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Arquivo da categoria ‘4/5’

22733326Autor: Sónia Morais Santos
Editora: Esfera dos Livros
Páginas: 216
ISBN: 9789896265311

 

Sinopse: «É tão certo como dois e dois serem quatro, como a noite vir a seguir ao dia, como o Natal ser a 25 de dezembro. Mãe que é mãe sente culpa. Culpa do que fez e do que não fez e podia ter feito. Culpa com fundamento e sem fundamento. Culpa por ter gritado, por ter chegado demasiado tarde a casa, culpa por aquela palmada, culpa por não ter lido a história para o filho adormecer, culpa porque perdeu as estribeiras quando ajudava os miúdos com os trabalhos de casa, culpa porque discutiu com o marido à frente das crianças, culpa por aquela perna partida do mais novo que aconteceu quando nem sequer estava presente (mas devia ter estado presente, claro, se estivesse presente a perna estava inteirinha, logo a culpa é só sua!) Revê-se nisto? Já o sentiu? Fez um certo em todas as situações referidas ou em quase todas? Então este livro é para si. Culpa, culpa, culpa. Porque é que somos tão duras connosco? Porque é que achamos que tudo é da nossa responsabilidade? Para quê insistir em sermos perfeitas quando a perfeição não existe?»

Com base em relatos de diversas mães, recorrendo à análise de psicólogos, pediatras, e com a experiência de 12 culposos anos de maternidade, a jornalista Sónia Morais Santos, mãe de três crianças, traz-nos A Culpa não é sempre da Mãe! Um livro bem-humorado da autora do blogue Cocó na Fralda, onde as leitoras se vão comover com algumas histórias, identificar-se com outras tantas situações, gozar consigo próprias, pensar sobre a maternidade e rir-se à gargalhada com situações por que todas nós já passámos. Porque a maternidade não é uma competição. Porque as mães não são super-heroínas, apenas mães e como todas nós sabemos … não há mães perfeitas!

 

Opinião: Ser mãe é, provavelmente, a coisa mais difícil que já fiz na vida. Para mim, o mais complicado é gerir a alternância entre o chapéu “mãe”, que uso há quase 2 anos, e o chapéu “Célia”, que uso desde que me conheço por gente. Sempre fui uma pessoa muito ciosa do meu tempo em silêncio, do tempo para refletir e para dedicar a mim própria, e ter um filho alterou, por completo, esta maneira de estar e, se tinha uma vaga ideia que as coisas iam mudar nesse aspeto, nada me preparou para o que aí vinha.

 

Dizem os “bons costumes” que uma mãe tem de se dedicar aos filhos a 100%, que tem de lhes dar o melhor de si, mesmo que isso implique eclipsar-se como mulher. Tudo o que fuja destes ideais pré-concebidos do que é uma mãe perfeita são, não raras vezes, olhados de lado pela sociedade, provocando na mãe uma miríade de sentimentos de culpa, que são precisamente o objeto deste livro. Acompanho o blogue da jornalista Sónia Morais Santos há muitos anos e, apesar de não a conhecer (nem de perto nem de longe), simpatizo com a sua forma de estar e visões sobre os mais variados temas, ainda que muitas vezes não me identifique muito com o estilo de vida. Por isso, e já conhecendo a autora de antemão, foi com maior interesse e gosto que acompanhei as suas visões sobre o que é isto da culpa nas mães, e os relatos das suas próprias experiências.

 

O tom é bastante coloquial, apesar do tema sério. Sónia Morais Santos apresenta vários testemunhos de mães que enfrentaram a culpa nos variados estágios da maternidade (incluindo a gravidez) e em situações de maior ou menor gravidade, apoiados por opiniões de psicólogos e pediatras, naquilo que se transforma numa leitura quase compulsiva pelo tom descontraído e interessante com que o livro está escrito. Suponho que interessará particularmente a mulheres que são (ou vão ser) mães, porque quase de certeza vão encontrar aqui situações ou relatos com os quais se identificarão. Mas não fará mal às pessoas que as rodeiam lê-lo também, para compreender a angústia que muitas vezes as consome.

 

Como a própria autora afirma, o livro não faz milagres no que toca a resolver problemas de culpa, seja de que natureza for, mas sem dúvida que ajuda a relativizar as situações e a pôr as coisas em perspetiva, nem que seja só por algum tempo – porque a culpa é uma sacaninha tão enraizada que não seria um simples livro a exterminá-la. Mas tudo o que ajude é bem-vindo e é por isso que gostei tanto deste livro que acaba por pecar só mesmo por acabar demasiado depressa.

 

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante


[Opinião] Dragon Haven, de Robin Hobb

Thursday, July 3, 2014 Post de Célia

11040258Autor: Robin Hobb
Ano de Publicação: 2009
Série: Rain Wild Chronicles #2 | Realms of the Elderlings #11
Páginas: 570

Sinopse: Fifteen dragons have set off on a dangerous trek up the Rain Wild River, in hopes of rediscovering their lost haven, the ancient city of Kelsingra. Accompanying them are a disparate group of rejects from Rain Wild society, including strong and defiant young Thymara; wealthy dragon scholar and Trader’s wife Alise; and her companion, the urbane Sedric. These human keepers yearn also to create a new home where they can decide their own fate. But is Kelsingra real or merely a fragment of a glorified past buried deep in the dragons’ shared memories?

As they forge ever-deeper into uncharted wilderness, starvation, flashfloods, and predators imperil them all. But as dragons and humans alike soon learn, the most savage threats come from within their own company…

 

 

Opinião: Dragon Haven é o segundo volume de quatro da série Rain Wild Chronicles e continua a história iniciada em The Dragon Keeper. O primeiro volume teve um final em aberto, mesmo tendo em conta que faz parte de uma série, mas como expliquei na opinião do livro anterior, a autora verificou que o primeiro volume da série estava demasiado extenso e decidiu dividi-lo em dois, pelo que este segundo volume complementa o primeiro.

 

Deste modo, a história do segundo volume inicia-se precisamente onde o primeiro volume terminou e continua a acompanhar a viagem dos dragões e dos seus guardadores em busca da cidade perdida de Kelsingra. Se o primeiro volume foi mais introdutório a nível de enredo e personagens, este centra-se basicamente na viagem dos dragões e dos seus acompanhantes, em sentido literal e figurado.

 

Na realidade, apesar da importância do destino, a viagem é muito importante para todas as personagens. Thymara, a jovem Rain Wild que escapou de morte certa à nascença pela teimosia do seu pai, luta pela capacidade de escolher o seu destino enquanto lida com as transformações que se vão operando pelo contacto com a “sua” dragão-fêmea, Sintara. Alise tenta aprender a tornar-se mais útil, enquanto lida com os novos sentimentos que surgiram em relação ao capitão do barco, Leftrin, e se vê perante revalações sobre o seu passado que mudam completamente a perceção sobre quem quer ser no futuro. Mas a “viagem” mais interessante, para mim, foi a de Sedric, o homem que o marido de Alise enviou para a acompanhar nesta aventura: a sua ligação inesperada ao dragão Relpda faz com que Sedric sofra uma transformação impressionante, levando-o a perceber quem é realmente e tudo o que estava errado no seu passado.

 

Depois, os dragões são fantásticos. Têm uma personalidade muito própria e uma grande sabedoria, e é muito curioso acompanhar as alterações por que vão passando à medida que viajam rumo à sua cidade perdida, bem como as relações que desenvolvem com os seus guardadores. A viagem é descrita com muito detalhe, bem como a fauna e a flora dos locais por que vão passando, o que ajuda a dar credibilidade a toda a narrativa.

 

O ritmo, esse, continua algo lento. Mas, como já disse tantas vezes, é uma característica da autora que aprendemos a apreciar e a compensar com a sua exímia capacidade de falar sobre pessoas, sobre as suas lutas e sobre os seus sentimentos. Conto não demorar muito a ler os restantes dois volumes para descobrir o que vai acontecer de seguida. 

 

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante


Categorias: 4/5, Célia, Opiniões, Robin Hobb

[Opinião] Milagre, de R.J. Palacio

Friday, June 13, 2014 Post de Célia

18214022Autor: R.J. Palacio
Título Original:
Wonder (2012)
Editora: Edições Asa
Páginas: 364
ISBN: 9789895579655
Tradutor: Leonor Marques

 

Sinopse: August nasceu com uma deficiência genética que faz com que o seu rosto seja completamente deformado. Quando nasceu os médicos não tinham esperança de que sobrevivesse, mas sobreviveu. Vários anos e muitas cirurgias depois, August vai, aos 10 anos, enfrentar o maior desfio da sua vida. A escola. 
Contado a várias vozes, é uma história emotiva das dificuldades que tem de superar uma criança com uma terrível deformação e um relato do milagre que é a vida.

 

Opinião: Este era mais um livro que vinha muito bem recomendado, por várias opiniões e pela sua classificação no Goodreads. À partida, tinha algumas dúvidas de que fosse um livro que me cativasse muito, por ter um protagonista pré-adolescente, mas as suas características particulares fizeram-me arriscar e, felizmente, o saldo foi bastante positivo.

 

August tem 10 anos e viveu toda a sua curta vida entre cirurgias e aulas em casa lecionadas pela mãe. A doença congénita fez com que os médicos duvidassem da sua sobrevivência em bebé, mas August mostrou uma resiliência fora do comum. Ao chegar à idade de entrar para o ensino básico, os pais julgam ter chegado a altura de August entrar numa escola, para poder conviver e aprender as mesmas coisas que um miúdo da sua idade. Contudo, o seu rosto cheio de cicatrizes e deformações são constantemente alvo de espanto e por vezes escárnio de quem se cruza com August e, por isso, a entrada na escola é um grande desafio para ele.

 

O livro é narrado do ponto de vista da personagem principal, mas inclui também pontos de vista de personagens que o rodeiam. Vamos assim acompanhando a difícil adaptação de August a esta nova vida, sabendo nós que, apesar de as crianças poderem ser muito cruéis, são também capazes de ver para além de preconceitos. É isso que esperamos que aconteça a August, que após as dificuldades consiga ser aceite e integrado. E, sem grande surpresa, é isso que acaba por acontecer. Mas, até lá chegar, torcemos por ele e ficamos encantados com a sua inteligência, sensibilidade, maturidade e capacidade de se rir de si próprio.

 

A narrativa é simples, para não destoar com a idade do protagonista (e bem), direta e eficaz. O livro lê-se num ápice, com capítulos curtos, que convidam a um incessante virar de páginas. No final de contas, gostei do tema principal do livro (a importância da beleza interior) e da forma como foi explorado, sem grande floreados mas com vários momentos emotivos, apesar de tudo acabar de uma forma talvez demasiado perfeita. Gostei e recomendo.

 

Classificação: 4/5 - Gostei Bastante


[Opinião] O Pintor Debaixo do Lava-Loiças, de Afonso Cruz

Wednesday, June 11, 2014 Post de Célia

11732049Autor: Afonso Cruz
Editora: Caminho (2011)
Páginas: 176
ISBN: 9789722124188

Sinopse: A liberdade, muitas vezes, acaba por sobreviver graças a espaços tão apertados quanto o lava-loiças de um fotógrafo. Esta é a história, baseada num episódio real (passado com os avós do autor), de um pintor eslovaco que nasceu no final do século XIX, no império Austro- Húngaro, que emigrou para os EUA e voltou a Bratislava e que, por causa do nazismo, teve de fugir para debaixo de um lava-loiças.

 

Opinião: Quando fui à biblioteca devolver O Livro do Ano, estava lá mais este livro de Afonso Cruz e decidi trazê-lo porque me tinha sido muito bem recomendado. O título é muito curioso e, se inicialmente pensei que era uma metáfora, cedo descobri que esta história é mesmo sobre um pintor que, a dada altura da sua vida, viveu debaixo de um lava-loiças em Portugal. Afonso Cruz pegou numa história de família, que incluiu os seus avós a darem guarida a um pintor judeu refugiado durante a época de Segunda Guerra Mundial, e criou toda uma história à volta dessa personagem, que no livro dela herdou o apelido.

 

Afonso Cruz é um escritor muito visual, com particular atenção aos detalhes. Essas características estão muito presentes neste livro, que inclui várias ilustrações a acompanhar o texto e que constrói uma personagem particular, com muitos traços de personalidade normalmente associados aos artistas – que curiosamente tem um pai muito linear, que não compreende de todo o conceito de metáfora e que, à conta disso, não tem um futuro risonho. Josef não tem uma história de vida muito feliz, está constantemente à procura do seu lugar no mundo através das suas ilustrações; por vezes, parece uma personagem desligada do mundo, dos sentimentos e do amor, mas as suas viagens pelo mundo – incluindo Portugal – ensinam-lhe a existência da bondade e da importância dos laços de família.

 

Gostei sem dúvida mais da reta final da história do que do seu início, em particular das notas finais do autor, que mostram ao leitor onde é que a ficção e a realidade se cruzam. A realidade acaba por emprestar um outro brilho à ficção e fá-la ganhar significado. Gostei de “conhecer” os avós e outros antepassados de Afonso Cruz e encontrar neles aquela centelha de heroísmo e coragem que reconheço no povo português, mas que andam tão arredados por estes dias. É um pequeno grande livro, a confirmar que Afonso Cruz é um dos meus autores portugueses favoritos.

 

Classificação: 4/5 - Gostei Bastante


[Opinião] O Livro do Ano, de Afonso Cruz

Friday, June 6, 2014 Post de Célia

17405393Autor: Afonso Cruz
Editora: Alfaguara (2013)
Páginas: 141
ISBN: 9789896721619

 

Sinopse: Estas são páginas do diário de uma menina que carrega um jardim na cabeça, atira palavras aos pombos e sabe quanto tempo demora uma sombra a ficar madura.
Páginas feitas de memórias, para leitores de todas as idades.

 

Opinião: De Afonso Cruz, tinha lido até à data apenas dois livros: Os Livros que Devoraram o Meu Pai, que adorei, e Enciclopédia da Estória Universal, que me deixou um bocado indiferente. Fiquei sempre com vontade de voltar a pegar noutra coisa dele, para tirar as teimas, mas só agora se proporcionou.

 

Sabia muito pouco sobre este livro. Pensei até que o título “O Livro do Ano” era um pouco pretensioso, até ter percebido que é uma espécie de diário de uma menina que cobre o período de um ano, dividido pelas respetivas estações. As entradas são datadas e curtas, e consistem em observações sobre as mais variadas coisas, normalmente detalhes sobre os quais nunca tínhamos pensado, revestidas de uma aparente simplicidade cheia de significado. Afonso Cruz consegue, em poucas palavras, mostrar aquilo que o mundo tem de mais belo: a simplicidade e ingenuidade das crianças e o poder que elas têm de nos fazer ver as coisas pelos seus olhos. A acompanhar as entradas do diário estão várias ilustrações do autor, todas a preto e branco, que sem dúvida ajudam a criar toda a ambiência que o texto requeria.

 

É um livro delicioso, que se lê em meia hora e que brilha por conter tanto em tão pouco. Afonso Cruz é, sem dúvida, um escritor a seguir.

 

Classificação: 4/5 - Gostei Bastante