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Opinião: Reino de Feras | Gin Phillips

Autor: Gin Phillips
Título Original:
Fierce Kingdom (2017)
Editora: Suma de Letras
Páginas: 272
ISBN: 9789896655259
Tradutor: Ester Cortegano
Origem: Recebido para crítica

Sinopse: Lincoln é um bom menino. Aos quatro anos, é curioso, inteligente e bem-comportado. Lincoln faz o que a mãe diz e sabe quais são as regras.
«As regras hoje são diferentes. As regras são que temos de nos esconder e não deixar que o homem da pistola nos encontre.»
Quando um dia comum no Jardim Zoológico se transforma num pesadelo, Joan fica presa com o seu querido filho. tem de reunir todas as suas forças, encontrar a coragem oculta e proteger Lincoln a todo o custo – mesmo que isso signifique cruzar a linha entre o certo e o errado, entre a humanidade e o instinto animal.
É uma linha que nenhum de nós jamais sonharia cruzar.
Mas, por vezes, as regras são diferentes.
Um passeio de emoção magistral e uma exploração da maternidade em si – desde os ternos momentos de graça até ao poder selvagem. Reino de Feras questiona onde se encontra o limite entre o instinto animal para sobreviver e o dever humano de proteger os outros. Por quem deve uma mãe arriscar a sua vida?

Opinião: Chega hoje às livrarias a primeira grande aposta da Suma de Letras para 2018, Reino de Feras. Tenho lido vários excelentes thrillers e policiais desta chancela do grupo Penguin Random House (Não Digas Nada ou A Menina Silenciosa foram dos melhores de 2017), por isso naturalmente encaro com muita curiosidade novos livros  publicados pela Suma de Letras dentro destes géneros e Reino de Feras, estreia da norte-americana Gin Phillips no thriller, não foi exceção.

Reino de Feras ganha logo desde o início pelo cenário escolhido. Um jardim zoológico é um local que normalmente associamos a dias em família e à alegria das crianças pelo contacto com animais que não vêem todos os dias; para Joan e para o pequeno Lincoln, de quatro anos, é um local de paragem habitual quando ele sai da escola, onde costuma brincar e dar largas à sua incrível imaginação. Numa dessas ocasiões, Joan ouve uns barulhos estranhos e quando ambos se aproximam da saída do zoo, ela vê corpos caídos no chão, bem como um atirador, percebendo que ocorreu um tiroteio e que o mais importante é pôr o seu filho a salvo.

Voltando ao cenário escolhido, não deixa de ser curioso que a autora tenha escolhido um local com animais selvagens para explorar uma história na qual o instinto da maternidade e da sobrevivência são pontos fulcrais do enredo e aquilo que move a personagem principal. Achei notável a racionalidade com que Joan consegue tomar as suas decisões num contexto terrível que nem me atrevo a imaginar na vida real. Mas a verdade é que o instinto protetor relativamente aos filhos traz ao de cima forças que desconhecíamos e eu sou prova disso, ainda que as situações que me levam a afirmar isto não sejam, nem de perto nem de longe, tão dramáticas.

Apesar da dificuldade em saber o que faria no lugar desta mãe-coragem, revi-me bastante na forte ligação que tem com o filho, quase como se fosse uma extensão dela própria. Joan está a meio do processo de perceber que o filho é um ser independente e que, mais cedo ou mais tarde, ganhará asas para voar sozinho; orgulha-se disso mas, ao mesmo tempo, já sente nostalgia dos momentos em que era ela a pessoa mais importante da vida do filho. Esta componente sentimental, muito bem explorada neste livro, poderá ser facilmente compreendida por quem é pai ou mãe.

A nível da componente thriller, achei que o ritmo do livro não é uniforme. É verdade que a tensão inicial é palpável, mas tende a diminuir com o avançar da narrativa, para voltar a ficar muito interessante na parte final. A maior parte do livro é narrado do ponto de vista de Joan, mas amiúde é dado o foco a outras personagens, incluindo o assassino. Quando percebi esta opção da autora, achei que poderia ser bastante interessante, mas à medida que a narrativa avançava, questionei-me sobre o real valor acrescentado destas novas perspetivas, porque o que eu queria mesmo saber era o que iria acontecer a Joan e Lincoln.

No final de contas, foi uma boa leitura. Apesar de achar que alguns pontos poderiam ter sido melhor desenvolvidos ou trabalhados, gostei das reflexões que me trouxe acerca da profundidade de uma relação mãe-filho e da forma como os instintos animais ainda podem representar um papel importante naquilo que é o ser humano.

Classificação: 3/5 – Gostei


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.