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Opinião: Reaccionário com Dois Cês | Ricardo Araújo Pereira

Autores: Ricardo Araújo Pereira
Ano de Publicação Original:
 2017
Editora: Tinta da China
Páginas: 256
ISBN: 9789896714017
Origem: Comprado

Sinopse: Depois de mais de 40 mil exemplares de A Doença, o Sofrimento e a Morte Entram Num Bar, chega o novo livro de Ricardo Araújo Pereira. Quem já o leu, já o ouviu na rádio ou já o viu na televisão (e é difícil que uma das três coisas ainda não tenha acontecido a alguém em Portugal) sabe que uma das grandes causas de Ricardo Araújo Pereira é a liberdade de expressão. Reaccionário com Dois Cês é sobre isso, mas é também sobre portugalidade, vitórias no Euro, propriazinhas (ou selfies), língua portuguesa, Shakespeare, os justiceiros das redes sociais, a vagina de Marine Le Pen e outras rabugices, num livro que se divide em quatro capítulos:
– Comente o Seguinte País
– Admirável Facebook Novo
– Então mas o Que É Isto?
– Assim Como Nós Não Perdoamos a Quem Nos Tenha Ofendido

Opinião: O ano passado li A doença, o sofrimento e a morte entram num bar, um ensaio sobre o humor escrito por um dos melhores humoristas que Portugal já conheceu, e gostei muito. Decidi, na altura, que ia continuar a querer ler Ricardo Araújo Pereira (RAP), ainda que noutros registos, como é o caso de Reaccionário com Dois Cês, a sua última publicação, que reúne várias das crónicas que publica na revista Visão. 

Ora, eu já sabia de antemão que muitos destes textos visavam as “incendiárias” redes sociais; tinha até a ideia que eventualmente não concordaria com muitas das ideias de RAP, mas isso não foi impedimento para as ler, quanto mais não seja para pôr em perspetiva o que pensava sobre este tema e questionar. Faz parte de um diálogo saudável ouvir opiniões contrárias à nossa, seja para a questionar, seja para a reforçar. As redes sociais e a forma como dão voz ao que de pior o ser humano tem são o tema principal de várias destas crónicas e amiúde referidas mesmo quando não é esse o assunto de que se fala.

RAP demoniza excessivamente, quanto a mim, estas plataformas, ignorando – provavelmente porque não é utilizador – todos os aspetos positivos que trazem. Como pessoas adultas que somos, não temos de ler todas as secções de comentários de uma notícia do Facebook, onde é comum ver pessoas a distribuir o seu fel; isso não me impede de utilizar aquela rede social para falar com amigos, ou atualizar-me sobre áreas que me interessam – nomeadamente, a área da literatura e da edição. Utilizo o Twitter de uma forma completamente diferente: aí sim, troco ideias sobre várias temas da atualidade, seja política, sociedade ou futebol. Claro que energúmenos há-os em todo o lado na vida real e não poderiam faltar nestas plataformas, mas cabe a cada utilizador filtrar o que quer ver, selecionar a sua timeline e conseguir – como tenho conseguido – ir acompanhando o mundo que me rodeia pelos olhos de pessoas realmente interessantes, que me desafiam constantemente a refletir sobre as coisas e a forma como as encaro. Tudo isto para dizer que, apesar de bem escritos e aparentemente bem fundamentados, estes textos em particular pecam, quanto a mim, pela falta do saber de experiência feito. 

Os textos que mais gostei de ler neste livro são aqueles em que RAP explora tiques de linguagem (adorei o do “então”), eventos políticos (porque me revejo nas suas posições nesta temática) e outros, dos quais me lembro particularmente do que dedicou a Eusébio, que achei brilhante (e eu sou sportinguista desde que me conheço!). Acho que esta edição em particular teria ganho com referências às datas em que os textos foram publicados originalmente, uma vez que se estendem por vários anos e nem sempre foi fácil situá-los olhando apenas para o conteúdo. Também não percebi muito bem a arrumação dos textos nas quatro secções apresentadas na sinopse.

No final das contas, e apesar das retincências que já referi relativamente a vários textos incluídos nesta compilação, foi um livro que gostei de ler, porque continuo a gostar da forma peculiar como RAP olha para a generalidade dos temas da atualidade e da forma como se expressa.

Classificação: 3/5 – Gostei


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.