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Opinião: Não Digas Nada | Brad Parks

ParksAutor: Brad Parks
Título Original:
Say Nothing (2017)
Editora: Suma de Letras
Páginas: 520
ISBN: 9789896652975
Tradutor: Ester Cortegano
Origem: Recebido para crítica
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Sinopse: Numa quarta-feira como outra qualquer, o juiz Scott Sampson está a preparar-se para ir buscar os filhos gémeos de seis anos para os levar à aula de natação. A sua mulher, Alison, envia-lhe uma mensagem: mudança de planos, ela tem de os levar ao médico. Assim sendo, Scott regressa para casa mais cedo. Mas quando, mais tarde, Alison chega, está sozinha – sem Sam, sem Emma – e nega ter conhecimento da mensagem… O telefone toca: uma voz anónima diz-lhes que o juiz deve fazer exactamente o que lhe é dito num caso de tráfico de droga que está prestes a ser julgado. Se recusar, as consequências para as crianças serão terríveis. Para Scott e Alison, a chamada do sequestrador é apenas o começo de uma tentativa tortuosa de chantagem, engano e terror. Não haverá nada que os detenha para recuperarem os seus filhos, não importa o custo… Um romance intenso que explora o lado mais obscuro do Mal, pondo a nu as fragilidades da natureza humana perante a ameaça da perda mais dolorosa. 

Opinião: Acabei de terminar este livro e tenho de vos dizer que estou cada vez mais fã do género thriller! Nunca tinha ouvido falar do escritor norte-americano Brad Parks e confesso que se a editora não tivesse tido a simpatia de me enviar um exemplar para crítica, muito provavelmente tinha-me passado completamente ao lado, o que teria sido uma pena. “Não Digas Nada” foi o pedido que os raptores fizeram ao Juiz Scott Sampson depois de terem levado os seus dois filhos gémeos de seis anos, Sam e Emma. Scott não poderia contactar a polícia nem pedir ajuda a ninguém sob pena de ver os seus filhos sofrerem as consequências. E o que é que um pai faz perante um pedido destes? Acata, claro.

Scott sabe que os seus filhos foram raptados por causa da sua profissão e do poder que tem relativamente à decisão dos casos que lhe vão parar às mãos. Inicialmente, as intenções dos raptores não são claras e Scott e a mulher Alison vivem num tormento, esperando instruções e temendo o que poderá estar a acontecer aos gémeos, bem como as sequelas que este episódio terá nas suas vidas futuras. Quando as instruções começam a chegar, Scott vê-se perante a obrigação de ir contra os seus princípios morais e profissionais, ainda que isso para ele nunca seja verdadeiramente uma escolha. Só que essas ações começam a pôr em causa a sua integridade no meio profissional, levando-o a uma espiral de mentiras da qual parece não conseguir sair.

Não Digas Nada é um livro que não se consegue parar de ler, sufocante e cheio de tensão. Quem tem filhos – especialmente das idades das crianças raptadas – facilmente se questiona como reagiria perante uma situação destas e não consegue evitar concordar com cada um das decisões que Scott toma, ou que é forçado a tomar. Os capítulos que vão mostrando o que se passa com as crianças são curtos mas terríveis e chegaram mesmo a provocar-me angústia física. Não é a primeira vez que leio algo que envolve maus tratos a crianças, e até já li coisas mais gráficas, mas a forma como Brad Parks conseguiu despertar em mim tais sentimentos, neste caso, foi simplesmente brilhante.

Aliás, penso mesmo que a forma como o autor consegue envolver o leitor na trama é o ponto mais bem conseguido do enredo. Tudo parece real: a angústia dos pais, os seus dilemas, as suas suspeitas, a sensação de impotência… No final, espera-nos um coração algo quebrado numa viagem alucinante que vale sem dúvida a pena ser experienciada. No final de contas, Não Digas Nada é um livro intenso e emocionante, que me agarrou do início ao fim como um bom thriller deve fazer. Um dos meus livros preferidos do ano, certamente!

Classificação: 5/5 – Adorei


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.