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[Opinião] Quando Lisboa Tremeu, de Domingos Amaral

9356579Autor: Domingos Amaral
Ano de Publicação:
2010
Editora: Casa das Letras
Páginas: 488
ISBN: 9789724619866
Origem: Comprado

Sinopse: Lisboa, 1 de Novembro de 1755. A manhã nasce calma na cidade, mas na prisão da Inquisição, no Rossio, irmã Margarida, uma jovem freira condenada a morrer na fogueira, tenta enforcar-se na sua cela. Na sua casa em Santa Catarina, Hugh Gold, um capitão inglês, observa o rio e sonha com os seus tempos de marinheiro. Na Igreja de São Vicente de Fora, antes da missa começar, um rapaz zanga-se com sua mãe porque quer voltar a casa para ir buscar a sua irmã gémea. Em Belém, um ajudante de escrivão assiste à missa, na presença do Rei D. José. E, no Limoeiro, o pirata Santamaria envolve-se numa luta feroz com um gangue de desertores espanhóis.
De repente, às nove e meia da manhã, a cidade começa a tremer. Com uma violência nunca vista, a terra esventra-se, as casa caem, os tectos das igrejas abatem, e o caos gera-se, matando milhares. Nas horas seguintes, uma onda gigante submerge o terreiro do Paço e durante vários dias incêndios colossais vão atemorizar a capital do reino. Perdidos e atordoados, os sobreviventes andam pelas ruas, à procura dos seus destinos. Enquanto Sebastião José de Carvalho e Melo tenta reorganizar a cidade, um pirata e uma freira tentam fugir da justiça, um inglês tenta encontrar o seu dinheiro e um rapaz de doze anos tenta encontrar a sua irmã gémea, soterrada nos escombros.

Opinião: Sinto algum fascínio pelo terramoto que devastou Lisboa em 1755. Sempre foi um evento da história portuguesa sobre o qual quis saber mais e presumo que tenha sido esse o motivo que me levou a adquirir este livro do Domingos Amaral há uns anos. Há pouco tempo vi uma excelente (apesar de breve) reconstituição do terramoto e maremoto desse dia e decidi que estava finalmente na altura de pegar neste livro.

O que temos neste livro é basicamente as histórias de vida cruzadas de várias personagens fictícias, relatadas na primeira pessoa por uma delas: Santamaria, o português que ficou prisioneiro dos árabes e que, sob o seu comando, se tornou pirata. Após alguns anos foi raptado pelos franceses e entregue a Portugal, onde se encontrava na prisão do Limoeiro (que ainda hoje sobrevive, após várias reconstruções e remodelações) no dia do terramoto. As outras personagens são um árabe que o acompanha, duas freiras condenadas à forca pela Inquisição, um inglês que residia em Lisboa há algum tempo, uma escrava negra e um rapaz de 12 anos que perde a mãe no dia do terramoto e acredita que a sua irmã gémea se encontra soterrada mas viva algures na cave da sua casa.

Confesso, a minha maior expectativa para este livro era aprender. Saber mais sobre este acontecimento decisivo para a história da capital do país, não só a nível político, mas também a nível social, económico e por aí em diante. Sabia que esta era uma história que seguia a vida de personagens fictícias, mas não esperava que o livro se debruçasse na sua maioria sobre elas. Até aí o problema era meu e das expectativas que criei, mas optando por este caminho, o trabalho do autor seria criar personagens interessantes e com uma história que cativasse o leitor. Não aconteceu comigo. Acabei o livro há pouco e só me ficou o saltitar das personagens de local em local, a sua promiscuidade e o linguajar irritante de algumas delas (já lá vou).

Sem contar com o narrador, o que sucede com as outras pessoas é contado em segunda mão, muitas vezes a duplicar de acordo com os diferentes relatos que chegaram a Santamaria. Sinceramente, não gostei desta opção do autor, a de existirem vários pontos de vista na história, sem que o realmente fossem, porque torna a história confusa, sem que o leitor perceba, muitas vezes, a verdade do que aconteceu.

A verdade é que pouco neste livro me interessou realmente: apenas uns breves trechos que o autor decidiu colocar para tentar contextualizar a época, mas que sinceramente achei mal entrelaçadas com a história que estava a ser contada. Quase parece que foram ali colocadas para não podermos dizer que não há contextualização. A escrita é tão básica e superficial que não encontro nada que lhe possa elogiar. Quanto ao linguajar de que falei acima, tenho inveja de quem passou pelas tiradas do inglês e não se irritou. Um exemplo: “See, I’m ferido, no guns, i’m de pijama. And, slave, tu sabes talk with eles.” Foi isto o livro TODO. Dá a sensação que o autor escreveu tudo em português e depois voltou atrás para substituir palavras pelo inglês; para quem não percebe inglês, perde muitas vezes o sentido do que está a ser dito, e para quem percebe é só ridículo. Para além disso, encontrei aqui e ali coisas como “Há medida que…” e outras que tais. Não é preciso dizer mais nada.

No final de contas, pouco aprendi e não gostei do enredo/personagens que o autor aqui nos apresenta. Não recomendo.

Classificação: 1/5 – Não Gostei

 


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.