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Refletindo sobre… (23)

Refletindo

Sendo hoje o Dia do Pai, nada mais apropriado do que falar do meu. Se já acompanham este blogue há algum tempo, provavelmente saberão que perdi o meu pai em 2012. É um buraco que carrego no coração todos os dias, uma saudade imensa que provavelmente jamais irá desaparecer. O meu pai gostava muito de ler, apesar de não ter sido uma atividade constante ao longo da vida. Foi o grande culpado pela minha obsessão pelo universo Tolkien, quando me ofereceu o primeiro volume de O Senhor dos Anéis, e no final da sua vida, já na reforma e com tempo livre, leu muitos livros que lhe emprestei e de que gostou muito. 

A minha mãe também gosta de ler, mas acho sinceramente que herdei este bichinho da leitura da parte do meu pai. Nunca tive de ambos qualquer tipo de pressão para que me tornasse uma leitora ávida (algo que só aconteceu pós-adolescência), mas havia uma estante lá em casa, que o meu pai começou a preencher ainda em solteiro, com vários clássicos – especialmente de autores portugueses, como Eça de Queiroz ou Júlio Dinis. Fomos durante vários anos sócios do Círculo de Leitores e, por isso, fomos construindo a nossa pequena biblioteca com livros variados, muitas enciclopédias sobre História, Ciência, etc., às quais recorri por diversas vezes tanto por motivos académicos como por simples curiosidade. Esta preocupação latente com a disponibilização de conhecimento numa época em que não havia Internet (ou pelo menos, não havia na minha casa) é algo que guardo com muito carinho da minha infância e adolescência.

Mas voltando ao meu pai: para além da óbvia saudade, por todos os motivos e mais alguns, adorava falar com ele sobre livros. Ele gostava particularmente de romances históricos e lembro-me que adorou, por exemplo, A Canção de Tróia ou O Primeiro Homem de Roma, ambos da Collen McCullough. O último livro que lhe emprestei – e provavelmente, o último que leu – foi Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago. Ainda que seja um livro duro e angustiante, sei que ele gostou. Fica este consolo. E muitas, muitas saudades.


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.