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[Opinião] A Rapariga Apanhada na Teia de Aranha, de David Lagercrantz

26021090Autor: David Lagercrantz
Título Original
: Det som inte dödar oss (2015)
Série: Millenium #4
Editora: Dom Quixote
Páginas: 512
ISBN: 9789722058094
Tradutor: Jaime Bernardes
Origem: Recebido para crítica

Sinopse: Neste thriller carregado de adrenalina, a genial hacker Lisbeth Salander e o jornalista Mikael Blomkvist enfrentam uma nova e perigosa ameaça que os leva mais uma vez a unir as suas forças. Uma noite, Blomkvist recebe um telefonema de uma fonte confiável declarando ter informação vital para os Estados Unidos. A fonte tinha estado em contacto com uma jovem mulher, uma super-hacker que se parecia com alguém que Blomkvist conhecia bem de mais. As consequências são surpreendentes. Blomkvist, a precisar urgentemente de um furo jornalístico para a Millennium, pede ajuda a Lisbeth, que, como habitualmente, tem a sua agenda própria.

Opinião: Apesar de já terem passado 5 anos, lembro-me perfeitamente do impacto que teve em mim a leitura de Os Homens que Odeiam as Mulheres, primeiro livro da série Millenium. Não me consigo lembrar de outro livro que entretanto me tenha feito ficar acordada noite dentro, tal foi o entusiasmo que sentia, e penso que isso é dizer bastante. Li os dois livros seguintes com um pouco menos de entusiasmo, por achar que provavelmente precisariam de alguma edição, mas ainda assim foram leituras viciantes, em que não descansei enquanto não terminei. Por isso, foi com alegria que soube que, apesar de morte do seu criador, Stieg Larsson, a série iria continuar. O escolhido foi o também sueco David Lagercrantz, até agora mais conhecido por ter escrito uma biografia do seu conterrâneo Zlatan Ibrahimovic.

A grande expectativa para este livro é, sem dúvida, perceber se as personagens já nossas conhecidas mantêm a sua essência, com destaque em particular para Lisbeth. Sempre gostei dela, daquela mistura entre inocência, violência e inteligência. É uma mulher que luta pelo que acha certo, ainda que nem sempre utilizando os meios mais convencionais (e mesmo legais). Por isso, estava super-curiosa para saber que Lisbeth ia encontrar aqui. Para acabar já com o suspense, digo já que É a nossa Lisbeth. Escorregadia, por vezes intratável, mas com um coração do tamanho do mundo.

Passaram alguns anos desde o fim de A Rainha no Palácio das Correntes de Ar e Mikael Blomkvist não tem notícias de Lisbeth desde então. O seu trabalho na revista Millenium continua, apesar de sem o brilho de outros tempos; aliás, entretanto a revista foi comprada por um grande grupo de meios de comunicação e paira a ameaça de intromissão nos valores que sempre regeram os conteúdos da revista. É neste contexto que Mikael é contactado por Frans Balder, um reputado cientista que trabalha em inteligência artificial, e que lhe promete revelações bombásticas para uma futura reportagem. Enquanto isso, Lisbeth continua o seu “trabalho” como hacker, e os dois não demoram a perceber que o caso em que estão envolvidos é o mesmo e que se poderão ajudar mutuamente.

A parte inicial é um bocado lenta, quase como se David Lagercrantz estivesse a apalpar terreno. Também não ajudou que Lisbeth tivesse demorado um pouco a aparecer, porque assim que isso acontece o livro ganha outro fôlego e interesse – e é muito difícil largá-lo. O caso que volta a pôr Lisbeth e Mikael em contacto é bastante intrincado e com vários pontos de vista, envolvendo temas como a espionagem industrial e pessoal, permitida pelo facto de estarmos todos ligados em rede, e as fronteiras por vezes ténues entre a legalidade e a criminalidade, personificadas de forma bem conseguida na personagem de Lisbeth. 

David Lagercrantz fez-me acreditar que estava a ler um novo livro de Stieg Larsson e esse é o melhor elogio que lhe posso fazer. Imagino que tenha sido um grande desafio pegar num legado com esta dimensão, mas quanto a mim foi muito bem sucedido. Houve alguns detalhes que penso poderem ser melhorados, nomeadamente a tendência para contar a mesma cena sob dois pontos de vista diferentes (que muitas vezes não traz valor acrescentado), mas de um modo geral foi uma leitura muito agradável, viciante e que deixa espaço aberto para novos volumes na série (o autor já tem contrato para escrever mais dois). Nota final positiva para a escolha da editora em, desta vez, ter feito a tradução diretamente a partir do sueco, algo que não aconteceu nos anteriores livros da série.

São sempre as pessoas erradas a ficar de consciência pesada. Aquelas que realmente causam sofrimento ao mundo não se importam com isso. Mas as que lutam pelo bem são corroídas pelos remorsos.

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.