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Opinião: O Homem Ausente | Michael Hjorth e Hans Rosenfeldt

Autor: Michael Hjorth e Hans Rosenfeldt
Título Original:
 Fjällgraven (2012)
Série: Sebastian Bergman #3
Editora: Suma de Letras
Páginas: 591
ISBN: 9789896651756
Tradutor: Jorge Pereirinha Pires
Origem: Recebido para crítica
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Sinopse: Na ladeira das montanhas de Jämtland, na Suécia, seis corpos são encontrados. Mais precisamente, seis esqueletos. Dois deles de crianças. Os corpos foram enterrados há muito tempo. Para Sebastian Bergman, que viaja para o local do crime com o resto da equipa do Departamento de Investigação Criminal, estes factos só tornam ainda mais complexa a investigação sobre quem são, quem os matou e porquê.
No início, Sebastian vê o caso como uma oportunidade de escapar da ex-namorada e passar algum tempo com a filha, Vanja. Uma oportunidade para tentar construir uma relação com ela antes que seja tarde demais.
Mas rapidamente descobre que está mais envolvido no caso do que gostaria de estar.

Opinião: Sou fã assumida da série policial Sebastian Bergman, escrita pela dupla sueca Hjorth & Roselfeldt. Os dois primeiros volumes trouxeram casos policiais que me mantiveram agarrada às suas páginas, mas aqui a verdadeira estrela é a personagem principal, psicólogo criminal desbragado e brilhante na sua profissão.

O Homem Ausente apresenta, à semelhança dos volumes anteriores, um caso policial em que a Riksmord – uma equipa de investigação criminal sueca – se vê envolvida. Essa equipa contou anteriormente com a colaboração fundamental de Bergman, para a resolução de casos complicados, e por isso quando este volume se inicia é mais ou menos dado adquirido que ele já é parte da equipa, ainda que todos tenham a noção da sua imprevisibilidade. Desta vez, é encontrada uma vala comum com seis corpos numa região montanhosa da Suécia, e a Riksmord é destacada para resolver o caso.

Mas este livro vive muito para além da investigação policial: acompanhamos uma família afegã que há 9 anos viu o pai e marido desaparecer sem deixar rasto; um jornalista conceituado que se interessa por este desaparecimento; e também altas esferas da polícia e serviços secretos envolvidos, de uma ou outra forma, nos mistérios que o enredo vai desvendando.

A vida pessoal das pessoas da Riksmord continua a ter grande destaque e isso, na minha opinião, ajuda a que o leitor se sinta mais envolvido com a história à margem do caso policial, criando assim uma proximidade com as personagens que as torna reais. Sebastian Bergman continua a ser o protagonista que adoramos odiar. Perdoamos a forma como manipula as pessoas porque, no fundo, sabemos que o faz porque quer ser amado. Claro que os fins não justificam os meios, mas não consigo deixar de sentir pena pela história de vida de Sebastian e torcer para que encontre alguma paz.

O meu interesse pelo caso policial não foi tão elevado neste livro quanto nos anteriores; julgo que tem a ver com o facto de a intervenção de Sebastian na sua resolução ser diminuta. Isto não quer dizer que não seja interessante, longe disso. É um caso complexo, que mostra um pouco dos jogos políticos que dominam as sociedades ocidentais e a xenofobia ainda existente em relação às pessoas de países muçulmanos.

Em suma, O Homem Ausente é mais uma excelente adição a este série. Continua a apresentar personagens bem desenvolvidas e complexas e casos policiais interessantes e que cativam o leitor. Este volume em particular termina com um cliffhanger que deixa o leitor com vontade de pegar de imediato no 4.º volume. Esperemos que não demore muito a ser publicado por cá.

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.