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Opinião: O Assassino do Bobo | Robin Hobb

BoboAutor: Robin Hobb
Título Original: Fool’s Assassin (2014) 
Série: O Assassino e o Bobo #1, The Fitz and the Fool Trilogy #1 | Realms of the Elderlings #14
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 624
ISBN: 9789897730528
Tradutor: Jorge Candeias
Origem: Recebido para crítica

Sinopse: Tomé Texugo tem levado uma vida pacífica há anos, retirado no campo na companhia da sua amada Moli, numa vasta propriedade que lhe foi agraciada por serviços leais à coroa. Mas por detrás da sua respeitável fachada de homem de meia-idade, esconde-se um passado turbulento e de violência. Na verdade, ele é
FitzCavalaria Visionário, um bastardo real, utilizador de estranhas magias e assassino. Um homem que tudo arriscou pelo seu rei, com grandes perdas pessoais.
Até que, numa noite fatídica, um mensageiro chega com uma mensagem que irá transformar o seu mundo. O passado arranja sempre forma de se intrometer no presente, e os acontecimentos prodigiosos de que foi protagonista na companhia do seu grande amigo, o Bobo, vão voltar a enredá-lo. Se conseguirem, nada na sua vida ficará igual…

Opinião: Não será demais recordar que Robin Hobb é uma das minhas escritoras preferidas e a história de Fitz e do seu amigo Bobo uma das mais marcantes para mim, enquanto leitora. Quando a Saída de Emergência começou a apostar nesta autora norte-americana, em 2009, comecei a seguir as aventuras do pequeno Fitz e fui acompanhando o seu crescimento e as suas aventuras nos Seis Ducados, mundo imaginário onde estas histórias decorrem. Li tudo o que foi publicado em português e, porque gosto tanto, mas tanto, desta escritora, decidi ler em inglês as séries laterais que a autora publicou dentro do Reino dos Elderlings, com alguns pontos de ligação com as histórias de Fitz, ainda que esta personagem não apareça (trilogia Liveship Traders e Rain Wild Chronicles, que recomendo vivamente).

Em Portugal, não havia livros novos de Robin Hobb desde 2012 e confesso que já tinha perdido alguma esperança em que surgissem novas publicações por cá. Mas, felizmente, estava enganada. O Assassino do Bobo, primeiro de uma nova trilogia com Fitz como protagonista, saiu em maio e não podia estar mais feliz com esse facto. Recordo que as suas trilogias anteriores foram em Portugal publicadas em 5 volumes (o primeiro publicado na íntegra num volume e o segundo e terceiro divididos em duas partes), portanto não penso ser muito descabido prever que esta trilogia siga a mesma lógica, até porque o segundo e terceiro volumes têm mais páginas. Veremos.

Já tinha lido O Assassino do Bobo em 2014, logo quando saiu o livro original. Na altura gostei bastante, mas como entretanto não li os outros dois volumes achei que o lançamento da edição portuguesa seria um excelente pretexto para recordar esta história e preparar-me para a continuação desta história que, tendo em conta uma entrevista que li recentemente, me parece que vá ser o ponto final na história de Fitz e do Bobo. A verdade é que essa perspetiva tem um sabor agridoce. Os dois tornaram-se verdadeiros amigos, a cujas vidas tem sido sempre um prazer regressar. São personagens de ficção, eu sei, mas a forma como Robin Hobb lhes dá vida torna-as reais para mim e por isso vibro e sofro intensamente com os seus destinos.

O Assassino do Bobo retoma a vida de Fitz cerca de 10 anos depois dos acontecimentos de Os Dragões do Assassino. Fitz vive na propriedade de Floresta Mirrada como Depositário Tomé Texugo, feliz e tranquilo na companhia da sua amada Moli. A vida da corte e os dilemas da família real Visionário continuam amiúde a interferir na sua vida, mas isso é algo com que Fitz já aprendeu a viver. Outro aspeto que teima em vir-lhe à mente é a falta de notícias do Bobo, que aparentemente partiu para nunca mais voltar; Fitz continua a ter alguma dificuldade em lidar com a falta de notícias do amigo de longa data e a ideia que se calhar esta amizade não seria assim tão importante para o Bobo é um espinho constantemente cravado no seu coração.

A ausência do Bobo e o aparecimento de uma nova personagem, que pela primeira vez nestas trilogias ganha capítulos próprios, para além de Fitz, são os dois aspetos principais que fazem com que o leitor avance na narrativa tipicamente lenta e introspetiva que Robin Hobb oferece aos seus leitores. O enredo vai nitidamente em crescendo, em termos de ação e de novas questões que se levantam no que respeita à origem dos Profetas Brancos e do seu papel neste universo. Muitas são as perguntas que ficam no ar e o acontecimento com que este volume acaba deixa uma grande vontade de saber o que se vai seguir.

A experiência de releitura foi muito gratificante. A relativa estranheza que senti na primeira leitura, pelo facto de tudo ter deixado de girar em volta de Fitz, foi aqui bastante atenuada. Por saber o desenlace deste livro em particular, estive mais atenta a vários detalhes e pistas que Robin Hobb foi deixando ao longo da narrativa e que podem (ou não!) deixar entrever os acontecimentos que se seguirão. Mais uma vez, gostei bastante deste livro. Recomendo a todos os que têm vindo a seguir as aventuras de Fitz. Para quem ainda não o conhece, de que estão à espera?

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante


Sobre Célia