualmente em luta. Os dois estão em fuga dos seus planetas de origem, lutando pela sua relação e pela criança que acabam de ter, mas a sua vida não está fácil, porque ambos são procurados por assassinos contratados e até a família real, uns seres com ecrãs de tv no lugar da cabeça, querem apanhá-los. E é assim que Alana e Marko vão vivendo peripécia atrás de peripécia, ao mesmo tempo que discutem a sua vida familiar e que nome hão-de dar à filha.

 

Fiquei realmente embrenhada na história. Ainda estou a tentar perceber alguns pontos do enredo (que imagino serem desenvolvidos em próximos volumes), mas as personagens principais e o sentido de família que emanam definitivamente conquistaram-me. Achei também curioso que a narradora da história fosse a filha de ambos, e isto é feito com toques de amor e humor. Mas para além das personagens principais, também gostei de “The Will”, um assassino contratado com coração mole e da pequena fantasma que ajuda Alana e Marko na sua fuga.

 

Em termos mais técnicos, acho que os desenhos, da autoria de Fiona Staples, estão muito bem conseguidos. Achei que os rostos das personagens exprimem muito bem as suas emoções e, por vezes, são o suficiente para transmitir o que estão a pensar sem serem necessárias falas. De resto, gostei da originalidade das diversas criaturas representadas e algumas delas são bastante arrepiantes. Não posso deixar de referir também que algumas cenas são claramente dirigidas a adultos.

 

O balanço é bastante positivo. Pretendo continuar a ler esta série, porque fiquei muito curiosa por saber qual o destino desta família. Pode ser também que seja o pontapé de saída de uma relação mais próxima com as BD.

 

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante


13581302Autor: George R.R. Martin
Título Original:
GRRM: A RRestrospective (2003)
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 463
ISBN: 9789896374167
Tradutor: Jorge Candeias

 

Sinopse: Cerca de um século antes dos eventos narrados em A Guerra dos Tronos, um jovem escudeiro parte em busca de fama e glória num dos mais famosos torneios de Westeros. Mas o destino prega-lhe uma partida e coloca-o no caminho de um rapaz misterioso que irá mudar a sua vida para sempre. A não perder para os fãs da melhor série de fantasia da atualidade. O Cavaleiro de Westeros abre esta colectânea com os melhores contos de George R. R. Martin. Nela encontrarão também uma cidade dominada por uma elite de lobisomens, onde ocorrem horrendos acontecimentos; um magnata excêntrico com gosto por espécies exóticas que vai ser confrontado com o que não esperava; um padre em crise de fé num mundo distante; uma mulher que vasculha universos em busca do amor perdido; ou um homem que se vê confrontado com a derradeira escolha, num mundo em que o fim da vida não equivale necessariamente à morte. Dez histórias nascidas da imaginação do criador de As Crónicas de Gelo e Fogo.

 

Opinião: A primeira coletânea de contos de George R.R. Martin que li foi O Dragão do Inverno & Outras Histórias, curiosamente a segunda a ser publicada por cá (a minha opinião sobre os contos, em duas partes, pode ser lida aqui e aqui). Na altura gostei de alguns contos, de outros nem tanto assim, por isso apesar de ter gostado, de um modo geral, fiquei na expectativa para saber qual a opinião final em relação a O Cavaleiro de Westeros & Outras Histórias. Fui comentando os contos um a um, e podem ver o resultado nos links seguintes:

 

 

Como podem ver pelas classificações acima, não gostei de todas as histórias na mesma medida: o meu favorito foi, sem dúvida, Reis-de-Areia, seguido de perto por O Homem em Forma de Pera e Negócios de Peles; os que gostei menos foram Flormordentes e Sob Cerco. Apesar de algumas das histórias me terem agradado menos, considero que está mais equilibrado em termos de qualidade do que a outra coletânea do autor publicada em Portugal.

 

À semelhança do que já tinha referido em relação a O Dragão do Inverno & Outras Histórias, também aqui acho que o título e capa do livro induzem o leitor em erro, porque na verdade O Cavaleiro de Westeros é mesmo a única história com ligação à conhecida saga do autor, sendo a maioria das histórias dentro do género da ficção científica e do horror. Entendo a opção da editora, no sentido de chamar a atenção para o livro e agarrar fãs do autor, mas ainda assim acho que dá uma ideia do livro que não é a verdadeira. As introduções aos contos são uma grande mais-valia, em que o autor explica a origem das histórias e ajuda o leitor a perceber um pouco do seu objetivo ao escrevê-las. Em algumas delas inclui mesmo um pouco da história da sua vida pessoal, que naturalmente se entrelaça com a sua vida de escritor.

 

Enquanto estava a ler as várias histórias deste livro, dei por mim a refletir sobre a versatilidade de George R.R. Martin: acho que ele consegue escrever bem nos diversos géneros da ficção especulativa, seja em histórias curtas ou longas. Aliás, dei por mim a pensar que as suas características como escritor se adaptam melhor a narrativas mais curtas, e que perante empreendimentos como As Crónicas de Gelo e Fogo por vezes acaba por se perder no meio da vastidão da história. A conclusão é que aconselho vivamente a leitura desta coletânea para conhecerem esta sua faceta: vale bem a pena.

 

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante


[Opinião] Negócios de Peles, de George R.R. Martin

Quarta-feira, Fevereiro 25, 2015 Post de Célia

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Negócios de Peles (The Skin Trade) – Com mais de 80 páginas, Negócios de Peles é a história mais comprida desta coletânea, e certamente uma das melhores. Willie Flambeaux é um lobisomem asmático e com outros problemas de saúde, com uma amizade de anos com a detetive privada Randi Wade. Quando uma amiga de Willie é encontrada morta, em condições muito estranhas, Willie procura Randi para a ajudar a perceber o que aconteceu, num caso que vai trazer à detetive recordações da enigmática morte do seu pai, enquanto investigava um caso na polícia.

 

Negócios de Peles é uma história com elementos de paranormal, horror e policial, servidos com a habitual mestria de George R.R. Martin. Começando pelas personagens, as principais são daquelas que se apresentam com várias dimensões, com dilemas do passado que as ajudam a tornar-se mais reais. Depois, o autor revela mais uma vez a capacidade que tem de escrever uma história bem escrita, bem construída e interessante, em que o leitor sente sempre vontade de avançar e perceber o que vai acontecer. Eu gostei bastante, e fiquei com imensa vontade de ler mais sobre esta dupla (o que sinceramente me parece pouco provável, mas não custa sonhar).

 

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante

 

Post geral sobre a coletânea 

 

Outros contos nesta coletânea:

 

Post geral sobre a coletânea: 


[Opinião] O Pintassilgo, de Donna Tartt

Sexta-feira, Fevereiro 20, 2015 Post de Célia

1507-1Autor: Donna Tartt
Título Original:
The Goldfinch (2013)
Editora: Editorial Presença
Páginas: 896
ISBN: 9789722353663
Tradutor: Ana Saldanha

 

Sinopse: Theo Decker, um adolescente de 13 anos, vive em Nova Iorque com a mãe com quem partilha uma relação muito próxima e que é a figura parental única, após a separação dos pais pouco antes do trágico acontecimento que dá início a este romance. Theo sobrevive inexplicavelmente ao acidente em que a mãe morre, no dia em que visitavam o Metropolitan Museum. Abandonado pelo pai, Theo é levado para casa da família de um amigo rico. Mas Theo tem dificuldade em se adaptar à sua nova vida em Park Avenue, e sente a falta da mãe como uma dor intolerável. É neste contexto que uma pequena e misteriosa pintura que ela lhe tinha revelado no dia em que morreu se vai impondo a Theo como uma obsessão. E será essa pintura que finalmente, já adulto, o conduzirá a entrar no submundo do crime.

 

Opinião: Ultimamente tenho lido poucos calhamaços; isto deve-se a uma série de motivos, sendo o principal deles o “medo” de me comprometer em leituras tão longas e que me exigem uma dose de esforço adicional para depois correr o risco de não as apreciar por aí além e dar o meu tempo por perdido. Depois, porque implicam – ainda que a nível do subconsciente – com a minha vontade enorme de reduzir a pilha, porque acho sempre que vou demorar séculos a terminar o livro, tempo que poderia gastar a ler outros 2 ou 3. Ao ler o que acabei de escrever, dou-me conta que isto parece um tremendo disparate, até porque muitas vezes um único livro vale umas 10 leituras mais fracas, mas tenho de ser sincera e atualmente é isto que sinto. 

 

O Pintassilgo tem quase 900 páginas e antes de começar a lê-lo ainda tive algumas dúvidas sobre aquilo em que me estava a meter, mas de qualquer modo decidi prosseguir. A história é contada na primeira pessoa por Theo Decker, que no início do livro, na idade adulta, percebemos estar numa situação complicada, devido a uma famosa pintura. Theo decide voltar atrás no tempo e contar-nos a sua história, a partir do dia em que tudo mudou, quando perdeu a sua mãe num ataque terrorista num museu. Antes do ataque, Theo pôde ouvir a sua mãe discorrer sobre uma das poucas pinturas que sobreviveram do pintor holandês Carel Fabritius, pupilo de Rembrandt e professor de Vermeer, de seu nome O Pintassilgo. Theo relata-nos a sua vida após a perda da mãe e até ao presente, o que inclui passagens por casa de amigos e do seu pai distante, enquanto passa pelas loucuras da adolescência e da descoberta do seu eu.

 

É um livro longo, muito longo, mas nem por isso complicado de ler. Donna Tartt escreve muito bem, é possível encontrar passagens belíssimas ao longo do livro, daquelas que temos vontade de guardar num caderno de citações (ou, pelo menos, era o que eu faria se tivesse um). Um relato na primeira pessoa é sempre complicado e pode ter algumas armadilhas difíceis de resolver, mas pareceu-me que a autora encarnou muito bem o papel e teve especial sucesso em captar os sentimentos do luto recente, o “e se?” que por vezes consome e magoa, e de um modo geral o que é crescer-se com sintomas de stress pós-traumático. Depois, toda a ligação de Theo com a pintura é extremamente bem conseguida, e percebemos facilmente que funciona como uma âncora, como um ponto de ligação a uma vida outrora feliz; como ele próprio afirma, “se os nossos segredos nos definem, em oposição ao rosto que mostramos ao mundo: então o quadro era o segredo que me erguia acima da superfície da vida e me permitia saber quem sou.” 

 

A extensão do livro revela-se frequentemente um pau de dois bicos: se, por um lado, permite ao autor espaço para detalhes (com maior ou menor importância para o enredo, mas que são a sua imagem) e ao leitor a possibilidade de mergulhar profundamente na história, por outro lado a dificuldade em se conseguir equilíbrio no nível de interesse que os vários pontos narrativos suscitam, faz com que o leitor corra o risco de uma ou outra vez perder o interesse na história. Ou, pelo menos, foi isso que me aconteceu. De um modo geral, foi uma história que segui com bastante interesse e que várias vezes me cativou por completo, mas houve outras tantas em que dei por mim a pensar na utilidade do que estava a ler para o enredo principal e a desejar que passássemos rapidamente à frente.

 

Ainda assim, o balanço final é bastante positivo. É uma história muito bem escrita, com pontos de reflexão importantes, como o limite ténue entre o bem e o mal ou a forma pessoal como a arte deve ser encarada, e que peca apenas, na minha opinião, por ser um pouco longa demais. Recomendo.

 

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante