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[Opinião] A Pura Verdade, de Dan Gemeinhart

25916328Autor: Dan Gemeinhart
Título Original:
 The Honest Truth (2015)
Editora: Editorial Presença
Páginas: 256
ISBN: 9789722355902
Tradutor: Maria Fraústo
Origem: Recebido para crítica

Sinopse: Mark é um rapaz normal em quase todos os sentidos. Tem um cão que dá pelo nome de Beau, e Jessie, a sua melhor amiga. Gosta de fotografia e de escrever poemas no seu caderno. O seu sonho é escalar um dia uma montanha. Mas há algo nele que o torna uma criança diferente das outras. Mark está doente. Tem uma doença da qual muitos não recuperam e que o obriga a constantes idas a hospitais e a fazer tratamentos. Por tudo isto, Mark decide fugir de casa. Leva consigo a sua máquina fotográfica, Beau e um plano: alcançar o cume do monte Rainier, mesmo que isso signifique a última coisa que irá fazer.

Opinião:  Mark tem 12 anos e lida com o cancro há 7. O último revés que a doença lhe proporcionou levou-o a tomar uma medida drástica: fugir de casa para concretizar o sonho que o avô alpinista lhe incutiu, escalar o Monte Rainier (com mais de 4.000 metros de altura), como se fosse a última coisa que iria fazer. Com ele leva o seu fiel cão Beau, que o acompanha numa viagem que depressa se revela ainda mais difícil e cheia de percalços do que Mark imaginou inicialmente.

Alternando capítulos narrados na primeira pessoa por Mark, que dão conta das várias etapas da sua viagem, com uma visão sobre o que vai acontecendo do lado dos angustiados pais e da melhor amiga de Mark, a história vai avançando. O estilo de escrita é simples, reduzindo-se com sucesso apenas ao essencial; conta a história de uma forma pungente, fazendo-nos ter pena de Mark e de todas as contrariedades com que se depara. Tenho algumas reticências em classificar este livro como juvenil, porque apesar de a linguagem se adaptar bem a essa faixa etária, não deixa de tratar de temas sérios e complicados.

O autor tenta, ao contar esta história, trabalhar a dicotomia vida-morte e, muito provavelmente, entre o direito que temos a decidir o que fazer das nossas vida versus a consideração pelas pessoas que amamos. Mark é uma criança, amadurecida pelas vicissitudes da sua doença, mas ainda assim uma criança que coloca o seu desejo acima de tudo o resto. A um adulto, a fuga de Mark pode parecer egoísta ou irresponsável, mas penso que o autor consegue justificar bem o desejo de Mark e fazer com que o leitor o compreenda.

A Pura Verdade lê-se num ápice, pela ânsia de querermos descobrir, afinal, como irá terminar a viagem de Mark. O final deixou-me com algumas reticências pela sua verosimilhança, mas gostei de ter ficado, de certo modo, em aberto. Foi uma boa leitura.

Todo o mundo é uma tempestade, acho eu, e todos nos perdemos às vezes. Procuramos montanhas no meio das nuvens para fazermos com que pareça que valem a pena, que significam alguma coisa. E às vezes vemo-las. E continuamos a avançar.

Classificação: 3/5 – Gostei 

Nota:  Para mais informações sobre A Pura Verdade, clica aqui.


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.