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Opinião: A Partir de uma História Verdadeira | Delphine de Vigan

imageAutor: Delphine de Vigan
Título Original:
D’après une histoire vraie (2015)
Editora: Quetzal
Páginas: 400
ISBN: 9789897222993
Tradutor: Sandra Silva
Origem: Recebido para crítica
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Sinopse: Delphine crê que a sua incapacidade de escrever terá coincidido com a entrada de L. na sua vida. L. é a mulher perfeita que Delphine gostaria de ser: muito bonita, impecavelmente cuidada, de uma grande sofisticação e inteligência. L. está também ligada à escrita – é escritora-fantasma. L. insinua-se lenta mas inexoravelmente na vida de Delphine: lê-lhe os pensamentos, adivinha-lhe os desejos e necessidades, termina-lhe as frases, torna-se totalmente indispensável – é a amiga ideal. Mas, aos poucos, sabemos que ela conseguiu isolar Delphine (afastando toda a gente), que lhe lê os diários, a correspondência, que se faz passar por ela! E quer demover Delphine de escrever o livro que esta está a preparar, obrigando-a a escrever a obra que ela (L.) quer: Introduz-se, assim, na vida da amiga de forma insidiosa, permanente, por fim violenta, controlando tudo. É aqui que há um volte-face na intriga – até aí muito perto do real – e uma possibilidade autobiográfica.

Opinião: Ainda que já tivesse um título publicado por cá (Nô e Eu | Guerra e Paz, 2015), Delphine de Vigan era para mim uma desconhecida. A verdade é que a autora francesa, que começou a sua carreira escrevendo sob pseudónimo em 2001, venceu com A Partir de uma História Verdadeira um dos mais importantes prémios franceses da literatura, o Renaudot. 

A personagem principal deste romance chama-se, tal como a autora, Delphine, e vive, como aquela viveu, um grande sucesso após a publicação de um livro com grande carácter autobiográfico, envolvendo membros da sua família. Enquanto se afadiga com a promoção do seu livro, conhece L., uma mulher magnetizante que se insinua aos poucos na sua vida e que acaba por assumir nela um papel central. Delphine começa lentamente a experienciar o famoso bloqueio de escritor quando a ideia embrionária que tem para o próximo romance esbarra nas convicções de L., que a questiona sobre o que valerá a ficção perante a possibilidade do real e palpável.

Boa parte do livro, narrado na primeira pessoa por Delphine, é uma ode ao fascínio que sente por L. e à forma como se torna dependente dela, da sua atenção e presença. Mas o leitor avança na história sempre avisado pela narradora acerca do final pouco feliz que esta relação terá.

A Partir de uma História Verdadeira traz consigo muitas e variadas questões relacionadas com os livros e os escritores: qual é o limite entre a realidade e a ficção? Será uma mais válida que a outra? Como poderá um escritor lidar com um grande sucesso? Escreve para si ou para os seus leitores? Estes temas são abordados por Delphine de Vigan de uma forma quase autobiográfica, valendo-se da sua experiência pessoal e aproveitando para refletir e pôr os seus leitores a refletir. Mas não se pense que se trata aqui de um exercício literário a roçar o ensaio, porque a componente de thriller psicológico aqui presente é desenvolvido de forma brilhante e cativante, criando no leitor a vontade de descobrir a verdade sobre estas duas personagens.

Foi uma leitura completamente absorvente, que me encheu as medidas a todos os níveis: bem escrito, com um enredo cativante, personagens bem desenvolvidas e reflexões que ficam com o leitor. Será sem dúvida um dos melhores do meu 2016.

E o final do livro? Bem, penso que caberá ao leitor juntar as peças e tirar as suas próprias conclusões. Eu confirmei as minhas suspeitas com a última palavra do livro: Fim*

Classificação: 5/5 – Adorei


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.