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Opinião: A Avó e a Neve Russa | João Reis

ReisAutor: João Reis
Ano de Publicação:
 2017
Editora: Elsinore
Páginas: 224
ISBN: 9789898843654

Sinopse: A Babushka é uma russa idosa que, há alguns anos, emigrou para o Canadá. Sobreviveu ao acidente nuclear de Chernobyl e, agora, está doente. Na fronteira entre a imaginação e a realidade, o seu neto mais novo, de dez anos, não desiste de encontrar uma solução para os seus «pulmões destruídos».

Narrado na primeira pessoa e escrito a partir do ponto de vista ingénuo, terno e, por vezes, irónico de uma criança, relata-se neste romance a peregrinação de um neto ao longo de um continente, bem como inúmeras peripécias na sua cidade natal, habitada por todo um grupo de personagens curiosas.

Opinião: Embalada por novas descobertas de autores portugueses, parti para a leitura de A Avó e a Neve Russa, de João Reis, com grandes expectativas. João Reis já tinha um romance publicado, A Noiva do Tradutor (Companhia das Ilhas, 2015), e tem-se notabilizado na tradução de autores nórdicos, como Knut Hamsun ou Halldór Laxness. 

A Avó e a Neve Russa é um relato na primeira pessoa de um rapaz de 10 anos, que vive no Canadá com o seu irmão e avó, a Babushka, uma senhora idosa que se encontra no fim da vida com um cancro que se atribui à exposição aos “ventos atómicos” de Chernobyl. Esta criança, da qual nunca sabemos o nome, está genuinamente preocupada com a saúde da sua avó e, pelo facto de ser menor de idade, teme que o falecimento da avó o leve a ficar aos cuidados dos serviços sociais e desfaça o pouco que resta da sua família. É por isso que, quando ouve falar na existência de uma planta milagrosa no México, pede ajuda a um amigo para lá ir, perseguindo assim a última esperança de cura para a sua avó.

O foco do livro é, sem dúvida, a forma como esta criança curiosa encara o mundo. A sua sede de saber dá azo, por vezes, a mal-entendidos deliciosos, nomeadamente a nível linguístico. A confusão entre oncologia e ornitologia é um bom exemplo, originando uma ligeireza que se coaduna na perfeição com a forma peculiar – até inocente, diria – como o menino encara a visita à secção oncológica do hospital.

Mascarado com uma aparente simplicidade, A Avó e a Neve Russa mistura, em doses acertadas, amor incondicional, humor, inocência, fé e as dores do crescimento. Gostei muito e quero continuar a seguir o autor.

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante


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