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Opinião: O Livro do Pó – La Belle Sauvage | Philip Pullman

Autor: Philip Pullman
Título Original:
 La Belle Sauvage (2017)
Série: O Livro do Pó #1
Editora: Editorial Presença
Páginas: 392
ISBN: 9789722361538
Tradutor: Rosário Monteiro
Origem: Recebido para crítica

Sinopse: Malcolm Polstead tem onze anos, Os pais gerem A Truta, uma estalagem muito frequentada nas margens do rio Tamisa, perto de Oxford, Malcolm é muito atento a tudo o que o rodeia, mas sem chamar a atenção dos outros, Talvez por isso, fosse inevitável vir a tornar-se num espião, É na estalagem que ele, juntamente com o seu génio Asta, descobre uma intrigante mensagem secreta sobre uma substância perigosa chamada Pó, Quando o espião, a quem a mensagem era dirigida, lhe pede que preste redobrada atenção ao que por ali se passa, o rapaz começa a ver suspeitos em todo o lado: o explorador Lorde Asriel; os agentes do Magisterium; Coram, o cigano; a bela mulher cujo génio é um macaco malicioso… Todos querem descobrir o paradeiro de Lyra, uma menina, ainda bebé, que parece atrair toda a gente como se fosse um íman, Malcolm está disposto a enfrentar todos os perigos para a encontrar…

Opinião: Apesar de não me lembrar de muitos detalhes da trilogia “Mundos Paralelos” (dos primeiros livros de que falei por aqui), recordo a experiência de leitura com muito agrado, com uma história imaginativa, bem escrita e bem construída. Fiquei contente por saber que o autor britânico Philip Pullman iria continuar a escrever dentro deste universo fantástico, explorando ainda mais a história de Lyra Belacqua e a misteriosa substância designada “Pó”, tendo ficado, por isso, com muita vontade de regressar a este mundo.

La Belle Sauvage inicia-se, em termos cronológicos, cerca de 10 anos antes dos acontecimentos relatados em Os Reinos do Norte, primeiro volume da trilogia original. Vamos encontrar Malcolm Polstead, um jovem de 11 anos, inteligente e curioso, no seu dia-a-dia entre as ajudas que dá aos seus pais na estalagem que ambos gerem, a escola, as visitas ao convento de freiras que se encontra por perto e às explorações que faz no seu pequeno barco, “La Belle Sauvage”. Gostei muito da forma como Philip Pullman escreveu a sua personagem principal: Malcolm encerra em si um misto de inteligência e inocência que se tornam extremamente cativantes. Depressa descobrimos que é também um miúdo cheio de coragem e abnegação e, por isso, dificilmente o leitor não cria um forte laço emocional com esta personagem.

Apesar do início mais parado, naturalmente necessário para mostrar a vida de Malcolm, começar a lançar as bases das aventuras que se seguirão e também dar aos leitores familiarizados com este universo pontos de contacto, é um livro que se lê com muito gosto desde o começo. Foi muito giro reencontrar Lyra na sua versão bebé, conhecer novas personagens neste universo e recordar algumas das suas características, nomeadamente o facto de todas as pessoas possuírem um génio, uma espécie de alma materializada num animal que acompanha essa pessoa por todo o lado e que revela muito da sua personalidade.

A segunda metade do livro é onde está boa parte da ação, e lá chegado o leitor muito dificilmente consegue parar de ler, curioso para descobrir qual o destino de Malcolm, da sua amiga Alice e da pequena Lyra. Os três passam por várias aventuras, em que o autor aproveita para expandir o seu universo mágico, em especial no que toca às origens do “Pó” e aos seus efeitos. À semelhança do que já vimos na trilogia original, Philip Pullman continua a colocar no centro do enredo as questões religiosas, contextualizando o leitor no que respeita aos conflitos que se seguirão na história .

É importante referir que não é necessário ter lido a trilogia “Mundos Paralelos” para desfrutar desta história. Claro que um conhecimento prévio poderá facilitar a entrada neste mundo alternativo, mas La Belle Sauvage é um livro que vale por si próprio e que, ainda que tenha um protagonista jovem e possa ser catalogado como tendo um público-alvo adolescente, se torna uma leitura cativante para os adultos. Pessoalmente, gostei muito e quero, sem dúvida, saber o que nos reserva Philip Pullman nos próximos dois volumes desta trilogia.

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante

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Sobre Célia

Tenho 35 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.