Home / Artigos / Refletindo sobre… (5)

Refletindo sobre… (5)

Refletindo

Aqui há uns anos, eu era aquela leitora que não fazia grande questão de participar em eventos de lançamentos de livros ou de sessões de autógrafos, com raras exceções – lembro-me, por exemplo, de uma das vindas da Juliet Marillier a Portugal ou da primeira vez que George R.R. Martin cá esteve. Ia sempre à Feira do Livro de Lisboa, mas nunca (ou quase nunca) me dirigia aos autores presentes para obter um autógrafo ou mesmo ouvi-los apresentar o seu livro mais recente.

O que é que mudou desde então? Bem, em primeiro lugar, acho que me passou boa parte da timidez de me apresentar perante uma pessoa desconhecida que admiro. Depois, terá eventualmente ajudado ter alargado o meu horizonte de leituras e ter começado a ler mais autores portugueses, o que, por razões óbvias, facilita que mais facilmente tenha interesse pelos eventos que vão surgindo. Mas acho que, acima de tudo, percebi que gosto de ouvir os escritores falarem. Gosto de saber mais sobre o processo de escrita, as inspirações, as dificuldades; de um modo geral, são pessoas interessantes, com algo para dizer, e descobri que a experiência de os ouvir me enriquece enquanto leitora.

Vem isto tudo a propósito de ter ficado recentemente a saber que vem a Portugal em 2018 a minha escritora favorita, a Robin Hobb. Comecei a ler a série do Fitz e do Bobo quando a Saída de Emergência a publicou, em 2009, e na altura gostei bastante, ainda que não me tenha arrebatado – algo que os volumes seguintes trataram de fazer. Demorei alguns volumes a perceber que a minha relação com esta escritora já era mais ou menos uma obsessão e já li praticamente tudo o que ela publicou com o pseudónimo Robin Hobb. É difícil explicar o que tanto me atrai nestes livros, mas talvez possa adiantar que adoro o explorar de emoções e a forma fantástica como esta autora escreve as suas personagens e as relações entre elas. Cativa-me de uma forma que não tenho facilidade de pôr em palavras, para além de simplesmente dizer que encontro nos livros dela tudo aquilo que procuro num livro.

Portanto, para mim vai ser um grande acontecimento poder, finalmente, conhecê-la. Acho que será um privilégio poder ouvir a Robin Hobb ao vivo e quiçá, ter a oportunidade de lhe dizer, com palavras que serão sempre certamente muito menos inspiradas que as dela, o quanto os seus livros significam para mim. Chega depressa, 2018!


Sobre Célia

  • Magda Montes M R F Luna Pais

    assumi a mesma meta (60 livros) este ano e o ano passado. Apenas e só porque sim. não me preocupa a quantidade de livros mas sim a qualidade. Até porque a quantidade de livros pode depender do número de páginas. Lembro-me que, no ano em que li a trilogia O Século li menos livros que nos outros anos. O ano passado cheguei aos 84, este ano vou nos 67. São menos, são mais? quero lá saber, são bons e é como eu gosto de passar o meu tempo livre

    (http://stoneartbooks.blogs.sapo.pt)

    • CeliaCM

      Nem mais! As metas acabam por ser um pouco um desafio pessoal, mas se não foram alcançadas também não há mal nenhum 🙂

      Ah, e obrigada por partilhares o link do teu blogue. Não conhecia 🙂

      • Magda Montes M R F Luna Pais

        e eu que julgava que já te tinha dado algures no tempo…

        é mesmo uma questão pessoal (as metas). Preocupo-me tanto com isso que até releio livros e tudo. Preocupadissima em chegar ao número estipulado (#soquenao) eheheheh

  • Patrícia

    Não faço ideia de quantos livros são “aceitáveis” ou não ler num ano/mês/semana. E, certamente, isso depende de pessoa para pessoa. Não é novidade para ti que metas numéricas para leituras me fazem confusão. Eu percebo quando dizes que é uma questão de meta pessoal, de superação ou até de simples brincadeira.
    E se tu me dizeres que lês 100 livros eu acredito e acho normal. Até porque vou acompanhando as tuas leituras, seja pelos comentários na roda, seja pelo teu blog.
    Continuo a achar que há livros que não se lêem rápido – ou melhor, que não são bem lidos se não forem “mastigados”. Da mesma forma que há os livros a que tu chamas “pastilha elástica” e que se lêem na maior em 1, 2 dias.
    Mas a minha “azia” em relação às metas é ver como há quem se esforce tanto para atingir um determinado número de livros que os escolhe em função disso. Não os escolhe por serem os livros que querem ler, escolhem para atingir o número.
    Claro que não tenho nada a ver com as leituras que cada um faz, quero lá saber se alguém lê 10 ou 100 livros num ano. O ano em que mais li foi, se não estou em erro, 2015. Acho que cheguei ao fim do ano com 40 livros lidos. O que me orgulha desse ano, não é esse número, é 50% desses livros terem sido de autores portugueses – foi a única meta a que alguma vez me propus.
    (gosto destas reflexões 🙂 )

    • CeliaCM

      Ora aí está um boa ideia para um texto futuro, falar sobre a forma como certos livros devem ser lidos 🙂 é claro que há os que se dispõem a uma leitura super-rápida, outros nem tanto. Mas, tal como os livros são diferentes entre si, também a forma como as pessoas lêem são. Pessoalmente, há livros que me demoram mais tempo, mas admito perfeitamente que haja outro leitor que possa ler o mesmo livro em muito menos tempo e compreendê-lo até melhor do que eu. Penso que tem a ver com a forma como o nosso cérebro funciona. Há leitores lentos, outros rápidos… são apenas diferentes, não quer dizer que uns sejam melhores que outros.