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Opinião: Moby Dick | Herman Melville

Autor: Herman Melville
Título Original: Moby Dick; or, The Whale (1851) 
Editora: Relógio d’Água
Páginas: 616
ISBN: 9789897730931
Tradutor: Alfredo Margarido e Daniel Gonçalves
Origem: Comprado
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Sinopse: O capitão Ahab impõe à sua tripulação a concretização do seu maior desejo – destruir a grande baleia branca. Sob o seu rígido comando a missão comercial do Pequod é alterada tornando-se uma missão de vingança. Para Ahab, o monstro que destruiu o seu corpo não é uma criatura, mas sim o símbolo de algo desconhecido. Sem medo das catástrofes naturais, dos maus presságios ou mesmo da morte, Ahab impele o seu navio em direcção ao perigo.
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Mas Ahab, quando se dirige à tripulação apelando para que o ajudem na sua demanda vingativa de caçar e matar a invencível Moby Dick, a branca baleia-leviatã, consegue reunir todos à sua volta, incluindo Starbuck, o relutante primeiro-oficial. Independentemente do grau da sua culpa (a escolha da tripulação era livre, ainda que apenas a recusa geral pudesse detê-lo), é melhor pensar no capitão do Pequod como num protagonista trágico, muito próximo de Macbeth e do Satanás de Milton. Na sua obsessão visionária, Ahab tem em si algo de quixotesco, apesar da sua dureza não ter nada em comum com o espírito de jogo do Quixote.»
Harold Bloom, em Moby Dick de Herman Melville

Opinião: A primeira vez que tive verdadeira vontade de ler Moby Dick aconteceu depois da leitura de No Coração do Mar, de Nathaniel Philbrick, que conta a história do naufrágio do baleeiro Essex, em 1820. É sabido que este acontecimento foi uma das inspirações para que Herman Melville tivesse escrito Moby Dick e, por esse motivo, esta é uma obra referida por diversas vezes naquele livro, o que despoletou o meu interesse.

No início deste ano, a booktuber Tatiana Feltrin iniciou uma leitura conjunta deste livro e decidi que era a altura ideal para o ler. Felizmente, confirmou-se: o facto de ter acompanhado os seus vídeos com impressões sobre vários aspetos do livro enriqueceu a minha própria leitura e ajudou-me a apanhar várias coisas que, eventualmente, me estavam a escapar. Acho que Moby Dick é um monumento de complexidade, não tanto por ser difícil de ler ou de acompanhar, mas pelo seu vasto âmbito a nível estilístico e temático.

Finalmente, consegui perceber por que motivo tantos leitores abominam este livro e o consideram um bocejo interminável. Há muitos capítulos dedicados exclusivamente à cetologia (a ciência que estuda os cetáceos) e à descrição exaustiva de todos os passos da caça à baleia, bem como dos instrumentos utilizados. Não contabilizei, mas fiquei com a sensação que mais de metade deste livro é composto por capítulos desta índole. Percebo o tédio, mas não o compartilhei, de todo.

A caça à baleia é uma atividade proibida nos dias que correm, com duas ou três exceções controladas, e por isso é necessário “pôr os óculos” do século XIX e compreender o contexto em que este livro foi escrito. A baleação é aqui apresentada como uma atividade nobre e os seus praticantes homens mais corajosos que o comum dos mortais. Herman Melville tinha uma clara admiração pela atividade, em que ele próprio participou numa fase da sua vida, portanto ainda que se perceba o respeito do autor pelas baleias, existe uma clara luta entre o Homem perseguidor e o Monstro que persegue.

Moby Dick, a baleia branca, é a personificação de todos os males do mundo e Ahab, o capitão do baleeiro Pequod, o homem predestinado a acabar com eles. O destino e as premonições são um elemento muito forte neste livro; aliás, estando bem atento aos sinais, o leitor consegue facilmente perceber que os augúrios são negativos e que a viagem provavelmente irá acabar mal.

Apesar de toda este carga pesada no que respeita a maus presságios, Moby Dick é um livro que muitas vezes consegue surpreender pelo seu refinado sentido de humor. O arpoador Queequeg, amigo do narrador Ismael, é uma personagem impagável, que achei simplesmente deliciosa e que acabou por se tornar a minha favorita do livro.

Adorei a complexidade de Moby Dick, todas as interpretações possíveis dos acontecimentos, bem como a escrita de Melville (e as suas previsões futuras falhadas no que respeita à baleação). A certeza que fica depois de finda esta leitura (e que foi aparecendo desde muito cedo) é que Moby Dick se tornou um dos meus livros preferidos de sempre. Foi um livro que me “apanhou” no momento certo, completamente predisposta para mergulhar nas suas águas. Muito, muito bom.

Classificação: 5/5 – Adorei


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.