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Julián Fuks conquista Prémio Literário José Saramago 2017

Fuks

O autor da Companhia das Letras, Julián Fuks, conquistou a edição de 2017 do Prémio Literário José Saramago, com a obra A Resistência, editada em Fevereiro de 2016, em Portugal. O autor afirmou nos agradecimentos que o sentimento é “quase avassalador de tanta alegria por receber um prémio como estes e entrar numa lista de autores que eu admiro”. Fez ainda referência ao autor que deu nome ao prémio explicando que Saramago foi o único autor que me fez rir e chorar em momentos diferentes. “Sinto que agora Saramago me fez rir e chorar.

A Resistência é um romance semi-autobiográfico que foca a demanda de um filho de refugiados da ditadura argentina em busca do passado da sua família, do seu irmão adoptado e da sua própria história de vida.

Sobre o livro: «Ele é adotado, foi o que eu disse alguma vez a uma prima que teimava em ressaltar como éramos diferentes, ele e eu, seus cabelos mais escuros e encaracolados, seus olhos tão mais claros. Na minha declaração não havia maldade ou despeito, eu acho, eu devia ter uns cinco anos de idade – mas, se agora me sinto impelido a me defender, talvez de fato estivesse acometido por alguma crueldade inocente, que até hoje trato de velar. Estávamos num carro dirigido pelo meu pai, e minha mãe só podia estar ausente porque meu irmão ocupava o banco da frente, não sei se acompanhando a conversa ou perdido em pensamentos insondáveis. Fez-se um silêncio imediato. Posso ter levado um cutucão discreto da minha irmã, que imagino sentada ao meu lado, ou a pontada foi apenas o incômodo que senti ao perceber que havia errado, incômodo que tantas vezes senti sem que ninguém me acotovelasse. Tão contundente foi aquele silêncio que dele me lembro até hoje, entre tantos silêncios pouco memoráveis.»

O ano de 1976, na Argentina, ficou marcado pelo início da Guerra Suja, período de terror protagonizado pelo regime da ditadura militar, de que resultaram, entre muitos outros horrores, centenas de crianças desaparecidas. Na sequência do golpe militar, um jovem casal de psicanalistas decide deixar as trincheiras da resistência e exilar-se no Brasil, levando consigo uma criança que adoptaram entretanto. Em terras brasileiras, o primogénito adoptado ganha irmãos. À medida que cresce a família, complicam-se as relações e adensa-se o mistério da identidade do primeiro filho. Cabe a Sebastián, o filho mais novo do casal e narrador desta história, tentar compreender e reconstruir o passado da família para poder reescrever o seu futuro. Numa poderosa autoficção, Julián Fuks, jovem autor multipremiado, serve-se de palavras aparentemente simples e directas para reconstruir o complexo passado íntimo de uma família e de um país. Uma narrativa singular e engenhosa, em que emoção e inteligência andam de mãos dadas, em que facto e ficção não são exactamente o que aparentam. «Não sei bem se escolhi meu tema ou se fui escolhido por ele. Muito antes de arriscar a primeira linha já sabia que um dia teria que escrever este livro, já ouvia os sussurros da história, já compreendia que tarefa era a minha.»

Sobre o autor: Julián Fuks, filho de pais argentinos, nasceu em São Paulo, no Brasil, em 1981. Publicou o primeiro livro, Fragmentos de Alberto, Ulisses, Carolina e eu, em 2004, e com ele ganhou o Prémio Nascente da Universidade de São Paulo. Em 2007 e 2012 foi finalista do Prémio Jabuti, com o livro Histórias de Literatura e Cegueira; e do Prémio Portugal Telecom (actual Oceanos) e São Paulo de Literarura, como Procura do romance. Também em 2012, foi considerando, pela revista Granta, um dos vinte melhores jovens escritores brasileiros. A Resistência é o seu quarto romance. O autor estará no Folio nos próximos dias 27 e 28, onde participará em duas mesas. A primeira subordinada ao prémio que agora lhe foi atribuído e respectivo livro; e a segunda, uma conversa com Ana Margarida Carvalho e Ana Sousa Dias, com o tema Os Náufragos e os Resistentes.


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