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Opinião: Amor de Perdição | Camilo Castelo Branco

Autor: Amor de Perdição
Ano de Publicação Original:
 1862
Editora: Bis
Páginas: 224
ISBN: 9789896600952
Origem: Comprado

Sinopse: Foi inspirado pelas suas próprias desventuras amorosas e pela peça de Shakespeare, Romeu e Julieta, que Camilo Castelo Branco escreveu Amor de Perdição, o seu romance mais famoso. Obra emblemática do Romantismo português, Amor de Perdição conta-nos a história de Simão Botelho e Teresa de Albuquerque, dois jovens que pertencem a famílias distintas de Viseu. Entre ambos nasce um amor que são obrigados a calar, pois as suas famílias são rivais e tudo farão para os separar. Mas os amantes acabarão por mostrar através do mais dramático dos actos, que nada, nunca, destruirá o sentimento que os une.

Opinião: Camilo escreveu Amor de Perdição em 15 dias, aos 35 anos, quando se encontrava na Cadeia da Relação do Porto, acusado de adultério com Ana Plácido. Aquele que é, provavelmente, o livro mais conhecido e aclamado do autor português, expoente da corrente romântica em Portugal, estava há demasiados anos à espera que o lesse.

Amor de Perdição foi já, certamente, analisado numa vertente mais académica por pessoas muito mais capazes do que eu (o prefácio de Vasco Graça Moura na edição que li é um belo exemplo), por isso vou optar por deixar essa abordagem de lado nesta minha opinião, concentrando-me antes naquilo que foi a minha experiência de leitura.

A história é a de dois adolescentes de 16 anos que se apaixonam quando as suas famílias se detestam e não querem que os dois se casem, em finais do século XVIII. Ainda que seja um livro relativamente curto, Amor de Perdição exige alguma atenção da parte do leitor pelo estilo de escrita e a utilização de algumas palavras que entretanto caíram em desuso (o dicionário do Kindle foi uma ajuda preciosa neste aspeto).

O estilo de Camilo Castelo Branco, pelo menos neste livro, é por vezes bastante floreado, mas tenho de confessar que me deu um imenso prazer lê-lo. O narrador, omnisciente, vai contando a história a seu bel-prazer, e colocando aqui e ali observações relativamente ao desenrolar da história, tornando-se, ele próprio, uma personagem. É já perto do final que ficamos a saber que este livro se baseia na história de um tio de Camilo, Simão Botelho.

Toda a história de amor presente neste livro está repleta de dramatismo exacerbado e, muito sinceramente, não me emocionou. As personagens são muito jovens e descritas de forma demasiado unidimensional para que elas e as suas ações se tornassem reais aos meus olhos, mas admito que possa estar a analisá-las com os meus óculos do século XXI. No fundo, gostei muito da escrita de Camilo, mas o enredo em si e as personagens (com exceção, talvez de Mariana e seu pai) não me cativaram por aí além. Fica, pois, a vontade de conhecer este autor noutros registos.

Os poetas cansam-nos a paciência a falarem do amor da mulher aos quinze anos, como paixão perigosa, única e inflexível. Alguns prosadores de romances dizem o mesmo. Enganam-se ambos. O amor aos quinze anos é uma brincadeira: é a última manifestação do amor às bonecas; é a tentativa da avezinha que ensaia o voo fora do ninho, sempre com os olhos fitos na ave-mãe que a está da fronde próxima chamando: tanto sabe a primeira o que é amar muito, como a segunda o que é voar para longe.

Classificação: 3/5 – Gostei


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