Home / 4/5 / Opinião: O Discípulo | Michael Hjorth e Hans Rosenfeldt

Opinião: O Discípulo | Michael Hjorth e Hans Rosenfeldt

18580125Autor: Michael Hjorth e Hans Rosenfeldt
Título Original:
Lärjungen (2011)
Série: Sebastian Bergman #2
Editora: Suma de Letras
Páginas: 672
ISBN: 9789896650667
Origem: Recebido para crítica
Comprar aqui (link afiliado)

Sinopse: Numa Estocolmo em chamas, assolada por uma onda de calor, várias mulheres são encontradas brutalmente assassinadas. Os assassinatos têm a marca de Edward Hinde, o assassino em série preso por Bergman há quinze anos, e que continua detido. Sendo um incontestável profiler e perito em Hinde, Sebastian é reintegrado na equipa, e não demora muito a perceber que tem mais ligações com o caso do que pensava. Todas as vítimas estão diretamente ligadas a eles. E a sua filha pode estar em perigo.

Opinião: O primeiro livro da série “Sebastian Bergman”, publicado em 2015 pela Suma de Letras, foi mais uma confirmação de que adotei o género policial como um dos meus preferidos. Foi uma leitura viciante, que tinha como protagonista uma das personagens mais moralmente ambíguas com que já me deparei na literatura. É fácil não gostar de Sebastian Bergman pela sua faceta mulherenga ou pelo seu lado aparentemente insensível, mas acredito – ou pelo menos foi isso que me aconteceu – que à medida que o vamos conhecendo melhor acabamos por percebê-lo, ainda que nem sempre concordemos com as suas atitudes.

Foi por isso com muita curiosidade que iniciei o segundo volume da série, O Discípulo, gentilmente cedido pela editora, que mo disponibilizou antes da sua data de lançamento (precisamente hoje, 16 de março). O primeiro volume deixou uma ponta solta, relacionada com a vida pessoal de Sebastian, que me deixou ansiosa por ler a continuação e é precisamente a partir daí, da relação entre ele e Vanja, a agente policial com quem trabalhou, que este segundo volume retoma a vida pessoal de Bergman. A sua obsessão por ela ganha contornos algo perturbadores e, tal como no volume anterior, a sua aproximação da equipa policial no papel de consultor deve-se, essencialmente, à vontade de se aproximar de Vanja.

O caso que a Riksmord tem entre mãos promete ser dos mais complicados: o livro inicia-se com a descoberta de uma terceira mulher assassinada nos mesmos moldes de duas anteriores, confirmando assim que estão perante um assassino em série. Mais perturbador ainda, estes crimes são uma réplica exata de outros ocorridos há 15 anos, perpetrados por Edward Hinde, que só foi condenado devido à intervenção de Sebastian Bergman.

Apesar de Hinde continuar preso, Sebastian não consegue acreditar que ele não esteja envolvido através de um aliado cá fora. E depressa percebe que a sua relação com os casos é muito mais profunda do que aquela que parecia à primeira vista.

O caso vai avançando, ainda que com alguns obstáculos pelo meio, mas a descoberta do(s) culpado(s) acaba por nem ser o seu foco principal; mais importante acaba por ser o jogo entre Hinde e Sebastian e a curiosidade de saber quem vai levar a melhor. Edward Hinde é uma personagem à altura do seu opositor: os autores fizeram um excelente trabalho na sua caracterização, nunca deixando que o leitor deixe de acreditar na sua personalidade fria, metódica e psicopata.

Ainda que ocasionalmente o livro pareça demasiado longo, nunca se torna aborrecido e as páginas viram-se quase sem nos apercebermos. A leitura é, tal como no primeiro volume, viciante e recompensadora, deixando, mais uma vez, uma ponta solta relacionada com a vida pessoal de Sebastian que adivinho vir a ser abordada no próximo volume. Gostei muito e espero que a série continue a ser publicada em Portugal.

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.