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Opinião: A Menina Silenciosa | Michael Hjorth e Hans Rosenfeldt

HjorthAutor: Michael Hjorth e Hans Rosenfeldt
Título Original:
 Den stumma flickan (2014)
Série: Sebastian Bergman #4
Editora: Suma de Letras
Páginas: 559
ISBN: 9789896653125
Tradutor: Jorge Pereirinha Pires
Origem: Recebido para crítica

Sinopse: Suécia. Uma bonita casa branca, de dois andares. Dentro, uma família brutalmente assassinada – mãe, pai e duas crianças pequenas, mortos a tiro, em plena luz do dia. E o assassino escapou. Sebastian Bergman, com o Departamento de Investigação Criminal, tenta deslindar o crime, mas, com o principal suspeito morto, está num beco sem saída. Até que descobre que há uma testemunha do crime. Uma menina, Nicole, viu tudo e fugiu, assustada. Quando a encontram, descobrem que o trauma do que viu a deixou totalmente muda, comunicando apenas através de caneta e papel. Os seus desenhos revelam um facto convincente e inescapável: ela viu o assassino. Bergman fica obcecado com o desafio de romper a parede de silêncio de Nicole. Enquanto isso, o assassino está apostado em garantir que ela fique calada.

Opinião: Sebastian Bergman, o protagonista improvável, volta em mais um volume da coleção policial escrita pela dupla sueca Hjorth e Rosenfeldt. Depois do final emocionante de O Homem Ausente, aguardava com enorme expectativa a publicação do quarto volume da série e, por esse motivo, comecei a lê-lo assim que me chegou às mãos. Desta vez, a história inicia-se com uma família de quatro elementos – pai, mãe e dois rapazinhos – que são assassinados na sua casa, numa localidade interior da Suécia. Os contornos macabros da ocorrência exigem a presença da prestigiada polícia Riksmord – agora com um elemento a menos devido aos acontecimentos do livro anterior.

Enquanto a investigação vai decorrendo, percebe-se que havia uma quinta pessoa na casa onde ocorreram os assassinatos: Nicole, uma menina de 10 anos, que fugiu e se encontra desaparecida. Sebastian, na sua qualidade de psicólogo criminal da equipa, terá um papel fundamental em encontrá-la e fazê-la transmitir o que presenciou; às tantas, essa tarefa parece fazê-lo encontrar um propósito com significado na sua vida. Os pesadelos com a filha perdida continuam a assolá-lo e a consumi-lo e, ainda que continue a expiar aquela culpa de formas pouco ortodoxas, parece surgir aqui uma luz que o poderá levar a alcançar finalmente a paz.

Achei o caso policial de A Menina Silenciosa muito interessante e bem desenvolvido, pelos contornos chocantes e pelas questões morais que levanta à medida que a sua resolução se vai aproximando do final. Houve ali uma altura em que achei que o desfecho da história e o desvendar do culpado deixariam a desejar, mas isso foi antes da excelente reviravolta final. Como tem vindo a ser hábito neste série, existe um equilíbrio muito bem conseguido entre o caso policial e a vida pessoal da equipa de investigação, e isto não se resume apenas a Sebastian. As personagens têm evoluído ao longo da série, têm vindo a tornar-se mais interessantes e complexas, bem como o relacionamento entre elas, e este é o principal motivo que me leva a gostar tanto de a acompanhar.

A Menina Silenciosa revelou-se uma leitura cativante e viciante, praticamente impossível de largar. Dentro da série, foi até agora o meu volume preferido a seguir a O Discípulo. À semelhança da terceira parte da série, deixa pontas soltas que me fazem, de novo, ansiar pela leitura do próximo volume. Que venha depressa!

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante


Sobre Célia