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Opinião: Seda | Alessandro Baricco

AlessandroAutor: Alessandro Baricco
Título Original:
 Seta (1996)
Editora: Quetzal
Páginas: 120
ISBN: 9789897223372
Tradutor: Sara Ludovico

Sinopse: Hervé Joucour, um comerciante de seda, vê-se obrigado a fazer uma viagem ao Japão depois de uma epidemia ter dizimado todos os bichos-da-seda provenientes de África. Chegado a esse país distante e desconhecido, muito fechado a viajantes ou qualquer influência ocidental, Joncour é acolhido no palácio do nobre Hara Kei, que se faz sempre acompanhar por uma rapariga. Entre Joucour e a jovem concubina vai surgir um amor. E é este envolvimento secreto, que se desenrola – quase sem palavras – ao longo de subsequentes viagens ao Japão, que é relatado neste livro: uma pequena narrativa, essencial e delicada como a mais fina seda.

Opinião: Seda, publicado em 1996, foi o primeiro grande sucesso do escritor italiano Alessandro Baricco. Em Portugal, tinha até ao ano passado conhecido duas edições, uma pela Difel e outra pela Dom Quixote, ambas com tradução de Simonetta Neto e que se encontravam esgotadas. No final de 2016, a Quetzal publicou uma nova tradução, desta vez de Sara Ludovico, devolvendo aos leitores portugueses a possibilidade de adquirir este pequeno grande livro.

Seda leva o leitor à França do século XIX, onde na localidade de Lavilledieu Hervé Joucour se dedica à sericultura. No início do livro, os bichos-da-seda padecem de um mal e Hervé vê-se na necessidade de se deslocar ao Japão, à época bastante adverso a visitantes estrangeiros, para adquirir novos animais para criação. Nessas viagens, que se repetem ao longo de vários anos, Hervé fica fascinado com uma das concubinas do japonês com quem negoceia, numa relação que se desenvolve de uma forma platónica.

Uma das palavras que escolheria para descrever este romance é contido; a contenção de palavras espelha, de certo modo, a contenção de sentimentos. Na verdade, Alessandro Baricco não necessita de muitas palavras e frases para revelar os sentimentos das suas personagens, e é aqui que, na minha opinião, reside a maior virtude deste livro. Num texto que evoca, por diversas vezes, uma fábula, o autor utiliza mecanismos de repetição que ajudam a reforçar essa vertente. A “seda” acaba por ser um elemento literal e figurativo da história, representando não só o negócio de Hervé, mas também a delicadeza e fragilidade da sua relação não só com a concubina, mas também com a sua esposa.

Seda corresponde às expectativas e deixa-me muita vontade de continuar a descobrir a obra de Alessandro Baricco. Recomendado.

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante


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