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Opinião: Fronteiras Perdidas | José Eduardo Agualusa

AgualusaAutor: José Eduardo Agualusa
Ano de Publicação:
 1999 (nova edição de 2017)
Editora: Quetzal
Páginas: 128
ISBN: 9789897223976
Origem: Recebido para crítica
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Sinopse: Um morto da guerra descansa numa caneca de leite, a meio da noite, em Luanda. Está um passageiro transformado em serpente no lavabo de um avião. Um elevador, no Recife, foi desviado para Cuba por alturas do quarto andar. Um hotel em que alguém afirma que dormiu está abandonado há anos. E Plácido Domingo contempla o rio, em Corumbá. O sonho, o delírio, a vergonha, a fé, a pele, a memória, o feitiço, o nome, o ódio e a entrega são territórios de exílio e, nessa condição, lugares de morança. Misturam-se com uma fluidez voraz: são fronteiras perdidas, linhas de vida de outra maneira, um catálogo de paisagens oníricas. Histórias que não são visíveis mas são visitáveis. Este livro é um caminho para elas e encerra pequenas sabedorias, sendo a maior: não existem sítios, apenas posições. E como diz um dos percursos: «Não há mais lugar de origem.»

Opinião: Fronteiras Perdidas foi a minha primeira incursão na vertente de contista do autor angolano José Eduardo Agualusa. Depois das boas impressões deixadas por O Vendedor de Passados e A Vida no Céu, fiquei com vontade de continuar a explorar a sua obra, e a nova edição deste livro, que venceu o Grande Prémio de Conto da Associação Portuguesa de Escritores, pareceu-me um excelente pretexto

A epígrafe “Há histórias tão verdadeiras que às vezes parece que são inventadas” deixa desde logo a impressão que estas pequenas narrativas poderão conter algo de autobiográfico. O primeiro conjunto, “Fronteiras Perdidas”, parece seguir um homem pelas suas viagens por vários continentes, nas quais vai relatando pequenos episódios ou reflexões sobre o que vai vendo e vivendo. O segundo conjunto, “Outras Fronteiras”, percorre caminhos diversos, em que os limites geográficos deixam de ter tanta importância e se parte para fronteiras psicológicas criadas pelo ser humano.

Gostei muito da imagética evocada pela escrita de Agualusa, que por vezes parece suscitar sentimentos de melancolia, ao mesmo tempo que são de uma profunda beleza. Há qualquer coisa nas palavras de Agualusa, quiçá a musicalidade, que me remetem para os cenários africanos. De algumas narrativas gostei mais do que de outras, tendo a minha preferida sido, sem dúvida, a que encerra o livro, “A noite em que prenderam o Pai Natal”, a história de um negro albino que trabalha como Pai Natal e que, no final, acaba por se tornar na Rainha Santa Isabel dos tempos modernos. Fica a certeza que continuarei a explorar a rica obra de Agualusa num futuro próximo. 

Classificação: 3/5 – Gostei


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.