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Opinião: Vitória – A Jovem Rainha | Daisy Goodwin

GoodwinAutor: Daisy Goodwin
Título Original: Victoria (2016) 
Editora: Editorial Presença
Páginas: 424
ISBN: 9789722360708
Tradutor: Maria João da Rocha Afonso
Origem: Recebido para crítica
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Sinopse: Com apenas dezoito anos, Vitória torna-se rainha da mais poderosa nação do mundo. Mas será monarca de pleno direito ou uma marionete nas mãos da mãe e do sinistro Sir John Conroy? Conseguirá esta jovem frágil fazer-se respeitar por homens como o seu tio, o Duque de Cumberland, que consideram as mulheres demasiado histéricas para governarem? Todos querem vê-la casada, mas Vitória não tenciona casar por conveniência com o seu primo Alberto, um tímido devorador de livros, que nem sequer sabe dançar. Ela prefere reinar sozinha, apoiada pelo seu Primeiro-Ministro, Lord Melbourne, com idade suficiente para ser seu pai, mas o único que consegue fazê-la rir e que acredita que ela virá a ser uma grande rainha.

Opinião: A Rainha Vitória é uma figura incontornável da monarquia britânica, após ter ocupado o trono durante mais de 63 anos, entre 1837 e 1901. Nesse período, também apelidado de época vitoriana, ocorreram mudanças profundas no país, das quais o maior exemplo será a Revolução Industrial. Já li várias coisas sobre este período (gosto particularmente de North and South, de Elizabeth Gaskell), mas a verdade é que tinha uma lacuna no que respeita à Rainha propriamente dita.

Vitória – A Jovem Rainha foi escrito pela também argumentista da série televisiva, cuja segunda temporada acabou de estrear, e aborda a sua ascensão ao trono e os dois primeiros anos do reinado, antes de se ter casado. Vitória tinha vivido toda a sua infância e adolescência isolada em Kensington, porque perante a perspetiva de ser herdeira ao trono, a sua mãe e o ambicioso mordomo John Conroy desejavam que ela se tornasse dependente e necessitasse, por isso, do apoio de ambos assim que chegasse a uma posição de poder. A regência nunca se concretizou, porque Vitória completou os 18 anos antes do falecimento do Rei Guilherme IV, seu tio.

A partir do momento em que se torna Rainha, Vitória assume o papel sem medos, apesar da sua inexperiência, libertando-se das amarras da mãe e do pérfido Conroy. Para isso, recorre à ajuda do Visconde Melbourne, primeiro-ministro à data, que a aconselhou e ajudou em muitas das obrigações que Vitória encontrou a seu cargo. Lorde M, como Vitória o apelidava, depressa passou de conselheiro a amigo, e a relação entre os dois revelou-se fundamental para a estabilidade de Vitória.

Abarcando um período muito específico da vida da Rainha Vitória, este livro pretende mostrar as dificuldades que sentiu ao chegar à posição mais importante do país, enquanto lutava por se tornar uma mulher, independente, e com direito às suas próprias emoções. Acho que Daisy Goodwin fez um bom trabalho em retratá-la, tendo para isso recorrido aos diários que Vitória escreveu ao longo da sua vida. O livro tem um enfoque muito emocional e familiar, centrando-se nos acontecimentos do dia-a-dia de Vitória e com a relação nas pessoas que a rodeavam, deixando para segundo plano os acontecimentos sociais e políticos (como os acontecimentos no Afeganistão, por exemplo).

Vitória quis, desde o início, tornar-se uma grande Rainha, à semelhança de uma das suas antecessoras, Isabel I, tendo o tempo provado a concretização do seu desejo. Vitória – A Jovem Rainha retrata muito bem aqueles que foram os primeiros anos do seu reinado e abrem o apetite para futuras publicações da autora que ajudem o leitor a vislumbrar mais do que foi a vida desta importante figura histórica.

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante

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Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.