Home / Artigos / Refletindo sobre… (22)

Refletindo sobre… (22)

Refletindo

Acho que, de um modo geral, o trabalho de tradução é pouco reconhecido. Faço esta afirmação tendo em conta a realidade que conheço, que é a de Portugal, e refiro-me, em particular, à tradução literária. Imagino que não seja também um trabalho propriamente muito bem pago, mas, como isto ultrapassa aquilo que sei como leitora, vou optar por não ir por aí.

Para mim, um tradutor é um escritor com a dificuldade acrescida de não ser propriamente livre de escrever aquilo que quer. Propõe-se a pegar num texto e transpô-lo para uma língua diferente daquela em que foi originalmente escrito, com o objetivo de o fazer da melhor forma possível, isto é, sem que se perca a voz original do autor. É um trabalho “invisível”, porque quando abrimos um livro de um autor estrangeiro e nos deixamos levar pela história que nos é contada, raramente nos lembramos que as palavras que estamos a ler passaram por um tradutor, que deu o seu melhor para que pudéssemos conhecer aquela história na nossa língua materna.

Acho que para se ser um bom tradutor é capaz de ser necessário ter algum jeito natural, um pouco à semelhança daquilo que referi no texto da semana passada para os escritores. Imagino que também dê jeito possuir uma cultura geral vasta, com muitas referências culturais bem presentes, e uma enorme capacidade de pesquisa.

Já houve uma altura em que pouco ao nada ligava a este aspeto em particular dos livros que leio. Hoje em dia, as coisas são diferentes. Tenho a noção da importância que uma boa tradução pode ter na forma como absorvo aquilo que estou a ler; desenvolvi uma certa sensibilidade para as boas traduções e, quando as encontro, gosto de guardar o nome do tradutor como referência. Já li livros extremamente bem traduzidos e também vários de muito fraca qualidade e sei que nestes últimos a leitura pode ser arruinada apenas porque a pessoa que traduziu o livro não tem muito jeito para o ofício ou fez um trabalho ocasionalmente infeliz.

Confesso-me fã dos tradutores literários e fica aqui uma palavra de agradecimento pelo trabalho que desenvolvem, e que continua a ser muito pouco reconhecido. Merecem, sem dúvida, maior visibilidade.


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.