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Novidade Quetzal | Elegias de Duíno e Os Sonetos a Orfeu, de Rainer Maria Rilke

DuínoTítulo: Elegias de Duíno e Os Sonetos a Orfeu
Autor: Rainer Maria Rilke
Pág.: 216
Data de Lançamento: 03.02.2017

Elegias de Duíno e Os Sonetos a Orfeu, de Rainer Maria Rilke, com tradução de Vasco Graça Moura, chegou às livrarias a 3 de fevereiro. Esta versão bilingue, de dois ciclos importantes deste poeta maior da literatura alemã, tem introdução de João Barrento.

«Invisível poema, respirar!
Mundo, espaço e ser vislumbro
sem cessar em troca pura. O equilibrar
em que por ritmos me cumpro.

Única onda
de que sou mar gradual;
o mais poupado na ronda,
ganho de espaço afinal.

Quanto lugar dos espaços
dentro de mim se precisa.
Ventos, filhos nos meus braços.»

Segundo João Barrento, «O que o leitor d’Os Sonetos a Orfeu e das Elegias de Duíno de Vasco Graça Moura reterá, além do pormenor, é um conjunto notável que veste estes dois ciclos de Rilke como uma segunda pele. A pele visível e a mais atual de Rilke em português. O princípio orientador que o poeta Vasco Graça Moura parece seguir nesta sua nova aventura pelo «espaço interior do mundo» da grande poesia de Rilke poderia ser o que o próprio autor dos Cadernos de Malte nos dá, pela boca do seu narrador: Er war ein Dichter und hasste das Ungefähre – à letra: «Era Um poeta e detestava a imprecisão.»

Excerto:
Decerto é estranho não habitar mais a Terra,
não mais ter usos mal acabados de aprender,
não dar às rosas, e a outras coisas que prometem,
o sentido de um futuro humano;
não mais ser o que se era em mãos infinitamente
inquietas e mesmo abandonar o próprio nome
como um brinquedo destruído.
Estranho, não mais ir desejando os desejos. Estranho,
ver adejar em dispersão no espaço
tudo o que estava em relação. E o estar morto é penoso,
requer plena recuperação para que aos poucos se sinta
alguma eternidade. – Mas os vivos cometem
todos o erro de distinguir com força a mais.
Os anjos (diz-se) muitas vezes não saberiam
se andam entre os vivos ou os mortos. A eterna torrente
arrasta sempre com rodopio todas as idades por
ambos os reinos e em ambos se sobrepõe às suas vozes.
Das Elegias de Duíno.

Sobre o autor: Rainer Maria Rilke nasceu em Praga, em 1875, e morreu na Suíça (arredores de Montreux), em 1926. Entre as suas obras mais significativas estão Os Sonetos a Orfeu e as Elegias de Duíno (ambas publicadas em 1923), Os Cadernos de Malte Laurids Brigge (1910) ou O Livro das Horas (1905). Depois da sua morte foi publicado, em 1929, Cartas a um Jovem Poeta.

Sobre o tradutor: Vasco Graça Moura (Foz do Douro, 1942-2014) foi poeta, ficcionista, ensaísta, cronista e tradutor, além de ter desempenhado importantes cargos de relevância pública na vida portuguesa dos últimos cinquenta anos. Entre as inúmeras distinções que lhe foram atribuídas, contam-se, nomeadamente, o Prémio Pessoa, o Prémio Vergílio Ferreira, o Grande Prémio de Romance e Novela da APE, o Prémio de Poesia do PEN Clube, o Prémio Eça de Queiroz, o Prémio de Tradução Paulo Quintela, o Prémio Europa David Mourão-Ferreira, o Grande Prémio de Poesia da APE, o Prémio Max Jacob de Poesia, o Prémio de Tradução do Ministério da Cultura em Itália (pelas suas notáveis traduções de Dante e Petrarca), ou o Prémio Morgado de Mateus. A sua obra poética está reunida em dois volumes publicados pela Quetzal (Poesia Reunida, 1 e 2, em 2012), e entre os seus romances contam-se Naufrágio de Sepúlveda, Partida de Sofonisba Às Seis e Doze da Manhã, Quatro Últimas Canções, ou O Enigma de Zulmira, para nomear alguns. Traduziu Shakespeare, Racine, Dante, Corneille, Molière, Rostand, Rilke – mas também autores contemporâneos como Seamus Heaney, Hans Magnus Enzensberger, Gottfried Benn ou Jaime Sabines.


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