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Opinião: O Jardim das Borboletas | Dot Hutchison

HutchisonAutor: Dot Hutchison
Título Original: The Butterfly Garden (2016) 
Série: The Collector #1
Editora: Suma de Letras
Páginas: 320
ISBN: 9789896652913
Tradutor: Ana Lourenço
Origem: Recebido para crítica

Sinopse: Perto de uma mansão isolada, encontra-se um jardim com flores exuberantes, árvores frondosas e… uma coleção de preciosas borboletas.
Jovens mulheres sequestradas e tatuadas para se parecerem com esses belos insectos.
Quando o jardim é descoberto pela Polícia, Maya, uma das vítimas, ainda se encontra em choque e o seu relato está cheio de fragmentos de episódios arrepiantes, no limite da credibilidade.
O que esconderão as suas meias palavras?

Opinião: Já tinha este thriller debaixo de olho ainda antes de saber que ia ser lançado em Portugal, por isso foi com bastante satisfação que soube que a Suma de Letras ia apostar na estreia da autora norte-americana Dot Hutchison neste género literário. Dividido em três partes, que correspondem, de um modo geral, a três dias, O Jardim das Borboletas acompanha a história narrada por Maya a uma dupla de polícias, ao longo desse período de tempo. A jovem, que inicialmente percebemos ter sido resgatada de um “jardim” onde ela e outras jovens foram mantidas prisioneiras ao longo de vários anos, relata detalhadamente o que tinha sido a sua vida dentro do Jardim, bem como o seu percurso de vida anterior.

O Jardim onde Maya esteve aprisionada juntamente com cerca de outras 20 jovens era gerido pelo Jardineiro, um psicopata que curiosamente transparece das palavras dela como um homem normal, tirando o facto de manter jovens mulheres em cativeiro, abusar delas sexualmente e, assim que completassem 21 anos, assassiná-las e embalsamá-las, colocando-as depois em exibição num macabro corredor com paredes de vidro, como se elas fossem borboletas cuja beleza devesse ser preservada eternamente.

Estamos perante um livro que aposta claramente no poder de choque para cativar o leitor. Para além do caráter objetivamente macabro da narrativa que é apresentada, a opção da autora em contar a história na primeira pessoa, sempre que o enredo retorna ao passado, empresta-lhe um tom subjetivo que ajuda a enfatizar a estranheza de toda a história. Maya é uma sobrevivente, e isso é bastante notório desde o início do livro. Julgo que a sua caracterização é um dos aspetos mais bem conseguidos da história, porque apesar de ser uma vítima – e de eventualmente o ter sido ao longo de toda a vida – Maya mostra-nos também o seu lado negro e confesso que dei por mim várias vezes a questionar-me se ela não sofreria do Síndrome de Estocolmo. Mas não é só Maya: todas as outras borboletas do Jardim são personagens interessantes por si próprias e as relações que se vão estabelecendo entre elas são outro dos pontos altos do livro.

A partir de determinado ponto do livro, torna-se muito difícil abandoná-lo pela vontade em descobrirmos como conseguiu Maya fugir da sua prisão e, ainda que tenha achado que o final deixou um pouco a desejar relativamente a todo o enredo construído, esta foi sem dúvida uma leitura entusiasmante, que se destaca pela forma como a autora consegue equilibrar momentos negros com outros belos e delicados, num livro muito bem escrito. É sem dúvida uma autora para continuar a descobrir.

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante


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