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Opinião: A Boa Filha | Karin Slaughter

Autor: Karin Slaughter
Título Original:
 The Good Daughter / Last Breath (2017)
Editora: HarperCollins
Páginas: 704
ISBN: 9788491391364
Tradutor: Ana Filipa Velosa
Origem: Parceria editorial

Sinopse: Duas meninas são obrigadas a entrar no bosque com uma pistola apontada. Uma foge para salvar a vida. A outra fica para trás. Há vinte e oito anos, um crime horrível sacudiu a feliz vida familiar de Charlotte e Samantha Quinn. A sua mãe foi morta. O seu pai, um conhecido advogado de defesa de Pikeville, ficou prostrado de dor. A família desfez-se irremediavelmente, consumida pelos segredos daquela noite pavorosa. Transcorridos vinte e oito anos, Charlie tornou-se advogada, seguindo os passos do pai. É a filha ideal. Mas quando a violência volta a aumentar em Pikeville e uma grande tragédia assola a localidade, Charlie vê-se imersa num pesadelo. Não só é a primeira pessoa a chegar à cena do crime, mas também o caso desperta as recordações que tentou manter à margem durante quase três décadas. Porque a surpreendente verdade sobre o acontecimento que destruiu a sua família não pode permanecer oculta para sempre. Cheio de voltas e reviravoltas inesperadas e transbordante de emoção, A boa filha é um romance apaixonante: suspense em estado puro.

Opinião: Andava há demasiado tempo para ler um livro de Karin Slaughter, que se tem distinguido no género policial. As opiniões positivas são mais que muitas e por isso a minha curiosidade era grande. Surgiu a oportunidade de ler A Boa Filha, o livro mais recente da autora norte-americana e que não faz parte de nenhuma das séries que Karin Slaughter tem vindo a publicar, e por isso foi mesmo por aqui que comecei. 

Antes de mais, é de referir que esta edição contém a prequela Último Suspiro no final do livro (cerca de 130 páginas). Quando iniciei a leitura, optei por começar por aqui, mas depois de ler tudo acho sinceramente que não faz grande diferença a ordem pela qual as duas histórias são lidas. Último Suspiro é um pequeno vislumbre da vida de Charlie Quinn numa época que medeia as duas principais linhas cronológicas que A Boa Filha apresenta. Gostei de conhecer Charlie em Último Suspiro, ainda que aí a encontrássemos muito menos cínica e cheia de raiva do que a mulher que nos é apresentada mais tarde. O caso policial é interessante pelo twist, mas tive alguns problemas com a suspensão da descrença relativamente à sua resolução. Não é uma leitura essencial para o que se segue, mas achei muito simpático por parte da editora a sua inclusão neste volume.

A Boa Filha apresenta ao leitor, como já referi, duas linhas temporais: 1989 e 2017. Em 1989, Charlie Quinn e a irmã Sam viram a sua mãe ser violentamente assassinada, sendo depois ambas levadas para uma floresta, onde o pesadelo continuou. É com este relato que a história se inicia, mas quando regressamos ao presente, 28 anos depois, Charlie vê-se novamente envolvida num tiroteio, desta vez numa escola. Este acontecimento parece vir na pior altura no que se refere à vida pessoal de Charlie, porque está separada do marido e o passado traumático com acontecimentos violentos teima em não a abandonar. 

Este é um livro que, apesar de ter no centro do enredo casos policiais, se foca em dinâmicas familiares e na forma como se lida (ou tenta lidar) com traumas. Karin Slaughter faz um excelente trabalho na construção das suas personagens e das relações entre elas, e consegue tornar todo o drama e raiva que rodeiam a família Quinn num aspeto credível e fundamental nesta história. As histórias mal resolvidas são mais que muitas e todo o processo de cura que as personagens principais tentam encetar é, para mim, um dos pontos altos do livro. Gostei muito das duas irmãs, mas o pai delas, Rusty, foi a minha personagem preferida. Claro que os acontecimentos policiais e as voltas e reviravoltas que o enredo dá tornam tudo ainda mais interessante, pelo que este é um livro que se lê num instante, apesar do seu tamanho considerável. 

Karin Slaughter não parece ter problemas com descrições mais gráficas, algo que, pelo que leio sobre outros livros dela, é imagem de marca. Bem trabalhada – como o foi aqui – penso ser uma característica que mantém os seus leitores agarrados à cadeira, por assim dizer, e que contribui bastante para o impacto causado pela história.

O balanço final é muito positivo. Gostei bastante da forma como Karin Slaughter trabalha as suas personagens e as torna credíveis, num contexto policial muito interessante. É, sem dúvida, uma autora para continuar a seguir.

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante


Sobre Célia

Tenho 35 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.