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[Opinião] O Pântano da Meia-Noite, de Nora Roberts

50284113_1Autor: Nora Roberts
Título Original:
Midnight Bayou (2001)
Editora: Ulisseia
Páginas: 304
ISBN: 9789725685808
Tradutor: Alberto G. Gomes e Carlos Afonso Lobo
Origem: Comprado

Sinopse: Depois de ter sonhado com a compra de Manet Hall durante vários anos, Declan Fitzgerald decide-se finalmente a dar esse passo. Larga o seu escritório de advogado em Boston e dispõe-se a dar início à imensa tarefa de restaurar a casa. Algum tempo depois, o jovem começa a interrogar-se sobre a veracidade de alusões ao facto de a casa estar assombrada. Sente uma crescente angústia, como se a casa fosse refém de um terror e de uma tristeza que nada nem ninguém podem controlar. A bela vizinha Angelina consegue distrai-lo desses pensamentos sombrios, mas também ela tem uma estranha relação com Manet Hall. E, para que ambos possam entregar-se à mútua paixão, será necessário desvendarem um segredo do passado, tão oculto e negro quanto o próprio pântano.

Opinião: Houve uma altura no meu percurso como leitora em que li imensos livros da Nora Roberts, porque era aquilo que me apetecia ler e me dava algumas das coisas que então procurava nos livros. Entretanto, sou uma leitora diferente: não sou melhor nem pior, simplesmente passei a procurar outro tipo de livros e cansei-me um bocado da sensação de mais do mesmo que comecei a ter com os livros desta autora, de tal modo que ficaram lá em casa por ler uma boa quantidade deles que entretanto tinha adquirido. Este momento foi tão bom como outro qualquer para regressar aos livros da Nora Roberts e, apesar da tal “fórmula”, reconheço na autora alguns méritos e percebo por que é uma das mais bem sucedidas no género em que escreve (ainda que eu continue a preferir, de longe, o que escreve com o pseudónimo J.D. Robb).

Mas passando a este livro propriamente dito: O Pântano da Meia-Noite é um livro que se foca no romance entre duas pessoas no contexto de uma casa assombrada. Enquanto acompanhamos o presente, no qual Declan Fitzgerald adquire uma velha casa para a qual se sente irresistivelmente atraído, vamos tendo flashbacks de uma história trágica que decorreu nessa mesma casa, em finais do século XIX. Quando se muda para a sua nova casa, Declan começa a ter visões sobre o passado e a perceber que ali residem almas atormentadas e que ainda não conheceram o seu descanso. O interesse romântico de Declan, Angelina, é descendente da mulher que foi assassinada naquela casa e revela-se uma peça-chave para acabar com as assombrações, enquanto luta por aceitar os seus sentimentos por Declan.

Nora Roberts optou por revelar logo no início do livro o acontecimento trágico do passado, que originou as assombrações na casa. Como leitora, acho que isso cortou totalmente o suspense e a curiosidade para saber o que teria realmente acontecido no passado. A revelação faseada destes acontecimentos teria sido, quanto a mim, uma forma mais eficaz de levar a história, porque deste modo os flashbacks pareceram um bocado inúteis, apesar de ainda assim interessantes no que diz respeito às personagens que neles participam. As personagens no presente não sabiam o que se tinha passado, outras do passado também não, mas o leitor sabia disso desde o início, o que para mim tirou quase toda a piada à história. Ainda por cima, apesar de achar interessante a ideia das reencarnações, achei o desenvolvimento desta parte demasiado confuso e um pouco inconsequente.

Quanto aos protagonistas do romance, Angelina é uma personagem bem mais interessante que Declan, por estar marcada pela falta de amor maternal – ainda que a sua mãe se tenha revelado uma personagem demasiado estereotipada e a duas dimensões. Declan é o homem perfeito: rico, bonito, compreensivo, e completamente desinteressante por não ter qualquer defeito que se possa detetar. Quanto ao desenvolvimento do romance, deixou-me mais ou menos indiferente, e muito disso deveu-se ao facto de não ter gostado de Declan.

Não posso dizer que tenha ficado maravilhada com este regresso à autora, longe disso. Gostei de alguns aspetos do livro, nomeadamente a história passada (ainda que, quanto a mim, mal explorada) e a questão das vidas passadas e reencarnações, mas o resto achei fraquinho. Um livro que não vai ficar na minha memória.

Classificação: 2/5 – OK


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.