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Opinião: Naquele Tempo | Nora Roberts/J.D. Robb

Autor: Nora Roberts/J.D. Robb
Título Original:
Remember When (2003)
Série: In Death #17.5
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 384
ISBN: 9789898032270
Tradutor: Susana Serrão
Origem: Comprado

Sinopse: Laine Tavish é dona de uma loja de antiguidades chamada Naquele Tempo. É uma mulher discreta e vive uma vida igualmente discreta numa pequena localidade de Maryland. Pelo menos, isso é o que toda a gente pensa. Na verdade, o seu nome é Elaine O’Hara e é filha de Big Jack O’Hara, um dos mais conhecidos bandidos do seu tempo. E o passado de Laine acaba de a encontrar… de uma forma bem dramática. O seu tio, há muito sumido, aparece de repente na sua loja, apenas para deixar um aviso misterioso antes de ser atropelado mortalmente na rua. Pouco depois, a casa dela é revirada por assaltantes. Agora cabe a Laine e a um homem deliciosamente misterioso chamado Max Gannon, descobrir quem anda atrás dela, e porquê. A resposta está num tesouro escondido, um tesouro que vai mudar não só a vida de Laine mas também a de futuras gerações.

Opinião: Antes de mais, uma curiosidade em relação a este livro: comprei-o em 2008. Ou seja, estava há dez anos (10!) na minha estante à espera de ser lido, e não era o que tenho há mais tempo por ler. Ainda assim, ao contrário de outros, tenho uma explicação completamente plausível para o tempo que o demorei a ler: Naquele Tempo junta duas histórias relacionadas escritas por Nora Roberts, uma em nome próprio e outra com o seu pseudónimo J.D. Robb, dentro da série In Death; ora, como estou a ler esta série, decidi que só iria pegar no livro quando lesse os 17 livros anteriores. Confesso que houve uma altura em que pensei que isso nunca ia acontecer, mas não devia ter duvidado das minhas capacidades.

Naquele Tempo foi o primeiro livro que a Saída de Emergência publicou com algo escrito pela autora com o seu pseudónimo, por ter achado que seria um bom ponto de partida para os fãs de Nora Roberts seguirem uma história começada ao estilo mais tradicional da autora, passando então para o seu pseudónimo que, para quem não sabe, escreve uma série de contornos policiais num ambiente futurista, com um núcleo mais ou menos fixo de personagens, no qual se destaca a protagonista Eve Dallas. E a verdade é que, dessa perspetiva, este livro funciona bem. Ainda que exista toda uma história anterior na vida de Eve, a metade do livro em que ela aparece nunca deixa a sensação de faltar muita informação; pelo contrário, deixa num leitor desconhecedor a curiosidade para saber mais.

Como já referi, as duas histórias do livro estão relacionadas. A que a autora escreve em nome próprio decorre em 2003 e apresenta-nos Laine Tavish, uma mulher que foge do seu passado e do pai ladrão, tentando reconstruir a sua vida ao gerir uma loja de antiguidades numa pequena localidade. Mas o seu pai vê-se envolvido num roubo de diamantes e toda esta trama acaba por vir ter com Laine, ainda que contra a sua vontade. Foi uma história engraçada, com os contornos românticos habituais, mas sinceramente não a achei suficientemente entusiasmante. Das personagens apresentadas, só gostei realmente de Big Jack O’Hara, o pai de Laine, um homem carismático apesar da profissão que escolheu.

A diferença para a segunda história, situada em 2057 e que ocupa mais algumas páginas, é que, nesta, eu já conhecia as personagens e estava investida na sua história pessoal. Não há grandes desenvolvimentos em termos da sua vida, mas é sempre bom reencontrar Eve Dallas e companhia, como se fossem velhos amigos. Adorei ver as tentativas de Peabody em encontrar o seu estilo, agora que já é detetive, e o sentido de humor presente nos diálogos é delicioso. A ligação com a primeira história é interessante, ainda que o caso policial não tenha sido nada de extraordinário.

No final do livro, uma certeza e uma dúvida: vou continuar alegremente a acompanhar a série In Death, mas não sei se tenho interesse em ler mais livros da Nora Roberts escritos em nome próprio.

Classificação: 3/5 – Gostei


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.