Home / 5/5 / Opinião: O Quarto de Jack | Emma Donoghue

Opinião: O Quarto de Jack | Emma Donoghue

Emma DonoghueAutor: Emma Donoghue
Título Original:
 Room (2010)
Editora: Porto Editora
Páginas: 333
ISBN: 9789720043436
Tradução: Cristina Correia
Origem: Comprado

Sinopse: Para Jack, de cinco anos, o quarto é o mundo todo. É onde ele e a Mamã comem, dormem, brincam e aprendem. Embora Jack não saiba, o sítio onde ele se sente completamente seguro e protegido, aquele quarto é também a prisão onde a mãe tem sido mantida contra a sua vontade. Contada na divertida e comovente voz de Jack, esta é uma história de um amor imenso que sobrevive a circunstâncias aterradoras, e da ligação umbilical que une mãe e filho.

Opinião: A premissa de O Quarto de Jack, finalista do Man Booker Prize de 2010, é aterradora; uma criança de cinco anos vive aprisionada com a mãe num quarto isolado do mundo, sem nunca de lá ter saído. Adivinha-se uma história terrível por detrás destas circunstâncias e, por isso mesmo, durante vários anos achei que não tinha estômago para avançar para esta leitura; até agora, e em boa hora o fiz.

O livro é narrado na primeira pessoa pelo pequeno Jack, iniciando-se a história no dia em que ele completa cinco anos. Através da sua voz, tomamos conhecimento da forma como esta criança vê o pequeno mundo que a rodeia e como Jack se adapta ao pouco que tem; o pouco é aqui relativo, uma vez que a sua mãe – da qual nunca sabemos o nome – faz os possíveis para minimizar tudo o que Jack não pode experienciar, tal como a maioria das crianças da sua idade. Ela ensina-lhe as letras, os números, inventa atividades e jogos para que o menino possa brincar e ser criança naquele contexto adverso.

O homem que os mantém presos no quarto, a que Jack chama Nick Mafarrico, visita frequentemente a mãe e, quando isso acontece, ele fica dentro do armário e ouve os sons enquanto a mãe é repetidamente violada. Isto é, só por si, extremamente angustiante, mas é ainda mais impressionante porque o leitor tem conhecimento do que está a acontecer pelos olhos de uma criança. Dificilmente não mexe com o leitor e isso, quanto a mim, é demonstrativo do talento da autora em tornar palpável e real a voz de Jack. Temos vontade de saltar para aquela história e dar um abraço a Jack e à mãe dele, dizendo-lhes que tudo irá ficar bem.

Chegando a cerca de metade do livro, fica praticamente impossível largá-lo, pelas situações em que a autora coloca as personagens principais e, em especial, Jack. A vontade de saber o que vai acontecer aos dois, juntamente com a angústia pela situação em que se encontram, tornam a leitura imparável. Penso que o facto de ser mãe de um rapaz mais ou menos da mesma idade fez com que esta história me tenha tocado de forma particular e me tivesse feito pensar na maternidade e no amor incondicional que se sente por um filho, ao ponto de fazermos qualquer coisa por ele.

O facto de sairmos de uma leitura diferentes daquilo que éramos quando a iniciámos, por pouco que seja, é sinal que o livro é bom e que nos marcou. Foi isso que me aconteceu com O Quarto de Jack. Que belo início de ano literário.

Classificação: 5/5 – Adorei


Sobre Célia