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[Opinião] O Jantar, de Herman Koch

1507-1Autor: Herman Koch
Título Original:
Het diner (2009)
Editora: Alfaguara
Páginas: 304
ISBN: 9789898775511
Tradutor: Maria Leonor Raven Gomes
Origem: Recebido para crítica

Sinopse: Até onde iria para proteger a sua família? Noite de Verão em Amsterdão: dois casais encontram-se para jantar num restaurante. A trivialidade da conversa, sobre férias e trabalho, entre garfadas satisfeitas e sorrisos educados, deixa adivinhar um jantar aparentemente normal. Aparentemente. É quando chega o prato principal que descobrimos que os casais não se juntaram para jantar pelo prazer da refeição e da companhia, mas para discutir um acto de violência ignóbil perpetrado pelos filhos de ambos. Entre status e família, vamos descobrindo até onde as pessoas estão dispostas a ir para defender o que é seu e impedir o seu pequeno mundo de cair por terra. A natureza do mal exposta à mesa de jantar e a subtileza (i)moral da narrativa faz desta uma história incómoda, provocadora e controversa, que arrasou as tabelas de livros mais vendidos. Uma narrativa surpreendente, tensa e brilhante que não deixará ninguém indiferente.

Opinião: O Jantar relata, como o próprio nome indica, uma refeição de dois casais, em que os dois elementos do sexo masculino são irmãos, e que se decidem juntar para falar sobre um importante e melindroso assunto familiar, relacionado com os filhos de ambos. O narrador é Paul Lochaman que, ao longo das várias fases de uma refeição, nos vai dando a conhecer o que se passa no jantar, ao mesmo tempo que através de flashbacks nos permite perceber não só os acontecimentos que originaram a necessidade desta reunião, mas também quem ele é.

De um modo geral, foi um livro que não me cativou de forma constante ao longo das suas páginas. O início é lento e demorei um pouco a habituar-me ao estilo um pouco “seco” do autor. Na realidade, agora que penso nisso, este estilo adequa-se muito bem ao caráter da personagem e, por isso, parece-me bem conseguido. 

Mas depois as revelações surgem e a história vai sendo revelada por camadas, e são-nos apresentadas as verdadeiras questões que este enredo encerra em si. Fez-me pensar, e isso é sempre positivo. Onde está o limite que separa o amor que temos aos nossos filhos da moralidade? Qual a origem da violência e o que podemos fazer para a impedir? E juntamente com a angústia que vai surgindo com o desenrolar dos acontecimentos, é quase impossível não nos questionarmos acerca do que faríamos se estivéssemos naquela situação.

Não posso dizer que tenha gostado das personagens, mas também penso que provavelmente o objetivo não era esse. A leitura não é, de todo, confortável ou do tipo que nos deixa a sentir bem, mas por vezes também nos faz falta livros assim.

No cômputo geral, não foi um livro que me tivesse marcado indelevelmente, mas acabou por se tornar num bom exercício de reflexão e, só por isso, valeu a pena. Fico curiosa por ler mais coisas deste autor.

Classificação: 3/5 – Gostei


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.