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Opinião: O Leitor do Comboio | Jean-Paul Didierlaurent

DidierlaurentAutor: Jean-Paul Didierlaurent
Título Original:
 Le liseur du 6h27 (2014)
Editora: Clube do Autor
Páginas: 196
ISBN: 9789897243462
Tradutor: Inês Castro
Origem: Comprado

Sinopse: O poder dos livros através da vida das pessoas que eles salvam. Uma obra que é um hino à literatura, às pessoas comuns e à magia do quotidiano.
Jean-Paul Didier Laurent é um contador de histórias nato. Neste romance, conhecemos Guylain Vignolles, um jovem solteiro, que leva uma existência monótona e solitária, contrariada apenas pelas leituras que faz em voz alta, todos os dias, no comboio das 6h27 para Paris.

A rotina sensaborona do protagonista desta história muda radicalmente no dia em que, por mero acaso, do banquinho rebatível da carruagem salta uma pendrive que contém o diário de Julie, empregada de limpeza das casas de banho num centro comercial e uma solitária como ele… Esses textos vão fazê-lo pintar o seu mundo de outras cores e escrever uma nova história para a sua vida.

Opinião: Acho que a grande maioria dos leitores gosta de livros sobre livros, e eu não sou exceção. Tenho lido vários, ao longo dos anos, e é sempre reconfortante perceber que os livros podem influenciar vidas das mais variadas formas, tal como influenciam a minha. O Leitor do Comboio prometia dar uma das muitas respostas à pergunta “De que forma os livros podem mudar uma vida?” e esta questão, presenta na capa, foi o que bastou para captar o meu interesse.

Guylain Vignolles tem uma profissão que detesta: manobra uma máquina – a Coisa – que tem como função destruir livros. Na rotina diária de limpeza da máquina, Guylain encontra por vezes páginas soltas que escaparam à vil destruição e guarda-as para si. Como que para as devolver à vida e tornar menos penosa a sua viagem diária rumo ao trabalho, Guylain lê-as durante a viagem de comboio e, durante esses minutos, toda a carruagem se silencia para o ouvir. A leitura em voz alta é, de certo modo, uma forma de expiação face ao seu trabalho diário, que o deprime e exalta a sua solidão.

Estas sessões de leitura em voz alta são o elemento catalisador de uma série de mudanças que surgirão na vida de Guylain, servindo, por isso, para destacar a componente transformadora dos livros e da leitura. Esse poder revela-se não só na sua vida pessoal, mas também na vida de todos os que o rodeiam, através de uma narrativa relativamente simples e que muitas vezes assume contornos moralistas.

A mensagem é importante, sem dúvida, mas a forma como a narrativa prossegue e a integra deixou-me algo insatisfeita. O tom de fábula que a história assume, nunca deixando o leitor duvidar do final feliz, pareceu-me simplificá-la em demasia e não a deixar assumir contornos de complexidade que a enriqueceriam bastante. O livro teria ganho, na minha opinião, com personagens mais densas psicologicamente, evitando o tom algo caricatural.

Não é que o livro seja mau, longe disso. E precisamos de finais felizes, claro. Mas esta leitora em particular desejava algo mais. Ainda assim, uma leitura interessante.

Classificação: 3/5 – Gostei 


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