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[Opinião] A Filha do Barão, de Célia Correia Loureiro

15712624Autor: Célia Correia Loureiro
Ano de Publicação:
2014
Editora: Marcador
Páginas: 580
ISBN: 9789897540394
Origem: Ganho em passatempo

Sinopse: Quando D. João tece a união da sua única filha, Mariana de Albuquerque, com o seu melhor amigo – um inglês que investiga o potencial comercial do vinho do Porto -, não prevê a espiral de desenganos e provações que causará a todos. Mariana tem catorze anos e Daniel Turner vive atormentado pela sua responsabilidade para com a amante. Como se não bastasse, o exército francês está ao virar da esquina, pronto a tomar o Porto e, a partir daí, todo o país. No seu retiro nos socalcos do Douro, Mariana recomeça uma vida de alegrias e liberdade até que um soldado francês, um jovem arrastado para um conflito que desdenha, lhe bate à porta em busca de asilo. Daniel está longe, a combater os franceses, e Gustave está logo ali, com os seus ideais de igualdade e o seu afecto incorruptível, disposto a mostrar-lhe que a vida é mais do que um leque de obrigações.

Opinião: Admito o meu preconceito em relação a autores portugueses “desconhecidos”. Não sei explicar muito bem de onde vem, mas talvez tenha algo a ver com a escolha frequente do que vem de fora em detrimento do que é feito cá dentro, em vários quadrantes da nossa sociedade. Sem eu querer, isto acaba por se refletir nas escolhas de leitura que faço, ainda que de forma algo insconciente (a este propósito, recomendo a visualização do último Só Ler Não Basta, onde se falou de autores portugueses e desta questão). Por me ter apercebido que lia muito pouca coisa produzida em português, desafiei-me a ler pelo menos um autor português por mês, que tenho conseguido cumprir.

A Filha do Barão tinha-me suscitado interesse moderado. Já tinha lido coisas sobre outros livros de Célia Correia Loureiro, mas o tal preconceito evitou que ficasse realmente interessada. Até que ganhei este livro num passatempo do Goodreads e decidi não demorar muito tempo a lê-lo. Trata-se de um romance histórico que decorre nos anos das invasões francesas e que tem como protagonista uma jovem filha de um barão, Mariana de Albuquerque, que vê o estado de saúde de seu pai agravar-se cada vez mais devido à peste e que, para sua segurança, é obrigada a casar com um inglês conhecido do pai, Daniel Turner. 

A relação dos dois, bem como as vidas de quem os rodeia, nomeadamente família e criadagem, acaba por ser o centro do romance. Mas esta relação é profundamente afetada pelas invasões francesas, pois Daniel decide juntar-se ao exército inglês que ajudará os portugueses a combater as forças de Napoleão. O contexto histórico acaba por estar muito mais desenvolvido do que estava à espera, de uma forma competente e pouco maçadora, não se imiscuindo na história de um modo desconexo, mas antes entrelaçando-se com o enredo satisfatoriamente. O leitor fica com uma noção bastante completa dos acontecimentos mais importantes da época, sem que esta contextualização acabe por ganhar demasiado protagonismo. É também fácil perceber a pesquisa que a escrita deste livro envolveu, que me pareceu essencial para a credibilidade do enredo. Não só a nível de acontecimentos históricos, mas também dos costumes das gentes, da própria sociedade.

Célia Correia Loureiro escreve muito bem. A escrita é envolvente e cuidada e, penso eu, adequa-se bastante bem ao tipo de história que é aqui contada. Da história fictícia também gostei bastante, ainda que para o meu gosto pessoal por vezes tenha assumido contornos demasiado novelescos e que aqui e ali me tenha parecido que a dinâmica do livro poderia ter beneficiado de algumas páginas a menos. Também é importante referir que, apesar de o enredo encerrar um ciclo, há uma parte importante do mesmo que fica em aberto para uma possível sequela (que pelos visto já está a ser trabalhada, com o título “Uma Mulher Respeitável”) e que tenho algumas dúvidas sobre se terá sido a melhor forma de encerrar este livro.

O balanço final é bastante positivo. Escreve-se bem em português – algo que estupidamente me continua a surpreender. Ficarei atenta a futuras publicações desta autora, que me parece valer a pena acompanhar.

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante

 


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.