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Opinião: A Viúva | Fiona Barton

A ViúvaAutor: Fiona Barton
Título Original:
 The Widow (2016)
Editora: Planeta
Páginas: 360
ISBN: 9789896577568
Tradutor: Victor Antunes
Origem: Empréstimo
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Sinopse: A Mulher
A existência de Jean Taylor era de uma banalidade abençoada. Uma boa casa, um bom marido. Glen era tudo o que sempre desejara na vida: o seu Príncipe Encantado. Até que tudo mudou.
O Marido
Os jornais inventaram um novo nome para Glen: monstro era o que gritavam e lhe chamavam. Jean estava casada com um homem acusado de algo impossível de imaginar. E à medida que os anos passaram sem sinal da menina que alegadamente raptara, a vida de ambos foi sendo escrutinada nas páginas dos jornais.
A Viúva
Agora, Glen está morto e pela primeira vez Jean está só, livre para contar a sua versão da história. Jean Taylor prepara-se para nos contar o que sabe. Se ele tivesse feito algo terrível, ela saberia, não saberia?

Opinião: A Viúva é o livro de estreia de Fiona Barton, experiente jornalista que, influenciada pelo seu fascínio por casos policiais e o papel das mulheres, mães e familiares das pessoas envolvidas em casos policiais complicados, decidiu enveredar pelo caminho da escrita de ficção. O livro tem sido bastante falado e comparado a A Rapariga no Comboio (que, recordo, veio na “onda” de Em Parte Incerta, de Gillian Flynn) e, por isso, suscitou a minha curiosidade.

Contado sob o ponto de vista de cinco personagens diferentes, A Viúva é um thriller psicológico que acompanha Jean Taylor, a viúva de Glen Taylor, acusado de raptar uma criança que desapareceu para nunca mais ser encontrada. Após a morte acidental do marido, Jean é procurada por uma jornalista e acede a contar a sua história, o que serve de pretexto para recuarmos no tempo e acompanharmos o desaparecimento da pequena Bella, de dois anos, e de toda a investigação que o caso suscitou.

A alternância de pontos de vista, ainda que longe de original, funciona bem neste livro, na medida em que permite que ao leitor entrar na cabeça das personagens principais e, em maior ou menor grau, compreendê-las e àquilo que as move. Pessoalmente, Jean Taylor foi a personagem que considerei mais bem construída, tendo em conta a evolução da perceção que o leitor tem dela: de início, parece uma mulher submissa, limitada e pouco fascinante, mas à medida que a trama avança vai-se revelando cada vez mais interessante e com uma personalidade instável.

Fiona Barton leva o leitor numa viagem às escuras profundezas da motivação humana enquanto consegue não transformar os seus vilões em monstros. O rapto de crianças e a pedofilia são temas muito sensíveis, que considero que a autora tratou aqui com grande sensibilidade.

Diria que o final será mesmo o ponto mais fraco do livro, pois julgo que toda a construção da narrativa pedia um final mais inesperado e com maior impacto. Fez sentido, sim, mas deixou a desejar. E toda a gente sabe que um livro deste género exige um final à altura para passar para outro nível. Ainda que tenha gostado da construção do enredo e da dimensão humana que a autora dá às suas personagens, faltou um quê de originalidade na história que transformasse este A Viúva num livro memorável. Foi um livro que me agradou, mas que não correspondeu a todas as expectativas que tinha criado. 

Classificação: 3/5 – Gostei


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.