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Opinião: A Rapariga de Antes | J.P. Delaney

DelaneyAutor: J.P. Delaney
Título Original:
The Girl Before (2017)
Editora: Suma de Letras
Páginas: 400
ISBN: 9789896652029
Tradutor: Ester Cortegano
Origem: Recebido para crítica

Sinopse: «Por favor, faça uma lista de todos os bens que considera essenciais na sua vida.»
O pedido parece estranho, até intrusivo. É a primeira pergunta de um questionário de candidatura a uma casa perfeita, a casa dos sonhos de qualquer um, acessível a muito poucos. Para as duas mulheres que respondem ao questionário, as consequências são devastadoras.
EMMA: A tentar recuperar do final traumático de um relacionamento, Emma procura um novo lugar para viver. Mas nenhum dos apartamentos que vê é acessível ou suficientemente seguro. Até que conhece a casa que fica no n.º 1 de Folgate Street. É uma obra-prima da arquitectura: desenho minimalista, pedra clara, muita luz e tectos altos. Mas existem regras. O arquitecto que projectou a casa mantém o controlo total sobre os inquilinos: não são permitidos livros, almofadas, fotografias ou objectos pessoais de qualquer tipo. O espaço está destinado a transformar o seu ocupante, e é precisamente o que faz…
JANE: Depois de uma tragédia pessoal, Jane precisa de um novo começo. Quando encontra o n.º 1 de Folgate Street, é instantaneamente atraída para o espaço —e para o seu sedutor, mas distante e enigmático, criador. É uma casa espectacular. Elegante, minimalista. Tudo nela é bom gosto e serenidade. Exactamente o lugar que Jane procurava para começar do zero e ser feliz.
Depois de se mudar, Jane sabe da morte inesperada do inquilino anterior, uma mulher semelhante a Jane em idade e aparência. Enquanto tenta descobrir o que realmente aconteceu, Jane repete involuntariamente os mesmos padrões, faz as mesmas escolhas e experimenta o mesmo terror que
A Rapariga de Antes. 

Opinião: J.P. Delaney estreia-se no mundo editorial com A Rapariga de Antes, um thriller psicológico que tem tido bastante aceitação da parte dos leitores, após a sua publicação no início deste ano. Na realidade, trata-te de um pseudónimo do autor inglês Tony Strong, que para além de publicar com o seu nome, tem vários livros editados com o pseudónimo Anthony Capella (também publicado em Portugal).

Por causa do hype em redor deste lançamento e porque recentemente este género me tem revelado boas surpresas, a minha curiosidade ficou bastante aguçada e foi com avidez que iniciei esta leitura. A narrativa alterna capítulos sob o ponto de vista de duas mulheres, Emma no passado e Jane no presente, enquanto o leitor vai acompanhando a ida de ambas para o n.º 1 Folgate Street, uma casa londrina bastante sui generis e que desde o início do livro parece tanto uma personagem real como as duas mulheres.

Esta casa é uma criação única do afamado arquiteto Edward Monkford, que só permite que alguém lá resida se cumprir uma série de requisitos e se comprometer a seguir várias regras para lá morar. Tanto Emma como Jane passam no teste e acabam por se envolver com Edward, assumindo a história um paralelismo afetado pelo ambiente peculiar da casa. Jane acaba por saber que a anterior inquilina, Emma, morreu dentro da casa em condições algo estranhas e decide investigar o passado de Emma, o que a leva a caminhos sinuosos e cheios de revelações.

A Rapariga de Antes é um livro que fala de obsessões. A mais evidente é a obsessão pelo minimalismo da parte de Edward, fruto do seu transtorno obsessivo-compulsivo. A casa é um reflexo dessa sua faceta, aqui levada ao extremo não só pelas várias exigências que faz aos seus inquilinos, mas também pela tecnologia presente, que parece esconder sob a capa da inovação e modernismo a invasão da privacidade dos seus moradores. Mas também há personagens com obsessão pela mentira, por uma pessoa em particular ou por determinadas práticas sexuais.

Foi um livro que li num ápice, curiosa por saber o que, afinal de contas, tinha acontecido a Emma. Gostei bastante do início do livro, em especial pelo ambiente algo sinistro que o autor consegue criar, mas pareceu-me que a difícil tarefa de o manter ao longo de todo o livro acabou por não ser completamente bem sucedida. No final de contas, é um thriller psicológico interessante, com boas ideias e que, apesar de não ser perfeito, proporcionou boas horas de leitura.

Classificação: 3/5 – Gostei


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