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Opinião: Tempo de Matar | John Grisham

Autores: John Grisham
Título Original:
 A Time to Kill (1989)
Editora: Bertrand
Páginas: 552
ISBN: 9789722528344
Tradutor: Aulyde Soares Rodrigues
Origem: Biblioteca
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Sinopse: A vida de uma menina negra de dez anos termina às mãos de dois jovens brancos, bêbedos e sem remorsos. A população de Clanton, maioritariamente branca, reage com choque e horror a este crime desumano. Até que o pai da menina pega numa arma e decide fazer justiça com as suas próprias mãos. Durante dez dias, ardem cruzes por toda a cidade de Clanton e o país aguarda, com grande expectativa, o desfecho deste caso, enquanto Jake Brigance, o advogado de defesa, tenta desesperadamente salvar a vida do seu cliente – e depois a sua.

Opinião: Depois de uma estreia muito agradável com O Manuscrito, fiquei com muita curiosidade por ler algo mais do famoso John Grisham. Recolhi algumas sugestões e decidi apostar no seu livro de estreia, Tempo de Matar, um dos mais populares dentro do género do thriller legal, no qual o autor se celebrizou.

Tempo de Matar apresenta-nos um crime de violação de uma menina negra por dois homens brancos, a que se seguiu um assassínio por vingança do pai da criança. Jack Brigance, a personagem principal da história, é o advogado encarregado de defender este homem em tribunal, num caso que, naturalmente, ganha grande visibilidade pelas questões raciais que implica. E se, na década de 1980, quando decorre o enredo, este tema estava na ordem do dia, pode dizer-se que, passados 30 anos, continua a estar.

Sendo um primeiro livro, penso que se nota alguma imaturidade e ingenuidade na escrita e na forma como a história se vai desenrolando. John Grisham valeu-se, como nos conta na nota introdutória, da sua experiência como advogado, para escrever um livro muito focado em questões legais e na disputa em tribunal, e essa, quanto a mim, é a parte mais bem conseguida em Tempo de Matar. É bastante interessante a forma como a possível condenação é colocada perante o leitor, fazendo-o questionar até que ponto as mais cruas emoções humanas devem imiscuir-se no funcionamento do poder judicial.

O que não me cativou por aí além foi o desenvolvimento da personagem principal. Achei Jack bastante unidimensional e algo infrutíferas as tentativas do autor em dar-lhe mais profundidade ao envolver a sua família no caso central da história.

No final de contas, foi uma boa leitura. Não me arrebatou e achei mesmo que o livro poderia facilmente ter tido muito menos páginas sem que se perdesse muito, mas entreteve e, portanto, cumpriu a sua missão.

Classificação: 3/5 – Gostei


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.