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Opinião: Uma Praça em Antuérpia | Luize Valente

LuizeAutor: Luize Valente
Ano de Publicação Original:
 2015
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 352
ISBN: 9789896378448
Origem: Empréstimo

Sinopse: Há uma saga que ainda não foi contada sobre a Segunda Guerra Mundial: a história de duas irmãs portuguesas, Olívia e Clarice. Olívia casa-se com um português e vai para o Brasil. Clarice casa-se com um alemão judeu e vai morar em Antuérpia, na Bélgica. Ambas vivem felizes, com maridos e filhos, até que a guerra começa e a Bélgica é invadida. Para escapar da sombra nazi que vai devorando a Europa, a família de Clarice conta com a ajuda de Aristides de Sousa Mendes, o cônsul que salvou milhares de vidas emitindo vistos para Portugal, em 1940, enquanto atuou em Bordéus, França. A família recebe o visto mas, ao chegar à fronteira de Portugal, um destino trágico a espera… Destino que vai mudar e marcar a vida das irmãs para sempre, por causa de um segredo que só será revelado sessenta anos depois. 

Opinião: Uma Praça em Antuérpia é o segundo romance da escritora brasileira Luize Valente e o primeiro dela a ser publicado em Portugal. Conta a história de duas gémeas portuguesas apanhadas no turbilhão da 2.ª Guerra Mundial e da perseguição alemã aos judeus, num enredo que alterna duas linhas temporais – 2000 e o período da Guerra, bem como alguns acontecimentos anteriores.

Parti para este livro com algumas expectativas, não só pelas boas opiniões que tinha lido mas também porque me parecia ser o tipo de história que tinha tudo para me cativar. Finda a leitura, só consigo pensar na célebre frase “não és tu, sou eu”. A verdade é que tenho lido bastante sobre a 2.ª Guerra Mundial ultimamente, tanto na ficção como na não ficção. Há muito pouco tempo, deixei-me cativar pel’A Contadora de Histórias ou por KL – A História dos Campos de Concentração Nazis e, mesmo que não queira, é impossível não traçar comparações ou confrontar factos. O ideal seria avaliar este livro sem ideias preconcebidas, mas o leitor é feito de experiência e aprendizagem acumuladas e, por esse motivo, aprecia o que lê tendo em conta o que está para trás.

Tudo isto para dizer que achei este livro pouco original e demasiado novelesco. Há variados acontecimentos que se tornam forçados pelo excesso de fortuitidade, como encontros circunstanciais entre personagens do enredo ou personagens históricas (como o aparecimento de Aristides de Sousa Mendes, por exemplo). Questiono também a revelação de um determinado facto central à narrativa logo no início da mesma, que considero ter retirado à história aquilo que poderia ter sido usado mais tarde com grande impacto no leitor.

Não quer isto dizer que este livro não tenha os seus méritos. A escrita é agradável, lê-se muito bem e o contexto histórico, ainda que não seja muito detalhado ou protagonista principal da história, é suficiente. Esta leitora que vos escreve é que, por esta altura, deseja algo mais que não conseguiu encontrar neste livro. Não duvido que seja uma leitura interessante para outro tipo de leitores em contextos diferentes, mas pessoalmente ficou aquém das expectativas.

Classificação: 2/5 – OK


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