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Opinião: Onze Tipos de Solidão | Richard Yates

YatesAutor: Richard Yates
Título Original:
Eleven Kinds of Loneliness (1962)
Editora: Quetzal
Páginas: 240
ISBN: 9789725649527
Tradutor: Nuno Guerreiro Josué
Origem: Comprado

Sinopse: A partir da vida de empregados de escritório em Nova Iorque; de um taxista que ambiciona a imortalidade; de jovens romancistas frustrados; de professores desprezados pelos alunos; de homens do subúrbio e das suas mulheres deprimidas e negligenciadas, de aperitivos e martinis e bares de jazz sem glamour nenhum, Richard Yates constrói um mosaico assombroso dos anos 1950, período em que o sonho americano começava finalmente a concretizar-se e, em simultâneo, a revelar um grande vazio. Publicado a seguir ao romance que consagrou Richard Yates – Revolutionary Road – o conjunto de onze histórias – ilustrando cada uma delas uma vertente desses Onze Tipos de Solidão – cria, para lá do retrato, uma forte atmosfera de alienação e desconexão social.

Opinião: Com Onze Tipos de Solidão, voltei finalmente a Richard Yates. Revolutionary Road é um dos meus livros preferidos de sempre, mas O Desfile da Primavera deixou-me algo indiferente – suspeito que por tê-lo lido na altura errada (conto lá voltar). Desta vez, quis conhecer a faceta de contista do escritor norte-americano e posso dizer que esta coletânea de contos, subordinada ao tema da solidão, fez renascer o meu amor por Yates.

A grande maioria dos contos não tem mais do que 15-20 páginas; este dado torna-se ainda mais relevante quando o leitor se vê perante histórias que contêm dentro de si tanta riqueza a nível de construção de personagens e de reflexão sobre a condição do ser humano, em todas as suas vertentes, mas em especial a social. Todos os contos se situam numa época e locais específicos (Estados Unidos nos anos 1950), mas isso não os torna de forma nenhuma datados, porque o tema é intemporal.

Richard Yates não necessita de muitas palavras para caracterizar as suas personagens ou as situações em que se encontram. Parece quase fácil, a forma como o faz. Há vários contos que roçam o brilhantismo (o meu favorito foi Sem Dor Nenhuma, com O Sofredor lá muito perto), e ainda que não tenha gostado de todas as histórias da mesma forma, não houve nenhum conto que não tivesse gostado de ler ou que tivesse achado desenquadrado dentro da coletânea.

O sentimento que atravessou toda a minha leitura foi o desconforto, e isso só pode ser sinal da mestria de Yates no destrinçar dos motivos e causas da solidão, esse medo tão primitivo do ser humano, muito bem acompanhada pelos sentimentos de impotência e resignação, o que de certo modo a torna a leitura ainda mais incómoda. Mas acho que é bom por vezes sentirmo-nos incomodados; neste caso em concreto, se isso acontecer penso que o desígnio do autor foi cumprido.

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante


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