Home / 4/5 / Opinião: Gloria in Excelsis – As Mais Belas Histórias Portuguesas de Natal | org. Vasco Graça Moura

Opinião: Gloria in Excelsis – As Mais Belas Histórias Portuguesas de Natal | org. Vasco Graça Moura

Autores: Vários
Organização: Vasco Graça Moura
Ano de Publicação Original:
 2003
Editora: Quetzal
Páginas: 480
ISBN: 9789897223402
Origem: Comprado
Comprar aqui (link afiliado)

Sinopse: Mais de quarenta histórias natalícias da pena dos grandes clássicos portugueses dos séculos XIX e XX, escolhidas por Vasco Graça Moura: Ramalho Ortigão, Eça de Queirós, Fialho de Almeida, Raul Brandão, Aquilino Ribeiro, Ferreira de Castro, José Régio, Vitorino Nemésio, Gaspar Simões, Miguel Torga, Alves Redol, Sophia de Mello Breyner, Jorge de Sena, José Saramago, Natália Nunes, Maria Ondina Braga, Isabel da Nóbrega e José Eduardo Agualusa, entre muitos outros.

Opinião: Adquiri Gloria in Excelsis – As Mais Belas Histórias Portuguesas de Natal depois de ter lido boa opiniões sobre este livro e porque acho que os contos são um excelente ponto de partida para conhecer mais autores. Aqui são todos portugueses: alguns dos quais nunca tinha ouvido falar (José Maria de Andrade Ferreira, Brito Camacho ou João de Araújo Correia), outros bastante conhecidos mas que ainda não tinha tido oportunidade de explorar (Aquilino Ribeiro, Raul Brandão ou Urbano Tavares Rodrigues). 

Que melhor altura para ler este livro senão dezembro? Portanto, desde o início do mês que tenho vindo a ler alguns contos por dia, dando-lhes por isso espaço para me dizerem o que têm a dizer. Aliás, sendo este livro tão diverso em autores e respetivos estilos, penso que a melhor forma de o ler é precisamente de forma pausada e espaçada, para poder apreciá-los devidamente.

Este livro propõe-se levar o leitor numa viagem pelos séculos XIX e XX portugueses e pela forma como o Natal tem sido vivido, através dos olhos de alguns dos nossos melhores escritores. Ordenado cronologicamente pela data de nascimento do respetivo autor, desde o início que se nota a preocupação de incluir contos com prosa exímia. Um dos primeiros, O Presépio, de D. João da Câmara, foi um dos que mais gostei; em poucas páginas, consegue perfeitamente captar a solidão e a tristeza de uma criança, num início de vida que se avizinha cheia de rigores e dificuldades. Fiquei também bastante impressionada com Conto de Natal, de Fialho de Almeida, pela sua brutalidade contrastante com os sentimentos normalmente associados à época natalícia. Natal dos Pobres, de Raul Brandão, é um exemplo fantástico de bela escrita, num texto que me agradou particularmente pela forma como objetos parecem observar a aspereza da condição humana, consubstanciada na forma como os pobres vivem a quadra.

Gostei de ler os dois contos de Aquilino Ribeiro, mais pela escrita do que propriamente pelo seu conteúdo ou desenvolvimento; o meu primeiro contacto com o seu léxico rico foi uma agradável surpresa e deixa-me com vontade de explorar mais a sua obra. Outros autores que gostei de conhecer, pelo seu estilo de escrita, foi José Rodrigues Miguéis, com dois contos incluídos nesta coletânea: O Natal do doutor Crosby e Natal Branco; também Domingos Monteiro foi uma boa descoberta, igualmente com dois contos, Um recado para o céu e O Regresso.

Foi já perto do final que surgiu o meu conto preferido da coletânea. O facto de ser de José Saramago não me surpreendeu; o que continua a surpreender-me é a forma como as suas palavras me falam ao coração. Aqui, em História de um Muro Branco e de uma Neve Preta, consegue em poucas páginas transmitir tudo aquilo que de mais puro tem o coração de uma criança e a perspetiva dolorosa que é saber que ele vai ser partido, uma e outra vez. Queria também destacar Noite de Natal, de Maria Judite de Carvalho: ainda que tenha pouco que ver com a quadra natalícia, deixa a sua marca pela terrível tragédia que narra com mestria.

No final de contas, Gloria in Excelsis – As Mais Belas Histórias Portuguesas de Natal foi uma experiência muito positiva. Como é natural em livros de contos, ainda para mais vindos de autores tão variados, não me agradaram na mesma medida, mas o que fica é a ideia de uma seleção em que a qualidade da prosa e dos enredos foram fatores determinantes, tendo servido, como era meu objetivo, para conhecer vários novos autores portugueses. Só por isso valeu a pena. Recomendo.

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.