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Opinião: Arranha-Céus | J.G. Ballard

BallardAutor: J.G. Ballard
Título Original:
High-Rise (1975)
Editora: Elsinore
Páginas: 217
ISBN: 9789898086754
Tradutor: Marta Mendonça e Rute Mota
Origem: Comprado
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Sinopse: «Mais tarde, sentado na varanda a comer o cão, o Dr. Robert Laing refletiu sobre os estranhos acontecimentos que nos últimos três meses tinham ocorrido no interior do prédio enorme.» Num imponente edifício de quarenta andares, o último grito da arquitetura contemporânea, vive Robert Laing, um bem-sucedido professor de medicina, mais duas mil pessoas. Para desfrutarem desta vida luxuosa, não precisam sequer de sair à rua: ginásio, piscina, supermercado, tudo se encontra à distância de um elevador. Mas alguma coisa estranha borbulha por baixo desta superfície de rotina. Primeiro atacam-se os automóveis na garagem, depois os moradores. Um incidente conduz a outro e, acossados, os vizinhos agrupam-se por pisos. Quando aparecem as primeiras vítimas, a festa mal começou. É então que o realizador de documentários Richard Wilder resolve avançar, de câmara em punho, numa viagem por esta inexplicável orgia de destruição, testemunhando o colapso do que nos torna humanos. Entre a alucinação e a anarquia, a visão nunca ultrapassada de J. G. Ballard oferece-nos um retrato demencial de como a vida moderna nos pode empurrar, não para um estádio mais avançado na evolução, mas para as mais primitivas formas de sociedade. 

Opinião: J.G. Ballard é um nome que já conheço há algum tempo, ainda que até agora não tivesse surgido a oportunidade de ler alguma coisa dele. A Elsinore tem vindo a publicar alguma da sua obra (O Reino do Amanhã saiu na semana passada) e como adorei a capa deste livro e tinha ouvido boas opiniões sobre Arranha-Céus, decidi começar por este.

Demorei algum tempo a escrever esta opinião porque tive alguma dificuldade em assentar as ideias sobre as impressões relativamente a este livro. O início estranho e terrivelmente prenunciador da degradação que o leitor se encontra prestes a encontrar é, sem dúvida, cativante. Num arranha-céus de 45 andares, situado nos arredores de Londres, acompanhamos a vida de alguns dos seus habitantes e das relações que se geram entre eles. O edifício funciona como um microcosmos da vida real, de certo modo, vivendo as pessoas mais abastadas nos andares cimeiros, mais amplos e com melhores condições. Os andares inferiores, onde ficam os moradores com menos posses, começam a sofrer com vários problemas estruturais, nomeadamente a nível do ar condicionado, dos maus cheiros devido ao lixo por recolher e pelo deficiente funcionamento dos elevadores.

Acompanhamos várias personagens representativas dos vários estratos sociais e as relações entre elas. Apesar do ambiente estranho e gradualmente opressivo, o arranha-céus exerce uma espécie de fascínio sobre os seus habitantes que, em vez de fugirem da crescente degradação física e psicológica que atravessa o edifício e quem nele habita, parecem ter cada vez mais vontade de nele permanecer e de defender a sua casa a partir do momento em que se começa a travar uma autêntica guerra pelos recursos disponíveis.

Gostei muito da premissa do livro, não posso negar. Há algo nos limites que o ser humano pode atingir que me fascina (de forma algo mórbida, confesso) e é por isso que as distopias fazem frequentemente parte das minhas leituras. Desta vez, a premissa e a espiral de destruição que rapidamente se insinua na história cativaram-me, mas com o avançar da narrativa perdi o entusiasmo. Algumas das situações apresentadas parecem pouco lógicas e irreais, mesmo tendo em conta a suspensão da descrença necessária neste tipo de leituras. 

Terminei o livro com a sensação que poderia ter sido muito melhor se o enredo tivesse sido explorado de outra forma e se as personagens tivessem tido um rumo mais definido. Ainda assim, foi uma leitura com suficientes qualidades para me deixar com vontade de ler mais do autor. Crash aguarda a sua vez.

Classificação: 3/5 – Gostei


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.